Fundamentalismo

fundamentalismoHá grandes diferenças entre quem acredita em seres imaginários, e quem não acredita.

Não se trata apenas de pessoas que conseguem operar em termos racionais em todas as áreas da sua vida, excepto nessa. O problema é que na maioria dos casos, estas pessoas organizadas em comunidades, tentam por todos os meios ao seu alcance impor unilateralmente a sua visão, os seus valores.

Isto está em completa oposição com a postura da maioria dos ateus. A nós, não nos faz grande diferença que cada um acredite naquilo que bem entender. Começando no deus sol, passando pelo pai natal, até a santíssima trindade. Se querem acreditar que tem um mestre, um dono, um pai especial, que são ovelhas, cordeiros, servos de alguém, ou qualquer outra coisa, nada temos contra.

Grande parte dos ateus chega até ao ponto de manter uma expressão respeitosa, cada vez que estas pessoas entram em delírio e falam daquilo em que acreditam, por muito inverossímil que seja. No fundo não temos grande prazer em tirar ilusões a ninguém.

Infelizmente o contrário não é verdade. Quem acredita em algo sobrenatural, tem normalmente uma obsessão a raiar o patológico, em impor as suas convicções, as suas normas, e sobretudo a sua forma tortuosa de moralidade.

Não lhes basta conduzir a sua própria vida de uma certa maneira. Acham imperativo que todos os outros se curvem perante os seus valores morais (?), e que a sua concepção de sociedade seja a única admissível.

A sociedade civil permite actualmente três coisas que a ICAR (a mais barulhenta e com maior expressão em Portugal) detesta:

Divorcio: Visto com muito maus olhos, foi progressivamente sendo mais tolerado, sob pena de perderem uma parte significativa das ovelhas.

Casamento Homossexual: Estão na fase da negação. Já é uma realidade, mas ainda não conseguiram aceitar que veio para ficar.

Eutanásia: Ainda não é possível em Portugal. Na Europa, e por enquanto, é apenas legal na Holanda, Suíça e Luxemburgo.

Esta postura de repudio dos direitos dos outros, revela uma enorme intolerância por parte da ICAR. Afinal, se eu (que não sou uma das suas ovelhas) quiser divorciar-me, casar com o José, ou simplesmente deixar de viver, o que é que a ICAR tem a ver com isso?

Estarei por ventura a negar-lhes o direito às suas próprias escolhas?

Creio que não.

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