Em resposta a muitos comentários feitos no portal sobre o tema e a esta posta do Bernardo, apresento a minha opinião sobre o assunto.
Eu sou, naturalmente, contra o aborto. Entre os meus conhecidos é consensual que o aborto é horrível. Gosto de acreditar que esta convicção é geral no mundo mas tenho noção que tal não acontece.
Quer o aborto seja espontâneo quer seja voluntário a dor é terrível para os que ficam. Se o aborto é espontâneo não há muito que se possa dizer pelo que vou falar do outro caso. A minha questão nunca se prende com a correcção do aborto. Não gosto de usar as palavras certo ou errado exceptuando em equações matemáticas. A minha questão prende-se somente com as consequências para quem voluntariamente aborta numa situação que não inclua violação, malformação do feto ou risco de danos à integridade física e psicológica da mãe. Todo o meu texto exclui estes casos nos quais não questiono direito ao aborto pelo que não os vou discutir.
Naturalmente, há consequências intrínsecas da acção: Este é um processo médico invasivo logo existe o óbvio desconforto físico (para usar um eufemismo) e, na maioria do casos, temos o sentimento desespero que leva ao aborto e o de perda logo a seguir.
Olhando agora para as consequência externas ao acto, a que mais é que devem ser sujeitas as pessoas envolvidas num aborto voluntário? Segundo a realidade actual portuguesa, nenhuma. À partida concordo quase totalmente com isto. Acho óbvio que uma mulher que aborte tenha que ser informada dos varias formas de contracepção de modo a não se voltar a encontrar numa situação de gravidez indesejada. Trocando por miúdos quem aborta tem que aprender a usar métodos contraceptivos. Sublinho o verbo aprender. É fulcral que se garanta que esta senhora saiba o que tem de fazer para nunca mais precisar de contemplar sequer a hipótese de abortar. Outra consequência, para mim óbvia, que já encontrei quem a contestasse, é a contracepção forçada a quem recorresse ao aborto três vezes. Esta pessoa claramente não aprende. Não podemos proibi-la de ter relações sexuais. Enquanto não souber evitar gravidezes indesejadas não decide sobre o melhor método contraceptivo para ela.
Continuando, a lei tal como estava antes era uma anedota. Passo a explicar: temos uma lei muito bonita que proíbe abortos, há milhares de abortos clandestinos por ano e vão a tribunal dezenas de casos, se tanto. Perpetuar isto é perpetuar uma hipocrisia que ninguém minimamente sério pode aceitar. Podíamos ter a atitude, “é crime mas sem pena” por isso vamos deixar que mulheres façam abortos em vãos de escada com agulhas de tricot mas quando elas aparecem no hospital com hemorragias graves não as prendemos… Acho que entra na mesmíssima categoria de ninguém minimamente sério poder aceitar esta hipótese como solução. É degradante e um perigo para a saúde pública.
Tal como vejo as coisas não há solução perfeita. Perfeito seria não haver gravidezes indesejadas. Infelizmente o aborto é uma realidade e há que encará-lo como aquilo que é: um problema real, que acontece. Sou da convicção que as leis devem reflectir a realidade dum país e não uma verdade utópica e que as leis devem proteger o maior número de cidadãos. Obrigar uma mulher a ter uma criança que não quer é, grande parte das vezes, condená-las à miséria. Criamos dois membros disfuncionais da sociedade. Proibir e fazer cumprir a proibição é estupidamente caro mesmo que os nossos tribunais funcionassem bem e não estivessem lotados. Actualmente é só inviável. Proibir e não fazer nada, além de hipócrita, transmite uma imagem de negligência do sistema penal.
E há sempre a questão de a gravidez indesejada ser uma das formas mais antigas de opressão da mulher. Daí só ter havido real emancipação feminina (mas não total) depois da invenção da pílula. Porque, vamos lá ver: uma garota tem15 anos, o seu namoradinho convence-a a ter relações sexuais, ela vai na conversa, o namoradinho dá-lhe uma tampa, passadas umas semanas não menstrua e vai fazer um teste de gravidez e pimba, está grávida. Vai falar com o ex-namoradinho e este manda-a ir pentear macacos, sabe lá se o filho é dele. Quem é que vai ter de lidar com a gravidez? A garota. Quem é que vai ter que parir? A garota. Quem é que vai ter de lidar com a criança? A garota. Quem é que vai ter de lidar com a dor da despedida caso dê a criança para adopção? A garota. Quem é que vai ter de abdicar da sua juventude caso não dê a criança para adopcão? A garota. E o que é que o namoradinho faz nisto tudo? Sexo. Não me venham dizer que há maneiras de responsabilizar o rapaz. Ir a tribunais é caro, é moroso, é esgotante. Se não há uma estrutura familiar forte por trás é virtualmente impossível e a jovem fica na miséria e o garoto fica exactamente como estava antes da gravidez.
Para proteger as mulheres deste país da dor e opressão, para evitar a hipocrisia, eu considero que a legalização do aborto é a solução menos má para este grave e real problema
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evasivo é diferente de invasivo.
são o contrário um do outro. Já está corrigido.
Eu acrescentava ainda que a educação e a informação precisam de ser incrementadas no que toca a este assunto, apesar de já haver um grupinho oficial de opositores que nem sequer nos dá a sua opinião no que toca a este caso, apesar de ser facilmente adivinhável.
A Catarina fala de algo muito importante: “Quem é que vai ter de lidar com a dor da despedida caso dê a criança para adopção? A garota”
Pouca gente fala disto e muitos pró-vida falam da adopção como se fosse algo banal. Falam constantemente da dor de abortar uma “criança” com consequentes traumas psicológicos, mas esquecem estes. Pobres ou ricos, felizes ou infelizes, saudável ou com deficiências, apenas querem a criança cá fora.
A “guerra” ainda não acabou e a oposição está activa, bastando dar uma volta na blogosfera. Fazem-se “veladas pela vida” (dias 25 de cada mês meia dúzia de almas reúnem-se para rezar em frente a clínicas onde se façam abortos LEGAIS), mas apenas após a aprovação da nova lei. Dantes não percebo porque tal não era feito nos casos pontuais dentro da lei e nos vários vãos de escada um pouco por todo o país.
E agora um movimento pró-vida vai ser partido político! Sempre os vi muito tímidos no que tocava ao assumir as suas influências religiosas, mas ao menos o Portugal pró-vida não esconde isso de ninguém:
«Artigo 1.º Defendemos a inviolabilidade da Vida Humana, desde a concepção até à morte natural, e a plena cidadania assente na dignidade da Pessoa e da Família. Artigo 2.º Na busca activa do bem comum, norteiam-nos os princípios da Doutrina Social da Igreja.»
Sou totalmente contra o aborto e 100% a favor da legalização do mesmo…
Na minha opinião deve ser naturalmente evitado ao máximo mas…ha casos e casos e parece-me que a mulher devidamente aconselhada tem o direito de decidir se quer ou nao ter a criança, e se tem ou não condições para lhe dar uma boa vida . Caso a solução seja mesmo abortar…é preferivel que o façam em segurança do que num beco qualquer….
Imagino que isto tambem esteja escrito no post acima mas tenho uma certa alergia a textos longos Lol
Porque é que toda a gente tem tanta necessidade de dizer que é contra o aborto?? Qual é a razão para isso??
Dizem que são contra, mas depois arranjam todo o tipo de justificações para o aborto como “ter condições para lhe dar uma boa vida”….quanto a mim essa é a pior das razões para abortar…acho que eu não teria nascido. Mas também, o que é ser “eu” senão uma simulação do meu cérebro???
Desde de que esteja salvarguadada a ausência de sofrimento do feto, e qua a mulher faça uma escolha informada e sem pressões, e que lhe sejam dadas alternativas válidas, não vejo qualquer problema ético no aborto. Sem mas, nem meios mas…
Joao pelo simplesmente facto de estares aqui a escrever isso prova que nao tens uma má vida…eu tambem nao vivo com luxos, mas vivo…
Agora trazer alguem ao mundo pra rejeitar, provavelmente maltratar e abandonar…mais vale optar pelo aborto
Caro João Carvas,
Ninguém é a favor do aborto. Numa situação ideal, ninguém seria forçada a recorrer a este tipo de intervenção. Não é propriamente como arrancar um dente.
Por norma, respeito quem, de plena consciência, diz que nunca o faria (geralmente situações a frio). Mas é preciso ver que a despenalização do aborto não obriga ninguém a fazer aquilo que não acha correcto. O que me incomoda são aqueles que dizem que não deve ser feito, seja em que circunstância for e ponto final. Geralmente advogam que o uso de contraceptivos é errado. É isto que deve ser, antes de tudo, combatido.
Concordo em absoluto com aquilo que a Catarina diz, nas situações de gravidez na adolescência. O fardo cai, inevitavelmente na rapariga.
DanyelS,
Não. Não foi nada disso que eu disse. Mas não me vou repetir.
João,
Os abortos são como as desculpas, evitam-se. O truque, não engravidar!
Leonor,
Não é só na adolescência que o fardo cai na mulher, é só mais flagrante.
Catarina,
Olá.
«Não gosto de usar as palavras certo ou errado exceptuando em equações matemáticas.»
Acho que devia usá-las em muito mais coisas. Por exemplo: matar voluntariamente um inocente é errado. Sempre. Em ética, há inúmeros casos da aplicação perfeitamente razoável dos termos “certo” e “errado”. Por “certo” entende-se “conduta ética aceitável/positiva/certa”, por “errado” entenda-se “conduta ética inaceitável/negativa/errada”.
«A minha questão prende-se somente com as consequências para quem voluntariamente aborta numa situação que não inclua violação, malformação do feto ou risco de danos à integridade física e psicológica da mãe. Todo o meu texto exclui estes casos nos quais não questiono direito ao aborto pelo que não os vou discutir.»
Quando diz que não questiona, quer dizer que nesses casos se pode abortar?
Fico sempre com alguma curiosidade, pois ainda estou para encontrar um bom argumento para que se possa matar um feto inocente (redundância – são todos inocentes), só porque ele foi o resultado de uma violação, ou tem alguma mal-formação. E não entendo o que é isso do “risco de danos à integridade física e psicológica da mãe”. É o que se chama uma categoria “guarda-chuva”. Mais de 90% dos abortos feitos em Espanha, ao abrigo da actual lei, são feitos sob este guarda-chuva. Cabe lá tudo. A assinatura de um psicólogo é suficiente para se abortar quando se quiser. Isso é que eu chamo de hipocrisia.
Ah… E não há um só caso médico conhecido no qual seja indispensável provocar a morte do feto para salvar a mãe.
Mas a Catarina não quer discutir estes casos… Adiante.
«Naturalmente, há consequências intrínsecas da acção: Este é um processo médico invasivo logo existe o óbvio desconforto físico (para usar um eufemismo) e, na maioria do casos, temos o sentimento desespero que leva ao aborto e o de perda logo a seguir.»
Há também consequências para o ser humano em causa: é morto. Algo que me parece irreversível para o próprio (à luz da ciência actual).
«Trocando por miúdos quem aborta tem que aprender a usar métodos contraceptivos. Sublinho o verbo aprender. É fulcral que se garanta que esta senhora saiba o que tem de fazer para nunca mais precisar de contemplar sequer a hipótese de abortar.»
Bom: mas fico sem perceber a tua posição. Achas que tal gesto, o do aborto voluntário, é aceitável? Achas que é ético abortar a pedido? Mesmo colocando de parte os casos que não queres discutir?
«Outra consequência, para mim óbvia, que já encontrei quem a contestasse, é a contracepção forçada a quem recorresse ao aborto três vezes. Esta pessoa claramente não aprende. Não podemos proibi-la de ter relações sexuais. Enquanto não souber evitar gravidezes indesejadas não decide sobre o melhor método contraceptivo para ela.»
Este é precisamente o tipo de tiques totalitaristas que surgem ao de cima quando se despreza o direito à vida.
A desumanidade começa quando o nosso intelecto fica turvo, e não reconhece que um feto é tão “homo sapiens” como nós, e que tem direito a viver. Começa aí a asneira.
Depois, daí a dizer-se que o Estado (ou quem quer que seja) tem o direito de interferir da fertilidade feminina, vai um saltinho pequeno.
Um Estado que se demite de proteger o direito à vida (como Portugal fez) tem todas as condições de mediocridade moral para poder imiscuir-se na vida íntima de cada um. É lógico.
«Continuando, a lei tal como estava antes era uma anedota.»
Qual?
A de 1984?
Pois era: porque já não respeitava patavina a vida humana inocente.
«Passo a explicar: temos uma lei muito bonita que proíbe abortos, há milhares de abortos clandestinos por ano e vão a tribunal dezenas de casos, se tanto. Perpetuar isto é perpetuar uma hipocrisia que ninguém minimamente sério pode aceitar.»
A falácia da hipocrisia, Catarina…
É bem conhecida. Vamos aplicar a tua falácia ao crime de violação:
a) há violações todos os anos; violações clandestinas (passo o pleonasmo)
b) vão poucos a tribunal, talvez menos de metade
c) perpetuar isto é uma hipocrisia que ninguém minimamente sério pode aceitar
É por estas e por outras que eu acho importante que se estudem as falácias.
É terrível cometer erros argumentativos destes.
Catarina: uma falácia pode acontecer a qualquer um. É sempre uma coisa chata.
Mas este é um tema de vida ou morte. Não estamos a brincar. É coisa séria.
Deveria ser EVIDENTE que a ineficácia do controlo da antiga lei NÃO SERVE como argumento ético para se poder matar um ser humano inocente, e para se deixar que uma pessoa o mate, mesmo que essa pessoa seja a sua mãe.
Se uma mãe não pode matar o seu filho fora da barriga, porque o poderia fazer com ele lá dentro?
É estúpido.
O aborto a pedido é uma grande estupidez.
Das maiores.
E a malta assiste e aplaude à mais criminosa lei alguma vez levada a esse estatuto em Portugal.
«Podíamos ter a atitude, “é crime mas sem pena” por isso vamos deixar que mulheres façam abortos em vãos de escada com agulhas de tricot mas quando elas aparecem no hospital com hemorragias graves não as prendemos…»
Eu não concordo com crimes sem pena. O aborto é um crime, e deveria ter moldura penal.
«Acho que entra na mesmíssima categoria de ninguém minimamente sério poder aceitar esta hipótese como solução. É degradante e um perigo para a saúde pública.»
Não, Catarina.
É degradante, mas não por causa de questões de “higiene”. É degradante porque é homicídio.
«Tal como vejo as coisas não há solução perfeita»
A solução ideal é o Estado dizer que matar está mal.
E que é criminoso matar.
«Perfeito seria não haver gravidezes indesejadas.»
Sim, concordo. A gravidez é mais bonita quando é desejada.
Mas uma gravidez indesejada não é o 007. A mãe não deve ter licença para matar.
«Infelizmente o aborto é uma realidade e há que encará-lo como aquilo que é: um problema real, que acontece.»
Nova falácia: a violação é uma realidade, e há que encará-la como aquilo que é: um problema real, que acontece.
Logo, vamos deixar os violadores em paz. Vamos permitir a violação em hospitais e centros de saúde.
Note-se: violar um inocente é muito menos grave do que matá-lo.
«Sou da convicção que as leis devem reflectir a realidade dum país e não uma verdade utópica e que as leis devem proteger o maior número de cidadãos.»
Exacto. Aplica isso à violação. É utópico pensar que a actual lei anti-violação impede as violações. E, já agora, é totalmente utópico pensar que a actual lei acerca do homicídio impede todos os homicídios. O facto é que as pessoas cometem crimes, muitas vezes sem sequer lerem a lei em questão ou pesarem as consequências. Por isso é que o teu raciocínio é uma falácia: as leis não servem só para previnir (eficácia duvidosa, ou pelo menos variável): servem também para punir o criminoso, e para proteger a sociedade dos criminosos.
«Obrigar uma mulher a ter uma criança que não quer é, grande parte das vezes, condená-las à miséria.»
Bom: em alternativa então condena-se o feto à morte.
Bela ética.
Nunca ninguém duvidou que o aborto é sempre a ponderação de dois males: a gravidez involuntária e a morte de um ser com direito à vida. O problema é que são coisas com pesos éticos totalmente diferentes.
«Criamos dois membros disfuncionais da sociedade.»
Este tipo de linguagem é estalinista. E também foi usada pelo Hitler para os programas eugénicos.
«Proibir e fazer cumprir a proibição é estupidamente caro mesmo que os nossos tribunais funcionassem bem e não estivessem lotados. Actualmente é só inviável. Proibir e não fazer nada, além de hipócrita, transmite uma imagem de negligência do sistema penal.»
De novo, vejo-te obcecada com a burocracia, com o lado pragmático da coisa.
Mas responde-me: está certo matar um ser humano que tem o direito a viver?
Deve o Estado permitir isso?
Se permite, porque é que permite na barriga, e não permite fora da barriga?
«E há sempre a questão de a gravidez indesejada ser uma das formas mais antigas de opressão da mulher.»
Esta é outra suprema estupidez.
A mulher tem útero.
O útero está feito para a gravidez.
Logo, uma mulher grávida está a usar normalmente o seu sistema reprodutor.
Uma frase destas, Catarina, não pode deixar de ser uma suprema estupidez.
Como é que um órgão feminino em bom funcionamento pode ser “uma das formas mais antigas de opressão da mulher”?
Ainda se falasses numa gravidez que resulta de violação, ainda entendia que o acto de violação era uma grave opressão da liberdade da mulher (ainda assim, sem eu aceitar que daí decorra que se pode matar o feto)…
«Daí só ter havido real emancipação feminina (mas não total) depois da invenção da pílula.»
O que é que uma coisa tem a ver com outra?
Se a contracepção não máta, então tem um peso ético totalmente diferente do aborto.
O aborto não é contracepção. Porque a concepção já se deu quando se aborta.
«Quem é que vai ter de lidar com a gravidez?»
Quase sempre é a rapariga (ou a sua família): isso é indiscutível. É um drama e uma injustiça.
Mas continuo à espera de um bom argumento para ela poder matar o seu filho.
«Não me venham dizer que há maneiras de responsabilizar o rapaz.»
É claro que têm que existir medidas para o pelintra.
Ninguém discute isso.
O que me parece é que o teu texto segue uma linha desculpabilizadora e legitimadora do aborto, ao invés de seguir uma lógica linha responsabilizadora do pai e da mãe (em conjunto e pé de igualdade).
«Para proteger as mulheres deste país da dor e opressão, para evitar a hipocrisia, eu considero que a legalização do aborto é a solução menos má para este grave e real problema»
É uma solução péssima.
É a pior das soluções. Troca-se um mal por outro muito mais grave. Troca-se a injustiça social, a miséria, o destruir de sonhos, a tristeza e o medo, por algo muito pior: o crime de matar. E pior: diz-se à desgraçada da mãe que é normal e compreensível ela ponderar a hipótese de matar o seu próprio filho.
Claro está, parvoíces à parte, é a consciência da mãe que aborta que fica arruinada para toda a vida.
E a consciência dela não passa. Fica toda a vida. A consciência de ter matado perdura, para sempre, até à morte da mulher. E essa consciência grave, pesada, cheia de remorsos, incapaz de voltar a olhar com olhos limpos para a beleza da maternidade, essa consciência persiste, à revelia dos belos sofismas e artimanhas pseudo-argumentativas dos promotores do actual “status quo” do aborto.
De parvoíces está o mundo cheio.
Mas há parvoíces que matam.
O aborto a pedido é uma parvoíce que mata fisicamente um ser humano e psicologicamente outro.
Abraço,
Bernardo
Já agora, para não achares que as minhas palavras são devaneios de novato, e de quem desconhece o problema, cá fica um trabalho de largos meses, no qual exponho uma defesa racional contra o (presumido) direito a abortar:
http://www.box.net/shared/xcr599ze1q
Bernardo
“arranjam todo o tipo de justificações para o aborto como “ter condições para lhe dar uma boa vida”….quanto a mim essa é a pior das razões para abortar…acho que eu não teria nascido”
Para bom entendedor…
Uops. a resposta nao era esta…
Catarina, tal como disse…nao li o texto inteiro, a minha opinião esta aí…
Bernardo,
Eu não posso seguir o teu raciocínio no momento em que a premissa inicial não faz sentido. Eu não equiparo um aborto a pedido até às 10 semanas a um assassinato. Ponho o horror do aborto acima de matar gatinhos bebés abaixo da morte de especies em vias de extinção.
Outra coisa, uma lei bem feita trabalha para a prevenção e a maneira de prevenir abortos é com informação e a maneira de prevenir violações é dar poder e respeito à mulher. Desobjectificá-la.
Outra coisa… Tu podes achar que as mulheres são vacas parideiras. Eu não acho. E qualquer conversa que vá nesse caminho não vai ter uma resposta agradável da minha parte. Se não, vai caçar mamutes…
O aborto é um assassinato. Concordo.
Sim. E depois?
Também é assassinato matar uma mosca.
Também é assassinato matar uma vaca (e que belo bitoque!)
Cortar florestas é genocídio.
Todos os dias o ser humano comete assassinatos. Todos os dias continuará a cometê-los. A questão central do aborto nada tem a ver com “assassinato” e “morte”: claro que se mata um potencial ser humano! A questão central está na forma como se gere judicialmente a margem de manobra que pode ou não ser concedida ao ser humano para o exercício da morte (ocorra ela em que espécie ocorrer).
Matar uma espécie em vias de extinção é mais grave do que matar (mais um) ser humano.
Desflorestar o planeta é mais grave do que matar (mais um) ser humano.
O argumento moral é apenas um exercício demagógico de hipócritas. A padralhada nunca se preocupou muito com a “biologia da coisa” quando mandava heréticos para a fogueira ou limpava muçulmanos como quem come camarão. Aliás… nos EUA, vejo a Igreja muito preocupada com os abortos, mas não a vejo nada preocupada com a pena de morte que ocorre nos seus inúmeros Estados (curiosamente os mais religiosos!) ou com os milhares que morrem em invasões a países estrangeiros. Já agora…onde andava o Rato-Zinger quando se julgavam genocidas em Nuremberga? Será que andava a ajudar amiguinhos de batina que queriam fugir para a Argentina?
A padralhada primária tem de arranjar sempre uma bandeira de “valores morais” com que possa vir para a praça pública agitar as massas.
Os assuntos relacionados com a gestão da vida e morte de seres humanos (aborto, eutanásia, etc.) são complexos e têm de ser tratado no âmbito de um discurso que dispense palhaçadas argumentativas que metam ao barulho as “alminhas dos embriões” e a “vontade de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Está na hora dos ateus deixarem de se acobardar perante o “argumento moral”.
A crentalhada fundamentalista tem uma visão deontológica; os ateus e os liberais têm uma visão utilitarista. Cada um que exponha os seus argumentos. A sociedade que decida. É tão simples como isto.
PS: Ó gestores do Portal Ateu! Quando é que vocês se deixam de conversa da treta e começam a bombardear o que interessa? O pantufas-Prada vomitou uma encíclica que tem sido noticiada por tudo o que é comunicação social e ninguém aqui diz nada?
Lucas Samuel,
O que os chefes das igrejas dizem aos seus fieis é lá com eles. As encíclicas são comunicados a fieis. Não tenho nada a ver com o assunto nem me afecta particularmente. Quanto à cobertura que está a ter pela empressa. Nada de novo.
A impressa “reporta” o que vende. Não vi nenhuma figura de estado a opinar, não tenho nada a dizer.
Errado Catarina.
As encíclicas são comunicados ao mundo. Assim como as bíblias, os corões, os livros de Mórmon e outros disparates do género. Ignorar a sua presença significa ignorar a religião no seu todo. Para isso, também o ateísmo não faria sentido!Logo…o que andaríamos nós para aqui a fazer?
Se queremos ter posições de “contraditório” perante a religião (e neste caso, perante a ICAR em particular), sobre o que é que podemos “contraditar”?
Deus não existe. Ponto (e pronto)?
Nááá…perante a tagarelice envolvente da padralhada, não pode o ateu consciente alhear-se do combate retórico. Essa superioridade arrogante só pode ter como consequência a “captação de ovelhas” para o curral da ICAR. Há que elucidá-las para que tenham a capacidade de saber escolher o seu curral.
A não ser que a menina se esteja borrifando para a maioria dos portugas alienados (o que, diga-se de passagem, eu não teria como censurar! Ehehehe).
Neste aspecto estou com o Lucas. Não podemos tomar uma atitude passiva perante a ignorância e o conformismo sob pena de um dia perdermos o direito à ciência e à busca da verdade.
Catarina,
«Eu não posso seguir o teu raciocínio no momento em que a premissa inicial não faz sentido. Eu não equiparo um aborto a pedido até às 10 semanas a um assassinato.»
Não consigo entender, objectivamente, porquê.
Para mim, e acho que para qualquer pessoa, um assassinato é a morte provocada de um ser humano inocente, contra a sua vontade. Desse modo, distingue-se “assassinato” de “pena de morte” e de “eutanásia”.
Ora vê:
a) “morte provocada”: é o efeito óbvio e irreversível do aborto provocado
b) “ser humano inocente”: é o caso da vítima do aborto provocado
c) “contra a sua vontade”: é o caso da vítima do aborto provocado
Estou a tentar ser lógico e límpido como a água.
Eu é que não entendo a base lógica, objectiva e racional que te leva a negar isto.
Ainda estou à espera que me apontes erros de raciocínio ou falácias.
Nota que este tema não deve ser tratado na lógica da “opinião”. Podemos discutir objectivamente o tema, usando argumentos racionais.
«Ponho o horror do aborto acima de matar gatinhos bebés abaixo da morte de especies em vias de extinção.»
Porquê?
De novo: dá-me por favor argumentos racionais. Senão, a tua posição fica na onda de “opinião”.
Objectivamente, porque é que achas mais grave abortar seres humanos do que matar gatinhos bebés, e achas mais grave extinguir espécies do que abortar seres humanos.
Eu concordo com o facto óbvio de que um ser humano vale mais que um gato. É algo objectivo. Logo, é bem pior abortar do que matar gatinhos bebés.
Agora nota: se tu valorizas o feto humano face ao gato bebé, mas depois (incoerentemente) não o valorizas face a uma espécie em extinção, então posso deduzir que dás mais peso à extinção com base num argumento de quantidade:
É mais grave matar N da espécie A do que matar M da espécie B, se N>M.
É isto?
É um argumento marado: baseia-se numa lógica puramente quantitativa. Na primária, aprendemos todos a não fazer contas entre alhos e bugalhos.
Parece-me que concordas que tem mais valor a vida humana que outra vida animal. Então comparar a vida humana com a vida de outros animais é comparar alhos com bugalhos. Logo, não se pode decidir a questão pela lógica da quantidade.
Um ser humano, qualquer ser humano, vale mais como indivíduo do que todas as espécies animais à face da Terra.
É trágico que seja preciso repetir isto, em pleno século XXI, e depois dos genocídios que marcaram o século XX.
Mas é sempre o dever de toda a pessoa razoável apontar, vezes sem conta, o razoável a uma sociedade irrazoável.
«Outra coisa, uma lei bem feita trabalha para a prevenção e a maneira de prevenir abortos é com informação e a maneira de prevenir violações é dar poder e respeito à mulher. Desobjectificá-la.»
Totalmente de acordo.
Resta que me expliques de que forma é que uma lei que permite o aborto a pedido é uma lei dessas que defendes.
Talvez pela lógica do “poder” de que falas?
Só que esse “poder” feminino sobre o conteúdo do próprio útero pressupõe que a mãe pode dispor da vida do filho. Por favor, demonstra-me porque é que achas que isso é assim. E mais: se achas que a mãe pode dispor da vida humana que se desenvolve dentro do seu útero, explica-me porque é que ela não o pode fazer depois desse ser humano sair cá para fora. Porque é que o direito à vida do ser humano está a ser decidido, na tua lógica, com base na posição (no local) em que se encontra o dito?
«Outra coisa… Tu podes achar que as mulheres são vacas parideiras. Eu não acho.»
É.
É mesmo isso que eu acho. Vacas. Parideiras. E que também dão leite, logo, vacas leiteiras.
É mesmo isso. Apanhaste-me.
«E qualquer conversa que vá nesse caminho não vai ter uma resposta agradável da minha parte. Se não, vai caçar mamutes…»
Vejo que, infelizmente, procuras seguir um debate pela via emotiva e insultuosa, e não pela via racional. Fico com pena.
Só que eu não posso deixar de achar isto a maior barbaridade:
http://prolifetraining.com/WMV/Abortion-Pictures-high.htm
Este tipo de imagens cruas, mesmo sem som nem discursos, simplesmente esmagam todos os belos sofismas dos defendores do “direito à escolha”. “Escolher” abortar é isto. É este nojo que se vê. Esta desumanidade. Esta crueldade. Esta miséria anti-ética. Esta barbaridade. Perante estas imagens, não há espécie em extinção que eu possa ter em conta. Quando vejo o resultado objectivo do crime de abortar, desculpa lá, Catarina, quando olho para estas imagens, não consigo preocupar-me (da mesma forma, ou seja, tanto como) com os bichinhos em extinção… Não estou programado para isso.
Abraço,
Bernardo
Ó Lucas, por acaso até ando a ler a encíclica, pois o facto de andarem a chamar esquerdista ao Ratzinger na imprensa e blogosfera é muito estranho. Não te preocupes porque é para breve…
Ah g’anda Janeiro: o homem pr’ó ano inteiro!
E pelo tamanho da encíclica ainda demoro mesmo um ano inteiro…
“Está na hora dos ateus deixarem de se acobardar perante o “argumento moral”.”
Oh Lucas Samuel…100% de acordo. Foi precisamente o que tentei expressar na minha “encíclica”.
Abraços e beijinhos
Ah g’anda Carvas: o homem que não vai em conversas parvas!
http://www.portalateu.com/2009/07/07/uma-questao-de-transparencia/
Já lhe dei um cheirinho acima. Cá vai mais do mesmo. “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”
“Ora vê:
a) “morte provocada”: é o efeito óbvio e irreversível do aborto provocado
b) “ser humano inocente”: é o caso da vítima do aborto provocado
c) “contra a sua vontade”: é o caso da vítima do aborto provocado”
Ora vê:
a) “morte provocada” é todos os dias deixar na sanita uma quantidade de células “self” muito maior do que qualquer embrião. É provocar suicídio diariamente
.
b) “Ser humano inocente” não é um embrião, cuja probabilidade de vir a constituir um ser humano é comparável aos espermatozóides que, com mais ou menos regularidade, deposito no lixo. Se avaliamos as coisas pelo seu valor potencial, esta comparação é totalmente legitima.
c) “contra a sua vontade” vontade de quem? Eticamente, só existe “vontade” quando existe consciência, logo, não existe qualquer vontade inerente a um punhado de células amorfas e pouco diferenciadas. O Sr. Bernardo, às vezes, até escreve bonito, porém, peca por tentar convencer em jeito de retórica lógica e racional, fazendo-se valer de falácias e incongruências.
“Vejo que, infelizmente, procuras seguir um debate pela via emotiva e insultuosa, e não pela via racional. Fico com pena.”
Via emotiva? Mas foi apenas isso que vi no seu discurso, sendo a piece de resistance o link para o “vídeo choque”. Na verdade, quando o quiser convencer da barbárie que é uma colescistectomia, mostro-lhe o video horrível da intervenção cirúrgica. Haja decência.
“Estou a tentar ser lógico e límpido como a água.”
Lógica… hmmm… Já demonstrado em cima que lhe falta como água no deserto.
“Eu é que não entendo a base lógica, objectiva e racional que te leva a negar isto.
Ainda estou à espera que me apontes erros de raciocínio ou falácias.
Nota que este tema não deve ser tratado na lógica da “opinião”. Podemos discutir objectivamente o tema, usando argumentos racionais.”
E cá estão eles. É, no entanto, impossível discutir com alguém que trata as coisas pelo seu valor potencial, chamando a um embrião “ser humano”. O que me diz de um teratoma? hmmm Ou dos fenómenos de quimerismo e mosaicismo?
Nuno
Mas isso são argumentos racionais glorifiedg…não é justo!
“Mas isso são argumentos racionais glorifiedg…não é justo!”
Oh… Peço desculpa, peço desculpa… LOL!
Olha, ó Lucas Samuel
Porque não escreves tu a tua opinião sobre os dislates do pantufas-Prada?
Se arranjares algum pantufas-Boss, ou batina-DKNY eu pego nesse.
Até posso tentar perceber (e até percebo minimamente) os vossos pontos de vista e opiniões.
Mas há coisas que me tiram do sério! E o Holocausto intra-uterino (nojenta e eufemisticamente chamado de IVG) é uma delas. Mais que a religião, este assunto deixa-me c os cabelos em pé…sem precisar de gel!
São pérolas destas que me assutam e indignam!
“Eu não equiparo um aborto a pedido até às 10 semanas a um assassinato.”
Mas é um assassinato. De milhares de crianças diariamente. De opiniões está o mundo cheio. Na minha, matar um filho às 10 semanas ou aos 9 meses ou ao 1º ano de vida é a mesmíssima coisa. Um crime que, na minha opinião, devia ser severamente punido. Como deviam ser todos os assassinos.
“Ponho o horror do aborto acima de matar gatinhos bebés abaixo da morte de especies em vias de extinção.”
Espero ter percebido mal, siceramente… Não acho normal que alguém, com dois dedos de testa, se preocupe com as espécies em vias de extinção, qd se está a discutir a praga desse maldito crime permitido por lei q é o aborto. Discute-se a matança de milhares de seres humanos e fala-se na extinção de espécies… Tenham dó!
A vida de uma única criança – ou adulto, uma pessoa! – assassinada (dentro ou fora do úetro) e a defesa do seu direito à vida, esse direito-pai de todos os outros, valem muita mais preocupação que a extinção de outras espécies.
E sonceramente, estou-me completamente nas tintas para a extinção das tartarugas, leopardos ou ursos, quando se está a discutir o direito à vida de um ser humano! Direito esse que nem precisava de ser discutido, tããoo básico que é.
Mas o importante é salvar as outras espécies. A nossa pode esperar. Do género “Pode matar os seus filhos sem ser responsabilizado por isso, mas lemcontribua para salvar o lince-ibérico da extinção”.
É o mundo ao contrário…
João C.
“Holocausto intra-uterino” Parei de ler aqui…