
Os processos evolutivos nunca apostam só num caminho. A diversidade é sempre uma garantia de sucesso. Isto é verdade tanto para a quantidade de espécies como para a multiplicidade de comportamentos dos indivíduos dentro de cada uma delas.
A variação de comportamentos no caso da espécie humana, é um assunto complexo (e vasto) e como ponto de partida recomendo a leitura de SOMBRAS DE ANTEPASSADOS ESQUECIDOS escrito por Carl Sagan e Ann Druyan. O tribalismo, a dinâmica dos grupos, e a resistência à mudança, são aqui analisados com algum detalhe, com conclusões por vezes surpreendentes.
Mas se em qualquer grupo há indivíduos que optam pela tradição, pelo status quo, um numero idêntico opta por colocar em causa tudo isto. Esta ala progressista e eternamente insatisfeita, trouxe-nos à sociedade que temos hoje. Os avanços da humanidade fizeram-se sempre à custa de indivíduos e organizações que não tiveram medo de questionar, inovar, e de correr riscos.
Não houve nenhum tipo de evolução cientifica, social, politica ou económica, que fosse fácil, que não tivesse a sua quota parte de velhos do Restelo a bradar que seria o fim do mundo.
Estamos a caminhar a passos largos para nos transformarmos a nós próprios. A integração de partes mecânicas, ou a importação de características de outras espécies (tal como já fazemos com as plantas transgénicas) não são apenas possíveis, são inevitáveis.
A este propósito, convido-os a dar uma vista de olhos a h + Magazine
Se o ateísmo, suscita tanta revolta (injustificada) por parte dos sectores mais conservadores da sociedade, então estes deverão preparar-se para as mudanças ainda mais profundas que o futuro nos reserva.
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Caro Rui,
Tudo isto é muito bonito e conhecido: é a “catequese” evolucionista.
Mas é estranha e ilógica em vários aspectos:
a) se se valoriza a “revolução”, e desvaloriza a “tradição” (eu acho que ambas deviam ser valorizadas), então o que nos diz a revolução da revolução? Se a revolução foi para melhor, a revolução da revolução não é para pior? é difícil estar sempre a mudar tudo, e todas as mudanças serem para melhor…
b) qual é a meta? se diz que estamos “a caminhar a passos largos”, e se é para algo de bom, que meta é essa? e se cada geração revoluciona tudo (e não preserva nada – é essa a lógica de rejeitar a “tradição”), como se chega à meta?
No fundo, o que escreveu é ilógico.
Se eu quero chegar a um destino bom, em termos evolutivos, então é porque tenho uma meta, um objectivo.
Ora se, de geração para geração, eu não for tradicionalista SEQUER para preservar a meta, o objectivo, como é que lá chego?
Desculpe estes desabafos, mas não consigo ignorar coisas ilógicas. Faz-me confusão.
Ajude-me, por favor, a compreender a lógica do que escreveu.
1. Há, afinal, espaço para alguma tradição?
Nem que seja para passar, de geração em geração, a nossa meta?
2. Qual é a nossa meta? O que é que queremos ser? Em que é que nos queremos tornar?
3. Como é que se chega a algum lado, se em todas as gerações revolucionamos radicalmente a revolução da geração anterior? Não era mais eficiente preservar alguma coisa ao longo do tempo?
Um exemplo. Um navio que quer atravessar o Atlântico.
A meta está do outro lado do oceano.
Se, todas as semanas, o capitão muda o curso, e revoluciona a viagem, como poderá ele chegar ao destino?
Se, todas as semanas, o capitão rasga o mapa e deita ao mar o caderno de anotações, perdendo assim todo o rasto da “tradição”, dos dados do passado da viagem, como pode ele saber de onde veio, onde está, e para onde vai?
Cumprimentos,
Bernardo
“é difícil estar sempre a mudar tudo, e todas as mudanças serem para melhor…”
A isso chama-se evolução (e nem sempre as mudanças são para melhor)
“qual é a meta?”
Trans-humanismo
“No fundo, o que escreveu é ilógico.”
Obviamente
“Ajude-me, por favor, a compreender a lógica do que escreveu.”
Saia do seu pequeno quadro de referencia, e leia como se fosse ateu.
“Há, afinal, espaço para alguma tradição?”
Depende da tradição.
“Qual é a nossa meta?”
Evoluir
“O que é que queremos ser?”
Melhores do que somos hoje
“Em que é que nos queremos tornar?”
Há muitas respostas para isto. Tantas quantas as pessoas.
“Como é que se chega a algum lado, se em todas as gerações revolucionamos radicalmente a revolução da geração anterior?”
Leia um bocado de História. Desde 1900 até hoje, tem sido sempre a abrir.
“Não era mais eficiente preservar alguma coisa ao longo do tempo?”
E preservamos. Por ex. as religiões. Espero que com um aumento de 30 pontos de QI na população em geral, nos possamos finalmente livrar delas. (PS: não vou discutir isto consigo!)
Em relação ao exemplo:
Você tem um buraco no chão de uma sala, onde quer acertar. Se pegar numa bola, e a lançar muito direitinha até ao outro lado da sala, as hipóteses de acertar no buraco, são muito reduzidas.
Se pegar em 500 bolas e as lançar em todos os sentidos, terá grandes probabilidades de que uma delas acerte no buraco.
Estatística.
Evolução.
“Não era mais eficiente preservar alguma coisa ao longo do tempo?”
E preservamos. Por ex. as religiões. Espero que com um aumento de 30 pontos de QI na população em geral, nos possamos finalmente livrar delas. (PS: não vou discutir isto consigo!)
Não é preciso discutir, a ciência já entrou na corrida e já sabem o que isso significa.
http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6W4M-4SD1KNR-1&_user=10&_coverDate=04%2F29%2F2008&_alid=759868596&_rdoc=1&_fmt=high&_orig=search&_cdi=6546&_sort=d&_docanchor=&view=c&_ct=1&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=bdb3ca48b21fdb2959f6f8ce4b6001de
http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6W4M-4TFV93D-1&_user=10&_rdoc=1&_fmt=&_orig=search&_sort=d&view=c&_acct=C000050221&_version=1&_urlVersion=0&_userid=10&md5=db2ee09bae0195cc1ecbd026da77245c
glorifiedg,
“It is suggested that IQ makes an individual likely to gravitate toward a denomination and level of achievement that best fit his or hers particular level of cognitive complexity. Ontogenetically speaking this means that contemporary denominations are rank ordered by largely hereditary variations in brain efficiency (i.e. IQ). In terms of evolution, modern Atheists are reacting rationally to cognitive and emotional challenges, whereas Liberals and, in particular Dogmatics, still rely on ancient, pre-rational, supernatural and wishful thinking.”
Obrigado pelo link!
Para mim isto fazia todo o sentido, não sabia era que foram feitos estudos acerca desta relação.
Agora só falta o Bernardo dizer que não percebe a lógica disto.
De nada!
Existe um outro estudo realizado por um dos altos responsáveis pela MENSA mas ainda não o consegui encontrar. Neste estudo é analisada a convicção religiosa de membros da MENSA, ou seja, individuos com um QI acima de 130. Chegaram a conclusões interessantes…
Pensava que para entrar na MENSA era necessário “apenas” um QI de 120.
Ainda pensei entrar, (há uns 10 anos atrás), mas não havia nenhum tipo de estruturas em Portugal.
Depende da escala: http://www.mensa-pt.org/mpt-criterio.html
O cérebro disse: “Sou o órgão mais esperto do corpo”. O coração respondeu: “quem lhe disse”?
ilidiobarros,
O coração não fala, bombeia sangue. Desconfio que anda a passar demasiado tempo na sua igreja…
Rui Rodrigues,
Vou tentar explicar-te a frase de uma forma ainda mais terra-a-terra:
Quando eu atravesso a estrada, tenho medo de ser atropelado, é por isso que olho para os lados e vejo se não vem nenhum carro.
Um abraço,
Ilídio Barros