Emancipações

“O Presidente Nicolas Sarkozy tornou a declarar que a burca islâmica não é “bem vinda” a França, afirmando igualmente que a vestimenta que tapa todo o corpo, incluindo a cara é um símbolo de subserviência que causa a supressão da mulher, tornando estas “prisioneiros atrás de uma tela”.

Num discurso para legisladores, Sarkozy disse que este estilo de vida está em desacordo com os valores franceses.
“No nosso país, nós não podemos aceitar que as mulheres sejam prisioneiras, afastadas da vida social, privadas de qualquer identidade.

Alguns líderes islâmicos interpretam o Corão como sendo requerido que a mulher use um lenço na cabeça, ou uma burca (niqab) na presença de um homem que não seja seu marido ou familiar próximo. “

Ver aqui.

Liberté, Equalité, Fraternité

Allez!

Artigos relacionados

Tags: , ,

18 Comentários

RSS Feed RSS de comentários a este artigo »
  1. Viva à revolução francesa! Nesta coisa da separação entre estado e igreja os franceses não brincam. Nem os filhos ou netos de emigrantes.

  2. Bato as palmas à luta de Sarkozy contra a subserviência à qual as mulheres devem estar sujeitas na religião islâmica, mas há aqui um senão: proibir as mulheres de usar uma coisa que elas querem usar não irá contra os direitos das mesmas?
    Apesar de eu achar o rebaixamento ao qual as mulheres islâmicas estão sujeitas uma bestialidade, e ser absolutamente contra o machismo, uma coisa é certa: muitas são as mulheres islâmicas que querem de facto ver a sua liberdade suprimida, que querem ser dominadas. Seja por gosto mesmo, ou por medo da punição divina, ou lá o que as move, mas… deveremos nós proteger as pessoas contra a sua própria estupidez?
    Claro que nos devemos impor quando as questões religiosas interferem com uma sociedade que não é totalmente composta por religiosos, mas este caso apenas interfere com as mulheres islâmicas, não com o resto da sociedade. A única maneira de as proteger seria salvá-las das suas famílias misóginas, mas isso não é de todo possível…

  3. “deveremos nós proteger as pessoas contra a sua própria estupidez?” SIM!!!! Completamente. É dever da sociedade civil proteger as pessoas delas mesmas.
    É por isso que é obrigatório usar cinto de segurança. Se fosse só pelo dinheiro que o estado gasta na despesas podia-se criar uma taxa de não utilização de cinto de Segurança.

    Em minha casa eu faço as minhas regras. O sarkozy foi eleito com o porta estandarte da intolerância à imigração que não se adapta.

    Quando estive em itália não entrei em igrejas de calções. Quando estive no egipto não entrei em mesquitas de cabelo à mostra. recuso-me a ir a qualquer país da península arábica porque terei de me sujeitar a regras que para mim são inaceitáveis. Mas se lá for acho que devo cumpri-las. Assim como respeito as regras das casas alheias ou cumprindo-as ou não indo a essas casas eu espero que em minha casa, quem lá entra, que respeite as minhas regras.

  4. Há ainda uma questão que ultrapassa o “sentimento religioso”.

    Desconheço a lei, mas andar de cara tapada no meio da rua devia ser proibido, a menos que haja uma epidemia de gripe. Se eu tivesse uma loja creio que barrava a entrada a quem me entrasse lá de cara tapada. Se eu fosse assaltante entrava numa joalharia de burka…

  5. Não sei quanto ao andar na rua mas é proibido conduzir mascarado ao ponto de não poderes reconhecer a pessoa. Acho que é uma coisa assim.

  6. Talvez o maior problema seja mesmo o caso de se andar de cara tapada, o que pode constituir alguma espécie de ameaça pública, mas então ele não deveria ter falado que a burqa oprime as mulheres (apesar de ser verdade), porque muitas delas são oprimidas porque querem. Estando elas num país livre como a França, com certeza que poderiam pedir algum tipo de apoio se se rebelassem contra o sistema instituído pela sua religião.

  7. Curioso que digas Isso Nuno. Muita mulher que começa a tentar ocidentalizar-se em comunidade muçulmanas quer em França quer em Inglaterra são ostracizadas pela família e comunidade, expulsas de casa, espancadas e sei lá mais o quê. Se isto não é uma forma de coacção para andar a dizer que o lenço é opção minha não sei o que é.

    Uma amiga minha trabalha de vez em quando com uma senhora muçulmana que usa sempre lenço. Ao fim de dois anos a trabalhar num país diferente daquele onde está a família apercebeu-se que o lenço era um disparate e agora mostra o seu lindo cabelo.

  8. Catarina,

    Que a França sempre foi o “laboratório social” da Europa, ninguém o discute.
    Mas este tipo de incoerências espantam-me.

    «Nesta coisa da separação entre estado e igreja os franceses não brincam.»

    Eu acho que andam a brincar, sim. A brincar com a liberdade.
    Uma coisa é não tolerar agressões e violências, como o apedrejamento e a mutilação genital feminina, que nunca podem ser admitidos ao abrigo da liberdade religiosa.

    Mas usar uma burka?
    Estás assim tão certa de que isso é proteger a liberdade das pessoas?
    E se fosses tu a querer usar a burka?

    É importante metermo-nos na pele dos outros, e tentarmos imaginar o que é ser muçulmana em França.

    Abraço,

    Bernardo

  9. Que fique aqui claro que eu estou muito preocupado com uma eventual “islamização” da Europa. É um fenómeno que mete respeito. E que eu não acho nada que os estados europeu se deixem subjugar pelas vontades dos muçulmanos que cá habitam como convidados (como os casos abusivos, noticiados no Reino Unido, das chamadas para a oração feitas no espaço público e aos altos berros, com megafones). Mas acho espantosamente incoerente que se defenda a liberdade, e ao mesmo tempo se impeça um imigrante de se vestir de acordo com a sua cultura e religião, algo que é da exclusiva vontade de quem usa tal roupa.
    Eu ficaria irritado se alguém me viesse dizer que eu não posso andar, por exemplo, com uma cruz ao peito. Ou se, sendo sacerdote, algum fanático me viesse dizer que o traje sacerdotal ofende o estado laico.

  10. Já agora, uma pergunta para os sabichões do estado laico. Um caso real… Eu tenho uma amiga minha que vive num mosteiro. Ela veste o hábito monacal desse mosteiro. Esse hábito tapa-a da cabeça aos pés, e esconde-lhe o cabelo. Poderá ela, num estado laico, vir à rua, para fora do mosteiro, fazer compras?

  11. Bernardo,

    A questão aqui não é a liberdade, é a falta dela. se não fosse o medo de represálias das comunidades que obrigasse estas mulheres a andar de lenço então eu seria a primeira pessoa a dizer “cada uma sabe de si”. O problema é que não é isso que se passa. Há de facto coacção. E acho que o sarkozi não está a falar da rua mas sim de escolas e coisas assim. mais ou menos como a Turquia tinha. O país mais secular do mundo nos anos 90. Agora já não é bem assim.

  12. Bernardo,

    “Que fique aqui claro que eu estou muito preocupado com uma eventual “islamização” da Europa.”

    Não se pode ceder em determinadas matérias em nome de politicamente correctos. Respeito pelas leis locais e costumes, acima de tudo.

    Tapar o cabelo é uma coisa, tapar a cara é outra. Não sou contra a exibição de véu em espaços públicos, mas é mau atender ou ser atendido por alguém que não consigo identificar (para o caso da cara estar tapada). Isso devia constituir crime ou conta-ordenação. E claro que acho que ninguém deve ser discriminado por causa dos seus adereços religiosos, mas considere-se que não devem piar quando obrigados pelas autoridades a tirá-los por questões de segurança- Aeroportos ou tudo o que tiver um check-in. Desde o véu muçulmano ao turbante sikh.

    Abraço,
    RJ

  13. Catarina,

    «A questão aqui não é a liberdade, é a falta dela. se não fosse o medo de represálias das comunidades que obrigasse estas mulheres a andar de lenço então eu seria a primeira pessoa a dizer “cada uma sabe de si”.»

    Estás assim tão certa de que são todas coagidas?
    É inegável que há mulheres muçulmanas que vivem em ambientes de grande pressão, e que há coacção. Mas onde está a fronteira? Eu acho que um primeiro passo seria falar com as pessoas, e tentar perceber se usam a indumentária porque querem ou não. Recordo-me de um documentário feito nos EUA, no qual se entrevistava uma muçulmana que gostava de usar o véu, e que o fazia por convicção. Ela deu várias razões, culturais e religiosas. E era solteira. O seu discurso passava a impressão de que era uma mulher culta, educada e independente.

    «O problema é que não é isso que se passa. Há de facto coacção. E acho que o sarkozi não está a falar da rua mas sim de escolas e coisas assim. mais ou menos como a Turquia tinha. O país mais secular do mundo nos anos 90. Agora já não é bem assim.»

    Repara que não encontras na minha pessoa um defensor do politicamente correcto, a achar que se deve dizer que sim a tudo o que os muçulmanos reivindicam, e cujo papel no Ocidente cresce de dia para dia. Eu tenho enorme receio dos avanços islâmicos. Apesar do maior respeito que merece o Islão, é uma religião expansionista. E não vai deixar de o ser. E é inegável que o extremismo está a ganhar força, e está a entrar pela Europa a dentro.

    Mas é tão triste defender a liberdade e, ao mesmo tempo, ter atitudes destas que são, no mínimo, contraditórias.
    Onde está a fronteira? Se uma mulher cristã quiser ir à missa de véu (algo perfeitamente tradicional no cristianismo), vai-se proibir? Repara que, lendo as palavras do Sarkozy, a argumentação também se aplica à mulher que vai à missa de véu. Em bom rigor, aplica-se à ex-mulher do próprio Sarkozy, que se bem me lembro, usava um véu aquando da visita do casal ao Papa.

    Ou seja, como é que se traça uma fronteira?
    O véu, se for em renda, pode-se usar? É o cobrir do corpo todo que é ilegal? Isto mais se parece com aquelas patetices de leis moralistas do passado, relativas à altura das saias, só que agora ao contrário. Passa-se da proibição do mostrar “demais” (sendo que o “demais” era definido pelos velhos burocratas moralistas) para a proibição do mostrar “de menos” (sendo que o “de menos” é agora definido pelos novos burocratas laico-moralistas).

    Haja paciência…

    Bernardo

    PS: Em rigor, todos devemos estar atentos a situações de violência doméstica. É obrigação de qualquer pessoa denunciar abusos psicológicos e coacções graves como a que referes. Esse tipo de acção concreta e objectiva protege muito mais as mulheres de abusos do que promulgar leis patetas…

  14. Rui,

    «Não se pode ceder em determinadas matérias em nome de politicamente correctos. Respeito pelas leis locais e costumes, acima de tudo.»

    Essa é boa.
    Isso é um princípio universal?
    Eu não discordo totalmente de ti, mas nota que há vários problemas. Apenas alguns…

    - devemos respeitar as “leis locais” que defendem a pena de morte em muitos países por esse mundo fora?
    - devemos respeitar as “leis locais” que prescrevem tortura e violências de todo o tipo contra prisioneiros?
    - e os costumes? Portugal é um país cheio de costumes cristãos. O que dizes disso? Ainda aplicas o “acima de tudo” nestes casos? Colocas os costumes cristãos em Portugal “acima de tudo”? ;)

    «Tapar o cabelo é uma coisa, tapar a cara é outra.»

    Bolas: estás a parecer-te com os tais moralistas do tempo da outra senhora. “Saia pelos tornozelos é uma coisa, agora saia a mostrar o joelho… é outra!”.

    «Não sou contra a exibição de véu em espaços públicos, mas é mau atender ou ser atendido por alguém que não consigo identificar (para o caso da cara estar tapada). Isso devia constituir crime ou conta-ordenação.»

    Hã??
    A que casos é que aplicarias isso?
    Aos palhaços do Xapitô?
    Aos mergulhadores?
    Aos mineiros com a cara coberta de fuligem?

    «E claro que acho que ninguém deve ser discriminado por causa dos seus adereços religiosos, mas considere-se que não devem piar quando obrigados pelas autoridades a tirá-los por questões de segurança- Aeroportos ou tudo o que tiver um check-in. Desde o véu muçulmano ao turbante sikh.»

    Concordo. Mas há soluções limpas para esses casos. Há, em todos os aeroportos, salas privadas para inspecções individuais. Nunca assisti a tal, mas deve ser pacífico para uma mulher muçulmana pedir para ser inspeccionada por outra mulher numa dessas salas.

    Abraço,

    Bernardo

  15. Bernardo,

    Quando me refiro a leis e costumes claro que me refiro ao mundo ocidental. Não se pode invocar uma “tradição” religiosa ou do seu povo para fazer algo acima da lei ou algo que vá contra as liberdades individuais. Mergulhadores, mineiros, palhaços etc são casos de gente que não cobre a cara voluntariamente em nome de uma tradição, não se confundam as coisas.

    Abraço

  16. Rui,

    O fundamental do que escrevi resume-se a isto: criar proibições de indumentária como fez o Sarkozy é tão violentador das liberdades como criar obrigações de indumentária.

    Acima de tudo, preocupam-me as crescentes restrições às liberdades individuais. Tudo em nome do progresso, dizem-nos. Tudo em nome dos direitos humanos, dizem-nos. Tudo a caminho (de novo) do totalitarismo de Estado.

    Em vez de proibir a indumentária (a burka), não seria melhor proibir (e perseguir) a violência doméstica e as pressões psicológicas que levam uma pessoa a vestir-se contra a sua vontade?

    O problema está no pano (ou na falta dele)?
    O que Sarkozy não entende, e pelos vistos muitos não entendem, é que o que subjaz a esta proibição da burka é precisamente o mesmo tipo de tique totalitarista que subjaz à obrigatoriedade da burka.

    As pessoas devem ser livres de escolherem a sua indumentária. Lutou-se por isso durante muitos anos. Não vamos deitar isso fora, só porque nos dá jeito (só porque não usamos burka, nem pensamos vir a usar).

    Repito: se uma mulher quer usar livremente a burka, e não o faz por pressões psicológicas ou físicas, eu não consigo conceber uma só razão decente para o proibir. Porque tenho a preocupação de procurar para ela o mesmo que quero para mim: LIBERDADE.

    Abraço,

    Bernardo

  17. Isto é ridículo e triste para a Europa… Deixo aqui esta opinião que é semelhante à minha:

    “As autoridades muçulmanas ao imporem a burka mostram falta de tolerância. Tal como as autoridades francesas o farão se vierem a proibir a burka.
    Mais irónico é este debate realizar-se à volta de uma questão de vestuário, precisamente o tema onde a liberdade de costumes se começou a expressar na contemporânea. Há cem anos não passava pela cabeça de ninguém que um homem sério saísse à rua sem chapéu e bengala ou que as damas mostrassem o tornozelo. Fardas e uniformes eram omnipresentes em todas as classes. Os filhos dessa geração afirmaram a sua autonomia precisamente pela sua aparência exterior. Cabelos compridos, roupa desalinhada, calças de ganga, minissaias pareceram como combates importantes no caminho da liberdade. Agora os franceses, ao proibirem a burka, pensam estar no mesmo combate. Mas as batalhas antigas eram contra as proibições, não pela imposição de novas proibições.”
    (João César das Neves, DN)

    Não é admissível que na Europa do séc. XXI as pessoas sejam proibidas de se vestirem como querem, sendo legislado o modo como as pessoas podem se vestir. Assim, não há Liberdade nem Igualdade.

  18. Bernardo,

    Esse ponto de vista é interessante se considerarmos que podemos estar a condenar essas mulheres a uma vida de reclusão doméstica. Fechadas em casa para não mostrarem a cara na via pública. Mas para outras pode começar a ser o início de uma certa liberdade, pois podem invocar a lei para se exporem um bocado, algo que não fariam de outra maneira por medo ou por causa da repressão social da sua comunidade.

    Ricardo Sá,

    Atenção que há limites à maneira de como as pessoas se podem vestir, a chamada “usurpação de uniforme”. E andar sem roupa na rua também tem os seus contras…

Deixe um Comentário

Você deve estar logado para enviar um comentário.