Exílio por questões de educação religiosa
Segundo a edição online do Jornal Público de hoje, um casal alemão pediu exílio aos EUA para assegurar a educação dos filhos em casa segundo os seus valores. O currículo escolar na Alemanha era contrário aos seus princípios cristãos. Estamos perante uma tendência preocupante?
“O casal de alemães Uwe e Hannelore Romeike, com cinco filhos, fugiram para os Estados Unidos no Verão de 2008. Pouco tempo depois pediam asilo para se manterem no país. O motivo: discriminação contra o facto de quererem ensinar os seus cinco filhos em casa, na Alemanha-natal. Um juiz do Tennessee acabou por lhes dar razão. É o primeiro caso de asilo por razões educativas nos EUA.“
“Nos últimos 10 a 20 anos o currículo educativo nas escolas públicas tem sido cada vez mais contrário aos valores cristãos”, acrescentou Hannelore. “Nós comunicamos os nossos valores, os professores comunicam os deles; e se as crianças estão na escola, nós não podemos influenciar aquilo que eles aprendem“
“Em Portugal é possível ensinar os filhos a partir de casa e estima-se que haja actualmente várias dezenas de crianças e jovens a estudar em regime de ensino doméstico. As autoridades educativas nacionais estimam ainda que esta modalidade está a ganhar cada vez mais adeptos.”
Ler a notícia aqui.
Algo dúbia esta questão do exílio por motivos educativos… não seria mais correcto dizer por motivos religiosos?
É preocupante esta ideia de educar crianças alheadas do resto do mundo. Calculo que para um fundamentalista cristão, educar um filho numa escola pública onde o currículo incluí a Evolução humana, onde se ensina, de uma perspectiva histórica, as diferentes religiões, ou haja uma disciplina sobre Educação Sexual, tudo isto seja contrário aos seus valores.
Pelo que consegui perceber, o ensino doméstico em Portugal está sujeito a avaliação, o que pelo menos indica que os programas escolares são seguidos e aparentemente com bons resultados.
Segundo o sítio NETPROF, “A maioria dos alunos identificados pela DREL – a opção pelo ensino doméstico obriga à matrícula numa escola pública – estão inscritos no 1.º, 2.º e 4.º anos de escolaridade. Sendo que nos dois últimos anos lectivos nenhum chumbou.”
“Em casa, ensina-se o que se quiser e como se quiser. Mas há regras a cumprir. É preciso comunicar qual a pessoa responsável pelo percurso escolar do aluno. No caso do ensino doméstico poderá ser o encarregado de educação, um parente até ao 3.º grau, um tutor ou pessoas que vivam dentro da mesma economia familiar. Todos os trimestres, o responsável tem de entregar na escola relatórios sobre a evolução do aluno e, no final dos ciclos de estudo (4.º, 6.º e 9.º anos), a criança tem de prestar provas.”
Existe um blog português com mais informação aqui
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Qualquer dia temos os pais-educadores ou pedagogos caseiros a queixarem-se ao Mário Nogueira, que trata logo de ir chatear o Sócrates numa micromanif desses mesmos professores, os quais imagino que caibam todos num mini-bus…
PS: Agora a sério. Crianças que aprendem em casa ou em determinados colégios internos não desenvolvem certas capacidades sociais. A reclusão doméstica é então perfeita para quem quer doutrinar ou impor determinados valores… A diferença é uma coisa muito difícil para esta gente.
Vamos ser directos, concisos e frontais. O que está em cima da mesa é o direito à ignorância que, na minha opinião, é inferior ao dever do conhecimento.
LOL. Tens que justificar porque é que a ignorância vale menos que o conhecimento. O que valerá mais? Conhecimento ou Ignorância? Por exemplo, no filme Matrix, o Cypher prefere a “ignorância” (com argumentos plausíveis)… http://www.youtube.com/watch?v=Z7BuQFUhsRM
“porque é que a ignorância vale menos que o conhecimento.”
Começando pelo facto de evolutivamente a espécie ter já feito essa escolha. Se a espécie não estivesse continuamente em busca do conhecimento, não necessitaríamos de cérebros tão grandes.
Depois porque é uma falsa escolha: Mesmo quando um individuo ou grupo de indivíduos escolhe a ignorância, ao primeiro contratempo recorre à ajuda de quem escolheu o conhecimento.
Por ultimo, a ignorância conduz à desvantagem em relação ao meio ambiente e aos outros indivíduos. Quem é que sendo sensato, prescinde de ser capaz de ajuizar por si?
A ignorância só serve um tipo de pessoas: as que querem controlar ou manipular os seus semelhantes.
Concordo contigo… mas há sempre um “se…”.
Dizes “A ignorância só serve um tipo de pessoas: as que querem controlar ou manipular os seus semelhantes”. Acho que esse “só” está a mais. Por exemplo, acho que o Cypher não quer controlar ou manipular os seus semelhantes quando opta pela “ignorância”. Para ele a escolha pela ignorância e por um mundo de ilusão deve-se ao facto de ele considerar muito dura “verdadeira realidade” (fora do matrix); por isso prefere ser inocentemente feliz e rico numa alienação do real. Mas claro que isto é questionável…
Granted.
A ignorância serve dois tipos de pessoas: as que querem controlar ou manipular os seus semelhantes, e as que teimosamente não tiram os olhos do chão, por medo daquilo que possam ver.
E para dar um exemplo do outro lado da barricada cito Galileo: “I do not feel obliged to believe that the same God who has endowed us with sense, reason, and intellect has intended us to forgo their use.”
É claro que o gajo não falava inglês mas não encontro a citação original. eheheh
Seria importante incluir nesses processos, avaliações psicológicas aos pais/educadores/encarregados de educação…
vejam essa imundicie!
http://escolaemcasa.blogspot.com/