O ayatollah Ali Khamenei, (finalmente) ao fim de quase uma semana de confrontos e manifestações, veio a público apoiar incondicionalmente Mahmoud Ahmadinejad. Como primeira figura do Estado, tenta também pôr travão à instabilidade política vivida nas ruas do Irão, onde foram frequentes casos de violência contra manifestantes pró-Mousavi, registando-se quinze mortes nesta semana.
«”O povo escolheu quem quis” para a presidência do Irão (…) A pressão da rua não levará o regime a satisfazer “exigência ilegais” dos candidatos derrotados (…) “O braço-de-ferro na rua é um erro, quero que termine.” (…) “A eleição testemunhou a confiança do povo no regime” (…) “Os resultados têm de vir das urnas, e não da rua” (…) Khamenei avisou que os candidatos da oposição, que estão a incentivar os protestos, serão considerados culpados por qualquer banho de sangue que venha a ocorrer, e que será uma consequência do seu extremismo.»[Público]
O actual Presidente é o candidato que mais se enquadra nas ideias do Conselho dos Guardiães da República Islâmica e uma garantia do status quo a nível de costumes, coisa que grande parte da população mais jovem tentou mudar através do voto (para além das muito importantes política externa e economia).
«Quanto às acusações de centenas de irregularidades lançadas pelos rivais de Ahmadinejad, o ayatollah garantiu que a República Islâmica nunca permitiria que houvesse fraude eleitoral.»
Clérigos mais moderados com intenções reformistas têm manifestado o seu apoio ao candidato derrotado. O que resta saber é o que pode acontecer à Revolução Islâmica caso haja novo escrutínio (pois as próprias autoridades já admitiram irregularidades) e se confirme uma vitória de Mousavi. Caso tal aconteça com uma completa inversão nas urnas a nível de resultados, o líder supremo ficará (se não o está já) descridibilizado. Wait and see…
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Rui
Aproveito o teu artigo para deixar aqui uma opinião de Christopher Hitchens sobre este assunto:
“Iran and its citizens are considered by the Shiite theocracy to be the private property of the anointed mullahs. This totalitarian idea was originally based on a piece of religious quackery promulgated by the late Ayatollah Ruhollah Khomeini and known as velayat-e faqui. Under the terms of this edict—which originally placed the clerics in charge of the lives and property of orphans, the indigent, and the insane—the entire population is now declared to be a childlike ward of the black-robed state.”
Assustador.
Apenas me admira o facto de os deixarem votar…
O Irão, um país de bloggers
http://dekku.nofatclips.com/2009/06/iran-nation-of-bloggers.html
A blogosfera é um instrumento para a cidadania no mundo ocidental, e para muito mais em ditaduras. É engraçado ver como o Twitter e o Blogger foram importantes na passada semana…