“It is time for those who talk about family values to start valuing families” [É tempo daqueles que falam de valores da família começarem a dar valor às famílias]
Esta citação de John Kerry diz tudo o que penso desta gente em poucas palavras e mostra o seu desfasamento em relação à realidade. Não gosto de fazer publicidade grátis a estas paradas católicas/ cristãs/ conservadoras/ ou o *******, apologistas da sua definição de família e auto-referidas como não olhando a credos, apesar do grosso da comitiva ser gente religiosa e de ter o apoio da ICAR, ainda que tímido.
Um pouco por todo o mundo políticos (nomeadamente os conservadores na América) e padralhada em geral usam o termo Família (e também o termoCasamento) como referência à dita cuja “tradicional“, símbolo de uns certos valores morais onde se inclui a oposição (a algumas ou mesmo todas estas medidas) ao casamento gay, divórcio, aborto e sexualidade dita “liberal”, entre outros. Acrescente-se a associação à religiosidade e a uma visão retrógrada característica dos mais extremistas que reserva para a mulher um papel preferencial de mãe, esposa, mais direccionada para as tarefas domésticas do que para uma carreira profissional.
E esta gente parece não compreender ou querer compreender que a definição de família é bem mais abrangente do que a sua, arrogando-se como os seus verdadeiros defensores. Num país (e mundo) onde as estatísticas dos divórcios reflectem a verdadeira estabilidade e longevidade das relações humanas, fica reservado para esta Família um papel meramente estatístico, mesmo que maioritário.
Não estaria aqui a escrever isto se o cartaz apresentado ostentasse a palavra “tradicional” ou algo que nos permitisse diferenciar o seu conceito, o que transforma a coisa numa imposição moral ao resto da população, fruto de um preconceito que têm em relação ao que é diferente ou divergente da doutrina, entre a Humanae Vitae e o catecismo cristão em geral.
Daqui por três semanas teremos estas almas a manifestar-se em Lisboa. Sugiro a quem tiver interesse em conhecê-los melhor que tire três quartos de hora para ver com os seus olhos a prestação da principal cara deste movimento (Isilda Pegado) no Expresso da Meia Noite de 19 de Dezembro passado. Vale bem a pena!
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