Está na hora…

estanahoraApós alguns anos de muita agitação (e alguma confusão também) em que o ateísmo se viu projectado de formas pouco usuais anteriormente, é chegada a hora de construir e dar os passos certos na direcção da utilidade pragmática que tantas vezes temos ignorado.

Enquanto ateus, usufruímos na última década de alguns factores que nos fizeram ferver em lume brando. Senão, vejamos:

  • O crescimento assustador do extremismo islâmico
  • O neo-conservadorismo cristão patrocinado pela administração Bush
  • O 11 de Setembro
  • A proliferação da internet em geral e dos blogues sobre ateísmo em particular
  • A edição quase simultânea de diversos livros best-sellers sobre ateísmo

Estes e outros factores, foram determinantes para que, com o sangue a ferver, apontássemos em todas as direcções o nosso dedo inquisidor e muitas vezes nos esquecêssemos de dar aos outros a liberdade que reclamamos para nós próprios de vivermos as nossas vidas como muito bem entendermos. A nossa acção enquanto provedores dos direitos de cidadania que nos defendem dos excessos religiosos não devem ser suprimidos, devem antes deixar de ser a nossa prioridade, dando lugar a algo muito mais importante e enriquecedor.

A nova etapa é a etapa da promoção. Temos que deixar para trás a farda de policias e envergar as vestes de publicitários. Explicar o ateísmo, desenvolvendo as vantagens individuais e colectivas do mesmo, promovendo acções de sensibilização e informação do ateísmo enquanto alternativa válida para a vida de todos nós. Temos que fazer com que o ateísmo deixe de ser considerado um desvio pela comum das pessoas que connosco se cruza na rua, seja qual for a sua idade. No final, temos que fazer com que qualquer pessoa possa livremente assumir-se com ateu sem que com isso sinta o peso assombroso de trair a tradição e a cultura previsíveis.

Temos que fazer coisas acontecerem; e essas coisas têm que ser eficientes, no mínimo, para que as pessoas pensem na alternativa ateísta, não devido ao ridículo das religiões, mas devido ao mérito que deve ser reconhecido ao próprio ateísmo por si só. Temos que chegar às escolas, aos media, às famílias, às empresas e a todo o lado onde possamos chegar.

Quando nos acusarem de proselitismo, aí, então, saberemos que estamos no caminho certo…

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