No mesmo dia em que morreu o Rei da Pop, Michael Jackson, um dos príncipes da Pop europeia surpreendeu com um artigo de opinião sobre a gravidade da influência das escolas de cariz religioso na Suécia.
Bjorn Ulvaeus, membro e co-compositor dos maiores êxitos dos Abba, disse no site The Local que “a protecção contra a doutrinação deveria ser um direito humano fundamental para todas as crianças”.
Este texto foi uma alegra surpresa para mim. Bjorn revelou-se bastante lúcido a apontar os problemas que podem surgir de uma educação religiosa, principalmente quando as escolas de cariz religioso tendem a criar uma imagem nas crianças de que há algo que os faz diferentes das crianças de outras escolas. Isto é assustador se pensarmos que um dos objectivos da escola é promover um sentimento de comunidade, onde todos têm os mesmos direitos independentemente da sua raça, classe social ou credo.
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“Brevemente surgirá «The First MachaelJacksonterian Church Of Michael Jackson The Divine» a fazer concorrência à The First Presleyterian Church Of Elvis The Divine.”
E à “Igreja Maradoniana” da qual devo dizer que sou um orgulhoso crente. Pelé foi o rei, mas Maradona é Deus.
Quanto ao Michael, acho que ele um dia ainda vai ser reconstruído…peça a peça.
Gosto de ver a movimentação anti-religiosa na Finlândia. Será que vai alastrar aos outros países Europeus, e quem sabe um dia (Oh belo dia!) chegar aos países do mediterrâneo?
Helder,
Em primeiro lugar, deixa-me que partilhe contigo o sentimento de anedota que eu sinto ao ler esta posição do ex-abba, sobretudo vindo de um país em que é preciso usar um microscópio para encontrar pessoas com fé ou com prática religiosa.
Mas adiante…
Preocupo-me sempre que me deparo com argumentos, vindos quase sempre de ateus, contra o ensino religioso. Não sei se é esse o teu caso, mas as tuas palavras dão a entender que sim.
Qual será o futuro do ensino religioso, segundo os teus moldes? Sugeres que tal ensino se torne proibido? Que ele só possa ser dado na clandestinidade?
«principalmente quando as escolas de cariz religioso tendem a criar uma imagem nas crianças de que há algo que os faz diferentes das crianças de outras escolas»
Mas é claro que isso acontece: se é ensino religioso, é dirigido para crianças educadas numa determinada religião, logo, nesse aspecto, diferentes das que não são educadas numa religião. Qual é o problema da diferença? Porque é que lês diferença como discriminação?
Há inúmeros aspectos ilógicos nesta campanha anti-ensino religioso:
a) presume-se que é razoável uma criança receber educação em matemática, línguas, geografia, etc, mas que uma criança adquiriria cultura sobre a sua religião como que por milagre, sem receber qualquer educação religiosa; como em todas as áreas, se a educação não é dada desde cedo, a aprendizagem não se dá no estado adulto
b) presume-se que o varrer da educação religiosa para fora da sociedade é um acto neutro: não é!
A remoção da disciplina de ERMC não é um acto neutro: é dizer à sociedade: não queremos cá disto! é dizer aos professores dessa disciplina que eles são “persona non grata”, e dizer aos alunos que nela se matriculam que as suas crenças não são toleráveis no ensino público
Abraço,
Bernardo
Caro Bernardo,
Penso que a posição do Sr Ulvaeus não é de banir a religião das escolas. Trata-se sim de banir a doutrinação. Existem locais próprios para a doutrinação e esses locais não são as escolas. Ele defende o estudo das religiões de um ponto de vista objectivo e eu penso que é esse tipo de abordagem que é desejável.
Os principais sistemas de crenças deviam ser apresentados em pé de igualdade e de uma maneira não tendenciosa e a posição humanista devia ser apresentada como uma alternativa a todas as religiões. Desta forma os jovens teriam acesso ao que é essencial para poderem escolher ( ou não) o sistema de crença com que mais se identificassem. O que se faz agora é equivalente a escolher por eles. É claro que isso não impede que mais tarde mudem de opinião, no entanto, na prática, isso só acontece raramente devido ao peso cultural da religião.
Cumprs
Bernardo,
“vindo de um país em que é preciso usar um microscópio para encontrar pessoas com fé ou com prática religiosa.”
Esta afirmação é interessante. Estamos a falar de um país com um dos maiores índices de desenvolvimento humano.
Onde as escolas, os hospitais, e a protecção social funcionam mesmo, não apenas no papel
Que seja necessário usar um microscópio para encontrar pessoas com fé num país assim, deixa-me muito contente.