Orphaned Land

Oriundos de Israel e com quase vinte anos de carreira, os Orphaned Land são uma das mais interessantes bandas de metal com influências de música tradicional. O colectivo junta aos sons mais pesados partes acústicas, elementos progressivos e de música tradicional da área, cantando em seis línguas, entre inglês, hebraico e árabe. A música e as temáticas abordadas são multiculturais e multi-religiosas, nomeadamente no que toca às três religiões monoteístas.

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Nas entrevistas que tenho lido ao longo dos anos há denominadores comuns, o conflito israelo-árabe e o facto de serem uma banda de metal numa área onde predomina um certo domínio religioso e onde as liberdades são restringidas (nomeadamente nos países árabes, em Israel a situação é mais “europeia”).  Tão importante como o trabalho musical, está muito implícito nas suas letras uma ideia de paz e união entre os povos da região.

O trabalho fotográfico (acentuo que são, na sua maioria, agnósticos) que acompanha a promoção do seu próximo álbum é um bom espelho do que acabo de descrever, algo que um dos membros da banda explicou numa entrevista que encontrei num site construído por fãs.

«As people that were born into the tragedy of our region, we have always been devoted to creating harmony between conflicts, a musical heaven on earth, a tango between God & Satan. Even in the album’s artwork we combined Hebrew and Arabic, regardless of the fight between Jews and Muslims. I found a Jordanian guy, specialized in calligraphic artwork. He took letters from Hebrew and Arabic and moulded them in his art to create a symbol of peace. Same goes for our band photo, where we portrayed a synergy between the three monotheistic religions, that believe in the same God and yet, ridiculously have been killing each other for centuries “in the name of God” and turned the holy land into an orphaned land. Naturally we continued this idea of union on a musical level as well and the result is as always crazy, it’s a miracle– in our concerts: our Jewish fans sing in Arabic and our Muslim fans sing in Hebrew, brave friendships have spawned and our Middle Eastern metal music destroys all this political witchcraft we have been trapped in for so long. This is a musical journey of hope in lands of war, creating heaven on earth, building a new Jerusalem»

Traduzindo,

«Como pessoas nascidas na nossa trágica região, estivemos sempre empenhados em criar harmonia entre os conflitos, um céu musical na terra, um tango entre Deus e Satanás. Até no artwork do álbum combinámos elementos hebraicos e árabes, sem olhar à luta entre judeus e muçulmanos. Encontrei um tipo jordano, especialista em arte caligráfica. Ele pegou em caracteres hebraicos e árabes e moldou-os de modo a criar um símbolo de paz. O mesmo se passou para a foto da banda, onde representámos uma sinergia entre as três religiões monoteístas, a crença num Deus comum mas que, ridiculamente, se andam a matar há séculos “em nome de Deus” e transformaram a terra sagrada numa terra orfã (Orphaned Land). Naturalmente, continuámos esta ideia de união a nível musical e o resultado é de dar em doido, é um milagre. Nos nossos concertos os nossos fãs judeus cantam em árabe e os nossos fãs muçulmanos cantam em hebraico, amizades corajosas que se expandiram, algo que destrói toda a feitiçaria política enraizada há demasiado tempo. É uma viagem musical de esperança em terras de guerra, criando um céu na Terra, construindo uma nova Jerusalém.»

São, sem dúvida, um exemplo de como a música pode ser um factor de união numa zona devastada pela guerra e ódios étnico-religiosos. A quem estiver interessado recomendo o álbum “Mabool: The Story of the Three Sons of Seven” (do qual apresento uma amostra, mais abaixo), não esquecendo que o novo trabalho “The Never Ending Way Of ORwarriOR“, sai no início de 2010.

Deixo-vos com “Norra El Norra”, uma amostra mais agradável aos ouvidos de quem não gostar muito de metal (esta outra é mais representativa da banda).

[video]http://www.youtube.com/watch?v=lZUcWngEtcM[/video]

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