Não é grande surpresa. Sempre que há um filme que bate todos os recordes de audiência, o Vaticano sente a obrigação de seguir os seus instintos de crítico de cinema e ditar a sua sentença.
Obviamente, o mais recente filme de James Cameron não podia escapar ao olho crítico da Igreja. A declaração acontece após a ante-estreia de Avatar em Roma. Para ler na totalidade aqui.
Desta vez, a crítica é feita por o filme ser simplista – admitamos, a história é básica – não dizer nada de novo e ser um filme sem profundidade. Mas, essencialmente, que o filme namora doutrinas modernas que promovem a adoração da natureza como um substituto para a religião.
“A natureza já não é uma criação para defender, mas uma divindade para adorar.” “Tanta estupidificação e tecnologia encantadora, mas sem emoções genuínas. ”
O saque indiscriminado de recursos sem olhar ao valor espiritual, que esses mesmos recursos podem significar para os habitantes de Pandora, poderia servir de metáfora profunda para tantos abusos que os seres humanos fazem ao nosso próprio planeta. Talvez esta mensagem tenha escapado ao olho crítico do Vaticano, talvez mais tarde, venham dizer que afinal há valor. Temos sempre que descontar o desfasamento cronológico que parece atingir a cidade do Papa.
O filme Avatar tem recebido muitas críticas. E se algumas são justificadas, há outras que revelam simplesmente uma “agenda”. A Direita norte-americana já veio a público dizer que o filme é anti-americano, ultra-ambientalista e anti-militarista.
Podiamos pensar que só por esses motivos, o Vaticano talvez lhe concedesse algum valor – para além do visual (que reafirma) – já que o Papa parece ter tomado a peito a questão da preservação do planeta. No entanto, Bento XVI tem alertado para as noções que equiparam o ser humano a outros seres vivos e que essas noções abrem caminho a um novo panteísmo que aparentam ser a fonte única para a salvação. Há que acautelar o nível de empenhamento nesta cruzada e não deitar a perder o monopólio da salvação. Mesmo assim, há quem o chame Papa verde.
E se calhar é mesmo verde, verde de inveja.
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É o sonho de todo o diretor, ter seu filme criticado pelo Vaticano.
A inveja é uma coisa muito feia, e eu diria, pouco católica.