Preços a pagar

É important começar este artigo de opinião com uma ressalva necessária.

Como sabem os nossos visitantes e comentadores habituais, no Portal Ateu temos liberdade de opinião e de expressão. E assume-se imediatamente que a opinião de uma pessoa não é a opinião do resto dos colaboradores.

Mas neste caso, eu sinto que é necessário reforçar esta distinção.

O que eu vou escrever a seguir não vincula de forma nenhuma o Portal Ateu às minhas opiniões.

Vejam esta notícia no sítio da BBC.

“Às tácticas do grupo Liga de Defesa Inglesa (English Defence League no original), um grupo extremista anti-islâmico são desenhadas para provocar violência”, diz o Ministro das Comunidades, John Deham.

Numa declaração à BBC, o Sr Deham disse que “eu acredito que a Liga de Defesa Inglesa não é um grupo grande, mas mostram que têm pessoas dentro da organização que sabem o que fazem. Se olharem para o tipo de demonstrações que organizam, e o tipo de alvos que escolhem, é claro que as suas tácticas são feitas de forma a provocar, conseguir uma resposta e criar violência. É importante que consigamos, através da estrutura governamental, ter a certeza que conseguimos impedir essas coisas de acontecer”.

Mr Denham disse igualmente que as tácticas usadas para provocar “excessos de reacção” são similares às que foram utilizadas pela “União Britânica Fascista em 1930”.

Cerca de 1000 pessoas juntaram-se no exterior da Mesquita da Harrow Central, uma organização da Stop Islamification of Europe – um grupo associado com a Liga. A organização disse que iria fazer uma manifestação pacífica, para protestar contra a construção de uma mesquita de 5 andares perto de Harrow Central.

Muçulmanos locais e membros da “União contra fascismo” (Unite Against Fascism no original) confrontaram os manifestantes justificando-se com a argumentação que “tinham de defender a sua mesquita”. Testemunhas disseram que o grupo anti-islâmico foram perseguidos por um largo grupo de muçulmanos, e alguns destes últimos viraram-se contra a polícia. Tijolos e garrafas foram lançados contra a polícia.”

A notícia continua, mas eu fico-me por aqui para fazer a minha argumentação.

Reparem, não é que eu não conheça a capacidade para extremismos em todo o lado.

Igualmente não é que eu não entenda que já há uma larga história de movimentos fascistas no Reino Unido, ou a organização de grupos que apenas procuram violência pela violência. Quem conhece algumas das cidades da Inglaterra sabe que os ingleses conseguem ser arruaceiros, beligerantes e intolerantes. Esses são os factos.

Mas uma notícia que é apresentada como “estes são a fonte do problema e os outros são as vitimas”, e depois continua para dizer que “testemunhas disseram que o grupo anti-islâmico foi perseguido por um largo grupo de muçulmanos”, e que isto aconteceu devido as “tácticas” dos primeiros, e à “normal reacção” dos segundos anda a brincar com coisas muito sérias! E um Ministro que acha que o problema é só de uns e não dos outros está a ser irresponsável.

Este branqueamento das motivações dos grupos islâmicos no Reino Unido (ou não Alemanha, ou na Holanda) por parte da comunicação social é cada vez mais preocupante. Os muçulmanos nunca são considerados como causadores de nada.

A crescente histeria islâmica na Europa? “Uma consequência normal de uma globalização moderna”. As continuadas exigências de haver leis islâmicas em países europeus? “Uma natural exigência numa sociedade onde se defende a pluralidade”. As demonstrações religiosas claramente ofensivas (ainda ontem houve “celebrações” do 11 de Setembro em várias comunidades islâmicas), intimidadoras, e demonstração de ódio por tudo o que é progressista ou pelas liberdades dos que não são os seguidores de maomé? “Totalmente compreensíveis numa sociedade onde existe uma relativização cultural.” Manifestantes justificando-se com a argumentação que “tinham de defender a sua mesquita” de protestos pacíficos? “A culpa é das “tácticas”.

Será que a memória é tão curta que as pessoas já não se lembram de que os atentados em Londres foram organizados por islâmicos, as demonstrações em várias cidades da Inglaterra contra os cartoons do Posten, as demonstrações nas ruas do Reino Unido contra as leis Britânicas, a progressiva balcanização de uma sociedade em regiões religiosas islâmicas, onde as mulheres, os homossexuais e os não muçulmanos não podem ter a sua liberdade, num país de liberdades.

preços a pagar

Desculpem, mas temos de ter mais respeito pelo que conseguimos progredir nos últimos séculos como sociedades Europeias!! Temos de defender aquilo que conquistamos à custa de muito esforço e tempo. Já tivemos uma guerra religiosa nos Balcãs que foi horrível o suficiente, para agora termos mais uma guerra religiosa à porta por causa de uma comunidade que é visivelmente suportada pelo extremismo wahhabism da Arábia Saudita, e que consome a própria liberdade das sociedades que são livres.

O preço a pagar pela liberdade e pela democracia é a eterna vigilância.

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5 Comentários

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  1. Infelizmente na sociedade actual vive-se com este clima. Começam a ser denotadas cada vez mais posições radicais e extremistas em relação à proveniência e religião das pessoas, embora haja a ilusão que estamos numa sociedade mais aberta, mais multiculturalista, a realidade é bem diferente, este será apenas um exemplo, dos muitos que já ocorreram e que ainda vão ocorrer. Como está provado na história global os conflitos religiosos são os mais duradouros.
    A religião é daquelas “pequenas” coisas humanas que me causa mais confusão, como é que por algo que pensam sobrenatural e superior aos humanos, se causam todos estes conflitos. Ao olhar para o mapa geopolítico isso é tão claro que assusta……………. Vivemos num mundo em que todas as sociedades pensam ser donas da verdade em detrimento da compreensão e entre-ajuda.
    Embora eu defenda que os islâmicos residentes na Europa tenham o direito de exercer livremente a sua religião e os seus costumes, esses não têm que ser transplantados para as sociedades europeias. Ao emigrarem decerto que conhecem a nossa cultura tal como nos conhecemos a deles e quando nos deslocamos a esses países por respeito, podemos cumprir certas normas.
    Lenine tem a famosa expressão “A religião é o ópio do povo” e que verdade esta…………..
    O caminho da sociedade europeia para recusar este tipo de fundamentalismo e extremismo foi longo, durou séculos, e com grande pena minha cada vez mais existe um renascimento maior de fenómenos deste género e não precisamos de sair das fronteiras deste país à beira-mar plantado.

    Bem Hajam.
    Rita

  2. Cara Rita

    Muito obrigado pelo seu comentário. Clarividente a sua exposição.

    Apenas um reparo – a expressão “a religião é o ópio do povo” é de Karl Marx no livro “Critique of Hegel’s Philosophy of Right”, e aconselho-a vivamente a conhecer toda a frase, que é imensamente mais interessante do que apenas a parte que colocou.

  3. Boas, queria começar por felicitar quem seguiu enfrente com a ideia do Portal Ateu, sou ateu ja a alguns anos..desde que comecei a entender que o Cristianismo nao tinha muitas diferenças com o fascismo, Inquisiçao = genocidio
    Li recentemente num artigo como é que se poderia anular o baptismo e a cumunhão, agradeço a quem fez o artigo, deu umas indicações muito boas, assim que faça 18 anos tentarei aanulação do mesmo, lutando assim com a hipocrisia que a igreja representa, na minha opinião.

    Abraço

  4. IJá afirmava John Philpot Curran, em 1790:

    “It is the common fate of the indolent to see their rights become a prey to the active. The condition upon which God hath given liberty to man is eternal vigilance.”

    • “Religion is the sigh of the oppressed creature, the heart of a heartless world, just as it is the spirit of a spiritless situation. It is the opium of the people. The abolition of religion as the illusory happiness of the people is required for their real happiness. The demand to give up the illusion about its condition is the demand to give up a condition which needs illusions.”

      É de facto uma enorme pena que na cabeça de muitos, Marx = Staline.

      Vivi perto de 2 anos na Polónia e pude ver em primeira mão o efeito perverso disto mesmo. A polónia é um país super religioso em que a igreja apregoa que mais de 98% da população é cristã (católica).

      O que eu pude verificar após ter lá vivido durante tanto tempo, é que na realidade faixa etária da população com 35+ anos é de facto verdadeiramente crente, no entanto uma gigantesca percentagem de pessoas com idade inferior a essa idade não o é.

      A parte muito interessante não é tanto este fenómeno, mas o facto de, quando confrontados com o que realmente acreditam, vários amigos meus lá vinham falar comigo por acharem que eu era o unico ateu que eles alguma vez tinham conhecido e que se sentiam imensamente bem por poderem falar acerca do que realmente pensam sem terem de esconder por trás de uma mascara que têm de usar todos os dias da vida deles.

      A conversa começaria com,

      eu: ’so what are you? a christian?’
      eles: ‘yes, of course’
      eu: ‘do you believe in god?’
      eles: ‘well… not really’
      eu: ‘ so how do you call yourself a christian if you don’t even believe in god??’
      eles ‘i was baptized… and i go to church… and everyone i know is also a christian’

      Conheci imensa gente nesta situação, fez-me lembrar o estigma que havia antigamente (ainda há, acho, mas muito menor) em relação a homossexualidade, em que temos ateus ‘in the closet’ com medo de se assumirem como tal.

      Peço desculpa com este off topic, mas realmente onde eu queria chegar é que em países de leste como a Polónia onde houve uma ocupação comunista, o cristianismo é uma forma de identidade nacional. Antes da queda da União Sovietica qualquer pessoa que frequentasse uma igreja podia ter no minimo a carreira em risco e ao contrario de nós que nos vimos livres do dominio eclesiastico até 74, pare eles (os mais velhos) religião significa liberdade.

      Totalmente ontopic agora, prometo:

      Concordo 100% com a opinião do Ricardo, incomoda-me imenso a imunidade de critica que o islão se julga de direito e procuro dar o meu humilde contributo para humilhar, desconstruir e gozar com todas as crenças (ou como Christopher Hitchens diria ‘desert dogmas’) ridiculas que daí advêm.

      É de facto muito mais preocupante esta religião que os ‘coitadinhos’ dos cristãos. O cristianismo, devido ao super desenvolvimento cientifico, cultural, moral e social do ocidente, foi chicoteado como um leão amestrado que se limita a fazer de bobo da festa para todos nós que nos sentamos nos pilares do conhecimento e desenvolvimento cientifico. (it’s not arrogance when you know your opponent is talking shit)

      Se tivermos as mesmas atitudes perante o islão como temos perante o cristianismo (nós, sociedades ocidentais), podemos voltar a colocar essa crença no lugar dela.

      Alguem se lembra de algum protesto islamico quando durante a WW2 os Afrika Korps e os Desert Rats fizeram dos desertos do norte de Africa o seu campo de batalha sem pedir autorização a ninguem?

      Claro que não… o islão só se tornou relevante porque nós no ocidente o deixamos.

      Espero que ainda vamos a tempo de impedir a sua propagação antes de sermos totalmente absorvidos… se bem que em Inglaterra já faltou muito mais… Sharia já é reconhecida como lei no Reino Unido para disputas domesticas entre islamicos. Que mais é preciso? Apedrejamento de mulheres que tenham tido relações sexuais sem ser com o marido? Cortar as mãos a ladrões? Cortar a língua a quem falar mal do profeta deles?

      Não tenho tolerancia para a intolerancia e espero que todos vocês tambem não.

      PS: foi o meu 1º post no portal ateu… peço desculpa pelo walls of text ^_^

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