Mais do mesmo

A pedido de um dos nossos mais ilustres visitantes, deixo aqui a notícia que foi divulgada a 296ª Encíclica Papal e a terceira de Bento XVI, “Caritas in Veritate”.

Fico logo impressionado, afinal na opinião de António Bagão Felix (ver aqui), trata-se de uma “Encíclica fascinante onde para cada frase se pode e deve reflectir com profundidade. Uma Encíclica de um Papa intelectual e teologicamente brilhante.” É bom saber que um ex-ministro da Ministro da Segurança Social e do Trabalho e das Finanças acha que são os “líderes espirituais” é que sabem de economia e justiça social.

Ui, por quem sois.

Deixo aqui alguns excertos:

“Quando prevalece a absolutização da técnica, verifica-se uma confusão entre fins e meios: como único critério de acção, o empresário considerará o máximo lucro da produção; o político, a consolidação do poder; o cientista, o resultado das suas descobertas.
(…)
Razão e fé ajudam-se mutuamente; e só conjuntamente salvarão o homem: fascinada pela pura tecnologia, a razão sem a fé está destinada a perder-se na ilusão da própria omnipotência, enquanto a fé sem a razão corre o risco do alheamento da vida concreta das pessoas.
(…)
Além do crescimento material, o desenvolvimento deve incluir o espiritual, porque a pessoa humana é «um ser uno, composto de alma e corpo».
(…)
Sem Deus, o homem não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja.”

Ou seja… mais do mesmo.

“Bater nisto”, Lucas Samuel? Achas que sim? Mais um chorrilho de lugares comuns, treta metafisica, discurso vago, e soluções de Maizena.

Bocejoooooo!!!

Que tédio (para além do brilhantismo intelectual e teológico, claro está)

Artigos relacionados

Tags: ,

11 Comentários

RSS Feed RSS de comentários a este artigo »
  1. Glorified G
    Artist: Pearl Jam

    Got a gun, fact I got two
    That’s ok man, cuz I love god
    Glorified version of a pellet gun
    Feels so manly, when armed

    Glorified version of a pellet gun

    Don’t think, dumb is strength
    Never shot at a living thing
    Glorified version of a pellet gun
    Feels so manly, when armed

    ————————————

    I love god, indeed.

  2. Aproveitei para clicar no link para a ecclesia.

    Do lado esquerdo da pagina estava um vídeo “Ordenações Sacerdotais na Diocese do Porto”

    Vi-o de uma ponta à outra. Há uma parte em que os futuros sacerdotes se deitam no chão, em demonstração da sua total obediência (?).

    Apesar de achar que cada um é responsável pelo seu caminho, foi com alguma revolta que vi aqueles jovens – vitimas de um certo tipo de assassínio intelectual, já velho de 2000 anos, a deitarem-se no chão num acto da mais abjecta e atroz submissão.

    É isto a dignidade da “pessoa humana?”

    Eu não pediria actos de subserviência destes ao meu cão. É um bicho, mas tem direito ao meu respeito, e ao seu amor próprio.

  3. Eu também vi o vídeo mas nem disse nada porque achei que era aleatório, ou seja, o próximo que lá fosse não veria o mesmo. Já agora reparas-te como a máxima católica de “não fazemos proselitismo” se confirma pelos testemunhos dos seus recém ordenados desgraçados?

  4. Mas o bagão félix não era de direita? Ainda não tive muito tempo para ler o documento com a atenção devida, mas dá para ver que a encíclica puxa as orelhas ao capitalismo desenfreado apenas preocupado com o lucro e apresenta uma alternativa muito mais virada para políticas algo viradas à esquerda.

    Pelo que já li da encíclica e sobre ela o documento mais parece uma maneira do papa mostrar a doutrina social da ICAR como o deus ex-machina da crise mundial contemporânea. E parece realmente muito bem intencionada, mas lá pelo meio descobrem-se pérolas:

    http://www.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html#

    Ataca sem quaisquer surpresas [28] a “mentalidade antinatalista” dos países desenvolvidos e mesmo de algumas ONG (uma indirecta à Amnistia internacional?). No ponto seguinte [29] fala do fanatismo religioso e do terrorismo como limitador da liberdade religiosa, com uma curiosa parte que destaco de seguida, que inclui as habituais baboseiras que já estamos habituados a ouvir (o desenvolvimento “integral”, aparentemente monopólio vaticanista).

    «também a promoção programada da indiferença religiosa ou do ateísmo prático por parte de muitos países contrasta com as necessidades do desenvolvimento dos povos, subtraindo-lhes recursos espirituais e humanos (…) Quando o Estado promove, ensina ou até impõe formas de ateísmo prático, tira aos seus cidadãos a força moral e espiritual indispensável para se empenhar no desenvolvimento humano integral e impede-os de avançarem com renovado dinamismo no próprio compromisso de uma resposta humana mais generosa ao amor divino. Sucede também que os países economicamente desenvolvidos ou os emergentes exportem para os países pobres, no âmbito das suas relações culturais, comerciais e políticas, esta visão redutiva da pessoa e do seu destino»

    E não se esquece da ciência, «O saber humano é insuficiente e as conclusões das ciências não poderão sozinhas indicar o caminho para o desenvolvimento integral do homem» [30], procurando afirmar que a ciência deve estar em sintonia com as “ponderações morais”[31].

  5. Em resumo:

    Diarreia mental.

  6. O Papa caíu! Deus não evitou a queda mas «Não é nada sério, não há motivo de preocupação», Parece que ao Papa e ao borracho deus põe a mão por baixo.

  7. “Mas o bagão félix não era de direita? Ainda não tive muito tempo para ler o documento com a atenção devida, mas dá para ver que a encíclica puxa as orelhas ao capitalismo desenfreado apenas preocupado com o lucro e apresenta uma alternativa muito mais virada para políticas algo viradas à esquerda.”

    Tenho várias razões para afirmar que nunca nenhuma religião será de “esquerda”. Basta passar um pouco os olhos por Proudhon (Deus e o estado, ex) ou Bakunine (Federalismo, Socialismo e Antiteologismo, por ex) para perceber que o conceito religioso e o conceito Socialista, é incompatível,

    Além disso, parece-me a mim que o papa está mais empenhado numa ditadura teocrática de contornos internacionais:
    http://www.tvi24.iol.pt/internacional/papa-bento-xvi-crise—–tvi24/1074120-4073.html

  8. O papa fala destas coisas e uma pessoa desconfia. A ICAR está em baixa e há que fazer tudo para recuperar algum terreno. Se na Europa e América as coisas parecem estar estagnadas resta-lhes a Ásia e África. E já se fala de uma reforma da ONU há algum tempo, não é nada de novo.

  9. Ricardo,

    «Ou seja… mais do mesmo.»

    Se eu te dissesse que tinha ido à praia, armado com uns óculos de natação feitos de plástico translúcido verde, e que tinha gritado alto e em bom som, para todos ouvirem: “Esta praia está toda verde!”, o que é que terias a dizer?

    Abraço,

    Bernardo

  10. É por estas e por outras, digo eu que nada sei, que o ateísmo militante perde em credibilidade. Estes comentários e o post são de um facciosismo arrepiantes. Longe de mim defender a ICAR, que não precisa de advogados da minha herética estirpe, mas criticar por criticar, critique-se com conta, peso e medida. Porque carga de água é que um crente ou um “líder espiritual” não pode ter opiniões válidas sobre economia e justiça social? De resto, Bagão Félix nunca afirmou «que são os “líderes espirituais” é que sabem de economia e justiça social». Esse é um comentário falacioso. Afirma apenas que é importante o que o papa diz sobre essas questões neste documento.

    As religiões, com a ICAR à cabeça têm muito por onde se lhe pegue, mas qualquer pessoa honesta que conheça história também sabe que há muita gente e muito pensamento (e muita acção!) cristão importante nessas áreas. A própria doutrina social católica pode ter aspectos que não gostemos, e eu não gosto de alguns, mas tem certamente muitos aspectos positivos, que não podem ser desprezados ou ridicularizados desta maneira.

    Eu não perfilho as alusões a Deus, à fé e outras que tais, mas basta ler a Encíclica com olhos de ler, com a mente aberta, para perceber que é realmente um documento a ter em conta e uma mensagem relevante. Sobretudo se tivermos em conta que vivemos neste mundo, e não no mundo ideal dos ateus. E neste mundo, a palavra do Papa tem realmente uma relevância enorme para milhões de pessoas. O que ele diz tem peso. Para o pior e para o melhor, quer gostemos quer não. Não estamos aqui a discutir teologia, mistícismo, ou anjos ou o espírito santo ou o criacionismo. Estamos a falar de problemas sociais e económicos concretos.

    Como já sublinhei, não sou nem católico nem sequer crente, mas revejo-me inteiramente nas seguintes palavras de Bagão Félix:

    «A palavra-chave desta Encíclica é a de desenvolvimento humano. Um desenvolvimento integral, autêntico, libertador, pluridimensional. Um desenvolvimento associado à ética e à responsabilidade pessoal e social. À justiça distributiva e não apenas á justiça contratual e comutativa. À capacidade de conciliar Mercado, Sociedade e Estado. À afirmação do princípio da subsidiariedade para “governar a globalização”. À necessidade de ultrapassar a ideologia tecnocrática dominante. Ao “ser mais e melhor” e não apenas “ao incremento do ter”. À importância das energias morais para neutralizar os excessos alienantes de produtivismo e de utilitarismo. À sustentabilidade social, demográfica e geracional que erradique a primazia da lógica estrita do curto-prazo.»

    Haverá, aliás, alguém de bom-senso e sensibilidade que não subscreva isto?

    Ou estas de Bento XVI?

    «A gestão da empresa não pode ter em conta unicamente os interesses dos proprietários da mesma, mas deve preocupar-se também com as outras diversas categorias de sujeitos que contribuem para a vida da empresa: os trabalhadores, os clientes, os fornecedores dos vários factores de produção, a comunidade de referência.»

    Eu subscrevo. E espero sinceramente que os empresários e líderes políticos católicos também o façam e ajam em conformidade. Infelizmente sabemos que na sua generalidade não o fazem, mas isso não invalida a importância da mensagem.

  11. Caro jotapc,

    É muito, mas muito agradável encontrar pessoas assim, com essa abertura de espírito, dispostas a ouvir a mensagem mesmo sem gostar do mensageiro nem daquilo que ele representa. É uma qualidade rara, essa que demonstra.

    Obrigado!

    Bernardo

Deixe um Comentário

Você deve estar logado para enviar um comentário.