Saramago regressa à temática religiosa

José Saramago
“A atitude de Deus não tem perdão”.
É assim que José Saramago resume o episódio bíblico de Caim e Abel, no qual se baseia o seu novo romance a lançar já em Outubro pela Caminho. Intitulado simplesmente “Caim”, este novo romance promete, segundo as palavras de Saramago, muito humor e ironia.
Será curioso qual a aceitação deste romance na opinião pública portuguesa e, muito particularmente, como é que as altas lides cristãs lidarão com o assunto. Convém recordar que há quase vinte anos, o romance de Saramago “O Evangelho segundo Jesus Cristo” colocou a sociedade portuguesa em polvorosa, espicaçada pelas reacções da igreja e pelas acções de alguns governantes devotos. Vamos ver o que evoluímos nestes vinte anos…
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O pensamento dos não-nascidos-para-crença de fato evoluiu, até pela premência de sobrevivência exigida pelos fatos aburdos forjados e impostos pelas crenças (quando notaram a gama de acesso a informações livres pelo advento da Internet); mas a Sociedade Civil sofreu um massacre psicológico tão dramático que muito dificilmente poderá ser consertado; e só será por intervenção contundente dos que são genuína e altaneiramente seres humanos livres e avêssos a qualquer subserviência.
E mais, não é Saramago, nem Dawkins, que os “mandantes das vidas das pessoas” temem; mas sim, o possível rapaz/moça (mas foi rapaz mesmo) que Feynman declarou que estava por vésperas de sacudir a Física com revolucionários conceitos. E também Bourricaud e vários outros sociólogos preescreveram receitas indispensáveis à modificações sociais que se pronunciariam por uma mentalidade com profundo discernimento do modo de proceder (compor e estruturar) da Natureza. E afirmo, desde 1985, os insanos dominadores e controladores da pulhice (os destroçadores da vida humana que impõem os formatos sociais tão daninhos ao direito de amplo bem-estar civil aos indivíduos numa Sociedade) fazem tudo para que os cidadãos não obtenham a clareza atestada da Lógica Espacial; e forjaram tudo que puderam em larga escala para que não se divulgasse os insumos, a matéria-prima, os produtos, conquistados por um simples pensador com a mentalidade própria para encarar as dificuldades e propor as soluções civis para o ser humano do Séc. XXI.
É interessante que José Saramago é mais obcecado por Deus e pela Bíblia do que muitos dos chamados “fundamentalistas” cristãos.
Em última análise, ele confirma o poder do imaginário bíblico que simplesmente não o deixa sossegado.
Richard Dawkins é outro caso interessante, do ponto de vista da patologia ateísta.