Muitas vezes perguntam-me sobre a forma como educo as minhas filhas: se as educo no ateísmo ou se permito uma educação religiosa por parte da mãe que é católica. Na realidade, não penso muito nisso…
Certamente, não é fácil concentrar numa só palavra os objectivos de qualquer pai (ou mãe) para os seus filhos. No entanto, eu arriscaria dizer que o principal objectivo que eu tenho para as minhas filhas é que elas sejam felizes. De que maneira? Isso terão que ser elas a descobrir e a escolher, competindo-me e à mãe mostrar-lhes os caminhos e as alternativas para atingirem esse tal patamar de felicidade.
A forma como esses caminhos e alternativas são apresentados é que é importante. É óbvio que as personalidades – tanto a minha como a da mãe – desempenharão um papel importante na apresentação desses caminhos. Eu considero que é fundamental que elas desenvolvam um espírito crítico e que pensem pela sua própria cabeça, que obtenham o máximo de informação e tirem as suas próprias conclusões sobre as mais diversas matérias. Se isso é dar uma educação ateia, então, seja.
Questionam-me, também, sobre como será dar uma educação fora dos moldes tradicionais do cristianismo. Não entendo esta questão; bastaria olhar para quase todo o mundo não ocidental para poder obter a resposta a essa questão. Naturalmente que as crianças filhas de pais não cristãos também são educadas.
Naturalmente, não vejo nenhum paralelismo entre educação religiosa e moral. Ou, dito de outra forma, não encontro à minha volta nenhuma evidência de que uma educação baseada em princípios religiosos resulte com maior frequência em pessoas de bem ou em maior civismo.
Em jeito de conclusão, diria que tento educar as minhas filhas para poderem vir a desempenhar a sua cidadania com tranquilidade, sendo muito felizes nesse processo e contribuindo para a felicidade dos que as rodeiem. Que elas atinjam esse objectivo enquanto ateias, cristãs, góticas, muçulmanas, agnósticas ou panteístas não me interessa. Mas, penso que como ateias seria mais fácil e coerente!
Nota: este artigo é uma adaptação
Outros artigos relacionados:
Hélder, se me permite gostaria de lhe colocar algumas perguntas:
As suas filhas são baptizadas?
Como se assumem elas em relação à questão religiosa?
Casou-se pela igreja?
Como consegue conciliar o facto da sua mulher ser Católica e o Hélder Ateu? Opta por fazer do assunto tabu ou a discussão estala?
Pergunto-lhe isto porque tenho 22 anos e, por isso, ainda estou na fase em que penso sobre como será no futuro, o que farei se, como procederei com a minha família no caso de me casar com a minha namorada Católica, etc.
Ser ateu é ser questionador. Na minha opinião as crianças deveriam ter um ensinamento religioso, só depois que alcansarem a maturidade aí sim, elas deveiriam se questionar quanto a existencia de um deus. É como vc falar p/ elas que existe papai noel, deixando ela descobrir com o passar do tempo que não existe, assim deveria ser com a existencia de deus. Fica a critério das crianças, depois se a razão vence a fanatismo seria com elas.
Começamos na criação do mundo, é impossivel que a bíblia descreve a criação com exatidão, porque mesmo se existiu Adão ele teria que dominar a arte da escrita, ja nascer alfabetizado para descrever os fatos, e nós sabemos que o homem demorou milhares de anos p/ ter esse dominio.
Outra coisa impossivel, seria o diluvio, primeiro que a água que temos não aumenta e não diminui, seu ciclo é completo, se teria acontecido para onde iria tanta água? E os animais quantas especies, qual embarcação caberia tal número, e os continetes distantes com sua variedade de especies, ficariam fora da salvação?
A evolução é um fato concreto, tem milhares de fósseis que comprova, jamais foi encontrado um fóssil de um humano; foram encontrados restos mortais recentes, +-60 mil anos.
Se a versão da igreja diz que Adão e Eva, tiveram dois filhos, Abel e Cain e Cain matou Abel, restou somente um filho, ou tiveram outros filhos e filhas e aí se cruzaram na família irmão com irmã. Essa conta não fecha.
Se eu for enumerar as contradiçoes que tem no criacionismo, certamente escreveria por horas.
Não nego que acreditar em um deus e temê-lo, ajuda controlar a violencia, pois não temos um povo coerente, inteligente, que precisa de alguem para balizar sua conduta. Contudo podemos ser bondosos, honestos, éticos, sem precisarmos crer em alguma coisa superior, que nos castigará se errarmos perante seus ensinamntos. Quem criou deus foi o próprio homem, pois as trevas daquele tempo de escuridão, os obrigou a criar um herói que os dava proteção, aí o resto é consequencia. Verdadeiros impérios foram criados, usando a biblia como fonte de salvação, quem é que vai matar a galinha de ovos de ouro?
Estou disposto a debater com qualquer pessoa sobre o assunto, desde que seja um diálogo coerente!
mister,
Isto é a mesma coisa que dizer: Primeiro, metemos-lhe o vicio do tabaco, e a seguir, se quiserem deixar, é com elas.
Sou a favor de uma educação ateia, com explicações sobre as religiões, em que é que acreditam, contradições entre elas, pensamento irracional, enfim, o fenómeno religioso.
A educação deve ser neutra (o que difere de ateia) na minha opinião. Claro que as crianças são sempre indirectamente influenciadas pelos pais, mas têm o direito a escolher o que querem para a sua vida. Um sócio do benfica desde pequenino pode enveredar pelo FCP aos onze anos requerendo a sua anulação de” membership”. O mesmo se passa para o baptizado aos dois meses de idade que durante a catequese aos dez se apercebe do non-sense que é tudo aquilo que lhe tentam enfiar na cabeça.
O “argumento da necessidade do moralismo religioso como sustento de uma sociedade moral” é muito interessante e não devia ser usado de maneira nenhuma pelo crente. Apenas tenta demonstrar que somos quase todos maus por natureza e que com a moral da religião isso se resolve. Conclui-se então que, mesmo que resultasse, estaríamos perante um grande placebo (admitem que é tudo falso quase sem se aperceberem).
“A educação deve ser neutra (o que difere de ateia) na minha opinião. Claro que as crianças são sempre indirectamente influenciadas pelos pais, mas têm o direito a escolher o que querem para a sua vida. Um sócio do benfica desde pequenino pode enveredar pelo FCP aos onze anos requerendo a sua anulação de” membership””
Se calhar sem intenção, fizes-te a melhor comparação que já vi. A transição do SLB para o FCP é como passar do Teísmo para o Ateísmo, é abrir os olhos!
looooool
Mesmo como simpatizante benfiquista (e sócio da Académica) afirmo que o clube já atingiu níveis religiosos. Não valem grande coisa mas são os maiores e tal não se pode contestar, vive-se do passado, aparecem messias todos os anos quase ao estilo de um deus ex machina. Com o Porto a situação é diferente…
loooooooooooool! Mais uma vez uma analogia perfeita! LOL!
O porto é diferente, tal como o ateísmo. É a verdade!
(Atenção a todos os que lerem isto: estou só a brincar, nem gosto muito de futebol, apesar de ser simpatizante do FCP. Não quero, de maneira nenhuma, estar a discutir futebol)
Concordo com seu raciocínio; mas vivemos num mundo onde a maioria é cristão, onde as pessoas que relmente usam a lógica dos argumentos e não desprezam as evidencias da evoução são afastadas da sociedade, consideradas como debiloides. Então as crianças com esses pensamentos serão massacradas pelos seus colegas, visto que é uma minoria e não tem habilidae de argumentar. Portanto, depois que realmente tiverem a capacidade de se defender aí teremos uma disputa em igualdade. Acho que as crianças precisam conhecer os dois lados da história, volto na história do papai noel, quando era criança acreditava nele, deixeu meus filhos acreditarem tambem, hoje nenhum deles acredita.
As pessoas são um alvo fácil, porque não questionam, não querem saber da verdade, vai onde os outros vão porque é conveniente; somente poucos procuram raciocinar sobre o assunto, por exemplo: No Brasil, quem estão no poder são os pilantras, porque usam a massa popular como querem, pois é com os votos deles é que conseguem chegar ao poder, a grande maioria da população não tem a capacidade de questionar sobre nada, tanto que 95% da populãção é cristã. Concluindo o raciocinio, se as pessoas não querem enxergar as reais evidencias sobre a evolução das especies, como enxergarão quem os engana ou quem é realmente coerente?
E, ser diferente da maioria tem implicaçãoes, aqui, se o ateu gritar aos quatro ventos sua ideologia certamente será excluido, a menos que seja uma pessoa famosa ou influente, por esse motivo o mundo tá no que tá; as desigualdades sociais. Onde a maioria não quer enxergar por fanatismo ou preguiça; espertos estão se enriquecendo às custas de mentiras e promessas. Ainda bem que existe uma minoria que pensa, é a liberdade da escolha.
Quando um filho nasce, você não pede nada a ele; o trabalho que lhe dá por viver, não faz você exigir sacrifício dele para recompensá-lo, com carinho, assistência, e suporte de todo tipo, como se você fosse um interesseiro, uma espécie de condicionamento canino.
Um filho que faz o que queremos não é nosso filho, é nosso ESCRAVO; é nosso bibelô, é uma caricatura de nosso envaidecimento pessoal. Quando indicamos o que ele pode fazer, nós o educamos com opção; se um dano ocorrer por sua ação não o desgraçamos com desatenção; enquanto vivermos é altruísmo da humanidade, de nossa espécie, assistirmo-nos com princípios de Justiça (equanimidade e reciprocidades )entre nós; entre você e seu filho, entre os outros.
Se quiserem podem ver também: O Que Aquele Bebezinho Engatinhando Pensa; postado no blog Sinn-Klyss Expressão de Uma Mentalidade; e se quiserem atinar pra o que tá acontecendo em tempo vigente na Sociedade dêem uma olhada no TigBlog Haddammann. Dizer o que digo tem um custo altíssimo pra minha vida pessoal.
Se quiserem ainda saber como desde o iniciozinho dos Anos 80 engendrou-se uma tal covardia sobre a Sociedade afetando dramaticamente uma geração inteira e já metade de outra, aniquilando ícones, usurpando, plagiando, tudo que tivesse préstimo pra genuíno bem-estar civil, caçem os textos que postei em dias difíceis, deixando-os onde podia, na Internet (única saída que tinha).
Hoje já disse e repeti: Disponho dos mais avançados conceitos de estruturamentos (indispensáveis pra qualquer área do conhecimento humano, da Sociologia à Física Nuclear; estão englobados com um título geral de Lógica Espacial).
É evidente que em nada isso seria recepcionado com as gentilezas das crenças, e nem ser de proveito aos disfarces de utilidade com que confrarias mafiosas subsistem. Se indivíduos Homo Sapiens sapiens faber psi tomarem atitude consoante à evolução a que chegamos terão que fazer valer o porte de consciência que conquistamos.
Por isso tudo decide que só terão acesso ao que desenvolvi os genuínos seres humanos não-nascidos-para-crença e não submetidos a submissão alguma.
Haddammann
Eu penso que o texto do Hélder além de bonito tem muita coerência e pesa o mais importante: a felicidade dos filhos e não a imposição de ideias. A educação nunca consegue ser neutra uma vez que os pais, professores etc… manifestam no dia a dia , em palavras e atitudes, aquilo em que acreditam. Defendo que os progenitores devem, em qualquer família, ser coerentes e educar os filhos nos valores humanos comuns. Estes já escolherão o seu caminho no futuro.
Caro Nuno Leal,
Respondendo às tuas perguntas:
“As suas filhas são baptizadas?”
Sim, as minhas filhas são ambas baptizadas, tendo ambas sido baptizadas apenas quando expressaram esse desejo. Devo dizer-te que acedi ao baptismo de ambas da mesma forma que teria acedido se me tivessem pedido para ir passear ao zoo de Lisboa. Estava ao meu alcance aceder, elas ficaram felizes e a mãe também. A mim, não me caiu nenhum braço, da mesma forma que não teria caído à mãe se elas não o fossem.
“Como se assumem elas em relação à questão religiosa?”
A mais velha (16) enquadra-se mais como agnóstica: não se preocupa muito com o assunto, respeita a opinião da mãe e respeita igualmente a minha. Quanto à mais nova (vai fazer 10 muito em breve) ainda não se definiu, naturalmente. Mas tem todo o potencial para vir a ser ainda mais ateísta do que eu.
“Casou-se pela igreja?”
Sim, casei-me pela igreja como cidadão livre, isto é, não sou baptizado, nem pratiquei qualquer outro acto religioso para além do próprio casamento. A minha mulher fez questão e, uma vez mais, não me caiu nenhum braço. Como também não teria caído a ela se tivéssemos apenas casado pelo civil.
Só por curiosidade, também sou padrinho de baptismo de um miúdo de quem muito gosto e sou ainda padrinho de casamento pela igreja de um primo que me é muito chegado. Como vês, estou disposto a tudo.
“Como consegue conciliar o facto da sua mulher ser Católica e o Hélder Ateu? Opta por fazer do assunto tabu ou a discussão estala?”
Nem é tabu, nem estala discussão nenhuma. Discutimos mais por causa das horas a que gosto de me levantar ao fim de semana. Isso, sim, é que interfere na nossa vida familiar. Existem muitas outras coisas em que eu e a minha mulher divergimos nas nossas opiniões. O sucesso e o equilíbrio do nosso casamento está essencialmente no facto de nos respeitarmos mutuamente e – muito importante – sermos verdadeiros amigos. Sem querer entrar muito em conversa mole, penso que para qualquer casamento o amor e a paixão não são suficientes; ingredientes como o respeito e a verdadeira amizade são indispensáveis. Apenas assim se pode dar a liberdade ao outro de ser outro. Como em todos os relacionamentos de sucesso – pessoais, comerciais, diplomáticos, etc – há que saber quando é tempo de esticar a corda e quando é tempo de lhe dar folga. Por outras palavras, há que saber engolir sapos de vez em quando sem que isso nos cause qualquer indigestão.
Espero ter respondido às tuas dúvidas.
Um abraço.
Obrigado pelas respostas! Na verdade estou apenas agora a tomar conhecimento da possibilidade de um ateu se casar pela igreja sem ter algum vinculo com a mesma.
Se me permite faço mais uma pergunta. A minha duvida reside agora no que respeita à cerimónia. Tives-te de jurar “perante deus” que farias “isto e aquilo” de acordo com os ensinamentos católicos? Em que difere a cerimónia em relação à de dois católicos? Tens de te ajoelhar por exemplo?
Tanto quanto sei, não difere em nada! E sim, houveram esses rituais todos. Não me recordo de pormenores (já lá vão uns anitos)…
Tudo isso faz parte dos sapos de que te falei no comentário anterior. Mas, posso garantir que se fosse hoje, após todos estes anos, ainda tinha menos problemas em engoli-los! É que tem valido a pena, percebes?
Claro que percebo!
Respeito a opção, era mera curiosidade, até porque não conheço muitos católicos casados com ateus militantes. No meu caso seria um sapo que não conseguiria engolir. Pensava que o ritual era ligeiramente diferente… Seria incapaz de me ajoelhar perante um padre ou uma estátua e jurar o que quer que fosse a “deus”.
Obrigado pelas respostas!
Sim, são opções, claro. Compreendo que haja quem não esteja disposto a determinadas concessões. Eu prefiro fazer um balanço: o que tenho a ganhar e o que tenho a perder. Eu seria incapaz de por em causa o casamento que tenho tido apenas por me recusar a participar num ritual folclórico.
Já agora, se me permites, acho que ao longo da vida temos que estar preparados para fazermos concessões em muitos aspectos; muitas das vezes, essas concessões não nos trazem como contrapartida nada que se possa comparar com um casamento ou uma família feliz e equilibrada: patrões incompetentes, ingratos e mal-educados, amigos que nos decepcionam, familiares que nunca agem como tal, etc.
É tudo uma questão de opção, como tu muito bem dizes.
Igreja é igual pornografia, tem fama que ensina, impressiona quem entra, e estraga quem respira. Os que as inventam só quer o “nosso bem”; e quem as freqüenta tem motivos pra se esconder. Nas duas, o que é repulsivo e ruim é exacerbado para dar lucro. O mesmo acontece com o rol de confrarias que não podem dizer o que fazem, e que se escoram no mêdo subserviente. Ninguém que desiste de qualquer desses prejuízos não precisa nem se preocupar em dizer o que esses conluios fazem, pois tudo à nossa volta já escracha os resultados de todas as tramas dos “espertos” (que se vangloriam sobre os “bobos” que “não sabem” o tamanho das bobices nocivas já mais que sem graça que escondem).
A vaidade é proporcional à cobiça; quando a vaidade de tanto ser atiçada estrapola sobre o escrúpulo, nem indivíduo ou corpo civil tem mais chance, prumo, parâmetro, para vivenciar a natureza e simplicidade das coisas. Esse desacerto que acomete indivíduos ou grupos compromete todo o conjunto civil; e quando o meio assoberbado pela empáfia de uns que se tomam da presunção de “escolhidos”, “superiores”, estão em descambo num despenhadeiro, ainda acham em plena desgraça que a queda é vôo.
Amigos,
talvez possa ajudar o sr Nuno Leal em suas questões… como o helder, sou ateu e minha esposa é catolica (alias como toda minha familia) , tenho tres filhos, e os dois mais velhos estão se preparando para a 1º comunhão. me orgulho de ambos pois os dois tem um senso critico maravilhoso, e questionam tudo, sabem impor sua opinião e discordancia, percebo que frequentam aquilo com muita desconfiança, que me faz deduzir que não vou precisar lhes dizer mais nada, com o tempo, eles sózinhos irão abandonar essa doutrina .
creio que expor os dois lados a eles, esta fazendo muito bem ao seu carater, pois eles tem uma oportunidade que eu não tive( vivi dentro de uma doutrinação infantil imposta por meus pais, apesar de meus questionamentos, me declarando ateu já adulto), permiti que fossem batizados, e até meu casamento foi realizado na igreja, mas ao me permitir isso, não me senti cuilpado, tive uma cerimonia religiosa de casamento por amor a minha esposa, e talvez esse mesmo sentimento, me motivou a permitir essa ¨agressão intelectual ¨ aos meus filhos, pois como disse o helder …o que me importa é que eles sejam felizes .
mostro a eles sempre que a ciência não tem resposta pra tudo, mas a religião seja ela qual for não explica nada. adoro mostrar-lhes nos jornais os escandalos da IURD, pessoas homofobicas como os pastores evangelicos, os ignorantes iletrados ¨camelinhos de alá ¨, e meus filhos percebem que não há mentiras em minhas palavras, deixando minha esposas ás vezes constrangida que infelizmente, não possue nenhum argumento para efender a fé humana.
amigo nuno …..espero ter lhes ajudado um pouco.. parabens pelo artigo helder…..abraçus a todos …e que horús/mitra/zeus/odin/exu/yemanja abençoe a todos..
rafael —são paulo brasil
Caro Helder,
Porque é que há-de ser sempre a parte ateista a ceder? Pessoalmente eu sentir-me-ia ofendida se o futuro esposo impusesse a condição de ter de suportar ritos imcompativeis com a minha personalidade.
Sou humanista secular. Quando comecei a namorar com o meu marido ele era cristão (com todos os seus nefastos embezelamentos…a culpa, o medo, o terror de locais mitologicos, etc). Quando pensámos em casar eu recusei-me a ter cerimónias religiosas. Além disso, impus que eventuais filhos não seriam sujeitos a qualquer tipo de endoutrinação religiosa. Eu respeitava as crenças dele e o tempo que ele lhe dedicava, mas não aceitaria de maneira nenhuma que criaturas com o meu material genético fossem sugeitas a superstições irracionais baseadas em imbecilidades ignorantes da idade do bronze e se consumissem em catedrais de misoginia, manipulação, chauvinismo, hipocrisia e irracionalidade.
O meu então namorado começou a apresentar-me propaganda religiosa. Curiosamente, ele nunca tinha lido a Biblia, ao contrário do meu caso. Aí fiz um acordo com ele… eu aceitava ver o lado dele se ele lesse a Biblia, Richard Dawkins e C. Hitchins. Ele começou a ler Dawkins, Hitchins, continuou com Harris, descobriu Sagan, Darwin, Kaku, dai foi para Greene, Hawking… agora é humanista secular e substituiu a religiao por cosmologia. E é feliz!
Cpmntos
Parabéns! Ainda bem que conseguiram encontrar o caminho para a felicidade. Estamos ambos no mesmo patamar, apenas percorremos opções diferentes.
Agora, tenho que lhe dizer que você está enganada quanto a serem sempre os ateus a cederem. As minhas filhas, por exemplo, nunca foram a uma missa (excepto se inseridas em casamentos ou baptizados), não são crismadas, não fizeram nenhuma comunhão, nem nunca frequentaram a catequese. Por isso, pergunto-lhe: acha que faz algum sentido a sua pergunta inicial?
Cumprimentos.
O problema é que confiar na cosmologia mais não é do que uma forma de astrologia, na medida em que, em última análise, isso significa associar o nosso destino ao destino dos astros.
Mas de onde vieram as estrelas? Curiosamente Stephen Hawkins, um dos autores que refere, reconhece que nem o modelo do Big Bang consegue uma resposta cabal.
Hawking, S.W., The Illustrated a Brief History of Time, Bantam Books, New York, 1996, 154 ss.
“This [big bang] picture of the universe that started off very hot and cooled as it expanded is in agreement with all the observational evidence we have today. Nevertheless it leaves a number of important questions unanswered … (2) Why is the universe so uniform on a large scale?
Why does it look the same at all points of space and in all directions?’ (p154 ss.)
Despite the fact that the universe is so uniform and homogeneous on a large scale, it contains local irregularities, such as stars and galaxies. These are thought to have developed from small differences in the density of the early universe from one region to another. What was the origin of these density fluctuations?’ (156)
“O problema é que confiar na cosmologia mais não é do que uma forma de astrologia, na medida em que, em última análise, isso significa associar o nosso destino ao destino dos astros.”
Como disse????????’ cosmologia é o mesmo que astrologia????’ Voce está bom da cabeça??????? A cosmologia, a astrofísica e a fisica teórica (ramos da astronomia) não têm nada a a ver com ocultismo, espiritualismo, charlatanice e estupidez generalida da astrologia. A cosmologia é o ramo da astronomia que estuda a origem, estrutura e evolução do Universo a partir da aplicação de métodos científicos. Ora vá la informar-se melhor.
Desde 1996 as coisas mudaram muito… Hawking já admitiu que estava errado em algumas coisas. E além disso, há outros modelos relevantes, a M Theory, a string theory, a VSL (do portugues Joao Magueijo), etc…
Helder, o meu comentário não era uma crítica pessoal… na verdade não tenho nada a ver com isso, se o arranjo funciona para si e para a sua familia, a mais ninguém diz respeito. Mas a verdade é que voce, como outras pessoas, cederam para “fazer a outra parte feliz”… e que tal a outra parte não insistir na cerimonia? … afinal ficavam casados na mesma!… O problema é que as pessoas religiosas não têm consideração pelas posições ideologicas dos ateus e acham que têm direito de exercer coacção e chantagem emocional para os fazer passar por cerimonias inuteis. A verdade é que voce deu dinheiro à Igreja catolica para ela lhe reconhecer e abençoar o casamento… e
Mesmo em relação as suas filhas… o baptismo não é o mesmo que ir ao jardim zoologico, Tem consequencias. Pessoalmente acho que as pessoas devem ser baptizadas, a seu pedido, mas apenas quando são maiores de idade. Se a miuda de 9 anos lhe pedir para fazer uma enorme tatuagem ou a de 16 para por umas mamas postiças voce aceita? O baptismo é o mesmo, tem consequencias… significa que efectivamente fazem parte da Igreja Catolica e que se quiserem deixar de o ser, terao de passar por um processo moroso, complicado e aborrecido. Um indivíduo de tenra idade, ainda que expresse a vontade de algo, não tem maturidade para avaliar as consequencias dos seus actos a longo termo, e além disso é facilmente influenciavel, quer por pressao dos pares, quer pelo desejo de agradar aos progenitores.
Mais uma vez, as minhas opiniões são apenas isso mesmo, não uma critica ao seu caso.
Cumprimentos
Já agora, aproveito para divulgar aqui um artigo que encontrei via Stumble no AtheistParents.Org. Recomendo a leitura.
http://www.atheistparents.org/articles/2002/05/26/raise-critical-thinkers-not-atheists