Mau exemplo “from down under”

Como já foi apresentado aqui, em Março do próximo ano irá haver uma Conferência sobre ateísmo em Melbourne, Austrália. Dos vários temas a serem discutidos na Conferência está, como não podia deixar de ser, a questão do secularismo.

A Atheist Organization of Australia pediu ao governo Australiano para haver uma ajuda financeira, na ordem dos 230.000 Euros. O governo tem demorado na resposta e arrastado o tema sem se comprometerem a ajudar a organização da Conferência.

Talvez seja por causa de o governo estar a cortar despesas. Pode ser que não existam verbas disponiveis para já para ajudar na organização. Certo?

Pois.

O governo Australiano acabou de dar 2.3 milhões de Euros para ajudar na organização de uma Conferência religiosa.

O Reverendo Tim Costello agradeceu o apoio do governo e disse que “o mundo é 90% é profundamente religioso, e não pode haver paz sem haver paz entre religiões”.

Para além da falácia que “90 do mundo é profundamente religioso” (faz lembrar aquela do “80% dos Portugueses são católicos”), acho particularmente interessante esta da “não pode haver paz, sem haver paz entre religiões”.

É esta uma admissão directa por parte do “reverendo” que as religiões são a principal fonte de conflitos no mundo? Que são as diferenças entre teologias que faz com que haja guerra entre religiões.

Pode ser que a Conferência ateísta possa dar uma ajuda para resolver esse problema. E era bom que o Governo Australiano percebesse isso, e não se escondesse atrás de números de visitantes, e lugares de hotel ocupados.

downunder

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4 Comentários

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  1. Eu queria criar um fórum para discutirmos o nosso ateismo.
    Procuro colaboradores.

    Espero que os colaboradores deste portal autorizem.

    Respondam aqui se pretendem participar.

    • Caro Pedro,

      Não temos nada que autorizar nem deixar de autorizar. Era o que mais faltava! Não somos – nem queremos ser – donos da discussão sobre ateísmo em português. Se é esse o seu objectivo, força e boa sorte. Quantos mais pólos de discussão do ateísmo, melhor. Essa é a nossa postura.

      De qualquer forma, nós aqui também temos o nosso fórum que começa, timidamente, a dar os primeiros passos. Se tiver interessado, envie-nos um email (ou use o formulário de contacto e diga-nos como pode contribuir para ajudar a dinamizar o nosso fórum. Pode ser que se revele interessante a junção de esforços.

      Um abraço.

  2. Não é só na Austrália.
    Os governos em geral apoiam os agrupamentos de cidadão na proporção da sua dimensão, por questões eleitoralistas. Também apoiam grupos pouco numerosos desde que a actividade desses grupos represente uma mais-valia clara para a sociedade aonde estão inseridos (no ponto de vista dos governos, claro está). Ora as associações ateístas não parecem trazer mais-valias às relações sociais, por uma questão de preconceito religioso ou porque os governos consideram as igrejas (como associações) clubes que contribuem para a pacificação da sociedade, por fazerem as pessoas envolver-se em rituais e outras actividades que as distraem, desviando-as de actividades contestatárias do poder ou de actividades anti-sociais.
    Os “clubes” ateístas, porque combatem os preconceitos religiosos, são considerados inimigos das igrejas, o que representa uma menos-valia para a sociedade (pela lógica atrás exposta). Esta interpretação só lhes trará obstáculos no desenvolvimento das suas actividades. Obstáculos criados pelos poderes instituidos e pela oposição activa das organizações religiosas.
    É com essas dificuldades que teremos que contar.

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