Lisboa, 27 de Dezembro de 2009
Nos passados dias, temos assistido à habitual romaria natalícia de líderes religiosos pelos media portugueses, fruto do constante interesse que os media nacionais sempre demonstram pelo fenómeno religioso.
A exemplo do que vem acontecendo ultimamente, as altas esferas da Igreja Católica não desperdiçaram a oportunidade para demonstrarem o seu alarmismo face à crescente mobilização ateísta na sociedade civil portuguesa, tendo o próprio Cardeal-Patriarca dedicado uma parte considerável da sua mensagem de Natal a esta preocupação.
A associação Portal Ateu – Movimento Ateísta Português (PAMAP) interroga-se com o facto de, na sua generalidade, a imprensa portuguesa não ser tão criteriosa na procura da contraposição como o é,eventualmente, noutras matérias. As declarações proferidas pelos elementos do clero passam, assim, para o grande público sem qualquer espécie de análise critica, quer por parte dos jornalistas, quer por parte daqueles que, tendo visões opostas, não são auscultados para o tão necessário contraditório.
A PAMAP lamenta que o jornalismo português – que tantas vezes demonstrou o seu profissionalismo e independência noutras matérias, tendo dado preciosos contributos para o cimentar da democracia em Portugal – continue, no que diz respeito à discussão pública do fenómeno religioso, agarrado a preconceitos decanos de falta de análise critica e de subserviência ao pensamento e à mensagem religiosa.
Por estarmos convencidos que a sociedade portuguesa só tem a ganhar com uma discussão aberta e pública do fenómeno religioso e porque é nossa convicção de que o ateísmo é cada vez mais indispensável para a construção de uma sociedade mais justa, mais livre e mais igualitária, manifestamos o nosso desagrado pela postura dos media em relação a toda esta matéria.
Outros artigos relacionados:
Estão a ver a RTP1? Que improvável ateu!
Nuno! Que ateu foi esse?
Precisamos de começar a contabilizar estas coisas. Quem foi à RTP?
” porque é nossa convicção de que o ateísmo é cada vez mais indispensável para a construção de uma sociedade mais justa”
Sou ateu, mas não estou de acordo com esta frase. Indispensável é a laicidade, não o ateísmo. As pessoas devem ser livres na religião (ou ausência dela) que escolhem. O estado, esse dever ser SEMPRE laico, não ateu….
1A
ricardo,
Se me for apresentada a frase que cita fora do contexto, concordaria com a sua critica. Não deve ler a frase fora do restante conteúdo em que ela se insere. O ateísmo é uma posição filosófica. É, no meu entender, crucial para a laicidade que o ateísmo seja divulgado e defendido.
Este press-release contesta exactamente o facto de a maior parte dos órgãos de comunicação social terem uma atitude muito pouco concordante com a de um Estado laico e parecerem, isso sim, estarem a a actuar numa teocracia.
Mas, volto a dizer, retirando a frase do contexto, concordo consigo.
E quando for a visita do Papa é que vai ser, as televisões não vão parar de falar no mesmo, vai ser só pessoas da Igreja a falar com aqueles seu discursos de paz e amor.
Curiosamente um estudo feito quanto mais “ateu” um país e sua população é, mais pacifico é.
Ex.: Suécia e Japão
Dava-vos a fonte mas já não tenho o link, depois vou ver se encontro