
Paulo Borges
Ontem estive presente em mais uma sessão da Academia Popular de Filosofia que tem vindo a decorrer na Voz do Operário em Lisboa. O tema da sessão de ontem era aquele que mais me interessava, tendo como mote a questão “O que é a Espiritualidade?”, sendo o orador convidado Paulo Borges que tem um vasto curriculum nas áreas da filosofia, religião e política. Uma das razões do meu interesse particular por esta sessão prendia-se com a abordagem que seria feita à espiritualidade enquanto processo religioso e metafísico ou ao alcance de qualquer um, independentemente das suas crenças ou não crenças.
Paulo Borges muito cedo assumiu a sua convicção de que a espiritualidade não é uma experiência de cariz exclusivo dos fenómenos religiosos e está — ou deveria estar — ao alcance de todos os seres humanos que, através da observação, meditação e consciencialização do mundo que nos rodeia (os outros e as coisas), lhes permita atingir um plano de respeito e interligação com o Universo que conduza a uma conduta ética exemplar (palavras minhas, que poderão estar demasiado influenciadas pela minha própria interpretação). Estes princípios não estarão muito longe do que os princípios do Humanismo preconizam e, tal como estes, poderão ser um passo essencial para a construção de um mundo melhor, mais solidário, justo e feliz.
Contudo, é muito pouco habitual que os próprios ateus reconheçam neles próprios uma espiritualidade que vá muito além da contemplação do universo, da natureza, da vida… Talvez porque o que se entende normalmente por “espiritualidade” estar demasiado estigmatizado à utilização religiosa do termo. E, ao pensar nisto, imagino as vantagens que teria para a divulgação do ateísmo se, em vez de se concentrar apenas nos aspectos técnicos da ciência e mesmo da filosofia, este conseguisse também transmitir uma interpretação mais sensitiva do mundo, o que em nada contrariaria os princípios de rigor cientifico ou filosófico e que iria ao encontro dos mais nobres objectivos do Humanismo.
