Como os cultos operam lavagens cerebrais
Diane Benscoter passou 5 anos da sua vida (17 – 23 anos) dentro de um culto religioso. Nesta palestra, ela partilha a sua perspectiva pessoal sobre a mentalidade do culto e propões novas maneiras de pensar sobre os conflitos actuais e sobre os movimentos extremistas.
Do meu ponto de vista (ateu), a diferença de um culto e de uma religião é apenas uma questão de escala. Será mesmo assim?

Linque via sítio TED
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Caro João Carvas,
Não posso deixar de partilhar a minha total simpatia para com todas as pessoas abusadas psicologicamente por quem quer que seja. No entanto, o João está a tocar num tema complexo, e parece-me pela linguagem que usa (lavagem cerebral) que não está a par dos debates internacionais sobre o tema.
A questão da dita “lavagem cerebral” é polémica, porque essa expressão não é científica.
Estamos no domínio de duas ciências: a psicologia e a sociologia, e é boa atitude procurar o rigor científico.
Depois de anos de polémica, há um grupo considerável de investigadores e académicos que considera a expressão “brainwashing” como uma expressão não científica, ou seja, como uma expressão de algo nunca verificado experimentalmente.
Não estou a negar obviamente a coerção psicológica, a influência prejudicial de certos grupos sobre os seus membros. Estou apenas a dizer que a melhor opinião científica considera que um cérebro humano não pode ser “lavado”, no sentido em que entendemos a dita expressão polémica.
Encontra toneladas de material sobre esta polémica aqui: http://www.cesnur.org/testi/se_brainwash.htm
Abraço,
Bernardo
Alguns exertos interessantes:
«A case in point is precisely the distinction between religions and “cults”, based on the opposition between free will and mind control. Although in the wake of the Order of the Solar Temple this may have become more difficult in Europe than in the United States, scholars may point out that “crude” theories about brainwashing and mind control have been debunked by both social and psychological science. They should not be considered as empirically testable scientific theories, but rather as rhetorical tools used within the frame of counter-subversive political strategies. Scholars may promote a more sober reflection on aims and means.»
E esta parte é especialmente importante, uma vez que tem a ver com o tema que o João escolheu para este post:
«Although brainwashing and mind control as commonly understood by “crude” theories do not exist (while, of course, illegitimate pressures and influences are a reality), a number of illegal activities do exist among new religious movements and should be prosecuted. Common fraud, sexual harassment, manipulation of minors or persons with psychiatric problems, or false advertisement are something different from magical brainwashing techniques. They are however common felonies, and common criminal laws shall be enforced against new religious movements, or “old” religious movements, or anybody else.»
Retirado daqui: http://www.cesnur.org/conferences/BrainWash.htm
“They should not be considered as empirically testable scientific theories, but rather as rhetorical tools used within the frame of counter-subversive political strategies.”
Obviamente que a linguagem utilizada é coloquial, e tem objectivos precisos. Toda a gente sabe o que quero significar com “lavagem cerebral”, isto independentemente de o conceito ser considerado entre as neurociências.
É no grupo dos que fazem “contra-estratégia politico-subversiva” (anti-religiosa) que me incluo…
Cumprimentos
João,
Independentemente da tua “contra-estratégia politico-subversiva (anti-religiosa)”, parece-me sensato que possamos (entre crentes e ateus) usar a linguagem séria e neutra da ciência.
E se fica mal ao crente demonstrar ignorância científica, ou proclamar barbaridades científicas, também fica mal ao ateu agarrar-se a conceitos não científicos, a reboque de objectivos estratégicos.
Falo por mim: de forma transparente, promovo o cristianismo como verdadeiro e procuro refutar alguns dos dogmas ateus, mas nunca usaria pseudo-ciência para o fazer.
“Lavagem cerebral” é um desses termos “pseudo-ciência”.
Nomeadamente, no contexto católico, um caso do uso desta pseudo-ciência é bem conhecido: as guerras que os “anti-cult” movem contra o Opus Dei. Eles usam os tribunais para tentar atacar o Opus Dei, invocando o conceito de “brainwashing”. Depois, entra no tribunal o psicólogo, ou o sociólogo, e entorna-se o caldo, porque tanto um como outro não aceitam esse termo como científico.
É guerra suja…
Bernardo