Quem costuma ler as minhas entradas aqui no Portal Ateu sabe que eu sou um grande fã de South Park, a série cómica da Comedy Central da autoria de Trey Parker e Matt Stone.
Já na décima época da série, houve dois episódios (com os números 1003 e 1004 – para quem quiser procurar) onde Trey e Matt tentaram mostrar uma imagem de Maomé, para fazer o argumento que, se há uma coisa que não pode ser satirizada, então nada pode ser satirizado.
Para celebrar o 200º episódio, Matt e Trey tornam a carregar na mesma tecla, e a primeira parte de dois episódios que vão celebrar este marco na série já tentou mostrar Maomé, mas mais uma vez foram cautelosos (sendo irónicos ao mesmo tempo) para não mostrar a imagem, mas deixando a ideia que podem mostrar o “profeta” do islão.
Como seria de esperar, as ameaças já se fizeram ouvir.
(É inacreditável a argumentação do muçulmano que é entrevistado: “nos, os muçulmanos temos o direito de dizermos aquilo que quisermos e fazermos aquilo que quisermos, mas os infiéis não tem esse direito” – inacreditável!!!)
Lembro-me de estar nos USA, e ter ficado de queixo caído quando, no final do episódio 1004, e quando se ia mostrar a imagem de Maomé, ter aparecido uma mensagem que dizia “A Comedy Central não permitiu que a imagem de Maomé aparecesse neste programa por questões de segurança” e ter pensado que oportunidade perdida tinha sido a Comedy Central não ter tido a coragem de mostrar a imagem do “profeta”.
Força Matt, força Trey, força produtores da Comedy Central!!!
Não cedam.
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Esse argumento, de que uns têm mais direito e legitimidade em falar como e sobre o que entenderem do que outros, é também utilizado por outros grupos religiosos e noutras esferas sociais. Só não é assumido assim com tanta frontalidade nem dito de forma tão clara.
Os católicos também se acham com o direito de ‘meter o nariz’ em todos os assuntos sociais, comunitários, familiares e pessoais e mais do que isso, de dizer como é que as pessoas devem viver e pensar, de criticar abertamente e condenar ideologias e formas de vida mas ficam muito escandalizados e não aceitam quando o resto da sociedade escrutina, critica e condena a sua forma de vida e as suas acções. Não chegam é ao extremo dos muçulmanos de avançar com ameaças de morte.
Outra esfera onde esta posição também é subtilmente assumida é por exemplo, em questões ligadas ao racismo. Normalmente começa por “Eu não sou racista! Eu até tenho amigos pretos! Não sou racista mas……não admitia que a minha filha(o casasse com um(a) preto(a). Nem pensar em namorar/casar com um preto(a). Que horror!” ou “não vou contratar um(a) preto(a)!” ou “só vêm para cá tirar os trabalhos aos outros ou roubar”.
Quando explico a esta gente que isso é racismo puro e duro, sou acusada de intolerância e de não respeitar as opiniões diferentes das minhas. Ou seja, eu é que sou discriminadora e eu é que estou errada. Eles até percebem a minha posição e respeitam-ne. Eu não respeito a deles porque os considero racistas. Estão a ver o raciocínio?
Isto só para dizer que a maior parte das posições e ideologias discriminatórias, tendem a inverter os argumentos e colocar-se no papel de vítima. Eles é que têm toda a razão porque estão sob ataque e portanto têm de se defender. Podem dizer o que quiserem sobre os outros mas ninguém pode dizer nadar sobre eles porque estaríamos a desrespeitar e discriminar as suas opiniões. É certo que uns vão mais longe neste raciocínio demente. Uma coisa é a disputa ficar-se pela troca de palavras e argumentos mais ou menos violentos. Outra são ameaças à integridade física e à vida. Infelizmente, é a isto que o fundamentalismo e fanatismo leva
Eu acima de tudo não gosto de politicamente correctos. Chamar racista a quem se indigna com comportamento X característico de determinadas minorias ou etnias acontece muitas vezes. Multiculturalismo só dentro de certos limites…
A altura é de transição, e muita religião e religioso ainda pensa estar acima de tudo e todos, sem consciência da sua própria situação de arrogância…
Imagine criticar-se toda a espécie humana? hein…PAMAP?
Dizer-se que existem níveis superiores de inteligência e consciência (muitos já os encontraram) e que enquanto o ser-humano não assumir individualmente a noção de “UNIDADE” quanto aos seus semelhantes, isto é (perceber que somos todos iguais), “em direitos” para tornar o mundo um lugar melhor para se viver, não haverá paz.
Concordo plenamente com você Sandra e com o seu raciocínio, porém acredite você é previlegiada, pensando assim, mas 90% da população ou mais, não têm essa visão.
Ao dizer que somos todos iguais não quero me referir evidentemente à inteligencia e argumentação. Imagine se o raciocínio de Einstein era igual ao de um aborígene por exemplo, ou de um político corrupto?
(NADA A VER) e isto não é descriminação. Apenas observando-se as “ATITUDES” perante os obstáculos da vida, chegamos à comprovação e compreensão de quem somos realmente. (Mas que fique entre nós…)
Todos somos vítimas de nós mesmos (Egos) quando manifestamos nossas inteligências e opiniões, pois a ignorância nunca quis “saber” e ela se volta contra quem “sabe”. É o caso dos fundamentalistas e dos inteligentíssimos Trey Parker e Matt Stone. infelizmente.
Neste momento muitos que comentam aqui já devem estar a destilar veneno para me jogarem, visto que o instinto animal em alguns fala primeiro e mais alto… mas… (Já estou acostumado pra não dizer vacinado ou imunizado)
Para se saber tem que se aprender, mas estando-se escravo de sistemas políticos (ou pulhíticos) de encabrestamento mentais, culturais e sociais jamais se entenderá porquê existem formigas, abelhas, moscas, baratas, ovelhas, lobos , etc, já que passamos tão bem SEM ELES, entende?
Existe uma frase do filósofo e matemático alemão Georg Christoph Lichtenberg (1742-1799), que diz assim:
“É impossível atravessar uma multidão levando a chama da verdade sem queimar a barba de alguém.”