Como devem imaginar, pouco me incomoda a quantidade e a qualidade dos ditos santos patrocinados pela igreja católica. Percebo o esquema, sem ficar impressionado, uma vez que trabalhei durante muitos anos em vendas e marketing e estou, portanto, familiarizado com a necessidade que qualquer organização tem de estar constantemente a renovar os seus produtos ou serviços.
A igreja católica, como organização obviamente com fins lucrativos, não fica alheia a esta necessidade e investe muita da sua credibilidade pública na promoção e lançamento de novos santos. Procuram-se e confirmam-se milagres (!) a um ritmo controlado, sempre atentos às necessidades do mercado e à oportunidade da elevação, ora a venerável, ora a beato, ora a santinho, ora ao “raio-que-os-parta”… Chega a ser ridículo, claro, mas cada um vestirá a carapuça que lhe servir!
O que mais admiro nesta história da elevação de Pio XII e João Paulo II a veneráveis é a naturalidade com que se mandam às urtigas os mais elementares princípios do próprio cristianismo para justificar o acto. Finge-se que se desconhece que Pio XII foi muitas vezes conivente com o regime Nazi, tendo inclusivamente fechado os olhos à chacina de mais de dois mil e quinhentos padres católicos durante a invasão da Polónia (o que foi, por muitos, considerado uma traição), finge-se não se saber que Pio XII estava convencido de que a Alemanha Nazi deveria ser o grande pólo dinamizador do catolicismo na Europa Central e finge-se não saber que Pio XII foi muito mais rápido a criticar publicamente a invasão russa da Finlândia do que o fez em relação às invasões alemãs por toda a Europa. Finge-se, também, desconhecer-se o facto de que, durante todo o período da II Guerra Mundial, Pio XII raramente se referiu em público ao povo judeu.
Mas, independentemente de tudo isto, temos que perguntar: afinal, se estamos a falar de uma organização que se baseia num deus a fingir, num profeta a fingir, numa moral a fingir e até num monoteísmo a fingir, porque raio é que os santos não deveriam de ser – também – a fingir?
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…conivente com o regime Nazi? Quem? Pio XII????
Que te caia já uma praga de Bernardos em cima, se isto for verdade…
Atenção, é que ele já comprou muitos livros sobre o assunto, alguns deles muito muito raros e, por isso, tem um entendimento da história que nós, comuns mortais, não temos! Se ele diz que Pio XII era um fofinho amigo de judeus eu acredito! Creio em vós São Bernardo! Beatifiquem este homem já pelos seus esforços hérculeos para elevar a corja da ICAR!
Caro Nuno Leal,
Não lhe chegou a sova que levou da última vez que abriu a boca para dizer asneiras acerca deste tema? Chegou a responder ao que lhe disse? Acho que não…
Seja como for, a minha abordagem é clara e límpida: tenho fontes históricas para tudo o que afirmo. E o Nuno? Vamos: não seja tímido. Dê-nos as suas fontes históricas, ensine-nos, homem!
Vou esperar pelo seu trabalho histórico, e pela sua imensa erudição sobre o tema.
Mas vou esperar sentado…
Mas ainda acha que discuto com cegos?! As suas referências valem tanto como os livros do Dan Brown…
Nuno Leal,
«Mas ainda acha que discuto com cegos?!»
Nem imagina como me apetecia chamá-lo, aqui e agora, de imbecil e de idiota.
Mas vou conter-me, e como é Natal, opto pela paz, e deixo aqui este presente:
http://books.google.pt/books?id=JFOF64Vcx_QC&printsec=frontcover&dq=harold+deutsch&cd=2#v=onepage&q=&f=false
Em resposta a isto…
«Mas ainda acha que discuto com cegos?! As suas referências valem tanto como os livros do Dan Brown…»
… cá fica a biografia do Prof. Deutsch, para comparação com a do Dan Brown:
http://www.mn-ww2roundtable.org/obituary.html
O Prof. Harold Deutsch é uma das grandes referências universitárias norte-americanas em matéria de história contemporânea.
Bom Natal!
Pio XII salvou judeus. Ao mesmo tempo não excomungou Hitler, tendo o Vaticano ajudado nazis e criminosos de guerra a fugir da Europa. Ratzinger diz que se baseia nos arquivos do Vaticano para justificar esta decisão, mas também não os abre à imprensa. Poderá demorar anos para se apurar a verdade. Entretanto vão-nos atirando areia para os olhos
A família Pacelli e o Vaticano andaram de mãos dadas desde meados do séc. IX. O irmão mais velho de Pio XII, Francesco Pacelli, para além de administrador (assim como outros membros da família) de empresas ligadas ao Vaticano foi importante na negociação da concordata com Mussolini. Eugenio Pacelli (depois Pio XII) era secretário de estado do Vaticano na altura do acordo com a alemanha nazi durante o pontificado de Pio XI. Ambos os acordos foram muito proveitosos $$$$$$ para o Vaticano…
Em vez de séc IX queria dizer séc XIX.
Olá Rui,
«Pio XII salvou judeus.»
Ainda bem que reconheces.
«Ao mesmo tempo não excomungou Hitler»
O que é que sucedeu no passado, quando um Papa excomungou um líder político?
Vai lá investigar o que é que sucedeu, por exemplo, ao Papa que excomungou Napoleão (por sinal, bem mais bonzinho do que Hitler).
O que é que se ganhava em excomungar Hitler? A tua aprovação? A aprovação do Helder?
A aprovação das gerações futuras?
E quantos morreriam pelas retaliações?
« tendo o Vaticano ajudado nazis e criminosos de guerra a fugir da Europa.»
Já disse vezes sem conta que isto é falso. E por favor, Rui, sê mais objectivo: não digas “o Vaticano”, porque o Vaticano é um lugar. Diz quem foi, bolas. Dá-nos nomes. Chega de afirmações lamacentas e vagas.
«Eugenio Pacelli (depois Pio XII) era secretário de estado do Vaticano na altura do acordo com a alemanha nazi durante o pontificado de Pio XI. Ambos os acordos foram muito proveitosos $$$$$$ para o Vaticano…»
Em que medida?
Tens os números?
Pergunto isto de forma inocente: não conheço esses números, e poderá dar-se o caso de que estejas munido de documentação que me será útil para os meus trabalhos.
Um abraço,
Bernardo
Olá Bernardo,
(desculpa não ter dito nada acerca do outro assunto mas não tenho tido tempo para ler aquilo com a devida atenção)
“O que é que sucedeu no passado, quando um Papa excomungou um líder político? (…) O que é que se ganhava em excomungar Hitler? A tua aprovação? A aprovação do Helder? A aprovação das gerações futuras? E quantos morreriam pelas retaliações?”
Em parte podia ter sido irrelevante, mas demonstraria coragem e brio, ganhando respeitabilidade. Não falo só da Alemanha mas também de outros países com uma percentagem considerável de católicos, como a Eslováquia e a Croácia de Pavelic.
Pio XII aparentemente tinha dois pesos e duas medidas. Zeloso para a invasão russa na Finlândia e passivo (para não lhe chamar cobarde) para a anexação da mui católica polónia, não esquecendo a quantidade considerável de clérigos polacos assassinados, incluindo em campos de concentração (e eu sei-o bem porque já estive em Dachau, que tem um museu muito interessante). Uma instituição como o Vaticano nunca poderia ser neutra durante a segunda grande guerra, independentemente do número de católicos nos dois lados da barricada.
“Já disse vezes sem conta que isto é falso. E por favor, Rui, sê mais objectivo: não digas “o Vaticano”, porque o Vaticano é um lugar. Diz quem foi, bolas. Dá-nos nomes. Chega de afirmações lamacentas e vagas.”
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ratlines
“Tens os números?”
Ainda em vigor, o “imposto para a Igreja” é a principal fonte de rendimento da ICAR e protestantes na Alemanha. Curiosamente, muitos fiés declaram-se como não religiosos para escapar a essa carga fiscal extra. Este imposto vem da concordata de 1933, negociada por Pacelli. Pensa bem, uma percentagem perto dos 8 por cento em cima de 40 milhões de salários católicos nos anos 30-40.
A negociação com Mussolini foi muito, quer dizer, bem mais proveitosa, na medida em que garantiu autonomia e isenção fiscal à Santa Sé e aos seus “residentes”. O Estado Italiano injectou ainda uma espécie de “jóia”. O Tratado de Latrão permitiu que as inúmeras propriedades da Igreja em Itália ficassem isentas de impostos, garantiu a introdução obrigatória do ensino religioso e do casamento segundo os cânones católicos, deu imunidade aos diplomatas creditados pelo Vaticano, isentou de impostos as importações e operações financeiras da Santa Sé.
Abraço
Pio XII ficará muito bem enquadrado no panteão da escumalha vaticana elevada à santidade. Os revisionistas pios bem podem tentar calar-nos o pio, mas uma coisa que jamais se apagará desse pontificado negro, é a conivência e a cumplicidade silenciosa que o oportunista Pacelli deixou bem presente na memória de muitos.
O pobre homenzinho não podia falar, tadinho. Se o fizesse, muitos cristãos sofreriam. O desmemoriado Pacelli teve tantos pruridos para não ver os dois povos de Deus (cristãos e judeus) sofrerem, mas na realidade, sempre foi isso que a Igreja apregoou: “dai testemunho da fé tornando-vos mártires!” Estaria o Pio voltado para aí? Nááá… a vida no Vaticano até era boa! Para quê o martírio? Esperai mais uns anitos para vos encontrardes com o Criador! Não há palavras e adjectivos que cheguem para caracterizar este reles Pio: hipócrita, falso, sonso, mentiroso, cínico, cúmplice…
Helder,
Vais-me desculpar, mas há coisas neste teu “post” que nem tu, nem ninguém decente e justo, poderá escrever, a não ser por puro desconhecimento dos factos.
Mas antes disso, deixa-me limpar caminho:
«Chega a ser ridículo, claro, mas cada um vestirá a carapuça que lhe servir!»
Eu não vou sequer entrar por aí. Não tenho presentemente como objectivo explicar-te estas questões da santidade, e para já, não vou contestar esse aspecto.
Preocupa-me, sobretudo, as afirmações históricas que fazes, que são falsas, e que urge corrigir. Não há, portanto, uma pinga de catolicismo nas críticas que se seguem: são puramente críticas de tipo histórico.
«Finge-se que se desconhece que Pio XII foi muitas vezes conivente com o regime Nazi»
Pio XII nunca foi conivente com o regime nazi.
Tu não podes escrever coisas destas, Helder, nem tu nem ninguém.
De onde retiraste isso, para eu poder contestar de forma mais objectiva?
Referes-te à Concordata? Mas estudaste a fundo as concordatas anteriores a Hitler? Conheces o contexto histórico e as implicações de não se assinar uma Concordata? Hitler cumpriu a Concordata?
A propaganda nazi tratou sempre Pacelli, mesmo antes deste ser Papa, com desprezo, chamando-o de judeu, dizendo que ele descendia de judeus. Como é que explicas sátiras como esta, Helder?
http://4.bp.blogspot.com/_g_qXXK7DGE4/RikiX4tNjkI/AAAAAAAAA5Q/or_kB21jy7s/s400/pacelli22July19371.JPG
Se me explicares esta foto, agradeço.
« tendo inclusivamente fechado os olhos à chacina de mais de dois mil e quinhentos padres católicos durante a invasão da Polónia (o que foi, por muitos, considerado uma traição)»
Sinceramente, não sei a que te referes. E tenho uma biblioteca com mais de duas dezenas de livros sobre este tema. De onde retiraste este “fechar de olhos”?
« finge-se não se saber que Pio XII estava convencido de que a Alemanha Nazi deveria ser o grande pólo dinamizador do catolicismo na Europa Central»
Como??
Estamos a falar do mesmo Pio XII? Do mesmo que, a partir do Vaticano, fazia exorcismos a Hitler, que considerava possuído pelo demónio?
Grande pólo dinamizador do catolicismo?
Helder, estas frases são insustentáveis. As perseguições nazis a católicos (tu mesmo as referes), o plano de Hitler para raptar a Curia Romana (assassinando o Papa se necessário), plano esse entregue ao SS Karl Wolff. A colaboração de Pio XII com a oposição alemã a Hitler (vê o livro do Harold Deutsch, que explica muito bem estas “vatican exchanges”, promovidas por Pio XII).
«e finge-se não saber que Pio XII foi muito mais rápido a criticar publicamente a invasão russa da Finlândia do que o fez em relação às invasões alemãs por toda a Europa.»
Pio XII recebeu cartas (elas existem, podes encontrá-las e lê-las) a pedir que não se queixasse. Inúmeras pessoas morreram em consequência de “vendettas” promovidas pelos Nazis como castigo pelas denúncias feitas pelos bispos católicos (ver caso da Holanda). Pio XII temia essas retaliações. Quando a fera é perigosa, achas razoável lançar inocentes às mãos vingadoras dos nazis, só para o Papa fazer um belo “press release”? Que injustiça, Helder.
«Finge-se, também, desconhecer-se o facto de que, durante todo o período da II Guerra Mundial, Pio XII raramente se referiu em público ao povo judeu.»
O que é que te interessa?
A propaganda? Ter belos comunicados? Ou a acção concreta? Os milhões oferecidos aos refugiados? Os falsos certificados de baptismo católico passados a inúmeros judeus para os salvar dos campos da morte? As ordens dadas aos núncios de todos os países ocupados, instruindo-os para salvarem quem pudessem?
É espantoso que alguém aponte a escassez de palavras (que no entanto foram bastante claras), escassez essa que era mesmo um drama moral do próprio Pio XII (ele debatia-se sempre com esse dilema, mas temia pelas vítimas de retaliações), e que ao mesmo tempo se passe silêncio sobre as acções concretas de Pio XII.
Que posso eu dizer do teu silêncio, Helder, face aos actos concretos de Pio XII?
Ajuda financeira…
Falsificação de documentos para salvar refugiados…
Comboios humanitários…
Diplomacia incessante para conter a guerra…
Conspiração com os opositores a Hitler…
Porquê o teu silêncio, Helder?
Hoje não estou aqui para defender o catolicismo, ou para defender um Papa porque é papa. Estou aqui para defender a verdade histórica. Não é justo fazer este tipo de ataques baseados em tretas, em pseudo-história, em investigação amadora, em falsificações, em distorção do contexto histórico.
Chega.
Sinceramente, acho que chega.
Um abraço,
Bernardo
Snif…snif…
Até me vieram as lágrimas…
Rui Rodrigues:
Acho que vou aceitar o teu cafezinho. Pode ser na zona do Saldanha? Não te esqueças de ir vestido de refugiado: anda por lá um gajo em nome da ICAR a “distribuir milhões aos refugiados”.
Agora sabemos porque é que a Igreja andava a acumular MILHÕES: era para distribuir aos judeus. Vejam-me só esta santidade! Se calhar, deve andar a acumular os mesmos milhões hoje em dia já a pensar num futuro holocausto…
Bernardo,
É óbvio para mim que tu tens acesso à mesma informação que eu. Também é óbvio para mim que preferes acreditar noutra “versão” da história, como, aliás, seria expectável.
Essencial, para mim, não são as quantidades de livros que tu tens sobre a matéria em causa, garanto-te. Não ganha aquele que tiver mais livros ou que tiver lido mais livros. Ganha aquele que, sem preconceitos, se aproximar mais da verdade (“ganha” na sua consciência, apenas).
Não me venhas com romances sobre o teu lado de historiador porque, por mais que te quisesses abstrair, serias sempre um historiador que olharia a história com olhos de católico, da mesma forma que eu a olho com olhos de ateu. Portanto, em termos de honestidade intelectual, já estou a ganhar ao admiti-lo, ao contrário da tua demagogia.
Por isso, se te quiseres dar ao trabalho – para poderes contestar, conformo dizes – ofereço-te aqui uns links para tua consulta:
- Sobre os padres católicos em campos de concentração: aqui ou um livro sobre a matéria. Recordo, Pio XII fechou os olhos a estes acontecimentos.
- Sobre a questão da santificação do Papa Nazi: aqui
- A visão dos judeus sobre o Pio XII: aqui
Finalmente, uma questão de ética: achas que alguém, pelo facto de ter levado sempre uma vida exemplar, deverá ficar isento das suas responsabilidades, sejam quais forem as circunstâncias? Eu acho que não. Nenhum milhar de vidas salvas justifica uma só que tenha sido ignorada. Afinal, tratava-se do Papa e, afinal, trata-se de um “santo”…
Ia a dizer “Ridículo!”, mas acho que ainda não foi inventado um adjectivo que qualifique dignamente este episódio.
Abraços.
Helder,
Obrigado pela tua resposta rápida.
«É óbvio para mim que tu tens acesso à mesma informação que eu. Também é óbvio para mim que preferes acreditar noutra “versão” da história, como, aliás, seria expectável.»
Sim: é verdade que eu fico satisfeito quando encontro coisas boas para contar sobre Pio XII. Como se calhar, um adversário da Igreja fica satisfeito quando encontra coisas más.
A questão central não é essa: é que quando falamos de factos objectivos (e não da sua interpretação), os factos falam por si. Eu critiquei o que tu escreveste em pontos muito claros, porque tu referiste “não-factos”, ou seja, não estou a criticar uma interpretação tua, nem a dar uma interpretação minha: tu referiste “não-factos”.
«Essencial, para mim, não são as quantidades de livros que tu tens sobre a matéria em causa, garanto-te. Não ganha aquele que tiver mais livros ou que tiver lido mais livros. Ganha aquele que, sem preconceitos, se aproximar mais da verdade (”ganha” na sua consciência, apenas).»
Claro. Não quis dar essa ideia.
Só me chateia, e não pouco, que sendo este um tema que exige estudo e conhecimento, se atirem umas bocas para o ar, com base numas “googladas” na Internet, para denegrir injustamente uma pessoa.
«Não me venhas com romances sobre o teu lado de historiador porque, por mais que te quisesses abstrair, serias sempre um historiador que olharia a história com olhos de católico, da mesma forma que eu a olho com olhos de ateu.»
Sim, claro. Não escondo, nem nunca esconderei, que não existe tal coisa como “interpretação neutra”: nenhum historiador é um interpretador neutro. Mas antes da interpretação vêm os factos. E é no terreno neutro dos factos objectivos que podemos, e devemos olhar juntos para a questão de Pio XII e fazer, antes de mais, um elenco dos factos. E há muito facto desconhecido.
«Portanto, em termos de honestidade intelectual, já estou a ganhar ao admiti-lo, ao contrário da tua demagogia.»
Não estás a ganhar: tens um preconceito acerca de Pio XII, e esse preconceito afecta-te muito. O resultado vê-se na selecção de fontes que fazes. No mínimo, esse preconceito afecta-te tanto como me afectará a minha expectativa de católico em que Pio XII terá sido bom católico.
«Por isso, se te quiseres dar ao trabalho – para poderes contestar, conformo dizes – ofereço-te aqui uns links para tua consulta:»
Terei todo o gosto em fazê-lo, usando se possível a vossa secção Direito de Resposta. Mas sabes bem como isso dá trabalho…
«- A visão dos judeus sobre o Pio XII: aqui»
Essa não é “a visão dos judeus”!!!
É a visão de Shira Shoenberg!
Queres uma visão diametralmente oposta de um outro judeu? Dou-te esta: “Three Popes and the Jews” do Pinchas Lapide. Queres outra? Dou-te esta, fresquinha do Rabi David Dalin: http://www.amazon.com/Myth-Hitlers-Pope-Against-Germany/dp/0895260344
«Finalmente, uma questão de ética: achas que alguém, pelo facto de ter levado sempre uma vida exemplar, deverá ficar isento das suas responsabilidades, sejam quais forem as circunstâncias?»
Não, claro que não.
O problema é que não é fácil, ou pelo menos não é muito fácil, apontar erros concretos a Pio XII. Depois de ter estudado a documentação, eu consigo apontar alguns erros concretos (mas não sei se eu faria melhor que ele). Mas garanto-te que não se tratam daqueles pseudo-erros que os mitómanos costumam lançar para o ar.
«Eu acho que não. Nenhum milhar de vidas salvas justifica uma só que tenha sido ignorada. Afinal, tratava-se do Papa e, afinal, trata-se de um “santo”…»
Acho que estás a ver mal a questão. Ninguém diz que o Papa Pio XII fez tudo o que podia. Diz-se que ele fez imenso, muito mesmo. Por exemplo, fez mais do que muitos países fizeram: a Suiça e o Canadá rejeitaram refugiados. O papel da Cruz Vermelha na colaboração para evacuar refugiados foi uma vergonha: mas não vejo ninguém a montar lendas negras sobre a Cruz Vermelha…
«Ia a dizer “Ridículo!”, mas acho que ainda não foi inventado um adjectivo que qualifique dignamente este episódio.»
Dá-me tempo, Helder. Dá-me tempo. Eu não consigo trabalhar assim tão depressa em tantas frentes. Vocês aqui lançam os temas para o ar, com meia dúzia de linhas, sempre consultando fontes em terceira ou quarta mão (sites, notícias, etc.). Eu tenho que ir para a biblioteca…
Um abraço e um Bom Natal!
Caro Hélder Sanches, peço desculpa por me intrometer na vossa conversa, mas em relação a isto que disse ao Bernardo Motta:
“serias sempre um historiador que olharia a história com olhos de católico, da mesma forma que eu a olho com olhos de ateu”;
é cair no erro de que ser ateu pressupõe ser-se contra a Igreja Católica. Não vejo porque o seu ateísmo, a convicção de que Deus Não Existe, o torna menos imparcial para analisar a questão histórica que levantou. A não ser que tenha tomado para si mesmo como um desígnio fazer da militância pelo ateísmo sinónimo de uma oposição ao catolicismo, incluindo a negação de que algo de que possa ter vindo desse lado tenha sido benéfico em alguma coisa, por mais pequena que seja, para a humanidade. Só isso poderia fazer com que; à partida, se assumisse como parcial ou tendo interesses em que a História fosse de uma maneira e não de outra.
Dito isto, parece-me que o Hélder Sanches está a ser parcial e injusto nesta matéria, não por ser ateu, mas antes por ser contra o catolicismo enquanto doutrina, tida por muitos como fonte de progresso para a humanidade, ideia que certamente abominará, mas que deveria compreender que em nada é condição sine qua non de uma visão ateísta da realidade.
Peço-lhe desculpa por lhe relembrar disso, mas este seu artigo não tem nada a ver com ateísmo. Se levantou uma questão histórica, não se escude agora em ateísmo versus teísmo como forma de dizer que as coisas serão sempre vistas de maneira diferente pelos “dois lados”; o Bernardo Motta apresentou argumentos isentos e não foi parcial, muito pelo contrário.Isto não é um Sporting-Benfica, mas uma questão histórica.
Para os factos apresentados por Bernardo Motta, só há duas vias: ou eles são refutados, concretamente e com recurso a fontes históricas credíveis, ou reconhecemos que houve aqui uma precipitação do Hélder Sanches, e esperemos que para a próxima ele fale de ateísmo e não de teorias da conspiração anticatólica.
Quanto ao Nuno Leal, testemunho ser verdade aquilo que o Bernardo Motta lhe disse; ainda há pouco tempo o Bernardo tentou esclarecer-lhe alguns equívocos sobre esta matéria, mas o Nuno nem se dignou a responder ou reconhecer que estava enganado. Aqui na caixa de comentários deste artigo.
http://www.portalateu.com/2009/12/09/morfologia-redefinida/
Ora, quem foge do debate, depois vem para outra caixa de comentários ridicularizar e provocar gratuitamente o Bernardo Motta, ouvindo de seguida mais argumentos, e só responde “não debato com cegos”, é alguém que não sabe do que fala e depois não é humilde para reconhecer que ou está enganado ou não tem conhecimentos sobre a matéria para opinar sobre a verdade dos factos.
O meu ponto é só um: esta é uma questão histórica, se deixarem os insultos e os preconceitos de lado, sobretudo a noção absurda de que um ateu está contra o catolicismo por princípio e que um católico é um palerma que não aceita nenhuma crítica aos Papas, talvez cheguemos mais depressa à verdade dos factos, afinal, aquilo que em princípio deveria interessar a todos.
Cumprimentos.
Akira,
Este seu comentário só faz sentido mesmo vindo de quem não conhece minimamente nem o Bernardo nem a mim.
É muito simples: ser ateu não faz de mim anti-católico, para insatisfação de muitos outros colaboradores e comentadores do Portal Ateu, portanto, não enfio essa carapuça.
O Bernardo, por sua vez, não é um católico tradicional, no sentido do “não-praticante” e que só é católico quando lhe convém. Para o Bernardo, tudo o que vem do Vaticano faz sentido. O que não quer dizer que o Bernardo não tenha sentido critico. Tem é o sentido critico perfeitamente em sintonia com o Vaticano. às vezes até assusta…
Mas, no meio desta polémica, lamento que se tenha perdido aquilo que eu pretendia que fosse o essencial do meu artigo que era a subjectividade de todos estes processos de santificação e o interesse para o marketing religioso que têm estas “elevações”.
Bernardo,
Fico a aguardar que me envies, então, o texto para a secção “Direito de Resposta”. É sempre um prazer contar com a tua participação.
Um bom Natal para ti e para todos.
Hélder Sanches,
“É muito simples: ser ateu não faz de mim anti-católico, para insatisfação de muitos outros colaboradores e comentadores do Portal Ateu, portanto, não enfio essa carapuça.”
Muito bem, mas eu não tentei enfiar-lhe nenhuma carapuça. Fundamentei-me nas suas próprias palavras dirigidas ao Bernardo Motta:
“serias sempre um historiador que olharia a história com olhos de católico, da mesma forma que eu a olho com olhos de ateu”;
Ora, é isto que eu critiquei; uma noção de Sporting-Benfica num debate que é histórico, em que ser ateu, ter a convicção de que Deus não Existe, já é à partida tido por si como um impecilho a que se seja imparcial sobre as culpas ou méritos históricos do catolicismo. Isto a mim soou-me absurdo.
Ainda bem que o Hélder Sanches reconhece, se compreendi bem as suas palavras, que esta conversa já nada tem a ver com ateísmo/teísmo; mas sobre factos históricos concretos.
Acompanharei então com bastante interesse o seguimento do debate, com o direito de resposta do Bernardo, e penso que será uma boa oportunidade para se chegar a uma conclusão de facto sobre este assunto; levando o Hélder Sanches, se for caso disso, a reconhecer que se precipitou naquilo que escreveu neste artigo, ou o Bernardo Motta, se os dados nos levarem definitivamente para aí, a reconhecer perante todos que a sua posição é que está errada.
Se me permitem a sugestão, penso que em matérias históricas, num portal que pretende promover o racionalismo, as alegações históricas que são feitas e as posiçãos de facto que são tomadas devem ter consequências claras e sem margem para dúvidas. Duas visões tão opostas, com as que estão aqui em causa, não podem estar as duas certas. Como vosso leitor assíduo, aguardo então que o debate seja fundamentado e elevado e que no final a conclusão dele seja assumida frontalmente por todas as partes envolvidas.
Qualquer um se pode enganar, mas se, em vez de debatermos a fundo o assunto dispostos a reconhecer que estamos errados, optarmos antes por deixar assuntos destes numa névoa dúbia e confortável, de que os crentes, com palas nos olhos em relação aos Papas, pensarão sempre uma coisa e os ateus, como se fossem todos anticatólicos, pensarão sempre o contrário; deixa de fazer qualquer sentido levantar episódios como os das relações entre a Igreja e o III Reich, pois o objectivo não é informar nem esclarecer; mas dar uns ecos de propaganda e de lugares comuns.
Cumprimentos.
Caro Akira,
Só posso agradecer, e muito, o facto de vir em minha defesa.
Destaco este seu parágrafo:
«O meu ponto é só um: esta é uma questão histórica, se deixarem os insultos e os preconceitos de lado, sobretudo a noção absurda de que um ateu está contra o catolicismo por princípio e que um católico é um palerma que não aceita nenhuma crítica aos Papas, talvez cheguemos mais depressa à verdade dos factos, afinal, aquilo que em princípio deveria interessar a todos.»
Ora nem mais.
De seguida, vou responder ao Helder com mais detalhe, mas gostava de deixar claro, tão claro como a água, que eu não tenho feitio para esconder detalhes incómodos para a Igreja da qual faço parte. Não quero fazer propaganda, mas tenho obra publicada, e num dos dois únicos livros que escrevi, há um capítulo inteiro com crimes cometidos por católicos durante a célebre cruzada contra os Cátaros (nesse capítulo, evidentemente, não escondo também os crimes cometidos por cátaros contra católicos – entenda-se).
Um dos pontos que jogam a desfavor da Igreja Católica, e que nunca me cansarei de afirmar, pois é verdade, é o seguinte: o anti-semitismo alemão de finais do século XIX, que foi importante para moldar a concepção do mundo que tinham os nazis, alimentou-se de ódios antigos, ódios que os alemães sempre nutriram pelos judeus. O Daniel Jonah Goldhagen escreve muito sobre esta questão, e ele tem razão em muita coisa, não fosse o preconceito anti-católico do autor levá-lo em direcção à bruta asneira de defender que o cristianismo explica o Holocausto.
Esses ódios anti-judaicos antigos tinham, claramente, uma motivação económica (em tempos de pobreza, a população tendia a ver os ricos como os culpados de tudo, e os judeus sempre foram financeiramente auto-suficientes), mas é verdade que foram motivados por vários séculos de um tipo de discurso teológico que via os judeus como “assassinos de Deus”, por terem decretado a morte de Cristo. É evidente que se tratava de má teologia, não só porque Cristo era também Ele judeu de sangue, mas porque a morte de Cristo foi aceite pelo próprio para salvação de todos.
O ponto que eu queria frisar é este: se é verdade que o anti-semitismo é racial, e que se alimenta da inveja e das diferenças sócio-económicas, a “folha” cristã não está limpa nesta matéria, pois durante séculos existiu um preconceito religioso anti-judaico (de cariz não racial, mas teológico).
Depois, durante a Segunda Guerra, vários foram os padres (felizmente uma minoria), e mesmo alguns bispos (em clara desobediência com a Santa Sé), que colaboraram com os nazis. Alguns deles reconhecidos historicamente como criminosos de guerra. Não há como esconder factos, e nenhum cristão coerente e sério quer esconder factos. Por outro lado, a esmagadora maioria do clero, alto e baixo clero, foi perseguida, massacrada, martirizada, ridicularizada. Só isso mostraria a tontice da tese do “papa de Hitler”.
No entanto, a lenda anti-católica contra Pio XII não se contenta com uns quantos padres e bispos a serem nazis, ou a colaborar com eles. Os da lenda negra querem ligar a amizade aos nazis às altas esferas, à Curia, ao Papa. Não param enquanto não disserem: “Pio XII nazi”. E quando todos os factos históricos negam descaradamente essa pretensa “amizade” entre Pio XII e os nazis, toda a campanha deste tipo deve ser firmemente rejeitada por toda a pessoa que ama a verdade histórica.
Akira, mais uma vez, obrigado!
Um abraço,
Bernardo
Caríssimo Helder,
«Este seu comentário só faz sentido mesmo vindo de quem não conhece minimamente nem o Bernardo nem a mim.»
Discordo: o comentário do Akira é bastante justo e preciso. Evidentemente, tenho interesse imediato nisso, mas gostei muito do comentário. A única coisa que há a assinalar é que o Akira não está a par do que me tens dito (mesmo pessoalmente) acerca do teu ateísmo. O Akira poderá ter-te tomado por alguém que identifica o ateísmo com o anticatolicismo. E talvez nisso, tenha sido feito um juízo algo injusto à tua pessoa, mas tu é que te puseste a jeito!
Helder, reconheçamos que este teu “post” é uma grave concessão à propaganda anticatólica.
Sabes o que mais me choca?
É que mesmo os historiadores críticos do papado de Pio XII (Guenter, Katz, Goldhagen, Zuccotti, Phayer) não vão tão longe como tu vais. O que me chateia, e não é pouco, é que os especialistas que referi agora mesmo, todos eles criticáveis, têm limites: sabem o que é que conseguem “sacar” dos documentos, e o que é que não dá para ser dito.
As minhas críticas a estes historiadores (alguns de crítica fácil: Guenter não tinha acesso, durante os anos 60, aos documentos do dossiê “Germania” entretanto publicados pela Santa Sé) têm a ver com a interpretação (a meu ver errada) que eles fazem de certos documentos. Mas tenho todo o respeito por eles, na medida em que se deram ao trabalho de consultar documentos em primeira mão, e fazer trabalho histórico investigativo.
Mas choca-me que depois, na opinião pública, na chicana e na propaganda rasca anti-católica, os coros de oposição a Pio XII venham agora ampliados ao megafone: enquanto que os especialistas criticam o silêncio, os “amadores” falam em amizade com os nazis. É o exagero, é a falta de pudor, é a falta de decência e de rigor que me chateia.
Se neste blogue, ou em qualquer outro lugar, eu encontrasse fiéis seguidores do melhor trabalho histórico contra Pio XII (defensores das teses de Guenter, Katz, Goldhagen, Zuccotti, Phayer), eu seria uma pessoa muito feliz, pois poderia falar numa linguagem de rigor, e poderia analisar a documentação caso a caso, e chegarmos juntos a uma melhor compreensão do que aconteceu.
Também não queria, no meio desta confusão, misturar a minha reacção ao Helder com a minha reacção ao Nuno Leal. Não há a menor dúvida na minha mente de que são pessoas completamente diferentes e com maneiras de estar completamente diferentes.
«O Bernardo, por sua vez, não é um católico tradicional, no sentido do “não-praticante” e que só é católico quando lhe convém.»
Helder: se calhar conheces poucos, mas acredita que, em termos das ideias que defendo, eu sou apenas católico. Ponto final. Nada digo a mais ou a menos do que diz a doutrina católica. Há é muita gente que faz uma doutrina católica “à la carte”. Eu procuro a coerência.
«Para o Bernardo, tudo o que vem do Vaticano faz sentido.»
Não é verdade.
A posição a que cheguei acerca do Pio XII começou na antipatia e na crítica. O primeiro livro que li sobre o tema foi o “Hitler’s Pope” do John Cornwell. Durante anos, andava a dizer mal do Pio XII aos meus amigos. Há testemunhas disto!
Se algo me trouxe para a posição em que hoje em dia estou, foi o estudo sério e aprofundado destas coisas, e não um seguidismo acéfalo e acrítico.
«O que não quer dizer que o Bernardo não tenha sentido critico. Tem é o sentido critico perfeitamente em sintonia com o Vaticano. às vezes até assusta…»
Repito: não nasci assim. Já tive um longo percurso atrás de mim recheado de todas as críticas à Santa Sé que se possa imaginar. É verdade que nunca cheguei a deixar de ser cristão, mas já fui um duro crítico do papado.
«Mas, no meio desta polémica, lamento que se tenha perdido aquilo que eu pretendia que fosse o essencial do meu artigo que era a subjectividade de todos estes processos de santificação e o interesse para o marketing religioso que têm estas “elevações”.»
Então deverias ter feito outro “post” diferente.
É perfeitamente defensável (se bem que eu tenho argumentos contra) criticares estes fenómenos de santificação. Eu nem vou por aí, porque vejo como algo perfeitamente pacífico que um ateu não compreenda isso.
O que não entendo, não posso aceitar, e não compreendo, é que se adira a propaganda rasca, montada sobre falsidades. Sei que não fazes por mal, e já te conheço bem o suficiente para saber que, quando te deres conta das muitas injustiças da “lenda negra” sobre Pio XII, irás rejeitar essa lenda com todo o repúdio. É a atitude que tomam todas as pessoas sérias.
«Fico a aguardar que me envies, então, o texto para a secção “Direito de Resposta”. É sempre um prazer contar com a tua participação.»
Obrigado! Muito obrigado.
Não sei quando terei tempo, mas vou ter que preparar uma apresentação sobre Pio XII lá para Abril, e certamente que poderei escrever algo decente sobre este tema no primeiro trimestre de 2010.
«Um bom Natal para ti e para todos.»
Também para ti!
Um abraço,
Bernardo
Bernardo,
Se não te importas, vou concentrar a discussão naquilo que para mim é fundamental nesta questão. Repara que, independentemente da leitura histórica que eu ou tu façamos da atitude de Pio XII em relação ao nazismo, o que é um facto é que o Papa actual aparenta ter uma necessidade quase obsessiva para limpar o nome de Pio XII.
Dizes que o Canadá, a Suíça e a Cruz Vermelha também tiveram comportamentos dúbios durante a II Guerra Mundial… E daí? Alguém os está a querer santificar? Não percebo a relação.
O problema, Bernardo, é que tu continuas o fingimento e fazes parte do marketing; não sei como marketeer ou como target, mas isso não é o mais importante.
Aceitas, notoriamente, que as dúvidas existentes em tantos analistas sobre o comportamento de Pio XII não são suficientes para que tu próprio – não eu, porque para mim é perfeitamente irrelevante – não questiones o mérito daquele Papa para ser santificado. É um direito que te assiste, naturalmente. Se tu, enquanto católico, convives bem com o facto de ser elevado a santo alguém que não fez tudo o que podia, que fechou os olhos a tanta coisa que se passava à sua volta, que teve dois pesos e duas medidas e sobre cujo papado as autoridades do Vaticano ainda mantêm tanto segredo, então, entendo que defendas a posição que defendes.
Contudo, se para ti a verdade histórica sobre o papado de Pio XII, seja ela qual for, é conseguida mantendo os arquivos sobre o papado do mesmo em segredo, então temos conceitos diferentes de verdade histórica e, provavelmente, é por isso que nunca concordaremos e não por eu ser ateu e tu católico.
Um abraço.
Helder,
«Se não te importas, vou concentrar a discussão naquilo que para mim é fundamental nesta questão. Repara que, independentemente da leitura histórica que eu ou tu façamos da atitude de Pio XII em relação ao nazismo, o que é um facto é que o Papa actual aparenta ter uma necessidade quase obsessiva para limpar o nome de Pio XII.»
Essa necessidade é bem real e não é obsessiva. O Papa Pio XII foi espantosamente popular durante o seu Papado, que se prolongou bem para lá da Segunda Guerra.
Queres alguns exemplos?
Michelle Tagliacozzo, colaborador próximo de Israel Zolli (Rabi-chefe de Roma (1881-1956), muda o nome para Eugenio Zolli após a sua conversão), e diz o seguinte:
«Tenho sobre a minha mesa, em Israel, uma pasta intitulada Calúnias contra Pio XII. Sem ele, muitos dos nossos não estariam vivos.»
Marcus Melchior, Rabi-chefe da Dinamarca (1897-1969):
«Se o Papa tivesse falado, Hitler teria provavelmente massacrado mais de seis milhões de hebreus e talvez dez vezes dez milhões de Católicos, se tivesse poder para tal»
Chaim Weizmann, Primeiro-ministro de Israel (1874-1952):
«A Santa Sé está a prestar a sua potente ajuda onde pode para mitigar o destino dos meus correligionários perseguidos» [durante a Guerra]
Moshe Sharrett, Presidente do Conselho de Israel:
«Disse-lhe [a Pio XII] que o meu primeiro dever era o de lhe agradecer, e através dele agradecer da parte do povo hebreu à Igreja Católica, por tudo quanto esta fez nos vários países para salvar os hebreus» – Abril de 1945
Isaac Herzog, Rabi-chefe da Palestina (1889-1959)
«O povo de Israel nunca mais esquecerá o quanto Sua Santidade e os seus ilustres delegados, inspirados no eterno princípio da religião, que forma o verdadeiro fundamento da verdadeira civilização, estão a fazer pelos nossos desafortunados irmãos e irmãs nesta mais trágica hora da nossa história, e que é a prova viva da Divina Providência neste mundo» – Carta a Angelo Roncalli (futuro papa João XXIII), delegado apostólico em Istambul, Fevereiro de 1944.
Albert Einstein:
«Only the Church stood squarely across the path of Hitler’s campaign for suppressing truth. I never had any special interest in the Church before, but now I feel a great affection and admiration because the Church alone has had the courage and persistence to stand for intellectual truth and moral freedom. I am forced thus to confess that what I once despised I now praise unreservedly.» – Time, 23-12-1940
Espero que estas curtas citações (poderia arranjar-te mais) cheguem para te mostrar que esta é uma questão delicada. A “lenda negra de Pio XII como “colaboracionista” surge em 1963, com a peça de Rolf Hochhuth, “O Vigário”. Hochhuth era um dramaturgo comunista. Em 2007, o ex-KGB Ion Mihai Pacepa escreveu um artigo para o National Review Online que fez estrondo: “Moscow’s Assault on the Vatican”. Devias lê-lo: http://article.nationalreview.com/?q=YTUzYmJhMGQ5Y2UxOWUzNDUyNWUwODJiOTEzYjY4NzI=
Lá está explicada a operação “Seat-12″ e a sua ligação à peça de Hochhuth.
Agora vê bem: Pio XII, um papa cujo esforço durante a Segunda Guerra foi louvado por todos, durante e depois da guerra terminar. Só em 1963 é que se começa a dizer mal de Pio XII: desafio-te a encontrares sinais de críticas significativas antes desse ano. Nota que é em 1964, um ano após “O Vigário”, que surge a primeira obra de investigação histórica que retrata Pio XII de forma negativa, a obra de Guenter Lewy, “The Catholic Church and Nazi Germany”. Lewy foi criticado, pois a sua obra não estava assente em documentação sólida. Ainda não tinham sido publicados os maciços “Actes et Documents du Saint Siège relatifs à la Seconde Guerre Mondiale”, organização dos jesuítas Blet, Schneider, Graham e Martini, num trabalho imenso e notável de divulgação de documentos até então fechados no Arquivo Secreto.
Esta publicação imensa, feita entre 1965 e 1981 (vê bem o trabalho envolvido na compilação dos onze volumes), foi feita precisamente para reagir à peça de Hochhuth e a obras como as de Lewy.
Uma palavrinha sobre arquivos secretos: é prática comum uma nação manter um período de confidencialidade documental, mais longo ou menos longo: a Santa Sé tem esta prática, e está longe de ser a única a fazê-lo. Há duas razões para isto: uma razão prática, visto que a publicação deste tipo de documentação requer um esforço imenso de catalogação e análise (vê o tempo que se demorou a montar as Actes et Documents), e uma razão moral, visto que estes arquivos têm sempre uma grande percentagem de correspondência pessoal e privada, e que há que dar um intervalo temporal para garantir a privacidade de pessoas ainda vivas.
Por ordem de João Paulo II, os arquivos secretos até 1939 serão totalmente abertos. Nota que a compilação dos quatro jesuítas é já uma resenha do que consta nos arquivos secretos. Se houve parcialidade no trabalho dos jesuítas, agora ficará tudo a claro, quando o arquivo for aberto. E a abertura progressiva dos arquivos é uma coisa normal e natural, e que é acompanhada do trabalho infindável e imenso dos arquivistas.
Claro que os conspiradores vão dizer que o Vaticano destruiu documentos importantes. A coisa fixe de uma teoria da conspiração é que se pode sempre dizer que a ausência de provas é uma prova da conspiração!
Assim, como vês, a necessidade de limpar o nome de Pio XII é uma necessidade de historiador.
O mundo hebraico, em tempos totalmente solidário com Pio XII, dividiu-se após a propaganda dos anos sessenta contra Pio XII. E urge recuperar esses danos morais à figura de Pio XII. Um trabalho importantíssimo nesse diálogo está a ser feito pela Pave the Way Foundation: http://www.ptwf.org/index.htm
«Dizes que o Canadá, a Suíça e a Cruz Vermelha também tiveram comportamentos dúbios durante a II Guerra Mundial… E daí? Alguém os está a querer santificar? Não percebo a relação.»
Insistes na questão da santificação, mas:
1) essa questão não é importante na avaliação histórica do desempenho de Pio XII
2) Pio XII não está santificado: a declaração de Pio XII como “venerável” apenas quer dizer que o Papa considera Pio XII um exemplo a seguir (e eu acho que ele tem carradas de razão: eu admiro imenso o Papa Pio XII)
3) Para alguém ser santo, tem que primeiro ser beato
4) Para alguém ser beatificado, tem que existir um milagre por sua intercessão
Nada disto aconteceu ainda, e evidentemente não é forçoso que aconteça.
Milhares de pessoas permanecem durante séculos como “veneráveis”. Ao contrário do que possas pensar, isto dos milagres é uma coisa feita com imensa seriedade e rigor. É típica a atitude de quem está de fora, e de quem nega os milagres “a priori” (sabe-se lá porquê, ou com base em quê), julgar que isto dos milagres é uma ferramenta política. Se queres que te diga com franqueza, não tenho pachorra para esse discurso “politizante”… É que esse discurso transforma todos os Papas, e toda a Curia, em mentirosos manipuladores. E transforma depois todos os crentes em acéfalos. E isso chateia-me, a mim e a qualquer pessoa séria.
«O problema, Bernardo, é que tu continuas o fingimento e fazes parte do marketing; não sei como marketeer ou como target, mas isso não é o mais importante.»
Supões que o “marketing” é a ciência da mentira. Ora isso é também uma atitude abusiva. Eu defendo que é urgente uma propaganda positiva acerca de Pio XII, para repor a verdade e para contrariar a propaganda difamatória que tem imperado nos últimos 40 anos. É tempo de ser justo. E não vejo qualquer mal em usar as “armas” mediáticas em defesa da verdade. Mas nota: “forçar” um milagre que não aconteceu não será nunca uma via legítima. Penso que entendes que nem eu, nem ninguém com moral, aprovaria isso.
Declarar alguém como “venerável” é uma coisa perfeitamente pacífica, e que não está associado a nada de miraculoso, é apenas reconhecer alguém como dotado de uma moralidade a imitar. E do que conheço do papado de Pio XII, só posso concordar. Claro está que, como já disse, eu nem sempre achei isso. Foi o estudo da documentação que me levou nesse sentido.
Por exemplo, a leitura das obras da irmã Margherita Marchione, que conheceu Pio XII muito de próximo, ajuda a ter uma ideia mais precisa deste pontífice notável, um dos mais amados pelos católicos do seu tempo. E só não é mais amado hoje por causa da “lenda negra”, cujo sucesso é inegável.
«Aceitas, notoriamente, que as dúvidas existentes em tantos analistas sobre o comportamento de Pio XII»
Mas quais analistas?
Entendes que não podes desviar-te do confronto com cada um deles individualmente, com o Lewy, com o Friedlander, com o Goldhagen, com o Katz, com a Zuccotti, com o Cornwell, com o Carroll, com o Gary Wills? Todos estes investigadores (alguns deles amadores) escreveram livros com juízo negativo acerca de Pio XII, mas temos que olhar para cada um destes autores, e para cada uma das suas obras, e ser críticos, destrinçar as coisas, ver os argumentos, refutar os que se podem refutar.
Não podes simplesmente dizer: “há fumo, logo há fogo!”.
«não são suficientes para que tu próprio – não eu, porque para mim é perfeitamente irrelevante – não questiones o mérito daquele Papa para ser santificado.»
Não entendes que a questão da santificação não é algo que nasce da vontade do Papa. O Papa não “faz santos”, como uma mentalidade corrente pensa hoje em dia. O Papa “reconhece” reais santos. Por isso é que o milagre é importante.
Mas poderias dizer: “e o reconhecimento de Venerável”? Bom, este reconhecimento, totalmente desligado de questões miraculosas, é um real juízo forte sobre a moralidade de Pio XII. E então, fora do âmbito dos milagres, podemos tentar analisar se realmente a moral e a vida de Pio XII justificam que Bento XVI o considere “venerável”. Eu acho que sim, e o mínimo que uma investigação histórica séria permite deduzir é que Pio XII não poupou esforços nem penas para fazer o que podia fazer durante a Segunda Guerra. Correu mesmo risco de vida, envolveu os seus colaboradores em manobras arriscadas, motivou todo um clero desmotivado, e foi o “motor” da máquina católica de oposição ao nazismo.
«É um direito que te assiste, naturalmente. Se tu, enquanto católico, convives bem com o facto de ser elevado a santo»
Insisto: ninguém é “elevado a santo”. Se Pio XII alguma vez for reconhecido como santo, é porque já o era por mérito próprio.
«alguém que não fez tudo o que podia, que fechou os olhos a tanta coisa que se passava à sua volta, que teve dois pesos e duas medidas e sobre cujo papado as autoridades do Vaticano»
Mas é isto que é falso, e que cabe a ti, o acusador, demonstrar contra todas as evidências históricas. Não basta citar sites anti-católicos, mesmo que contenham textos de pessoas que julgam que estão certas.
«Contudo, se para ti a verdade histórica sobre o papado de Pio XII, seja ela qual for, é conseguida mantendo os arquivos sobre o papado do mesmo em segredo, então temos conceitos diferentes de verdade histórica e, provavelmente, é por isso que nunca concordaremos e não por eu ser ateu e tu católico.»
Partes do pressuposto de que um arquivo fechado oculta coisas negras sobre Pio XII. Eu, que já olhei para a documentação desse período, publicada nas “Actes et Documents”, só te posso dizer que o que vi é bom, mesmo bom. E que eu só posso esperar surpresas melhores (como católico que admira Pio XII) quando todo o arquivo for aberto.
Tu não entendes uma coisa simples, Helder: abrir um arquivo não é carregar num interruptor ou fazer um “press release”: abrir um arquivo, para que historiadores lá possam trabalhar, implica catalogar e classifcar documentos que estão acondicionados (muitas vezes mal acondicionados) em caixotes velhos, e que se trata de material sensível que deve ser manuseado com cuidado por especialistas.
E para quem diz que há muito secretismo, basta apontar o caso emblemático de John Cornwell, autor do “Hitler’s Pope”, que durante anos pôde consultar o arquivo como historiador (que não era). A boa vontade da Santa Sé, na minha opinião, é grande demais, uma vez que o filtro de admissão de pessoas aos arquivos devia ser mais apertado. O que Cornwell fez com a liberdade que lhe deram foi uma verdadeira vergonha.
Um abraço,
Bernardo
Olá Bernardo.
Sou toda a favor do rigor histórico. E quando é necessário rever os factos para desprovar uma ideia do senso comum. E como não tenho dados concretos sobre esta questão vou abster-me de fazer comentários.
Gostaria, no entanto, que me dissesses concretamente o que leva uma pessoa a ser venerável. E qual é a pressa de colocar esta figura no caminho da santidade antes de haver consenso entre historiadores? Parece que é uma corrida, eu bem sei que sempre fez parte dos planos do Raztzinger limpar a imagem do Papado durante a 2ª Guerra Mundial, mas parece querer fazê-lo a todo o custo.
Ainda não percebi muito bem o que é que ele fez de extraordinário, se é preciso ser-se extraordinário para atingir a santidade. E se a tua resposta for “a santidade só importa aos católicos”, então talvez fosse melhor deixarem de pregar a universalidade das vossas crenças.
Olá Leonor,
«Sou toda a favor do rigor histórico. E quando é necessário rever os factos para desprovar uma ideia do senso comum. E como não tenho dados concretos sobre esta questão vou abster-me de fazer comentários.»
A tua atitude é louvável.
Há uns anos atrás, eu não tive uma atitude tão louvável como a tua: meti a boca no trombone, e andava todo entretido e inchado a dizer mal de Pio XII, só porque lera a porcaria do livro do Cornwell… Ter lido esse livro foi, para mim, o suficiente para dizer mal de Pio XII. Bruta ignorância!
Aprendi por experiência própria o vexame de meter a pata na poça apenas por orgulho e atrevimento.
«Gostaria, no entanto, que me dissesses concretamente o que leva uma pessoa a ser venerável.»
A 19 de Dezembro deste ano, o Arcebispo Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, foi recebido pelo Papa Bento XVI em audência. Dessa audiência, saiu a autorização de Bento XVI para se publicarem:
a) vários milagres atribuídos a intercessão de várias pessoas (a lista é grande)
b) o reconhecimento do martírio de uma pessoa em concreto, Popieluszko
c) o reconhecimento das virtudes heróicas de várias pessoas, entre elas Eugenio Pacelli (Pio XII) e Karol Wojtyla (João Paulo II)
Ser reconhecido como “venerável” implica apenas isto: reconhecer as virtudes morais e o heroísmo de pessoas em concreto. Este reconhecimento, na minha modesta opinião, é perfeitamente justo atribuir a Pio XII aos olhos da história. Note-se que este reconhecimento de virtudes heróicas nada tem a ver com milagres, apesar de ser algo que cai na esfera da Congregação para as Causas dos Santos (talvez isto explique a confusão mediática em torno disto).
«E qual é a pressa de colocar esta figura no caminho da santidade»
A expressão “no caminho da santidade” é enganadora. A larga maioria dos “veneráveis” nunca chega sequer a beato, quanto mais a santo. Por outro lado, é inegável que, com esta declaração, Roma quer ajudar a limpar o nome (injustamente manchado) desse grande pontífice que foi Pio XII. Evidentemente, qualquer pessoa séria entende que, para se limpar o nome, não se pode mentir. O ónus da prova de que isto é uma vergonha, ou seja, o ónus de provar que Pio XII foi uma “nódoa” moral cabe aos acusadores. Pio XII foi um papa muito amado pelos católicos, e como se vê pelas citações que mandei ao Helder atrás, vários não católicos importantes reconheceram a Pio XII o seu esforço.
«antes de haver consenso entre historiadores?»
Leonor: os historiadores não alinham na “lenda negra”. Existem certamente historiadores críticos de Pio XII, mas as suas críticas, na maioria dos casos, andam bem longe da popular “lenda negra”. Não obstante, as suas obras devem ser criticadas.
Por exemplo, na lista de nomes que dei, há que separar os historiadores dos amadores:
Lewy, Friedlander, Goldhagen, Katz e Zuccotti são historiadores, enquanto que Cornwell, Carroll, e Gary Wills são propagandistas pouco sérios. Mas mesmo os historiadores podem ser criticados. Eu posso dar-te uma lista (que não tenho aqui à mão) dos historiadores que criticam fortemente os trabalhos das pessoas que referi atrás. Mas posso dar-te alguns nomes de historiadores que contrariam aqueles que são mais críticos de Pio XII: Martin Gilbert, Robert Graham, Pierre Blet, Margherita Marchione, Harold Deutsch, Anthony Rhodes, etc…
«Parece que é uma corrida, eu bem sei que sempre fez parte dos planos do Raztzinger limpar a imagem do Papado durante a 2ª Guerra Mundial, mas parece querer fazê-lo a todo o custo.»
O que queres dizer com “a todo o custo”?
Repor a verdade histórica é algo que se deve fazer a todo o custo, obviamente moralmente legítimo. Não se pode limpar o nome de Pio XII à custa da mentira, da ocultação, da distorção, etc… nisto estamos todos de acordo.
«Ainda não percebi muito bem o que é que ele fez de extraordinário, se é preciso ser-se extraordinário para atingir a santidade.»
Nota que o título de “venerável” não implica nem o de beato, nem o de santo, que estão acima. E não é certo que isso venha a acontecer com Pio XII, pois são necessários milagres pela sua intercessão para isso acontecer.
O que é que Pio XII fez de extraordinário?
Já referi atrás várias coisas: desde mover mundos e fundos para salvar refugiados, falsificar documentos para judeus terem certificados falsos de baptismo, conspirar com a oposição alemã a Hitler, procurar envolver os aliados na guerra a Hitler, arriscar o seu pescoço e o dos seus colaboradores, escondendo sete oitavos dos judeus de Roma em seminários católicos, sob as barbas da autoridade nazi que ocupava Roma, etc, etc… Pio XII foi avisado pelo SS Karl Wolff, em pessoa, que havia um plano de Hitler para o raptar a ele e a toda a cúria. O plano era macabro: segundo Wolff revelou, a ideia era fazer um simulacro envolvendo nazis disfarçados de comunistas, simular um tiroteio, e assassinar toda a cúria no processo. Pio XII, perante este plano, manteve-se firme e disse que não saia de Roma: que o viessem buscar.
Quando Roma foi bombardeada, Pio XII saiu às ruas ainda fumegantes para ver das vítimas. Em matéria diplomática, a abundante correspondência mostra um pontífice que mal dorme, orquestrando os seus núncios por toda a Europa, ocupada e não ocupada, a tentar organizar a fuga de judeus, a protecção dos católicos, e a propaganda anti-nazi.
«E se a tua resposta for “a santidade só importa aos católicos”, então talvez fosse melhor deixarem de pregar a universalidade das vossas crenças.»
A santidade importa a todos!
Um abraço!
Já agora, só mais uma achega:
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1452781&seccao=Europa
Mais um contributo para esta questão:
http://espectadores.blogspot.com/2010/01/ordem-papal-para-acolher-hebreus.html
“Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz” Lc 8,17