N=R* x fp x ne x fl x fi x fc x L
Frank Drake é o conceituado criador da Drake Equation, uma equação que tenta estimar qual o número de espécies que sejam inteligentes e capazes de produzir tecnologia que permita falar com os vizinhos estrelares.
A equação é a seguinte:
N=R* x fp x ne x fl x fi x fc x L
Onde R* é a média da formação de estrelas por ano na nossa galáxia
fp é a fracção de estrelas que têm planetas
ne é o número médio de planetas que possam suportar vida
fl é a fracção daqueles planetas que possam desenvolver vida
fi é a fracção de planetas que desenvolvam vida inteligente
fc é a fracção de civilizações que desenvolvam tecnologia suficiente para emitir sinais para o espaço
e L é a quantidade de tempo que demora a uma civilização ter a capacidade de emitir esses sinais para o espaço.
Drake foi entrevistado pela revista Spiegel, e Frank acredita que há razões para se ser optimista. Deve haver, na opinião dele, civilizações extraterrestres capazes de ter maturado para além do seu estado primitivo, superado uma hostilidade inicial, adoptado sistemas de cooperação para sobrevivência e florescido como civilização.
Mas para Drake o problema é se um dia, um encontro entre a raça humana e essa raça extraterrestre possa ser um encontro entre duas raças cheias de ilusões e enganos
Drake: Na verdade, um dos meus piores pesadelos é que encontremos um sinal de extraterrestres que não seja mais do que um anúncio religioso.
SPIEGEL ONLINE: Porque seria isso um pesadelo?
Drake: Eu quero aprender de uma civilização avançada mais do que a capacidade que essa civilização tem para acreditar em coisas sobrenaturais. Religião é uma parte importante da cultura, mas pode não ser a melhor maneira de aumentar a qualidade de vida de uma civilização. Pode ser que a religião desses seres seja uma boa religião, mas eu duvido.
SPIEGEL ONLINE: Parece que você não é uma pessoa religiosa.
Drake: Eu não sou uma pessoa religiosa.
Para além do facto interessante e agradável que outro dos grandes pensadores do nosso tempo ser não religioso, o medo de Frank é bastante interessante.
Se pensarmos nas religiões do nosso planeta, se houvesse uma delas (que viesse das origens do fenómeno religioso) que tivesse juntado evangelização e promoção da tecnologia, podia ser que fossemos nós, neste momento, a “bater à porta” dos nossos vizinhos de galáxia a tentar salvar as suas “almas”.
Faz-me lembrar um episódio de South Park que podem ver aqui
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A equação do Drake é muito interessante.
Atrevo-me a dar o meu palpite de ignorante nestas matérias estelares e cósmicas (e filosóficas, claro está).
Ninguém contesta que “R*” é um valor muito alto…
“fp” pode ser um valor baixo, mas considerável…
“ne” pode ser um valor ainda mais baixo, mas decente…
Agora… enquanto que os anteriores dificilmente serão ZERO, devido à dimensão do Universo…
“fl” pode ser exactamente ZERO (excluindo a Terra)
(deixa-me precisar que “fl” será, em vez do que dizes, a fracção daqueles planetas que, podendo suportar vida, incluídos em “ne”, a desenvolveram em qualquer estádio – senão, se “fl” fosse como a descreves, haveria um “vazio” na equação de Drake: para onde iriam os planetas que cumprissem “ne” e “fl”, mas que não tivessem desenvolvido vida inteligente para cumprirem “fi”?)
Se “fl” for zero, “fi” é forçosamente zero.
Se “fi” for zero, então “fc” é forçosamente zero e “L” é forçosamente infinito.
Por isso, parece-me que a separação crucial, na equação de Drake, está em “fl”, em saber se há vida fora da Terra. Essa questão está totalmente em aberto. Há quem aplique, sem provas científicas, o darwinismo à cosmologia, e assuma que a evolução, porque é uma força necessária em biologia (ou seja, quando já há vida em coexistência), tenha que ser verificada um pouco por todo o Cosmos, porque a matéria inanimada estaria destinada a dar sempre origem, nas devidas condições, e no devido tempo (Iongo), à vida.
Parece-me que esta extrapolação do darwinismo para todo o Cosmos é “wishful thinking”, que ultrapassa o estritamente científico.
Não tenho especiais problemas, enquanto cristão, com o conceito de vida extra-terrestre. Mas acho que a discussão deve centrar-se em “fl”, na questão central da biogénese, do surgimento da vida. É inevitável, nas devidas condições? Ou melhor, essas condições são suficientes para surgir a vida? Como se as condições fossem as próprias causas únicas do surgimento da vida? É a biogénese um fenómeno puramente natural, ou seja, com causas puramente naturais? Se sim, como é que se produz?
Não há prova científica para a tese de que a biogénese só tem causas naturais.
O cientista diz (e bem) que o método científico só permite causas naturais.
E se a biogénese não for um fenómeno puramente natural? Ou seja, melhor dizendo, puramente material?
Aí, a porca torce o rabo…
O cientista materialista diz que a biogénese só pode ser um fenómeno natural, porque segundo as suas convicções, não há fenómenos sobrenaturais.
Enquanto que o cientista crente, que sabe bem que o método científico apenas se aplica a fenómenos naturais, teria que admitir, razoavelmente, que a biogénese é um daqueles fenómenos tramados para a Ciência, que pode ter simultaneamente causas naturais e causas sobrenaturais. Eu acho que é esse o caso: que a biogénese tem causas metafísicas (causas finais e causas formais) e causas físicas (causas eficientes e causas materiais). Foi o que a boa velha escolástica sempre explicou e ensinou, antes de uma maltosa filosoficamente ignorante ter declarado, lá por volta do século XVII, e sabe-se lá porquê, que a escolástica deveria “rolar”, como as cabeças nos cadafalsos da Revolução…
Um abraço,
Bernardo
“Parece-me que esta extrapolação do darwinismo para todo o Cosmos é “wishful thinking”, que ultrapassa o estritamente científico.”
Bernardo, Esta foi a frase mais bonita que lhe li.
Catarina,
«Bernardo, Esta foi a frase mais bonita que lhe li.»
Obrigado!
Mas ora bolas, não se pode largar um comentário destes sem explicar!
Fico babado! Mas gostava de perceber porquê, esse comentário.
Já agora, aproveito para fazer uma correcção ao que escrevi:
«Se “fi” for zero, então “fc” é forçosamente zero e “L” é forçosamente infinito.»
Está visto que a coisa está mal explicada. O que eu deveria ter escrito é que se “fi” for zero, então “fc” é forçosamente zero e “L” deve desaparcer da equação. Senão, a equação ficaria com uma indeterminação matemática (0 x Inf).
Abraço!
Bernardo
“Parece-me que esta extrapolação do darwinismo para todo o Cosmos é “wishful thinking”, que ultrapassa o estritamente científico.”
e depois…
“Eu acho que é esse o caso: que a biogénese tem causas metafísicas (causas finais e causas formais) e causas físicas (causas eficientes e causas materiais). ”
Em qual das frases há mais “wishful thinking”???
Nota inicial:
Curiosamente, este artigo não se consegue ler com o Internet explorer (ou será da versão do Java?)
Como não tinha o Firefox nesta máquina, só agora consegui lê-lo assim como os comentários.
Caro Bernardo Motta,
Apreciei ler a sua correcção:
«Está visto que a coisa está mal explicada. O que eu deveria ter escrito é que se “fi” for zero, então “fc” é forçosamente zero e “L” deve desaparcer da equação. Senão, a equação ficaria com uma indeterminação matemática (0 x Inf).»
Mas na verdade, existe uma outra incorrecção na sua análise.
Se reparar bem, verificamos que:
fl >= 1, fi >= 1 e fc >=1
Ou seja, existe pelo menos um planeta bem conhecido onde a vida se desenvolveu para formas inteligentes que criaram uma civilização capaz de emitir sinais para outros sistemas estelares: A Terra.
Por outras palavras: A fórmula de Drake pretende ser aplicável a toda a nossa galáxia o que inclui naturalmente o nosso planeta e o nosso Sol.
Assim, no mínimo – e tal como afirmam muitas religiões que por aí andam – poderemos admitir que:
fl = fi = fc = 1
O que pode ser interpretado como estarmos sozinhos neste Universo de três formas possíveis e com os respectivos valores fronteiros para L:
- Somos os únicos, com L = 13,7E9 anos
- Somos os primeiros, com L > 13,7E9 anos(*)
- Somos os últimos, com L < 13,7E9 anos
Nota(*) – De acordo com os resultados até agora algo decepcionantes do projecto SETI,
http://www.space.com/searchforlife/seti_arecibo_page.html
tudo indica até agora que, se estivermos sozinhos, é porque somos a primeira civilização da nossa galáxia(**) que considera interessante a comunicação por ondas electromagnéticas nas frequências correspondentes às riscas de absorção do Hidrogénio, já que esta será a opção óbvia por parte de qualquer inteligência tecnológica pois são as frequências menos sujeitas a interferências naturais no espaço.
Nota(**) – O termo “nossa galáxia” foi aqui utilizado propositadamente por mim de forma abusiva, pois na verdade o projecto SETI ainda não “escutou” a galáxia toda. Explicando melhor:
A ideia de começarmos a “escutar” a galáxia nasceu há quase 50 anos com o início do projecto Ozma que se veio a concretizar no projecto SETI no rádio telescópio de Arecibo.
http://www.space.com/searchforlife/seti_arecibo_page.html
Como este rádio-telescópio é fixo e está localizado próximo do equador terrestre, apenas permite prescrustar uma fatia do céu à volta do nosso plano da elíptica que, felizmente, por não coincidir com o plano da elíptica da Via Láctea, acaba por nos permitir cobrir ao longo do ano uma fatia larga onde todo o interior da nossa galáxia é pesquisado.
Como a luz se propaga a 3E8 m/s, apenas “escutámos” até agora no nosso referêncial espaço-temporal, um bolha achatada – ou melhor, uma espécie de donut sem buraco – com um raio máximo de 4,73E14 Km.
Ora como a nossa Via Láctea possui um raio de 15000 parsecs (pc) e nós estamos a cerca de ¾ do centro (~7,2 Kpc), apenas ainda só “escutámos” cerca de 1% da galáxia.
Quero com tudo isto dizer que, se por exemplo uma civilização como a nossa surgisse na posição diametralmente oposta da Via Láctea também a 7,2 Kpc do centro e ao “mesmo tempo” que a nossa, somente a iremos escutar – ou ela nos irá escutar a nós – dentro de cerca de 47 mil anos.
Há portanto ainda muito trabalhinho pela frente e só podemos classificar como muito prematura essa história de nos considerarmos os primeiros … para não falar da conjectura ainda mais estranha e ainda muito mais complicada de explicar que consiste em nos considerarmos os únicos aglomerados de lixo radioactivo da fusão estelar a tentar racionalizar o que nos rodeia…
Cumprimentos
Abraão Sivus
Caro Bernardo Motta,
Clarificado o ponto anterior, venho agora explorar um pouco mais a questão do valor de fl que é verdadeiramente o seu ponto proposto em análise:
Mas antes de enveredar por esse ponto mais sensível do ponto de vista científico, sinto necessidade de o auscultar sobre outras questões de base para podermos doravante desenvolvermos de forma produtiva o nosso debate.
Desafiei-o em tempos a explicar melhor a sua visão particular das leis da termodinâmica que justificariam a inexistência dos nódulos de ordem que sabemos existirem em sistemas abertos e que justificam a existência da vida, mas ignorou-me.
Já me encontro um pouco farto de que o caro Bernardo Motta e o nosso caro Alfredo Dinis invoquem razões transcendentais para tentar explicar o inexplicável.:
Ora é porque não entendemos os propósitos da divindade, ora porque esses propósitos não são acessíveis à nossa compreensão limitada, ora porque afirmam que o sobrenatural se encontra de alguma forma fora do alcance do nosso laboratório natural que é a Natureza.
Tudo tretas balofas!
Antes de mais, para perceber como vê a interferência das alegadas causas sobrenaturais nos efeitos naturais – e até porque sabemos que é engenheiro – esclareça-nos:
- Imagine que estamos nas instalações do Sudbury Neutrino Observatory, em Ontário, Canadá – onde qualquer flutuação dos valores presentes de energia (ou de massa) é rigorosamente registada.
Se o sobrenatural se manifestasse neste laboratório, iria com certeza ser detectado.
Se sim, porquê?
Se não, porquê?
Só assim conseguirei ter uma ideia aproximada do que para si é o sobrenatural e como ele se manifesta na Natureza ou no universo natural.
Já agora, se optar pela segunda opção, esclareça-nos porque é que se um efeito natural com causa sobrenatural não é detectado em laboratório mas alegadamente já será detectado pelas glóbulos oculares ou pelo cérebro de videntes sem variações de energia detectáveis.
Já lá vão os bons velhos tempos em que a divindade criava e destruía universos, acendia e apagava estrelas, lançava trovões, provocava terremotos e fazia chover…
Depois de uma curta fase em que apenas ficou temporariamente responsável pelo desenho dos códigos genéticos das florzinhas e de outras coisas que se mexem, agora, com o avanço do conhecimento científico, não passa de uma coitadinha –– pois parece que apenas lhe resta apresentar sinais débeis – palavras do bispo Carlos Azevedo – tais como fazer voar óstias pelo ar e radiar fotões de fogos de Santelmo – tudo abaixo dos 0,5 wats.
Qualquer causa sobrenatural com efeitos no mundo natural (acréscimos/decréscimos de energia/massa) é perfeitamente mensurável no mundo natural.
Se não o é, explique-nos porquê sr. engenheiro, já que o Bispo Carlos Azevedo demonstrou que não percebe nada de fazer contas.
Depois dos esclarecimentos, talvez já possamos debater sobre o “fl” de fórmula de Drake sem a contaminação do tal “wishful thinking”.
Cumprimentos
Abraão Sivus
Nota correctiva importante:
Antes de ser crucificado – e com razão – por aqui, devo esclarecer que quando digo que as fracções fl = fi = fc = 1 , quero dizer mais correctamente que correspondem a 100% dos planetas quando consideramos Ne = 1 – tal como afirmam numerosas religiões quanto ao propósito da existência do Universo ser simplesmente para nosso usufruto e é nesse contexto que deverão ser interpretados como valores mínimos.
Para fazermos simulações com a fórmula de Drake sugiro o link:
http://www.activemind.com/Mysterious/Topics/SETI/drake_equation.html
Abraços a todos
Abraão Sivus