Campo de férias para “mini-ateus”
A iniciativa Camp Quest existe desde 1996, fundado por Edwin Kagin e em conjunto com a Free Inquiry Group of Greater Cincinnati and Northern Kentucky, nos Estados Unidos, onde existem actualmente seis campos.
O campo de férias, pensado para as crianças filhas de pais ateístas, agnósticos e “todos aqueles que têm uma visão naturalista do mundo”, propõe ser uma alternativa aos campos de férias religiosos.
Este ano a iniciativa foi estendida ao Reino Unido e o Camp Quest UK vai funcionar já no final de Julho em Bath, estando todas as vagas preenchidas. Por ser o primeiro campo fora dos EUA e também graças ao patrocínio de Richard Dawkins, a iniciativa tem ganho alguma notoriedade na Europa.
Os objectivos deste campo são a promoção do espírito crítico, método científico, ética, democracia, separação entre Igreja e Estado, entre outros.
O tema escolhido este ano para o Campo 2009 vai ser a Evolução – como forma de celebrar o 200º aniversário de Charles Darwin e o 150º aniversário de A Origem das Espécies.
As actividades vão ser divididas em dois grupos distintos: As manhãs e finais de tarde vão ser dedicadas aos objectivos do Campo: Filosofia para crianças, Pseudo-ciência; Astronomia, Evolução; o “Desafio do Unicórnio Invisível”, entre outras.
As tardes serão dedicadas às actividades lúdicas como canoagem, rafting, escalada, etc.
A directora do Camp Quest Uk, Samantha Stein explica as razões que levaram a esta iniciativa:
Entretanto, começam a surgir reacções ao campo, como é o caso de Simon Calvert, do Christian Institute, “Os ateístas estão a tornar-se progressivamente mais militantes na sua tentativa desesperada de expulsar a fé. É preocupante que agora usem crianças para atacar os valores cristãos das suas escolas.”
p.s. A denominação “mini-ateus” tem direitos de autor e estes cabem ao Rui Rodrigues
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9 Comentários
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Leonor,
Obrigado pela noticia, é bom saber que este tipo de iniciativas existem. Gostaria muito de as ver também em Portugal.
E agora, o seu a seu dono:
A expressão “Mini-Ateus” não foi inventada por mim, foi inventada pela minha filha.
Já que falei dela, posso também revelar que é baptizada, teve uma educação neutra, foi várias vezes à igreja com as avós, e que lhe falei das religiões mais representativas em contexto histórico. Nunca lhe escondi a minha posição (era o que faltava) mas também nunca a impus.
Fez a sua escolha ao seu ritmo, e informou-me há algum tempo atrás de que era ateia.
Gostaria muito que todas as crianças tivessem a oportunidade de decidir por si, depois de saberem quais as escolhas possíveis.
“É preocupante que agora usem crianças para atacar os valores cristãos das suas escolas.”
A acefalia tem destas coisas…
Tal como acho ridiculo os campos de ferias religiosos, tambem acho ridiculo os campos de ferias para os tais mini ateus…deixem as crianças crescerem…eduquem-nas decentemente, e elas logo perceberao o que esta por de tras da fantochada de todas as religioes, acho isto estupido…minha opiniao
DanyelS,
A questão aqui não é evangelizar. É proporcionar um sitio SEM evangelização, e com actividades de descoberta da ciência e jogos para desenvolver o pensamento critico.
Ou seja, dar-lhes ferramentas para que possam pensar por si próprios, e para que possam crescer com uma educação decente. (Para usar as suas palavras)
Quanto ao perceberem o que está por trás da fantochada de todas as religiões, isso implica conhece-las minimamente.
O que afirmam, o que defendem e o que condenam.
“Quanto ao perceberem o que está por trás da fantochada de todas as religiões, isso implica conhece-las minimamente.”
Daí o educar das crianças que ja tinha referido…a mim nunca ninguem me disse o que era realmente a religiao, bem pelo contrario, tenho varias catequistas na familia que sempre me tentaram influenciar a seguir o caminho da igreja no entanto, hoje estou aqui…
Independentemente do que façam la…o rótulo esta bem presente, é quase como combater palermice com palermice, nao poderiam ser simplesmente campos de férias? “camos de ferias…para ateus” continua-me a parecer simplesmente estupido, é como ja disse…deixem as crianças apenas…divertir.se e viver talvez a melhor fase da vida delas, nao as carreguem com principios religiosos ou por outro lado com o “método científico, ética, democracia, separação entre Igreja e Estado” e mais “filosofias” e “pseudo ciencias” acompanhadas por “astronomia e evoluçao” (lol…elas terão tempo para mais tarde ver o zeitgeist).
O que não faltam são campos de férias em que não se fala de religião ou coisas afins. Não se percebe qual a novidade.
O título é errado, uma vez que este campo não é para “mini-ateus”:
“The overall purpose is to provide interested children, regardless of their personal beliefs, with a residential summer camp free of religious dogma.”
É para todas as crianças, independentemente das suas crenças pessoais.
Ou seja, é muito bom para promover a tolerância e o convívio com outras crianças. Mas como este há muitos outros, em Portugal inclusive.
Caro Ricardo Sá,
O título foi apenas uma provocação. Não há mini ateus, como não deveria existir crianças católicas, muçulmanas ou protestantes.
É um local para pais não crentes, estes sim, ateus ou agnósticos, que queiram proporcionar aos seus filhos umas férias diferentes daquelas que até então eram possíveis.
O aparecimento deste tipo de campo de férias foi uma reacção aos campos de férias religiosos nos Estados Unidos. O mesmo acontece com esta variante no Reino Unido. Não quer dizer que não haja outros campos sem estarem filiados a uma confissão religiosa, mas este serve um propósito específico: a desmistificação de crenças dogmáticas e também a pseudo-ciência.
Se conhece algum campo em Portugal com estas características, partilhe essa informação connosco. Desconheço por completo.
Leonor,
Tipicamente os campos de férias organizados pelas juntas de freguesia não têm essa componente. Os campos de férias para filhos de trabalhadores de grandes empresas que foi o meu caso também não têm qualquer religião à mistura. Tanto quanto sei os da Santa Casa também não. acho que os que têm são os organizados pela Caritas e o escuteiros ou escoteiros (os que são católicos). Tipicamente os campos de férias em Portugal não têm componente religiosa. É só jogos, praia e bate pé!
Olá Catarina,
“Tipicamente os campos de férias em Portugal não têm componente religiosa. É só jogos, praia e bate pé!”
Exactamente.
Que eu conheça, não existem campos de férias em Portugal, que tenham as mesmas características. E reduzir esta iniciativa à componente não religiosa é não ver os objectivos principais.