Fala o Supremo Líder

O  ayatollah Ali Khamenei, (finalmente) ao fim de quase uma semana de confrontos e manifestações, veio a público apoiar incondicionalmente Mahmoud Ahmadinejad. Como primeira figura do Estado, tenta também pôr travão à instabilidade política vivida nas ruas do Irão, onde foram frequentes casos de violência contra manifestantes pró-Mousavi, registando-se quinze mortes nesta semana.

«”O povo escolheu quem quis” para a presidência do Irão (…) A pressão da rua não levará o regime a satisfazer “exigência ilegais” dos candidatos derrotados (…) “O braço-de-ferro na rua é um erro, quero que termine.” (…) “A eleição testemunhou a confiança do povo no regime” (…) “Os resultados têm de vir das urnas, e não da rua” (…) Khamenei avisou que os candidatos da oposição, que estão a incentivar os protestos, serão considerados culpados por qualquer banho de sangue que venha a ocorrer, e que será uma consequência do seu extremismo.»[Público]

O actual Presidente é o candidato que mais se enquadra nas ideias do Conselho dos Guardiães da República Islâmica e uma garantia do status quo a nível de costumes, coisa que grande parte da população mais jovem tentou mudar através do voto (para além das muito importantes política externa e economia).

«Quanto às acusações de centenas de irregularidades lançadas pelos rivais de Ahmadinejad, o ayatollah garantiu que a República Islâmica nunca permitiria que houvesse fraude eleitoral.»

Clérigos mais moderados com intenções reformistas têm manifestado o seu apoio ao candidato derrotado. O que resta saber é o que pode acontecer à Revolução Islâmica caso haja novo escrutínio (pois as próprias autoridades já admitiram irregularidades) e se confirme uma vitória de Mousavi. Caso tal aconteça com uma completa inversão nas urnas a nível de resultados, o líder supremo ficará (se não o está já) descridibilizado. Wait and see…

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