Mortificação

Andei a pensar nesta coisa das pessoas que se maltratam. Há muitas formas de agressividade para com o próprio mas neste caso estou a pensar nos maltratos físicos. Suponho que toda a gente tem os seus prazeres masoquistas desde gostar dum limão bem ácido ou, como é o meu caso, fazer alongamentos até doer um bocadinho, pouquinho, porque só assim é que está a alongar (algo me diz que que vou ser esclarecida sobre a natureza dos alongamentos pelo Ricardo).

Segundo percebi das minhas conversas com profissionais de saúde mental estes masoquismoszinhos não são perturbações. As perturbações encontram-se no exagero. Isto é, a pessoa que se corta, queima e causa dor intensa e destruidora em si mesma.

Sendo assim, se um cidadão preocupado souber de um amigo ou colega que se maltrate a este ponto de destruição vai procurar ajudá-lo tentando levá-lo a um profissional de saúde psicológica. Pelo que percebi das minhas conversas, os profissionais consensualmente dizem que esta pessoa precisa de ajuda profissional porque tem uma perturbação a menos que…

… esta mortificação seja por razões de fé.

Estes casos nem sequer são estudados pelos profissionais de saúde pelo que não há dados para perceber se se trata duma perturbação ou não.

Aparentemente o que torna estes maus tratos uma perturbação são as razões que levam a pessoa a maltratar-se. No caso dos fieis não se sabe intimamente a razão que leva a pessoa a infligir dor sobre ela mesma. Enquanto no comum cidadão são  desde ódio pessoal, culpa exacerbada entre outras nos fieis as razões serão outras. Serão?

Mais uma vez dualidade de critérios para comportamentos semelhantes.

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