A propósito da tolerância magnânima das gentes religiosas, tem-se visto nos últimos dias as boas práticas de quem não concorda com Saramago.
Os ataques pessoais veiculados na comunicação social, e os comentários produzidos por várias figuras com responsabilidade dentro da ICAR, não deixam margem para duvidas sobre a cultura de intolerância que essa gente pratica.
Em contraposição, aqui no Portal Ateu, temos uma cultura de respeito tão grande pelas opiniões dos outros, que acho que às vezes somos permissivos demais.
Eu, (e como é óbvio falo em meu nome pessoal) gostaria de ver a situação invertida. Menos tolerância da nossa parte, e mais tolerância da parte de quem tem uma religião.
O respeito pela diferença na ICAR, traduz-se numa camada de verniz barato, pronto a estalar à menor contrariedade.
Penso que está na hora de mostrar aos Portugueses, passagens do seu “livro sagrado” para que eles saibam o que realmente está lá escrito.
Depois disso, cada um pode ser juiz acerca daquilo que Saramago disse.
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Não adianta Rodrigues.
Em cada português há um Bernard Vogel. Já não há remédio para os que foram educados e cresceram no meio de tanta procissão e devoção. A única esperança reside nos vindouros.
Para conseguires esse intento extraordinário de que falas (dar a Bíblia a conhecer), em primeiro lugar, terias de conseguir afastar cada português da lamechice fandanga dos romances do Sousa Tavares ou da patetice saloia da Margarida Rebelo Pinto – tarefa hercúlea!
Em segundo lugar, terias de ensinar história da Antiguidade (a sério!) a cada um dos portugueses (ui! Isso ainda seria mais difícil).
Finalmente, colocares cada um a relacionar, entre si, os múltiplos factos apresentados.
Já viste o que isto custa? Náááá… decididamente, o “saber” não foi feito para nós.
Pelo menos, não durante a próxima geração Playstation.
Há uma distinção clara entre tolerância e respeito. Um argumento com base na bíblia ou na respectiva divindade não me parece merecedor de grande respeito e o que efectivamente se respeita é o seu direito a exprimir essa opinião.
De facto temos gerações mal preparadas e mal formadas que comem tudo e mais alguma porcaria que lhes colocam à disposição, desde a música comercial a Paulo Coelho. As modas mandam, o folclore é mais importante do que a essência. Dá-se tempo de antena a demasiada acefalia…
Compreendo-te Lucas,
Mas se não fizermos nada, continuaremos a ser o país mais atrasado da Europa. Isso chateia-me.
Convém ainda ler a imprensa séria e imparcial…
http://inimigo.publico.pt/noticia.aspx?id=1405964
«O novo e polémico livro de José Saramago, “Caim”, em que volta a atacar ferozmente a Igreja, irritou profundamente Deus, que resolveu acabar com o tempo ameno em Portugal e mandar, como vingança, aguaceiros e trovoadas aos conterrâneos do escritor.
Caso “Caim” tenha uma segunda edição, Deus está a ponderar enviar contra Portugal mais catástrofes, como tufões e a falência da Autoeuropa. Caso José Saramago insista em denegrir a Igreja, Deus mandará o seu braço-direito, o arcanjo Gabriel, marcar uma reunião com um jornalista do “Público” e plantar no jornal um escândalo que acabe de vez com a carreira do Nobel da Literatura.»
Rui,
1) Será que está a confundir críticas com intolerância ? São coisas diferentes. Para si, criticar, mesmo que violentamente, ou seja, com muita discórdia, muitos adjectivos, muito “nervo”, é ser intolerante?
2) Venham daí esses trechos bíblicos! Nenhum cristão digno desse nome perde uma oportunidade para ler a Bíblia em conjunto com pessoas não cristãs!
Abraço,
Bernardo
Penso que seria efectivamente muito bom para aproveitar o livro de Saramago para estudarmos a Bíblia juntos. Talvez isso contribua para uma melhor compreensão dos textos que ele cita.
Pessoalmente estou disposto, no máximo respeito por todos, para participar na discussão. Apenas recordo que os argumentos de Saramago já andam por aí há alguns milhares de anos, pelo que não haverá muito de novo nesta discussão.
Em todo o caso, terei todo o gosto em discutir esses textos.
A Bíblia é um livro verdadeiro sobre a natureza pecaminosa do homem. Ela não esconde os pecados dos seres humanos, mesmo daqueles que andaram mais próximos de Deus.
Além disso, ela pretende ser um livro sobre factos históricos. Daí que não esconda nada.
Assim como seria impossível escrever a história do século XX sem mencionar a miséria das duas guerras mundiais e do Holocausto, também é impossível escrever a história da antiguidade sem relatar os aspectos mais miseráveis da conduta individual e colectiva.
No entanto, na Bíblia a maldade é sempre tratada como maldade. A maldade descrita como pecado e consequência do pecado.
Os dez mandamentos dão-nos normas que, se todos conseguíssemos seguir, evitariam muitos males individuais e colectivos.
Se a Bíblia pretendesse ser um livro de propaganda israelita, ela nunca evidenciaria detalhadamente os pecados de Adão e Eva, Caim, Noé, Abraão, Moisés, David, Salomão, etc., Do mesmo modo, ela nunca denunciaria a idolatria e o afastamento de Deus de todo o povo de Israel.
Mas a Bíblia não é um livro de propaganda. Ela é um livro de verdade. E a verdade é dura. É dura, não apenas para Israel, mas para todos os povos do mundo, em ultima análise todos parentes, porque todos descendentes de Adão e Eva e (depois do dilúvio) de Noé e da sua família.
Nela vemo-nos ao espelho, naquilo que em nós é evidência de criação divina e de pecado e corrupção.
A Bíblia é dura ao ponto de dizer que todos pecaram e estão separados da glória de Deus. A Bíblia é dura ao ponto de dizer que porque pecámos merecemos a morte.
Mas também diz que a dádiva gratuíta de Deus é a vida eterna, por Jesus Cristo, o Senhor.