Francisco José Viegas é um respeitável actor do meio literário, jornalístico e intelectual do nosso país. Convertido ao judaísmo, abandonando a tradição familiar católica, Viegas licenciou-se em Estudos Portugueses na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Ao longo dos anos tem tido uma intensa actividade jornalística na rádio e televisão e fez parte de diversas redacções de algumas das mais conceituadas publicações da imprensa nacional, tendo, inclusivamente, sido Director de algumas delas. Paralelamente, mantém uma actividade literária regular, tendo recentemente publicado o seu último romance com o título “O Mar em Casablanca”.
No seu último artigo de opinião no “Correio da Manhã”, Francisco José Viegas mostra-se indignado com uma série de pessoas e situações, tudo a propósito do lugar que o Natal deve ter na sociedade contemporânea.
Começa por demonstrar a sua indignação com aqueles que defendem um “laicismo radical” (termo do próprio). Ora, “laicismo radical” é uma expressão apenas utilizada por aqueles que querem fazer associar ao laicismo uma ideia de extremismo e, dessa forma, transmitir a ideia errada de que é possível ser-se mais ou menos laico. “Laicismo radical” é daquelas expressões úteis para quem quer defender o indefensável; neste caso, claro está, quem quiser defender os interesses da intervenção da religião na sociedade, soará muito melhor, pois colocar-se-á na posição de vitima, alvo de um radicalismo. O que é um facto é que uma sociedade ou é laica ou não é.
Se uma sociedade é laica, então respeitará caprichosamente a liberdade religiosa e dos religiosos. Se uma sociedade é laica, respeitará igualmente o direito à não crença e os direitos dos não crentes. Se não respeitar uns ou outros, não se tratará, seguramente, de uma sociedade laica.
Diz ainda Francisco José Viegas que estamos perante uma confusão entre religião e hábitos de civilização! Pode ser que sim – confesso que não entendi muito bem o sentido desta afirmação – mas, em meu entender, nem a religião nem os hábitos civilizacionais deverão estar isentos do escrutínio dos tempos, do respeito pelas regras comunitárias, do evoluir das mentalidades ou do cumprimento do laicismo. Portanto, se somos laicos não podemos permitir que, ao abrigo dos hábitos civilizacionais ou religiosos, se atropele a Constituição e se deixe o laicismo de lado, seja qual for o dia do ano. Para nos envergonharmos com excepções de conveniência já nos chega Barrancos!
Mais adiante no seu artigo, Francisco José Viegas afirma ainda que “a lista de ‘ditaduras antirreligiosas’ é longa e nenhuma apresentável”, dando um salto abissal entre o “laicismo radical” e a ditadura! Isto é do mais pernicioso que eu li recentemente: começa-se por falar de “laicismo radical” e, logo de seguida, vão-se buscar as tais ditaduras antirreligiosas. Perceberam a colagem? Em dois parágrafos apenas cola-se “laicismo” a “ditadura” e deixa-se o subconsciente tratar do resto…
Finalmente, confundir ateísmo (de pacotilha ou não) com jacobinismo, isso sim, parece-me deveras ridículo!
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Mais um que anda a viver à conta do sistema.
De medíocre entrevistador a conceituado escritor, só mesmo num país onde reina a fé…
Será que este “radical religioso” é mesmo licenciado? Já alguém lhe viu o diploma? Diz alguma coisa de especial através da fala ou da escrita? Só faz caso de um absurdo destes quem pertence á mesma religião’ Mais uma vítima dos terríveis ateus. Mete dó.
A RELIGIÃO COMO DEFEITO MORAL
O ateísmo é um tipo de fé. Fé consistente, antropologicamente sustentada, de que não existem deuses.
A atual agressividade quanto ao ateísmo decorre da vantagem concorrencial que este tem em um quadro histórico onde a informação técnico-científica é produzida, acessada e difundida em velocidade cada vez maior.
Por mais sofram “upgrade”, essas construções hoje obsoletas e já obviamente ilusórias, representadas por religiões surgidas na Idade Antiga (ou quase), irão para o museu da História.
Hoje a religião, nos moldes como ela, em geral, se apresenta, constitui a opção preferencial pela inconsciência e alienação, o que, na medida do esclarecimento da pessoa, é defeito moral.
JOSEPOG (BR)