Anjos

Estava eu com um amigo meu numa livraria Bertrand a folhear livros quando me deparo com meia capa de livro que tinha duas velinhas e as pernas cruzadas duma senhora. Peguei no livro porque gosto sempre de dar uma vista de olhos nos livros sobre ioga. Não é que o livro não era sobre ioga. O título era “Como comunicar com anjos e melhorar a sua saúde e bem estar” Hã?! O meu amigo rapidamente perguntou-me “mas porque é que pegas nessas coisas?” De facto ele tinha alguma razão. O livro estava na prateleira do exoterismo (fiquei feliz por ser só uma prateleira).

Nessa altura decidi ver de que é que aquilo se tratava e reparei que o título em inglês torna-o um pouco menos, como é que hei–de por isto de forma mais delicada… idiota! “A comprehensive guide to angel therapy”. Traduzindo literalmente: “Um guia exaustivo para terapia com anjos” Não! agora que traduzo reparo que uma melhor tradução não melhora a ideia que tenho do livro.

Eu tenho noção que tenho preconceitos. Toda a gente os tem e eu com certeza que não sou diferente. Quando me apercebo que tenho um preconceito tento informar-me para limpar o preconceito e passar a ter um conceito pós concebido. Desta guisa lá fui folhear o livro e encontrei pérolas de informação. Os anjos existem em frequências vibracionais diferentes das nossas, deve ser estilo ondas de rádio, e é por isso que não os vemos. E mandam-nos mensagens. Ha ha! ondas de rádio! espera… ondas de rádio são usadas para transmitir mensagens, hum… talvez não ondas de rádio. Continuando. Há vários tipos de anjos como anjos, arcanjos, querubins e mais outros e diferentes funções. Temos os anjos da guarda que nos acompanham ao longo das nossas vidas nas várias encarnações e há os anjos qualquer coisa (já não me lembro da designação) que nos acompanham só nesta encarnação. Depois a senhora ensina a comunicar com os anjos, invocá-los, etc.

A dada altura perguntei ao meu amigo que é cristão: “se uma pessoa estiver à conversa com Napoleão é considerada doida mas se for com anjos já não há problema. Achas isto normal?” ao que ele me responde: “haaaa, mas tu não sabes se eles respondem. É aí que está a insanidade. Falar com Deus tudo bem, o problema é quando Ele responde.”

Já muitos crentes, alguns teólogos, me disseram isto. É algo que me dá muito conforto. O problema surge quando a população dum país inteiro acredita nas balelas dum idiota que diz que Deus lhe fala. Ou é mentiroso ou é doido (uso a palavra doido de forma livre não estando a fazer um juízo científico).

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