Carta aberta ao eurodeputado Mário David

Mário David, Durão Barroso e João Paulo II

Mário David, Durão Barroso e João Paulo II

Exmo. Senhor Mário David,

Desejo inequivocamente transmitir-lhe o quão grande é a minha vergonha por tê-lo a si como compatriota. Ou julga que, a coberto do seu estatuto de eurodeputado, se lhe aceitam todas as imbecilidades, impropérios, manifestações de intolerância e arrogância religiosa?

As declarações por si proferidas no seu blogue revelam uma pequenez de espírito e um aproveitamento pessoal de um episódio já de si risível. Refiro-me, claro está, aos desejos que o senhor, em jeito de suporte à reacção prosélita da Igreja Católica Portuguesa, revelou sobre o destino a dar pelo próprio à nacionalidade do escritor português José Saramago, Prémio Nobel da Literatura.

Surpreende-me sobremaneira que o senhor tenha apenas contribuído para o folclore infrutífero dessa mescla cultural que é o Portugal pimbó-politico com o religiosismo saloio de alguns! Gostaria, isso sim, de reconhecer num eurodeputado português a capacidade de argumentar e fundamentar um desmentido às afirmações de José Saramago. Infelizmente, tal como em muitas outras matérias, tenho que me sentir defraudado. Parece que as minhas expectativas eram demasiado altas…

Aproveito para lhe pedir que seja coerente com  o seu próprio exemplo e sugira aos seus parceiros holandeses que proponham a expatriação de Geert Wilders que tanto mal disse do islamismo. Temos que ser coerentes, certo?

Ah, é verdade! Ficou muito bem na fotografia.

Melhores cumprimentos,

Helder Sanches

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