Aproximam-se as legislativas
«A Igreja Católica e o Estado chegaram a acordo sobre assistência religiosa nos hospitais, forças armadas e de segurança, matérias que ficam agora regulamentadas no âmbito da concordata. Além da Igreja Católica, o acordo abrange também as restantes confissões religiosas.
(…) ficaram reguladas as condições em que as várias confissões religiosas podem prestar apoio religioso aos crentes em hospitais, cadeias, em instituições militares e das forças de segurança. A regulamentação apenas abrangia os três ramos das forças armadas e a GNR. A assistência passa a ser uma espécie de prestação de serviços ao Estado, sendo pagos segundo a tabela em vigor e tendo em conta o número de pessoas assistidas. Os capelães deixam de ser funcionários dos hospitais ou das prisões»[DN]
Qualquer pessoa que se encontre num estado de fragilidade física (e consequentemente mental) tem o direito a receber visitas de prestadores de assistência moral/religiosa ou qualquer outro tipo de apoio tendo em vista o seu bem-estar. Até concordo que o Estado, pelo menos, comparticipe estes custos, pois penso que numa pessoa muito em baixo a intervenção destes “agentes” pode acelerar a alta deste paciente, com benefícios para a instituição hospitalar e Estado. O que não se pode admitir é que isto seja requerido a torto e a direito (com custos consideráveis) ou que sirva para que esta gente ande com algo mais do que a assistência espiritual, algo vulgarmente designado por “evangelização”.
O que se questiona ainda é a efectiva presença de capelinhas nos hospitais e outras infraestruturas do Estado. Não me oponho à presença destes, mas tenha-se em conta que devem ter o mesmo estatuto de outro qualquer negócio. Imagino que uma universidade ou hospital publico sujeitem a concurso espaços (cantina, cafetaria, quiosque de jornais, casa de fotocópias, papelaria, etc…) dentro das suas instalações, com renda fixa. Não sei qual a actual situação, mas considere-se que estando lá de graça é algo injusto em relação aos outros.
O que ainda falta
«O presidente da delegação da Santa Sé na Comissão Paritária instituída pela Concordata disse ontem estar bastante satisfeito com o texto final da regulamentação, embora admita que “há pontos que, possivelmente, têm de ser aperfeiçoados no futuro” (…) acrescentando que “é o acordo possível e desejável”. Um dos aspectos que ressaltou diz respeito ao artigo 16.º. Desta forma, quando um casamento for declarado nulo perante a Igreja, o Estado terá de o reconhecer (…) Por regulamentar ficam ainda matérias como o património da Igreja, a fiscalidade e o ensino da moral e da religião católica»
O que é que as outras confissões têm a dizer?
São, em teoria, iguais para um Estado que se diga laico, mas tal não tem sido bem assim.
Segundo os entrevistados no artigo do jornal Público, há cerca de 40 mil muçulmanos espalhados pelo país e 33 locais de culto, pelo menos um milhar de judeus repartidos por quatro comunidades (Lisboa, Portimão, Porto e Belmonte) e cerca de 250 mil baptistas, pentecostais, metodistas e outras comunidades cristãs que constituem a comunidade evangélica portuguesa, embora possa chegar ao dobro se se considerarem os simpatizantes e outros membros não registados ou não baptizados.
Muçulmanos
«Uma das regras do Islão é visitar os doentes, sejam ou não religiosos, e isso fazemos sempre, pois é uma obrigação moral dos familiares e dos amigos”, afirmou o responsável da Mesquita Central de Lisboa. “Trata-se, por vezes, mais de apoio moral do que religioso, mas não temos encontrado problemas, seja nos hospitais seja nas prisões”, acrescentou.
Segundo o sheik Munir, tem havido muita compreensão dos responsáveis hospitalares no sentido de permitirem as visitas, sobretudo nos casos de doenças terminais, e também são atendidos todos os pedidos de deslocação às prisões. “Mas este regulamento vem facilitar imenso” toda essa acção, desempenhada em muitos casos por voluntários muçulmanos»
Judeus
«Mais importante do que alterar comportamentos é ter agora uma base legal que faz com que deixemos de estar dependentes da boa-vontade e colaboração dos funcionários”, disse, por seu lado, Ester Mucznick, que representa a Comunidade Israelita na Comissão de Liberdade Religiosa.
A responsável da comunidade judaica sublinhou ainda que foi possível aprovar, na Comissão de Liberdade Religiosa, uma alteração ao projecto do Governo que permitirá que a assistência religiosa seja prestada pelo rabino ou por quem ele designar. “Também fundamental para nós é que a assistência religiosa possa ser feita fora das horas das visitas”, acentuou, referindo que até agora tudo dependia da boa-vontade dos funcionários hospitalares e das prisões»
Aliança Evangélica
«a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) lamentou nunca ter sido contactada sobre o assunto e duvida que alguma coisa mude com a nova regulamentação, “continuando a discriminação” (…) ”Nunca fomos auscultados nem ninguém nos contactou para darmos a nossa opinião na fase de preparação do regulamento. A impressão que temos é que se mantêm os privilégios da Igreja Católica, não existe igualdade de tratamento”, disse o pastor Samuel Pinheiro, porta-voz da AEP.
Segundo Samuel Pinheiro, a posição da AEP só foi transmitida na fase final do processo, ao nível da Comissão de Liberdade Religiosa, pelo representante dos evangélicos neste órgão consultivo da Assembleia da República e do Governo, “mas apenas sobre o documento final, sem que tivesse havido qualquer consulta na fase de elaboração do regulamento”. “Até agora a assistência religiosa a quem nos pedia nos hospitais e cadeias tem sido muito difícil, pois temos dificuldade de acesso e dependemos sempre da boa-vontade dos funcionários ou de instâncias superiores. O que ficou regulamentado está muito aquém do desejado e tememos que as coisas não mudem”, sublinhou.
A Aliança Evangélica defende, em alternativa, que cada doente, ao ser internado, possa declarar a sua religião e se pretende obter assistência religiosa, que seria prestada em regime de igualdade para todas as confissões. O pastor Samuel Pinheiro lamentou ainda que a assistência religiosa esteja dependente dos horários de visitas, devendo ser exercida em períodos de tempo próprios, sem prejudicar o funcionamento dos hospitais»
Um “supônhamos”
(em jeito de piadinha, mas dá que pensar)
Se se paga a esta gente para esse tipo de serviços (algo que pode ter as suas vantagens e benefícios para todos) tal pode abrir um precedente para que qualquer doente se arrogue do direito de requerer um determinado serviço para que melhore o seu bem-estar no hospital. Tanto pode ser o psicanalista que frequenta como o vidente da sua terra. Tanto pode ser o seu standup comediant favorito como duas strippers. Acham que o Estado paga isso?
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Um “supônhamos” completamente legitimo. Estou até a pensar ficar internado antes do casamento para poder ter uma despedida de solteiro de borla.
Aqui por Coimbra, um dos clubes de strip mais conhecidos é bem perto dos hospitais…
O que é que um senhor doente de cancro, em estado terminal, pode reivindicar para atenuar a sua dor e tristeza?
nome do Sheik é David!! Santa ironia!!!
o Sheik vai Munir seus fieis de orações…. ele vai Munir de proselitismo…..
Rui, eu se tivesse cancro em estado terminal preferia, sem duvida, uma stripper a um padre. Uma extrema unção com table dances rituais sempre é melhor que a alternativa católica da coisa. LOL
Estou, muito mal,. com um grande inchaço na “tora”!
Quero, com urgência, a assistência da toróloga Maya
Rui,
Acho que o caminho é por aqui. Devagarinho. Primeiro foram os impostos ao padres, agora os recibos verdes mas tarde, logo se vê.
Se fosse tirada à igreja católica todo o poder que tem em Portugal de uma só vez teríamos revoltas populares como nunca vimos. Era praticantes e não praticantes e o gigante que é a ICAR seria a coitadinha aos olhos desta gente. Assim, devagarinho ninguém vai dando por nada… Há quem diga que a fé move montanhas; não sei quanto às montanhas mas move massas de pessoas como mais nada no mundo.