Saramago dixit
Palavras de José Saramago em Roma, durante um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D’Arcais (ver artigo no Sol). Haja gente com a coragem e frontalidade para dizer mal de certos indivíduos cuja conduta é duvidosa e a quem é dada demasiada graxa e atenção.
«”Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar o seu neo-medievalismo universal, um Deus que jamais viu, com o qual nunca se sentou a tomar um café, demonstra apenas o absoluto cinismo intelectual da personagem” (…)
assegurou que é um «ateu tranquilo», mas que agora está a mudar de ideias.
“Às insolências reaccionárias da Igreja Católica há que responder com a insolência da inteligência viva, no bom sentido, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias pelos presumíveis representantes de Deus na terra, a quem na realidade só interessa o poder” (…)
interessa pouco à Igreja o destino das almas e o que sempre procurou é o controlo dos seus corpos.
“A razão – acrescentou – pode ser uma moral. Usemo-la”»
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Já gosto mais dele.
Uau!
Eu que não gosto de Saramago (mau escritor, pensador mediocre, bombástico e maçador) aplaudo as suas declarações.
Sim senhor!!
Bem, foi prémio Nobel da literatura em 1998…
Não me revejo muito nas ideias políticas dele, mas sou grande fã dos livros, pelo menos os que já li…
Estimados amigos ateus. Para elevar o nível da estimulante troca de ideias entre criacionistas e ateus evolucionistas (a troca de ideias entre criacionistas e cristãos(?) evolucionistas fica para outros locais), penso que o recente livro de Richard Dawkins, “The Greatest Show on Earth” pode ser um bom ponto de partida.
Aconselho a sua leitura atenta a todos: agnósticos, ateístas, deistas, teístas, panteístas, pananteístas, animistas, etc.
Penso que podemos discuti-lo de forma intelectualmente elevada, sem insultos, sem palavrões, apenas com argumentos. No final, cada um é livre para mudar de opinião ou manter a sua.
Não poderia deixar de ser assim.
Para isso, proponho-vos as minhas reflexões sobre alguns dos aspectos iniciais do livro. Naturalmente haveria muitos mais. Mas espero poder tratá-los, com calma, nos próximos meses.
Aqui vai entao (é um pouco longo, mas assim obriga uma análise do livro de Dawkins que não se reduza a mandar umas bocas).
EVOLUCIONISMO, CRIACIONISMO E NEGAÇÃO DA HISTÓRIA
O capítulo introdutório do livro “The Greates Show on Earth, Evidence of Evolution”, do conhecido ex-ateu Richard Dawkins, começa por avançar com a confissão de que em todos os livros anteriores Dawkins sempre assumiu a evolução, sem ter apresentado evidência de evolução.
Esta confissão é apropriada e só vem corroborar o que os criacionistas desde há muito vinham dizendo sobre a obra de Dawkins. Nesta obra, Dawkins propõe-se finalmente apresentar essa evidência, que ele diz ser esmagadora. Cá estaremos, nas próximas semanas, para discutir essa suposta evidência é esmagadora ou é, sequer, evidência.
O livro de Dawkins é, acima de tudo, um combate contra o criacionismo bíblico, apesar das referências que são feitas a outras propostas criacionistas, algumas das quais remotamente inspiradas no criacionismo bíblico (v.g. islamismo).
Uma das primeiras estratégias argumentativas de Richard Dawkins é tentar equiparar os criacionistas a alguém que nega a existência do Império Romano ou do Holocausto. Vamos ver se estas comparações são bem sucedidas, no caso do criacionismo bíblico.
Como evidência da existência do Império Romano, apresentam-se os testemunhos históricos, nomeadamente sobre a existência de Júlio César.
Nesta matéria, escusado será dizer que a Bíblia se sai muito bem, na medida em que apresenta evidência circunstanciada sobre a existência do Império Romano, a sua ocupação da Palestina no I século antes de Cristo, os conflitos entre os zelotas judeus e os ocupantes romanos e a crucificação de Jesus Cristo, em Jerusalém, às mãos do Procurador Romano Pôncio Pilatos. O Apóstolo Paulo enfrentou autoridades romanas e apelou para César. Ele foi preso em Roma e torturado. Muitos cristãos foram mortos às mãos do Imperador Nero.
Tudo isso foi corroborado por muitas outras fontes independentes.
A Bíblia é um livro histórico por excelência. Ela nunca nega a história. Pelo contrário, ela apresenta-a de forma detalhada, rigorosa e arqueologicamente comprovada.
Outra evidência da existência dos romanos é, segundo Richard Dawkins, a derivação do Italiano, do Castelhano, do Francês, do Português, do Catalão, etc., a partir do Latim clássico. Também isto não pode ser negado. Só que este argumento é potencialmente explosivo para a causa evolucionista de Richard Dawkins, por várias razões.
Em primeiro lugar, não existe nenhuma explicação evolucionista plausível para a origem das línguas antigas. Isso continua a ser um mistério, tanto maior quanto mais se insistir na procura de uma explicação evolucionista. A melhor explicação continua a ser a confusão sobrenatural das línguas em Babel, tal como descrito na Bíblia.
Em segundo lugar, a derivação das várias línguas a partir do Latim não foi aleatória, mas produto de um processo inteligente. Ela nada tem com a suposta evolução cega e aleatória de seres humanos altamente complexos a partir de químicos abióticos.
Em terceiro lugar, o Latim clássico era bem mais complexo, do ponto de vista gramatical, com mais casos e declinações, do que as línguas latinas que dele derivaram. Ou seja, em matéria linguística progrediu-se do complexo para o simples, e não o contrário, como pretende ser o caso na suposta evolução.
Depois, Richard Dawkins procura equiparar os criacionistas àqueles que negam o Holocausto, para dizer que os mesmos não podem ter, nas escolas, o mesmo tempo de antena do que os evolucionistas. Mas também este argumento é potencialmente explosivo para Richard Dawkins, por várias razões.
Em primeiro lugar, o Holocausto aconteceu há cerca de 60 anos, no tempo dos jornais, revistas, rádio e cinema, tendo sido testemunhado directamente por muitos, alguns dos quais ainda estão vivos ou estiveram até há pouco tempo. Nada disso aconteceu com a suposta origem acidental e evolução das espécies, nunca observada por ninguém.
Em segundo lugar, a negação do Holocausto pretende ser um ataque directo aos judeus e à ideia de que pelas promessas de Deus, escritas na Bíblia, eles foram preservados e regressaram a Israel, tendo visto reconhecido o seu Estado em 1948, depois de quase 2000 anos de exílio, a partir da destruição de Jerusalém em 70 dC.
Em terceiro lugar, a evolução nega os mesmos escritos hebraicos história dos judeus, com o propósito de negar a mesma providência divina e a relevância da Bíblia. Ou seja, evolucionistas e negacionistas do Holocausto têm, no fundo, a mesma agenda: desacreditar a Bíblia e a relevância do Deus de Abraão, Isaque e Jacó na História.
Finalmente, se fossemos a fazer a história do Holocausto, que aconteceu há apenas 60 anos, apenas com base em ossos e crânios, estaríamos muito mal. Recentemente descobriu-se que o crânio que durante anos se dizia ser de Hitler era, afinal, de uma mulher!
Ora se os cientistas se enganam em ossos com 60 anos, como podemos confiar neles quando pretendem contar, com base em ossos e fósseis, o que se terá passado há 60 milhões de anos?
Não é por acaso que estudos recentes confirmaram que, contrariamente ao que se afirmava, os dinossauros eram menos e menores do que durante décadas se pensava. Isto diz-nos muito acerca da “factualidade” das afirmações evolucionistas sobre o passado distante.
O evolucionismo é que nega os relatos históricos do passado, mais de 250 dos quais nos falam de um dilúvio global, nega os relatos históricos sobre a origem recente das antigas civilizações, e ignora toda a evidência arqueológica que atesta a fidedignidade e historicidade do livro de Génesis.
Além disso, ele ignora a verdade inconveniente de que existe evidência histórica mais segura de que Jesus Cristo nasceu, viveu, fez milagres, morreu e ressuscitou, do que de que a vida surgiu por acaso há 4,5 mil milhões de anos, ou de que uma espécie menos complexa se pode transformar noutra mais complexa.
Na restante parte do capítulo introdutório, Richard Dawkins teoriza a propósito do conceito de teoria e de facto.
Não nos alongaremos, neste comentário, sobre estes temas, porque o mesmo já vai longo. Apenas diremos que o criacionismo também apresenta a sua própria teoria sobre a origem do Universo, da Vida e do Homem, explicando porque é que existem informação codificada no DNA, homologias entre os vários animais e triliões de fósseis nos cinco continentes.
Além disso, o criacionismo infere que se a informação codificada tem sempre origem inteligente e o DNA tem informação codificada, a única inferência lógica é que o DNA teve origem inteligente.
Richard Dawkins admite que a evolução é demasiado lenta para ser vista. Curiosamente, o palentologista Stephen Jay Gould afirmava que ela é demasiado rápida para deixar evidências no registo fóssil, propondo modelos saltacionistas.
Ou seja, pelos vistos a teoria da evolução tem tantas velocidades quantas as necessárias para explicar a ausência de evidências dela, no presente ou no registo fóssil.
Para Dawkins, a evolução é como um crime que aconteceu e que apenas deixou vestígios que devem ser apresentados num tribunal. O problema para Dawkins é que num tribunal são sempre admitidos argumentos e contra-argumentos, porque os vestígios precisam sempre de ser interpretados.
Esta realidade, inscrita na conclusão de Dawkins, refuta a premissa de que ele parte: de que só os evolucionistas é que podem discorrer acerca da evidência.
Procuraremos desenvolver este tema no outro post, que este já vai longo.
Já não é a primeira vez que lhe digo isto. Agradecia que o comentário fosse em relação ao post em questão.
Apreciado Bernardo,
A minha Milu estava aqui a dizer-me ao ouvido que é uma injustiça que enquanto que os autores evolucionista vão publicando uns livros, os seus pares criacionistas vêm-se circunscritos a estas simples caixas de comentários. Ora tendo o amigo Bernardo tanto jeitinho para a exegética, não digo que passasse já as suas reflexões à estampa, mas já pensou na ideia que era ter um blog? Por certo público não lhe ia faltar, eu mesmo estou na disposição de lá ir glosar todos os dias.
E se lhe faltar o engenho técnico, não se preocupe, pode contar comigo. Estou já a pensar numa coisa em grande dotada de bastantes gbytes com capacidade suficiente para albergar todo o seu psitacismo, coisa essa, evidentemente, em tecnologia dot.net devidamente testada e certificada . Não se meta cá em PHP’s nem wordspress que isso é coisa de novos ateus e está mais que visto que não funciona…
Pense nisso e um abraço
voltei a escrever ex-ateu(não tinha emendado no texto original). Richard Dawkins é, claramente, um ateu dos quatro costados. Ainda não seguiu as pisadas de Anthony Flew.
RESPOSTA SODOMITA AO AMIGO VOGEL
Já estamos com saudades tuas por estas bandas. Quando é que voltas?
Bem sei que ficaste muito amolgado da última vez, mas desta vez prometemos ser só quatro.
“Eu que não gosto de Saramago (mau escritor, pensador mediocre, bombástico e maçador) aplaudo as suas declarações.”
Seu ateu herético!!
Que Pilar del Rio te fustigue por essa ímpia observação!
É claro que depois existe a versão do competidor directo:
http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=985929#
“Qual é a sua atitude perante Deus?
Existe um velho provérbio húngaro que diz que na cova do lobo não há ateus, por isso julgo que não existe quem não acredite. O nada não existe na física ou na biologia e quando se lêem os grandes físicos entende-se como eram homens profundamente crentes, que chegaram a Deus através da física e da matemática e que falavam de Deus de uma maneira fascinante. A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso, cada vez mais, não no sentido desta ou daquela igreja mas porque me parece que a ideia de Deus é óbvia. Cada vez mais o é para mim. É um bocado como diz Einstein, quando afirma que Deus não joga aos dados.
Como é essa relação?
É claro que me zango com Deus porque permite o sofrimento, mas talvez os seus desígnios tenham tais profundezas que não atinjo. O sofrimento sempre me foi incompreensível porque nascemos para a alegria. A minha atitude em relação à religião é essa, não estou a falar de igrejas, estou a falar em relação a Deus e não acredito quando as pessoas dizem que são agnósticas ou ateias. Não estou a dizer que a pessoa não esteja a ser sincera, mas dentro dela e em qualquer ponto há algo… Uma vez perguntaram ao Hemingway se acreditava em Deus e a resposta foi às vezes, à noite.”
Pois…
Mas eu à noite gosto é de outras coisas…
Estes intelectuais sobranceiros! Tsss, tsss…
Tão competidor que já arranjou a sua Pilar del Rio!
No fim comete um grave erro de marketing. Imagino que a editora dele já esteja a bater com a cabeça na parede…
“Sei mais ou menos qual é o meu lugar enquanto escritor e o resto da minha vida não é importante, falar da minha vida privada não tem importância nenhuma, os livros sim podem ser importantes mas eu até acho que todos deviam ser publicados anonimamente, sem nome de autor. Isso eliminaria imensos problemas.”
Lucas,
Não te esqueças de ler esta versão também:
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2009/10/15/carta-ao-dr-saramago/
Um abraço.
“Pedimos ao Senhor que conceda-lhe, antes de fechar os olhos para este mundo, a graça da conversão. É tudo o que desejamos e pedimos ao Senhor da Glória. ”
Isto pode considerar-se uma espécie de praga?
Uma espécie de: “Gostaríamos que no seu leito de morte, esteja tão fragilizado, que renegue todos os seus princípios, e abrace a irracionalidade demente do pensamento magico.”
Não me parece que tenham grande sorte.
O Saramago é mesmo ateu, ou é daqueles anti-católicos primários, que preferem ser conhecidos como “ateus” porque o termo “ateu” é mais sofisticado do que “anti-católico”?
Há pessoas que ficam muito bem impressionadas com as patacoadas que o senhor Saramago diz acerca da Igreja Católica, e até há quem ache que são corajosas. Porquê corajosas?
Ele nada tem de original. Toda a sua atitude anti-católica é repetição e plágio. Toda a verborreia anti-católica é já velha de mais de cem anos, e não há vislumbre, nos dislates de Saramago, do menor aspecto de novidade nos seus ataques anti-católicos, que continuam com o mesmo nível de sofisticação do discurso de um Afonso Costa, de há cem anos atrás. Se fosse político, Saramago seria um Émile Combes à portuguesa, cem anos atrasado…
Este senhor não percebe nada de catolicismo nem de Igreja Católica.
A soberba e a arrogância, pecados graves, são trágicos quando conjugados com a ignorância.
Saramago, por mero orgulho, gosta de fazer de paladino do anti-catolicismo, hoje politicamente correcto.
Há hoje em dia alguma novidade em ser anti-católico?
Há alguma réstia de coragem em fazê-lo?
Se ainda resta um preconceito socialmente tolerado, nesta velha e triste Europa, é o preconceito anti-católico.
Saramago é um triste….
Para Saramago, Bento XVI é um “cínico intelectual”?
É patético… Puros ataques “ad hominem” de alguém que sabe zero de filosofia.
Está na altura de Saramago retirar a máscara de ateu, que não é, porque a filosofia ateia não interessa uma grama a Saramago (a filosofia não interessa uma grama a Saramago, nem nada de realmente intelectual), e afirmar-se de uma vez por todas como um arruaceiro anti-cristão, que usa o seu Nobel (ideologicamente atribuído) como escudo para as patacoadas que dispara em todas as direcções, quais “pérolas” pseudo-intelectualóides atiradas para um público receptivo.
O sucesso de Saramago é simples de explicar: sob a égide e a protecção do Nobel, diz às pessoas com preconceitos anti-católicos exactamente aquilo que elas estão preparadas para receber e aceitar.
A Igreja Católica defende uma moral exigente.
A malta está-se nas tintas para viver uma vida moral. Dá trabalho. É mais fixe viver a vida sem regras morais. É mais fixe fingir que Deus não existe, que não há juízo final, que não há relações causa-efeito nas opções morais que tomamos, que a vida é apenas para ser usufruída como se fosse uma viagem de montanha russa numa feira.
O Saramago pinta a abolição da moralidade cristã como uma missão intelectualmente superior, até civilizacional.
É o que todos querem ouvir!
Não é o primeiro falso profeta da História, e não será o último.
Saramago, o pretenso ateu, não produziu uma única demonstração filosófica do ateísmo.
Também não produziu uma única refutação filosófica do cristianismo.
Como filósofo, como ateu, Saramago é uma fraude.
Bernardo Motta
“A soberba e a arrogância, pecados graves” Sim, mas para um ateu ou, como prefere chamar, um “anti-católico” como Saramago isso de pecado é rigorosamente indiferente. Nisso, parece-me que a atitude do homem é, pelo menos, coerente.
Agora, se há pessoas, (como, supostamente, Saramago) que se sentem ofendidos com aquilo que é defendido por dirigentes da Igreja, não vejo porque devem ficar calados. Só para não serem “politicamente correctos”? Ser ateu ou defender posições contra a Igreja é “politicamente correcto”, agora? Em Portugal? Porque, pessoalmente, ainda sinto um certo desconforto em admitir o meu agnosticismo fora de um grupo intimo de amigos.
Além disso, se a Igreja diz sucessivamente a mesma coisa, como é que pode esperar que ateus ou anti-católicos não sejam, também, repetitivos ou plagiadores?
E uma coisa que não ajuda ao convivio entre religiosos e os que não o são, é essa tal ideia de “A Igreja Católica defende uma moral exigente. A malta está-se nas tintas para viver uma vida moral.” Por não seguir uma religião ou preceito espiritual, agora sou amoral ou imoral, é isso? Porque o parágrafo em que deita cá para fora esse fel sobre o que pensa sobre a suposta inexistência de valores entre aqueles que não acreditam num deus, diz-me que se calhar não é só entre os “anti-critãos” que impera uma completa ignorância sobre aquilo que argumentam contra. O que é que você pensa que sabe sobre aquilo que me atormenta? Acha que só por eu não ter uma espécie de bicho-papão no pós-morte, não me preocupo com o sofrimento alheio? Você só se preocupa com os efeitos das suas acções por causa desse bicho-papão?…
Nisto, lembre-se que ateus vivem mergulhados numa sociedade que, originalmente, é altamente religiosa; o mais provavel, é terem sido criados por país e familias mais ou menos católicas. Nesse sentido, talvez falem com mais conhecimento de causa do que cristãos que apontam ateus como uma espécie de “pessoas da vida fácil”.
“ckage”,
«“A soberba e a arrogância, pecados graves” Sim, mas para um ateu ou, como prefere chamar, um “anti-católico” como Saramago isso de pecado é rigorosamente indiferente. Nisso, parece-me que a atitude do homem é, pelo menos, coerente.»
Bom: então se a palavra “pecado” lhe faz cócegas, interprete “pecado” como “comportamento errado”.
Assim, já é um conceito que aceite, certo?
É que um pecado é um comportamento errado. Estava só a querer ser sintético (nada hábito meu).
Agora fiquei com uma dúvida: Saramago rejeita o conceito de “comportamento errado”? E você?
«Agora, se há pessoas, (como, supostamente, Saramago) que se sentem ofendidos com aquilo que é defendido por dirigentes da Igreja, não vejo porque devem ficar calados.»
Quem disse que deveriam ficar calados?
É tão típico que alguém imediatamente saque da carta da censura.
Se Saramago fosse impedido de falar, eu seria dos primeiros a defender que o deixassem falar.
Ele diz muita porcaria, mas tem todo o direito a dizê-la.
Não é isso que está em causa.
«Só para não serem “politicamente correctos”?»
Você só pode estar a brincar. Há algo mais politicamente correcto do que ser anticristão?
Há algo de mais convencional, na nossa “elite” intelectual, do que dizer mal da Igreja e da moral cristã?
«Ser ateu ou defender posições contra a Igreja é “politicamente correcto”, agora? Em Portugal?»
O mais possível.
Quando é que foi a última vez que leu um livro de História de Portugal? Desde o liberalismo (em monarquia), passando pela Primeira República com o zelo anticlerical do Afonso Costa e da sua claque, até aos tempos modernos, dar a bela traulitada na “padralhada” tem sido o desporto nacional.
Há quem faça do Estado Novo uma excepção. Talvez, mas mesmo assim, é preciso ser muito ignorante para se dizer que Salazar era meiguinho com a Igreja. Só a questão do Padroado de Goa, que tanto azedume deu a Roma, seria suficiente. Mas ainda podemos ir buscar a atitude de Salazar perante o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, e mais uns quantos casos de “quero, posso e mando” salazarista, que o cenário do Salazar “meiguinho” com a Igreja fica feito em fanicos.
«Porque, pessoalmente, ainda sinto um certo desconforto em admitir o meu agnosticismo fora de um grupo intimo de amigos.»
Não é possível?
Que amigos?
Tem amigos cristãos?
Onde?
Ainda há?
Ou estará a falar de amigos seus que façam parte da comunidade hindú, muçulmana, ortodoxa russa?
«Além disso, se a Igreja diz sucessivamente a mesma coisa, como é que pode esperar que ateus ou anti-católicos não sejam, também, repetitivos ou plagiadores?»
Não tem mal nenhum Saramago repetir a “catequese” anti-clerical. O que é triste é ele achar que isso é intelectualmente brilhante. É que enquanto que a Igreja Católica nasce e renasce continuamente, o tempo do Afonso Costa já lá vai. Mesmo olhando para o zelo anti-cristão do Sócrates e do Zapatero, o Afonso Costa não teria dúvidas em chamá-los de “meninos”… O Costa mandou prender padres e roubou património a sério.
«E uma coisa que não ajuda ao convivio entre religiosos e os que não o são, é essa tal ideia de “A Igreja Católica defende uma moral exigente. A malta está-se nas tintas para viver uma vida moral.” Por não seguir uma religião ou preceito espiritual, agora sou amoral ou imoral, é isso?»
Não estou a dizer isso. Evidentemente, um ateu pode viver uma vida moral.
Mas ficaria muito espantado se tivesse uma moral tão exigente como a cristã. Qual é a sua posição acerca da moral sexual? Acha que há comportamentos sexuais certos e outros errados?
Evidentemente, uma pessoa pode, em teoria, partilhar TODA a moral da Igreja Católica sem partilhar da sua doutrina. Até porque a Igreja defende que a moral em questão é uma moral universal. Mas são casos raríssimos, esses… Normalmente, uma pessoa não cristã não partilha da moral defendida pela Igreja.
«Porque o parágrafo em que deita cá para fora esse fel sobre o que pensa sobre a suposta inexistência de valores entre aqueles que não acreditam num deus, diz-me que se calhar não é só entre os “anti-critãos” que impera uma completa ignorância sobre aquilo que argumentam contra. O que é que você pensa que sabe sobre aquilo que me atormenta? Acha que só por eu não ter uma espécie de bicho-papão no pós-morte, não me preocupo com o sofrimento alheio? Você só se preocupa com os efeitos das suas acções por causa desse bicho-papão?…»
Seguir a moral cristã não tem nada a ver com agir por medo. Toda e qualquer acção que se toma de forma não livre perde o peso moral. Decisões morais (boas ou más) são sempre decisões livres, senão são coacções.
«Nisto, lembre-se que ateus vivem mergulhados numa sociedade que, originalmente, é altamente religiosa;»
Que ERA altamente religiosa. Que ERA…
«o mais provavel, é terem sido criados por país e familias mais ou menos católicas.»
Gostei da expressão: “mais ou menos católicas”. Está perfeita. Realmente, Portugal é um país “mais ou menos católico”. A malta diz-se cristã. Mas não se vê nem 30% a frequentar a missa ou a meter as crianças na catequese.
«Nesse sentido, talvez falem com mais conhecimento de causa do que cristãos que apontam ateus como uma espécie de “pessoas da vida fácil”.»
Eu não escrevi em parte alguma que os ateus são pessoas de vida fácil.
Aliás, o seu comentário é um tiro completamente ao lado: eu não estava a criticar ateus, mas sim o Saramago. Se reparar no que escrevi, procurei frisar que eu não acho que Saramago seja ateu. Eu acho que Saramago é anticristão, e mais concretamente, que ele ridiculariza a moral cristã. Foi por isso que eu critiquei a ligeireza moral defendida pelo Saramago.
Ateísmo é filosofia.
Anticatolicismo é preconceito.
São coisas diferentes. Saramago é anticatólico com a mania que é ateu. É mais “chic” dizer que se é ateu.
Cumprimentos,
Bernardo Motta
Não, a palavra pecado é-me indiferente; não me será tão indiferente que algumas pessoas insistam em usar tal conceito como se tivesse de ter algum valor para todos, sobretudo, quando se escreve num portal ateu… Quanto ao “mau comportamento”, tudo bem, mas pessoalmente, tolero a arrogância naqueles que, manifestadamente, têm valor. Sem complexos. E por muitos calos religiosos ou políticos que o Saramago pise, é sem dúvida um escritor que singrou no seu trabalho. Eu, pelo menos, gosto de o ler.
E não, Saramago rejeita o conceito de “pecado”, não de “mau comportamento”. Não são sinónimos. “Pecado” é uma quebra de uma regra religiosa por um seguidor da religião em causa. Por exemplo, um muçulmano peca por comer porco; se eu comer porco, não. Nisto, é normal que um ateu, seja em que religião for, rejeite tal conceito. “Mau comportamento” tem a ver com o desrespeito por regras sociais, o que numa sociedade não teocrática, novamente, nada tem a ver com “pecar”.
Quanto à carta da censura, quem a sacou foi você. Quando referi a questão do ficar calado, referia-me ao facto de, segundo me parece, 80% do seu comentário ter sido nada mais do que ataques ao carácter do homem, praticamente sem apresentar argumentos quanto àquilo que Saramago realmente disse. Quase como se achasse que o que ateus (ou anti-católicos…) dizem não tem significado nenhum. Que devem ser ignorados. Que mais vale que fiquem calados.
“Há algo de mais convencional, na nossa “elite” intelectual, do que dizer mal da Igreja e da moral cristã”
Tudo bem que eu não faço parte dessa “elite”, pelo que o mais provável é que andem por lá a acontecer coisas que desconheço. Mas se calhar, esse grupo aponta certas coisas como sendo erradas, porque, bom, estão erradas. É uma hipótese.
“Quando é que foi a última vez que leu um livro de História de Portugal?” É. Eu faço parte da Grande Elite Ignorante. Mas daquele tipo de ignorância que acha que se os padres fazem asneiras, é espectável que sejam apontados pelo resto da sociedade. Ou que se se metem em matérias de estado, ou geopolíticas, ou seja lá o que fôr, é normal que levem mordidelas de políticos. E se Salazar não era meigo com a pobre Igreja é-me, novamente, indiferente. Não me é novamente tão indiferente assim, que durante o governo do mesmo Salazar, a religião tenha sido usada como forma de embrutecimento geral. E que ainda hoje tenhamos de lidar com a mentalidade mesquinha, pessimista, lamentosa e invejosa que a nossa sociedade herdou dos aspectos mais negativos da mesma religião.
“Tem amigos cristãos? Onde? Ainda há?” E você está a viver onde? No Brunei?
E num desses “renascimentos” da igreja, dáva jeito que a mesma se lembrasse de deixar de meter o bedelho em matérias seculares que afectam aqueles que não seguem o Cristianismo. Desconfio que isso, sim, iria calar muitos Saramagos e pseudo-Afonsos Costa.
Quanto a comportamentos sexuais, sim, tenho opiniões sobre o que pode ser certo e errado. Que pouco ou nada tem a ver com os aspectos contra os quais a Igreja gosta de se preocupar. Em vários casos, vai completamente contra.
“Que ERA altamente religiosa. Que ERA…”
Então Fátima não existe, a santa missinha no interior da país é mentira, ou a sociedade não se andou e anda a debater com determinadas questões que se encontram “emperradas” precisamente por causa de estarem relacionadas com o atrás mencionado “pecado”? E você ainda queria mais?
O peso da obrigação de seguir a religião pode ser menor – você queria o quê? Cristianismo obrigatório? -, mas há ainda muitos valores de origem religiosa que ainda imperam na sociedade, mesmo entre os individuos que não seguem a religião, alguns destes valores até bastante negativos.
“Realmente, Portugal é um país “mais ou menos católico”. A malta diz-se cristã.” E porque sente você a necessidade de julgar (desdenhar?) a forma como estas pessoas escolhem viver a sua espiritualidade? Isso não será até algo contra-producente para a sua causa? E olhe que até devia estar grato por estas famílias “mais-ou-menos”: boa parte dos ateus mais acérrimos que conheci vieram de famílias altamente católicas, das missas, das catequeses, dos ámen-a-tudo-o-que-o-padre-diz e afins.
E eu sei que não escreveu que ateus são pessoas de vida fácil. Foi uma expressão minha. O que escreveu foi que quem não segue a Moral da Igreja está-se nas tintas para a moral porque dá trabalho e é um irresponsável que procura a via mais fácil. Focou aqueles que preferem “fingir” que não há Deus, desdenhado desta vez do ponto de vista ateu como um mero fingimento de um puto que quer fugir ao pai.
Tendo em conta este parágrafo, não sei até que ponto o meu comentário terá sido tão “ao lado”. Aliás, apesar disto, entendi que procurou escudar-se por isso de “anti-cristão”, pelo que também usei termos como “anti-católico”. No entanto, se uma pessoa é ateia numa sociedade maioritariamente cristã, o mais certo é mais tarde ou mais cedo ter uma reacção ou opinião anti-cristã. Pelo que as duas ideias se tocam.
À parte disso, há coisas que admiro sobre o que Jesus Cristo disse, e coisas que ridicularizo e critíco na moral cristã. E não encontro aqui grande contradição…
Um prémio nobel versus um ilustre desconhecido… Quem será a fraude?
«Um prémio nobel versus um ilustre desconhecido… Quem será a fraude»
Exacto… Como ele recebeu a treta do Nobel, fica acima das críticas?
Não pode ser criticado?
Se Saramago tem todo o direito (e tem mesmo) a dizer que o Papa Bento XVI é um “cínico intelectual”, toda a gente (eu incluído, nada ilustre desconhecido) tem o direito de criticar Saramago, até ao ponto de lhe chamar uma fraude.
Como diz o João Pereira Coutinho:
“PRÉMIOS NOBEL? Os únicos que respeito são aqueles que ninguém comenta: os estritamente científicos, onde a ideologia não põe a pata.”
Bernardo Motta, concordo consigo: Saramago, enquanto filósofo ou intelectual, é uma fraude. Enquanto moralista, os jornalistas que ele saneou politicamente no DN, quando foi lá director, devem levar muito a sério as críticas, que Saramago faz relativamente à idoneidade de Ratzinger…
Bernardo,
Há mais do que motivos para atacar Ratzinger (nomeadamente da parte de quem for ateu) e a instituição que representa e não se trata de um ataque barato “encomendado” pelos anti-católicos, Saramago não faz mais do que exprimir a sua opinião, algo muito anterior ao seu Nobel. Aliás, dizer mal do papa desta maneira não é assim tão comum no mainstream…
Abraço
Rui Janeiro,
«Há mais do que motivos para atacar Ratzinger (nomeadamente da parte de quem for ateu) e a instituição que representa e não se trata de um ataque barato “encomendado” pelos anti-católicos»
Eu não escrevi que as palavras do Saramago eram um ataque barato “encomendado” pelos anticatólicos. Eu escrevi que Saramago é anticatólico.
Queria voltar a frisar que estes meus comentários, desta vez, não visavam o ateísmo. Para criticar o ateísmo, que é uma filosofia, há que usar argumentos filosóficos. Eu não estava a fazer isso. Estava a criticar a arrogância e a mediocridade do anticatólico Saramago, e a dizer que Saramago não me parece ser ateu, visto que não apresenta argumentos filosóficos de qualquer espécie.
As palavras de Saramago, as citadas por esta notícia, nada têm de ateísmo, mas sim de anticatolicismo.
Repito: ateísmo é filosofia (criticável, mas não quis aqui fazer essa crítica), anticatolicismo é preconceito.
«Saramago não faz mais do que exprimir a sua opinião, algo muito anterior ao seu Nobel.»
Claro: uma opinião muito antiga em Saramago. Há anos que se sabe que ele é anticristão, muito antes do seu Nobel. É interessante tentar perceber se essa opinião não teve qualquer tipo de peso na decisão do Nobel, mas essa é outra questão.
Ele pode ter a sua opinião, mesmo tonta.
E eu também.
As opiniões são como as cuecas: cada pessoa pode tê-las só para si, e das quais é o único responsável.
«Aliás, dizer mal do papa desta maneira não é assim tão comum no mainstream…»
É perfeitamente banal. Não passa uma semana sem que um dos grandes jornais mundiais dê uma bordoadazinha no Papa. Isto dura há séculos. É perfeitamente “mainstream” dar bordoadas no Sumo Pontífice desde que surgiu a imprensa moderna. Que o façam à vontade! Viva a liberdade de imprensa!
Mas não julguem que não há católicos dispostos a chamar os bois pelos nomes…
O Saramago diz que Ratzinger é um “cínico intelectual”. Eu interpreto isto como ele querendo dizer que, no fundo, no fundo, Ratzinger não acredita em nada do que defende.
Isto é uma parvoíce tão grande, mas tão grande, mas TÃO GRANDE, que só é engolida por toda a gente porque Saramago… recebeu… (rufar de tambores) … um… Nobel (uau!).
O “rei” Saramago vai nu. Prestem vassalagem ao rei…
Abraço,
Bernardo
“O Saramago pinta a abolição da moralidade cristã como uma missão intelectualmente superior, até civilizacional.”
Eu diria mais, é uma missão eticamente imperativa.
Bernardo,
Como tem passado? Imagino que não muito bem, tiveram que engolir o Nobel para o Obama e agora o Saramago, tudo na mesma semana… Mas diga-me cá: conhece algum ateu que se preze que não seja anti-católico? Ou anti-muslin, ou anti-protestante, ou anti-o-que-valha?
Eu não conheço nenhum, obviamente que não estou a contar com os ateus racionais e tolerantes, mas para os ateus sério só faz sentido é ser anti-religião, qualquer que ela seja… O que conheço é muitos católicos ateus, mas isso já é outra história…
E já agora, onde é que foi buscar esses 30%? Não terá metido aí um zerinho a mais?
Um abraço de Cacau
Xiquinho,
É relativamente simples perceber a diferença entre ateísmo e anticristianismo. Ateísmo é a doutrina filosófica que defende a inexistência de Deus. Anticristianismo, ou mais especificamente, anticatolicismo, é um preconceito. Segundo esse preconceito, as religiões são a pior coisa do mundo e a causa de todos os males. Evidentemente, como todo o tipo de preconceito, só vive e sobrevive da ignorância.
É certo que todo e qualquer ateu vai discordar de um crente, seja ele cristão ou católico, ou não.
Não estou a atacar a discórdia, a divergência de opiniões.
De uma vez por todas, não estou a criticar Saramago por ser ateu, mas sim por ser um anticatólico primário, rudimentar, e mal educado.
O Saramago, nestas tristes palavras, não criticou as ideias de Ratzinger. Criticou Ratzinger. Chamou-o de “cínico”. Para além de ser uma acusação estúpida (Ratzinger é cristão convicto, e não cínico), é uma acusação mal educada. O Saramago, com todos os anos de vida que já tem, ainda não aprendeu o que é uma falácia, e ainda não aprendeu a montar um silogismo e a defender racionalmente, sem ataques pessoais, as suas ideias. Sobre a sua má educação, é um bocado como aquele velho ditado: o que nasce torto já não se endireita. A educação recebe-se na infância e na adolescência. É já um bocado tarde para Saramago aprender a ser educado…
Abraço,
Bernardo
Caro Bernardo,
Continuo a achar que para um ateu só faz sentido ser (também) anti-católico. Ou vendo a coisa ao contrário, o Bernardo sendo cristão e católico também é pró-ateu? Obviamente que não! Ser anticatólico não é preconceito nenhum, mas sim o estado espírito natural de qualquer ateu. Sem Deus para que serve o Cristianismo? Para nada, evidentemente.
É natural que aprecie mais os ateus cá do portal, pessoas impecáveis, como diz e nisso estou de acordo, alguns até se casam pela igreja, mas não me parece que esteja a ver a coisa objectivamente: é que para um ateu é extraordinariamente difícil de acreditar que pessoas cultas e inteligentes, não me canso de dizer, como é caso de Ratzinger (e o seu), possam ser cristãos convictos.
Embora no seu caso, devo dizer que quando o conheci, tendia a pensar em si como mais um caso especial, embora hoje em dia já o considere mais um caso perdido
Agora desde quando é que chamar cínico intelectual a alguém é má educação? A ser assim, também eu me devia sentir ofendido quando o ceguinho auxiliar de Lisboa apelida de intolerantes, ridículos e marginais aos ateus? Não sinto.
E obviamente que chamar de cínico a Ratzinger não é um ataque pessoal, mas sim um ataque aquilo que ele representa.
Mas mesmo assim acha que o Saramago, que se limitou a dizer bem alto meia dúzia de verdades é mal educado? Pois olhe, má educação, chamo eu a isto:
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1393268&seccao=Europa
Literalmente…
Renovado abraço
Interessante artigo… Talvez o aproveite.
Bem que tentamos fazer mossa na ICAR, mas parece-me que qualquer dia é mesmo a bancarrota que os leva. E depois é vendida em hasta pública…
Caim, de José Saramago, já à venda.
http://embusteiros.blogspot.com/2009/10/caim-de-jose-saramago-ja-venda.html
E, eu já comprei online com portes grátis e desconto de 10%, AQUI:
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Bernardo,
Concordo em grande parte com o que dizes. Estou farta de gente que nada tem a ver com a ICAR a bater-lhe. O que o Papa diz é lá com ele e os seus fieis. Só tenho problemas quando cá vêm bater-me à porta.
Reclamo quando a imprensa dá demasiada importância à ICAR, quando chefes de estado o fazem, e quando recebo o boletim da paróquia na minha caixa de correio apesar de ter lá indicado “publicidade não endereçada, aqui não. Obrigada!”
O que é que tenho a ver com o celibato dos padres? nada. Com as ordens religiosas? nada. Sexo depois do casamento? se não me proibirem a mim de o fazer antes do casamento, cada um sabe de si. A grande maioria das pessoas tem as ferramentas para reconhecer o catolicismo por aquilo que é, um chorrilho de disparates. Se não o fazem é lá com eles.
Espero não ser linchada do Portal por causa disto!
Esqueci-me dum pormenor. Em história, na escola, não aprendi nada de afonsos costas e afins. Bateu-se no papismo
por causa das cruzadas, descobrimentos com toda a questão da escravatura e das conversões, reforma e contra-reforma com o respectivo index e inquisição. Depois disso só se falou de religião dum ponto de vista da arte (anginhos barrocos, grrrr ). Depois dos déspotas iluminados praticamente não se falou de religião, se bem que se bateu um pouco no Marquês de Pombal por ter corrido com os Jesuitas. A escola onde estiveste tinha uma interpretação muito própria do programa. Ou somos de gerações bem diferentes
Catarina,
«Concordo em grande parte com o que dizes. Estou farta de gente que nada tem a ver com a ICAR a bater-lhe. O que o Papa diz é lá com ele e os seus fieis.»
Ora até que enfim! Sejam bem-vindas estas palavras! Obrigado.
«Só tenho problemas quando cá vêm bater-me à porta.
Reclamo quando a imprensa dá demasiada importância à ICAR, quando chefes de estado o fazem, e quando recebo o boletim da paróquia na minha caixa de correio apesar de ter lá indicado “publicidade não endereçada, aqui não. Obrigada!”»
Sou o primeiro a defender que as pessoas devem ser protegidas de publicidade não desejada, mesmo que religiosa.
«O que é que tenho a ver com o celibato dos padres? nada. Com as ordens religiosas? nada. Sexo depois do casamento? se não me proibirem a mim de o fazer antes do casamento, cada um sabe de si.»
Ora nem mais!
Ora nem mais…
«A grande maioria das pessoas tem as ferramentas para reconhecer o catolicismo por aquilo que é, um chorrilho de disparates. Se não o fazem é lá com eles.»
Esta parte já interpreto como a tua opinião pessoal, e claramente errada do meu ponto de vista. Não só o catolicismo não é um chorrilho de disparates, mas pelo contrário, é a melhor coisa que nos caiu do céu. Literalmente.
«Espero não ser linchada do Portal por causa disto!»
Não serás, certamente. Se fosse esse o espírito do ateísmo do Portal Ateu, eu não perderia cá o meu tempo. Por causa desse tipo de ateísmo primário, sectário e abrutalhado é que eu deixei de frequentar o Diário Ateísta, e passei a escolher melhor os meus interlocutores de debate. O Portal Ateu é uma lufada de ar fresco. Eu discordo de quase tudo o que cá leio, mas as pessoas são impecáveis.
«Esqueci-me dum pormenor. Em história, na escola, não aprendi nada de afonsos costas e afins.»
Não é suposto. Não faz parte do endoutrinamento planeado para a formatação juvenil no sistema público de ensino. Não calha bem explicar à malta miúda que, ao expulsar os jesuítas, o Marquês de Pombal deixou o país sem um sistema de ensino de categoria à escala mundial, que trazia a Portugal os melhores cientistas, e onde havia genuína produção de cultura como nunca mais houve depois. Também não se explica que a monarquia liberal deixou a Igreja de rastos: apoderou-se de imenso património e expulsou as ordens religiosas. Mas a nata da nata veio com a tropa fandanga da Primeira República…
Fica mal contar à miudagem a intolerância extremista do Afonso Costa: as suas “leis de separação” não eram nada disso, eram leis de opressão. O Estado tratava os padres, ora como prisioneiros ou criminosos, ora como funcionários públicos. A coerência não era grande coisa, porque o objectivo era amesquinhar, oprimir, sufocar. Estamos a falar de uma malta que jurava que o catolicismo iria morrer com a sua geração. Eles fizeram por isso…
O espírito fanático e intolerante anda mais vivo que nunca, ainda por cima agora, quando em 2010 vamos assistir a uma espantosa hagiografia dos primeiros republicanos, esses “mata-padres” tarados e fanáticos. Os “irmãos três pontos” irão assegurar-se de que o Omo maçónico lava a História mais branco do que todos os outros. Alguém deu pelo último livro lançado pelo Mário Soares? Como se chamava? Quem esteve lá, no lançamento?
«Bateu-se no papismo por causa das cruzadas, descobrimentos com toda a questão da escravatura e das conversões, reforma e contra-reforma com o respectivo index e inquisição.»
Ninguém ensina que no Índex também se punham (sobretudo) livros sobre magia e ocultismo, e que fazia-se isso não só para proteger a religião como também para proteger a ciência.
Passa-se em branco que os jesuítas fizeram muito, mas mesmo muito, pelos índios brasileiros e bateram-se pelos direitos humanos. Esquece-se que os judeus, aquando das perseguições régias, foram defendidos com bravura por um Padre António Vieira, só e mais nada uma das maiores figuras intelectuais de Portugal, de sempre.
«Depois disso só se falou de religião dum ponto de vista da arte (anginhos barrocos, grrrr ). Depois dos déspotas iluminados praticamente não se falou de religião, se bem que se bateu um pouco no Marquês de Pombal por ter corrido com os Jesuitas. A escola onde estiveste tinha uma interpretação muito própria do programa. Ou somos de gerações bem diferentes»
Estive sempre no ensino público. Tive um professor de História faccioso, que aos miúdos do 7º ano falava “nesse mito de Cristo”. Os meus livros de escola falavam no “obscurantismo” da Idade das Trevas. Galileu e Giordano Bruno foram-me enfiados pelas goelas abaixo como dois mártires.
Conto-te só uma história com piada: no 7º ou 8º ano, tive que fazer um trabalho bastante extenso, com mais três colegas de turma, acerca do Copérnico e da sua obra fundamental. Outro dia, aqui em casa, deparei-me com esse trabalho, ainda escrito à máquina (quase ninguém tinha computadores), e encadernado com argolas. Ao lê-lo, vi que estava lá tudo: a distorção dos factos, a ultra-simplificação do caso Galileu, toda a cangalhada lendária do “mártir da Ciência”, sem qualquer vergonha.
O mago e bruxo Giordano Bruno surge como outro segundo “mártir da Ciência”, e só para que Galileu não fique só. Porque não se arranjou mais nenhum cientista para fazer de “mártir”, fez-se do bruxo Bruno um cientista, ele que queria reformar toda a Europa sob a égide de uma religião egípcia renascida, adoradora do único Deus-Sol.
O interesse de Bruno por Copérnico, já agora, tinha zero a ver com ciência. Bruno queria fazer do Sol o centro místico de uma nova religião egípcia solar.
Nada disto é explicado à miudagem. É mais fácil dizer que a Igreja era inimiga da Ciência…
Abraço,
Bernardo
Linchada, não digo… mas uns açoites valentes, merecias.
Relativamente a Ratzinger e ao seu medievalismo Universal, não adianto muito. Apenas concordo com a ideia de que Papa não é nem sucessor de Pedro, nem sucessor de César e que a Igreja Católica fica muito a dever à simplicidade e fidelidade ao evangelho dos primeiros cristãos. Mas não está sozinha.
Provavelmente isso poderia ser dito de muitos cristãos, a começar por mim.
A razão e a moral existem porque existe um Deus racional e moral, à imagem do qual nós fomos criados.
Se Deus não existe, não existe nenhuma lei moral objectiva, mas apenas preferências subjectivas. Cada um escolherá a que melhor serve os seus interesses.
Isto mesmo foi sumariado pelo Professor Paul (P.Z.) Myers, da University of Minnesota, um conhecido evolucionista, quando disse:
“First, there is no moral law: the universe is a nasty, heartless place where most things wouldn’t mind killing you if you let them.
No one is compelled to be nice; you or anyone could go on a murder spree, and all that is stopping you is your self-interest (it is very destructive to your personal bliss to knock down your social support system) and the self-interest of others, who would try to stop you.
There is nothing ‘out there’ that imposes morality on you, other than local, temporary conditions, a lot of social enculturation, and probably a bit of genetic hardwiring that you’ve inherited from ancestors who lived under similar conditions”.
O problema de Saramago é que se ele quer ser racional e moral, necessita de Deus. Porque sem Deus, como diz Myers, o Universo é o sítio rude, destiuído de coração, em que muitos nos poderiam querer matar se pudessem.
À margem de Deus, não existiria nenhuma lei moral que impussesse este ou aquele comportamento. Cada um serviria apenas os seus interesses, sem qualquer limitação ética.
José Saramago quer comer o bolo e ficar com ele ao mesmo tempo.
Caro Bernard Vogel,
Este meu comentário está dividido em duas partes: na primeira, falarei em nome do Portal Ateu e na segunda em nome individual.
1ª Parte (em nome do Portal Ateu)
Um dos pressupostos na criação do Portal Ateu era (e é) discutirmos o ateísmo. Para nós, isso não significa termos que nos sujeitar a mensagens de descarado proselitismo, especialmente quando o conteúdo das mesmas não passa de mero devaneio que manda às urtigas de uma só trolitada tudo o que é ciência, filosofia e, não menos importante, bom senso.
Assim, em nome do Portal Ateu deixo-lhe um convite e faço-lhe uma advertência:
Convite: Escreva um artigo para colocarmos na nossa secção “Direito de Resposta” os principais pontos das teses que defende. Isto dar-lhe-á o espaço que necessita para discutir com quem optar por comentar os seus argumentos. Pode enviar o seu artigo para email@portalateu.com
Advertência: Criado o espaço supra referido, caso insista em continuar a boicotar as caixas de comentários do Portal Ateu com comentários fora do contexto que apenas servem a sua estratégia, seremos obrigados a considerar tal opção como spam e agiremos em conformidade. Recordo que ainda tem o espaço do fórum para criar os tópicos que muito bem entender.
2ª Parte (em meu nome)
Porque é que Saramago necessita de Deus para ser racional e moral? Você próprio demonstra que tal requisito pode não ser suficiente para a questão da racionalidade – isto para contrariar o seu argumento – embora eu corra o risco com esta afirmação de estar a confundir racionalidade com honestidade intelectual. Esse, sim, parece-me ser o seu problema. Você tem uma agenda – claramente – e deturpa toda a informação a que tem acesso de modo a apenas utilizar aquela que serve os seus preconceitos e as suas crenças. Em vez de analisar a informação de que dispõe e com ela questionar as suas crenças, você recorre ao processo contrário: agarra nas suas crenças e vai à procura de informação que a sustente. Isso, para além de errado, é intelectualmente desonesto.
Pela minha parte, escusa de responder a esta parte deste meu comentário. Recuso-me determinantemente a perder tempo com quem não demonstra honestidade intelectual para abraçar qualquer tipo de debate.
Caro Hélder:
Não nos prives dos grandes momentos de humor do Bernard.
Que tal convidar o Bernard para colaborar na secção de Humor,
Abraço e até Sexta se eu conseguir ir à tertulia.
“Você tem uma agenda – claramente – e deturpa toda a informação a que tem acesso de modo a apenas utilizar aquela que serve os seus preconceitos e as suas crenças”
Agenda? Que mal tem? O que é que é o Portal ateu Movimento ateísta Português….pois.
Oh meu caro inocente João Ribeiro
Não vês mesmo a diferença ou estás a seguir o exemplo e optaste por também ser intelectualmente desonesto? É que nós estamos no nosso espaço, por isso utilizamo-lo como muito bem entendermos, com ou sem agenda, é ao nosso belo prazer.
Portanto, se alguém tiver uma qualquer agenda que não se enquadre nos parâmetros do portal Ateu, crie o seu blogue, escreva o seu livro, coloque outdoors na A1 entre Torres Novas e Leiria ou vá apregoar criacionismo para o alto do Cristo Rei que nós não daremos a menor importância. Agora, aqui não!
Já percebeste a diferença ou queres continuar a ser demagogo?
Ó Hélder, com muita pena minha vejo que o teu ateísmo moderado está a desaparecer…. é que não perdeste um segundo, e saltaste logo para o ataque pessoal.
Para além de que não leste com atenção. Eu perguntei qual o mal em ter agenda! Como se ter agenda implicasse ser-se desonesto. Já o mesmo é dito com o movimento do ID…..agora claro que concordo que este não é o local mais indicado para os spams do Vogel.
Sacana desse mago e bruxo Giordano Bruno! A querer transformar a Europa num continente herético!
P’rá fogueira com ele! Assim é que é! Churrasco com os heréticos!
E já agora, devíamos fazer o mesmo com os hereges modernos:
P’rá fogueira com a Alexandra Solnado, o Mestre Alves, a Arádia, o Professor Karamba e toda essa cambada!
Viva a ICAR como defensora da verdade, da ciência e dos bons costumes! Viva! Morte ao Afonso Costa!
PS: E já agora, para a fogueira com o Brrrrrrrrunooooo: esse mariconço “über famous”! Viva a pureza do sexo convencional!
http://www.youtube.com/watch?v=xhP0tOm6yt0