De “boas intenções” está o inferno cheio

A catástrofe do Haiti deixou um rasto de morte e destruição. Porém, dentro daqueles que supostamente foram para o país em missão humanitária há alguns que parecem ter segundas intenções, ainda que teoricamente “boas“.

«Na sexta-feira, as autoridades prenderam os membros de uma associação ligada a uma igreja baptista de Idaho (EUA) que se faziam acompanhar por 33 crianças, junto à fronteira com a República Dominicana. Os cinco homens e mulheres afirmaram tratar-se de órfãos do sismo de 12 de Janeiro, embora não tivessem qualquer autorização ou documento para os levar do Haiti. Negam que estejam envolvidos em tráfico infantil, e garantem que queriam ajudar algumas das milhares de crianças abandonadas»[Público]

deboasintencoesestaoinfernocheioAparentemente, a líder do grupo, Laura Silsby (mulher de negócios também auto-apelidada de “missonária”), está sob fogo no seu Idaho natal, por incumprimento salarial dos seus empregados, tendo ainda a conta bancária da sua companhia “penhorada” pelo Estado. Silsby terá afirmado antes de entrar no tribunal algo como “Confiamos em Deus para termos um desfecho positivo“. Mas parece mesmo que Deus não anda naquelas redondezas, tendo o procurador local avisado que o caso iria ter seguimento.

A desculpa dada foi a construção de um orfanato na República Dominicana, algo que ainda não foi apurado. Durante a semana passada a mesma Silsby terá dito que ia em missão para o Haiti para ir “salvar órfãos do terramoto“, mas muitas dessas crianças afinal tinham pais vivos, que em entrevista disseram “os baptistas prometeram educá-los na República Dominicana e que poderiam voltar ao Haiti para visitar os familiares“. Tendo informado as autoridades das suas intenções, foi avisada para não tentar sair do país sem documentação devida, pois podia ser acusada de tráfico.

Há quem veja nisto uma tentativa do Estado haitiano de mostrar alguma autoridade e controlo no meio da anarquia em que se transformou o país. Mas há também quem acuse os missionários de envolvimento em redes de tudo e mais alguma coisa. A contínua referência à sua religiosidade e a “boas intenções” serve para mascarar muita coisa, mas não os iliba de nada. Ou respeitam as regras, ou sofrem as consequências.

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