Sikivu Hutchinson é a editora de blackfemlens.org e uma ateísta convicta.
Sikivu deixa-nos a sua opinião sobre como é ser uma mulher de raça negra, ateísta e orgulhosa, naquele que é o país de evangelismo branco protestante (o texto pode ser lido na integra aqui)
“De acordo com o New York Times, um pequeno, mas crescente segmento da população Americana, galvanizada pelo clima hiper-evangélico promovido pelo Partido Republicano têm se organizado a nível nacional para se tornarem mais visíveis no seu ateísmo.
Apesar de os Afro-Americanos não serem visíveis nesse “movimento”, alguns estão a afastar-se da religião. Para ateístas negros, afastar-se activamente de uma tradição religiosa é ainda mais uma afronta quando comparado com os intelectuais brancos que foram electrificados pela retórica ateísta de gurus como Christopher Hitchens ou Richard Dawkins.
Isto é em parte devido à história de direitos humanos e civis de Afro Americanos ser fortemente enraizada em dogmas Judaico-Cristãos.
Independentemente das acções, caminho escolhido ou traços de personalidade, ser-se inquestionavelmente religioso em certos ambientes é estar isento de criticismo. Atento a esta ironia histórica, no seu blog, The Black Atheist, Wrath James White explica-nos que “em certas comunidades negras pode-se encontrar mais tolerância para membros de gangs, viciados em droga e prostitutas que pedem a Deus perdão, do que para cidadãos honestos e cumpridores que acontece não acreditarem em Deus.
Enquanto tem havido criticas positivas sobre os Afro Americanos terem adoptado Cristianismo no contexto de conquistas Europeias e escravatura, poucos propõem que o ateísmo seja uma opção válida. No meio de brutalidade extrema, fé religiosa pode ser vista como uma forma de manter saúde mental.
Desta forma, religiosidade contemporânea em comunidades negras é o legado de uma cultura específica baseado numa estratégia de sobrevivência. Muitas comunidades negras continuam a olhara para a igreja como um parceiro e um recurso. Assim, e de uma forma consensual, a igreja é vista, de uma forma não crítica, como o “suporte” dessas comunidades.
Imagens de mulheres negras a levarem as suas crianças para as igrejas e a inicia-las no Cristianismo é uma imagem proeminente na cultura negra. Se ser-se negro e Cristão são sinónimos, então ser uma mulher negra e religiosa é quase obrigatório. Mulheres negras com filhos que não sigam a linha doutrinária, e que queiram educar os seus filhos como ateístas, podem ver as suas credenciais raciais revogadas.
Assim sendo, naquela que é a mais liberal das nações, afirmar-se como um ateísta, no meio de uma parada de dogmas religiosos que servem como substitutos para uma verdadeira moralidade, pode ser a última fronteira. ”
E em Portugal, como é?
Outros artigos relacionados: