Deixem-me rir!

Independentemente do que se pense desta disciplina, um professor de outra área dita “normal” tem de se sujeitar a concurso para ser colocado em determinada escola e zona do país. Estes apenas esperam pela colocação ordenada pelo bispo.

«Os professores de moral ameaçam contestar em tribunal as novas ordens do Ministério da Educação. Ordens estas que, acusam, limitam a sua actividade escolar a esta disciplina, impedindo-os de dar aulas de outras áreas e de participar na gestão da escola, como até agora.  (…)

Há mais de três anos que Governo e Igreja discutem a educação religiosa na escola pública. Os católicos acusam a tutela de empurrar as aulas para horas “que levam os alunos a desistir, como antes do início das aulas ou ao final do dia”. No ensino básico, diz Jorge Paulo, “a maioria das escolas nem disponibiliza esta disciplina” (…)

Em causa está o estatuto destes professores. “Só podem dar outra disciplina ou ter um cargo na escola quando o horário não estiver totalmente preenchido com aulas de moral.” Para a CEP, isto é uma forma de limitar os professores às aulas de moral e “impedi-los de participar na gestão activa da escola, o que não acontecia”» [DN]

Quem é colocado e não se sujeita a concurso está a discriminar por si só os colegas de outras áreas. Pior ainda se insistir em dar aulas de outras matérias na escola onde foi colocado (independentemente da competência). Uma coisa será concorrer para dar aulas de Português ou Matemática numa escola tal como todos os outros docentes fazem, aproveitando algumas horas do seu horário para dar EMRC. Outra é ser colocado como professor de EMRC numa escola e dar ao mesmo tempo umas aulas de outra cadeira. Parece-me que um outro colega que se sujeita a concurso fica de fora

Um “supônhamos”,

O que é que aconteceria neste país se os professores de matemática (e quem diz matemática diz português, ciências,…) fossem colocados nas escolas apenas por indicação da Associação que os rege, enquanto que os outros se sujeitam a concurso? Não iam logo os docentes de outras áreas queixar-se ao ministério? Mas não, estes são “especiais”!

Não esquecendo que num Estado laico não há (teoricamente) lugar para o ensino religioso, não é tempo de pensar que a EMRC não tem lugar num país onde três quartos dos católicos não põe os pés na missa, estando-se bem nas tintas para a doutrina da Igreja e onde a sociedade está cada vez mais secularizada? E nem falo só de quanto fica ao erário público a manutenção desta cadeira nos quadros de escolas que são pagas por todos nós, mas também do facto de ser uma herança do Estado Novo muito influenciado pela ICAR…

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