O caminho

O caminho

Vivemos numa sociedade com grandes assimetrias. A nível global, é gritante a desigualdade entre ricos e pobres. A nível local, mesmo  em países desenvolvidos, cruzam-se na rua pessoas que tem tudo, com outras que não tem nada.

É neste pano de fundo, que encontramos algumas válvulas de escape. O Euromilhões, o Totoloto, e a fé.

Curiosamente, em Portugal é a ICAR quem gere tudo isto. Não posso deixar de esboçar um sorriso, ao pensar que a ICAR oferece múltiplas  formas de salvação.

O problema, é que não há respostas convincentes para muitas das perguntas, que qualquer um faz a si próprio. A ICAR, é uma resposta em  que já poucos acreditam, sendo que a maioria dos crentes se afirma “não-praticante”. No fundo, não se identificam com as praticas, e  com muitos dos valores defendidos pela igreja. O dinheiro dá a ilusão de felicidade. Talvez seja por isso que Portugal é dos países da  UE onde mais se aposta.

Infelizmente a “felicidade” não se encontra no dinheiro. Isto pode ser confirmado junto a qualquer vencedor da taluda, ou de um  jogador de futebol bem pago. O dinheiro é importante até ao patamar em que podemos deixar de nos preocupar com ele. A partir daí,  deixa de ser relevante.

Na verdade, a “felicidade” não é um objectivo alcançável. É um caminho que deve ser percorrido sem pressas.

O Ateísmo, não pode ser considerado uma resposta. É apenas a constatação de que a resposta da fé não é verdadeira.

Podemos então considerar o ateísmo o primeiro passo para uma compreensão verdadeira do mundo que nos rodeia. É no entanto desejável  ir mais além,  reflectir sobre o que é ou não importante na vida de cada um, no conjunto das pessoas que constitui a humanidade, e  naturalmente naquilo que fazemos com o nosso planeta.

É possível e até saudável ter uma vida espiritual (na falta de expressão melhor).

É também possível e ainda mais desejável, que isso não passe por deuses, culpas, ou pecados.

Quando a humanidade no seu todo, se libertar dos deuses da fé, mas também dos deuses do consumo, estará no caminho certo para a igualdade, para a  sustentabilidade, e sobretudo para sair finalmente da adolescência, e entrar na idade da razão.

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