Quo Vadis?

quo vadis

Temos todos um certo horror ao vazio. À falta de causalidade. À falta de propósito. Talvez estes sentimentos tenham sido em tempos, uma característica importante para a sobrevivência.

Afinal, perceber porque acontecem as coisas, permite-nos prever de alguma forma o futuro, e ter também algum controlo sobre o que nos rodeia.

Rapidamente se conclui que a nossa necessidade de respostas, não se compadece com a sua ausência. É aqui que entra o pensamento magico e/ou mitológico.

Costumo pensar na humanidade, como algo comparável a um indivíduo. Uma espécie de repetição fractal a uma escala muitíssimo maior.

Colectivamente inventámos muitos deuses e muitas explicações sem suporte científico. Enquanto indivíduos, sobretudo quando muito jovens, temos a tentação de percorrer os mesmos caminhos da explicação fácil, da atribuição ao divino daquilo que não compreendemos.

Lembro-me de ter percorrido este caminho durante a minha infância.

Mais tarde, durante a minha adolescência, tive oportunidade de conhecer diversos pontos de vista, entre os quais o ateísmo.

Tive dúvidas, e o medo do castigo caso estivesse errado. Afinal, a igreja católica é excelente a passar a mensagem de que todos temos culpas e pecados.

À medida que fui progredindo na minha adolescência, a minha posição foi-se consolidando, e fui-me habituando progressivamente à ideia de que não tinha “um amigo” sempre a espreitar por cima do meu ombro, a “olhar por mim”.

Perde-se algum conforto, mas ganha-se muito em responsabilidade individual.

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