José Saramago, único prémio Nobel da literatura em língua portuguesa, deslocou-se em Dezembro do ano passado ao Brasil para lançar o seu romance “A Viagem do Elefante” da Companhia das Letras. Participou também nas comemorações de 50 anos da Ilustrada, apresentando algumas opiniões no Teatro Folha, entre as quais as sobre crenças.
Vídeo: José Saramago sobre crenças
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Vivemos num universo que não tem piso, teto e nem paredes laterais. Dentro desse colossal espaço ocupado por centenas de milhões de galaxias, que são fragmentos (De uma tambem colossal explosão) espalhados de forma arbitrária no vazio do cosmos, nao se pode acreditar que um ser abstrato circule por toda a imensidão, coordenando a posição dos planetas, meteoros, cometas e tantos outros corpos celestes.
Saramago, Dawkins, ainda bem que voces existem.
Caro Elivaldo,
Não se pode acreditar num tal ser. É uma questão de inteligência. Eu também não acredito, porque sou cristão.
Saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo,
Satisfaz a minha curiosidade, por favor. Quando, nos encontros entre colegas, afirmas o Deus em que acreditas, existem muitas discordâncias com os teus parceiros de credo? Se sim, também lhes dizes que não se pode acreditar em tal ser? Como é que eles reagem? Nunca nenhum deles te acusou de não seres cristão (pelos menos não concepção deles)?
Um abraço.
Caro Helder,
O deus de que se fala habitualmente neste portal, bem como nos vídeos e nos livros aqui recomendados corresponde a uma imagem ‘popular’ e ‘ingénua’. A minha concepção de Deus é a concepção comum dos cristãos que já há muito superaram esta imagem. Pensa, por exemplo, nos jovens da minha comunidade que conheceste no mês passado. Creio que os ateus, incluindo Saramago, têm um discurso que nos ‘passa ao lado’, a nós cristãos não ingénuos, como nos passaria ao lado um discurso que criticasse muito ‘a sério’ a existência do Pai Natal, pressupondo que haja adultos que acreditam nele. As crianças talvez ainda acreditem nele. Talvez até mesmo alguns adultos ingénuos. Mas não podemos pressupor que oa adultos em geral têm uma imagem ingénua do Pai Natal. Algo de semelhante se passa com as críticas a Deus e à crença religiosa que leio e oiço aqui, por exemplo no vídeo de Saramago, para mim tão deprimento como os de Dawkins. Saramago limitou-se a fazer afirmações comuns aos não crentes, já ouvidas dúzias de vezes. Afirmações que as pessoas aceitam acriticamemnte como as de Dawkins e outros, o que me deixa ‘arrepiado’. Tenho amigos ateus que me dizem que nem vale a pena falar do último livro de Dawkins, tão fraquinho o consideram. .. Sinto-me mais em sintonia com estes, porque os vejo capazes de manter alguma distância crítica mesmo em relação a obras e afirmações de não crentes. Aplaudo em geral o Papa Bento XVI, mas não tenho nnehum problema em manifestar a minha discordância em relação a alguma das suas afirmações sempre que me parecer que devo discordar delas. E não teria nenhuma dificuldade em lhe manifestar pessoalmente as minhas discordências, não tendo qualquer receio de ser excomungado. O mesmo se diga em relação aos bispos. É esta a Igreja em que vivo, mas não me parece que é esta a Igreja de que se fala neste portal!
O que eu vejo nos não crentes em geral, e certamente nos que se pronunciam no portal ateu é uma atitude de crítica destrutiva – e a meu ver acrítica – em relação à religião, e uma aceitação também acrítica de tudo o que apareça escrito ou dito contra a religião. Eu aceito, e agradeço, as críticas inteligentes, objectivas e informadas ao cristianismo, uma vez que eu próprio e os cristãos em geral também fazemos críticas ao que ouvimos, vemos e lemos no interior da Igreja Católica. Essa atitude crítica não a vejo da parte dos não crentes em relação aos discursos ateus. Fico sempre com a impressão de que vale tudo, desde que seja contra a religião. Esta radicalidade pode passar por ser uma grande ‘virtude’. Não a considero como tal.
Caro Helder, espero que não te incomodes com a minha sinceridade. A tua abertura de espírito no contexto deste portal encorajou-me a ser claro e transparente.
Um abraço,
Alfredo Dinis
Alfredo,
“O deus de que se fala habitualmente neste portal, bem como nos vídeos e nos livros aqui recomendados corresponde a uma imagem ‘popular’ e ‘ingénua’”.
Portanto, das duas uma: ou o Alfredo Dinis teve uma revelação especial acerca daquilo que o “verdadeiro Deus” é – e não a quer ou consegue partilhar, ou então, terá de explicar melhor quem ou o que é esse “Deus elitista e sofisticado” para que o possamos discutir em vez do “Deus popular e ingénuo”. Da minha parte, já o interpelei por várias vezes, mas as respostas são evasivas ou refutáveis.
“O que eu vejo nos não crentes em geral, e certamente nos que se pronunciam no portal ateu é uma atitude de crítica destrutiva – e a meu ver acrítica – em relação à religião, e uma aceitação também acrítica de tudo o que apareça escrito ou dito contra a religião”. Então, queremos ser esclarecidos Alfredo! Quem é o teu Deus???
Pois…
Eu acho que esse tem sido o problema do Alfredo Dinis até agora: ninguém sabe no que ele acredita; mais: eu acho que nem ele mesmo sabe no que é que acredita. Isso talvez se deva à estratégia retórica que ele tem utilizado para defender (e não espalhar) a sua fé: a “via negativa”.
Para o Alfredo, chega-se a um conceito do “seu” Deus através de tudo aquilo que ele “não é”: Deus não é finito, não é apreensível temporalmente, não é manifesto fisicamente, não é isto, não é aquilo…no fundo, é uma fuga ontológica “à la Anselmo”.
A coisa torna-se assim, bastante curiosa: na prática, Alfredo Dinis não é um teísta: é um “a-ateísta”!!
Por isso, vamos lá ver se ele “sai do armário” e responde aqui a umas quantas perguntas, esclarecendo-nos acerca do seu catolicismo (?) e acerca da sua interpretação do Credo de Niceia:
1 – Jesus “para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo”. De que é que achas que precisamos ser salvos Alfredo? Achas que o temos sido?
2 – “Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras”. Acreditas na ressurreição de Jesus ao terceiro dia? Ressurreição em corpo ou em “espírito”?
3 – “E subiu aos céus, onde está sentado à direita de Deus-Pai”. Achas que “subiu” literalmente? Achas que se “sentou” literalmente” à direita de “Deus-Pai”? Para quê?
4 – “E de novo há-de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos”. Acreditas na Parousia? Sob que forma? Acreditas na vocação de Cristo -Juiz?
5 – “Professo um só baptismo para remissão dos pecados”. Na tua ideia, o que acontece a quem peca? Acreditas no conceito “Inferno”? Em que termos? Acreditas na entidade “Satã”? Acreditas no Apocalipse?
É óbvio que estas perguntas são apenas uma introdução primária e puramente retórica. No domínio da historicidade de Jesus, da interpretação Bíblica ou na legitimidade da Igreja enquanto instituição representante de uma mensagem divina, teríamos bastante mais para debater – pois analisando profundamente estas áreas, facilmente se chega à constatação que Deus é pura ficção.
Cumprimentos.
Caro Alfredo,
O Lucas Samuel, no seu próprio estilo, já disse muito do que eu queria dizer. Mas eu diria um pouco mais: pela maneira como negas o tal Deus do imaginário popular cristão, eu, que não gosto nada de etiquetas, atrevo-me a chamar-te de cristão panteísta, o que não me soa nada bem!
Já agora, e porque é o tema da temporada corrente, achas que D. Nuno teve responsabilidades na cura que lhe atribuem ou não?
Um abraço.
Ilustre Alfredo:
” Não acreditar em tal ser, é uma questão de inteligência “.
Concordo Alfredo. Concordo plenamente.
Agora, a dúvida bem maior que tenho é, será que a inteligência pode levar alguem a cristo, dito filho do sêr abstrato?
Caro Lucas,
O Deus em quem acredito revelou-se em Jesus Cristo e nas suas palavras tal como as lemos no Novo Testamento. A minha fé nada tem de evasiva, abstracta, sofisticada. É a fé do comum dos cristãos que não se limitam a ver em Deus uma fonte de medo e de castigos, por um lado, ou de vantagens práticas e interesseiras por outro. A minha relação com Cristo é uma relação pessoal que me dá serenidade e paz, me compromete pelo mundo em que vivo no sentido de investir as minhas energias e competências na edificação de um mundo baseado na justiça e na verdade. É uma relação existencial que fundamenta o facto de eu ter deixado o curso de economia do hoje ISEG para me tornar padre. Não mudei radicalmente o rumo da minha vida sem saber porquê, nem por um qualquer vago ser ou ideal. A minha fé é pois tão concreta quanto é possível a um ser humano. Esta é a fé adulta da Igreja Católica, expressa na Bíblia e em todos os demais documentos eclesiais. Não é a ‘minha fé’, porque esta não é algo que cada um possui e modela à sua vontade, é um património comum. Faz parte deste património a corrente chamada ‘teologia negativa’. Não fui eu que a inventei. Não sei se estarei enganado quando penso que os não crentes não têm dúvidas nenhumas sobre o absurdo da crença religiosa e crêem saber explicar muito claramente tudo o que se refere à não existência de Deus. Da parte dos crentes há a consciência de que Deus, se existe e explica toda a existência de toda a realidade, não é um simples objecto de estudo ao lado de outros como os genes, as galáxias ou os buracos negros. Não me parece justificado tratar Deus à minha medida, apreendê-lo como se fosse um qualquer ser espácio-temporal, simplesmente porque não sou Deus nem me coloco ao seu nível. Isto parece-me lógico. O contrário é que seria absurdo.
Para não alongar esta resposta, respondo a seguir sobre às tuas questões a respeito do credo.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Respostas ao Lucas Samuel
1 – Jesus “para a nossa salvação, desceu dos céus: e encarnou pelo Espírito Santo”. De que é que achas que precisamos ser salvos Alfredo? Achas que o temos sido?
A Humanidade disseminou-se por toda a Terra fruto da evolução das espécies e, ultimamente, do desenvolvimento cultural. Evolução biológica e cultura estão estreitamente relacionados, mas hoje podemos dizer que o significado da nossa existência não é simplesmente o que vem de uma evolução cega e sem sentido. A Humanidade corre permanentemente o risco de se desagregar, não obstante o movimento de globalização. Cristo representa a referência salvadora para a qual a Humanidade pode convergir. Não se trata de uma referência meramente sociológica, política, etc., um qualquer elemento deste universo espácio-temporal, onde as referências que temos são precárias e impessoais. Cristo salvador é então a possibilidade de nele nos encontrarmos todos não como inimigos ou estranhos mas como elementos de uma mesma Humanidade cuja existência não tem que se limitar a uns poucos anos de vida biológica que termina na infinita tristeza de um beco sem saída. Creio que todo o progresso que tem sido realizado no sentido de unir a Humanidade representa esta salvação já em acto.
Respostas ao Lucas Samuel
2 – “Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras”. Acreditas na ressurreição de Jesus ao terceiro dia? Ressurreição em corpo ou em “espírito”?
A Ressurreição de Jesus não tem a ver com a reanimação do seu corpo físico. Isto é a posição oficial da Igreja Católica, não apenas a minha. Os não crentes interessam-se pela explicação, em termos de ciências da natureza, do que aconteceu ao corpo físico de Jesus. Os cristãos não sabem, nem nunca se centraram nessa questão. Para eles, a Ressurreição de Jesus significa apenas que ele não desapareceu com a morte mas, antes pelo contrário, passou a ter uma existência diferente, mostrando que também a nós acontecerá o mesmo. Jesus Ressuscitado poderia ter explicado aos discípulos como se deu exactamente a sua Ressurreição? Sim. Também poderia ter explicado se o universo começou exactamente com o big bang e se Darwin viria explicar todo o processo científico que conduziu à aparição dos seres humanos? Talvez. Mas seria isso realmente importante? A proposta de vida de Cristo não se coloca ao nível do saber teórico mas sim da sabedoria, da vida prática.
Respostas ao Lucas Samuel
3 – “E subiu aos céus, onde está sentado à direita de Deus-Pai”. Achas que “subiu” literalmente? Achas que se “sentou” literalmente” à direita de “Deus-Pai”? Para quê?
Cristo não está nem sentado nem de pé, não subiu nem desceu. Estes termos aplicam-se aos seres espácio-temporais, e só metaforicamente a Cristo. A expressão ‘à direita de’ ainda hoje se utiliza para indicar que a pessoa mais importante a seguir ao presidente de uma cerimónia se senta à sua direita.
4 – “E de novo há-de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos”. Acreditas na Parousia? Sob que forma? Acreditas na vocação de Cristo -Juiz?
Cristo disse que não tinha vindo ao mundo para condenar mas para salvar. Os seres humanos têm um grau de liberdade suficiente para poderem voltar as costas a Deus, por isso condenam-se a si mesmos. A ideia de que haverá um juízo final tem a ver com a percepção de que se há algum sentido em toda a longa história da Terra, e até mesmo de outras Terras habitadas em outros sistemas solares e galáxias, esse sentido alicerçado na verdade e na justiça deverá revelar-se objectivamente. A Parousia significa que não vale tudo, nem que tanto faz que os seres humanos vivam de um modo ou de outro. As nossas escolhas livres têm consequências, mesmo que muitas delas permaneçam ignoradas. O juízo final é no fundo a revelação do sentido pleno da história da Humanidade e de todo o universo..
5 – “Professo um só baptismo para remissão dos pecados”. Na tua ideia, o que acontece a quem peca? Acreditas no conceito “Inferno”? Em que termos? Acreditas na entidade “Satã”? Acreditas no Apocalipse?
O pecado é uma atitude que conduz a actos desumanizantes. A opressão, a humilhação, o engano, a mentira, a traição, o roubo, etc., são certamente os pecados mais graves porque desumanizam tanto quem peca como quem sofre esses pecados. Quem oprime os outros não pode ser feliz, mesmo que assim o pense. Neste sentido, já vive no inferno que é a ausência de amor. A verdadeira felicidade está reservada aos que se abrem a uma relação de comunhão com os outros, e esses já vivem no céu. Talvez tenhamos que superar os dualismos tão estruturantes da nossa cultura e acreditar que há apenas um mundo e não dois (‘este’ e ‘o outro’), e que ‘céu’ e ‘inferno’ não são apenas lugares que nos esperam algures depois da nossa morte, mas situações nas quais já vivemos. É todo este esquema dualista que torna ainda mais difícil a compreensão de algo que é extremamente complexo: Deus, o mundo, a vida, a morte, a eternidade.
A entidade ‘Satã’ não é certamente o que se imagina popular e ingenuamente: um ser que anda por aí a saltitar pelas encruzilhadas dos caminhos a atrair as pessoas para o mal. Nós somos seres dotados de suficiente liberdade para assumir a responsabilidade do mal que fazemos. Não necessitamos atribuir a uma entidade satânica as culpas que são só nossas. A Igreja Católica afirma a existência de uma entidade satânica, mas diminuiu drasticamente desde o Vaticano II o reconhecimento dos casos de possessões diabólicas. Pessoalmente, passo bem sem Satã, assumo a responsabilidade do mal que causo e espero que cada um, e cada povo, assuma também essa responsabilidade.
O Apocalipse é um livro eminentemente simbólico. Neste sentido sim, acredito nele. Lê-lo literalmente é certamente um grande erro. Mas é o que muitas pessoas fazem
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Caro Helder,
Não sou um cristão panteísta, mas acredito que Deus está tanto ‘fora’ como ‘dentro’ do universo. Deus não é o universo, mas concordo com a perspectiva do jesuíta francês Teilhard de Chardin (1981-1955): em Jesus Cristo a história de Deus intersecta para sempre a história do universo, dando-lhe um sentido absoluto e definitivo.
Quanto ao milagre atribuido ao Beato Nuno, vamos dar outra vez à questão do que é realmente um milagre para o cristianismo: um sinal sensível da presença de Deus. Eu creio que Deus está sempre presente, e que se alguma coisa existe é porque ele existe. Neste sentido, para mim tudo é ‘milagre’, sinal dessa presença. Há muitas coisas extraordinárias que acontecem na vida das pessoas, incluindo curas instantâneas e inexplicáveis pela ciência que não se devem a uma invocação explícita de Deus, mas que para um crente não deixam de ser milagres-sinais. Neste sentido, a cura da senhora que invocou Deus por intercessão do Beato Nuno podia ter acontecido sem essa invocação. O facto de ter acontecido a coincidência invocação-cura é interpretado pela Igreja como confirmação de que o Beato Nuno teve uma vida exemplar e heróica. Nada tenho a objectar contra esta interpretação, mas estou convencido de que brevemente os processos de canonização dispensarão esta exigência do milagre. O que importa é a vida das pessoas que, se é exemplar, já faz delas santas antes de serem declaradas como tais pela Igreja Católica.
Um abraço,
Alfredo Dinis
Caro Elivaldo,
Partes do pressuposto de que Cristo é filho de um ser abstracto. Como chegaste a esta conclusão? O facto de não nos ser completamente acessíval a compreensão da existência de Deus não nos leva necessariamente a declará-lo um ser abstracto. A dificuldade em compreender a realidade de Deus não é muito maior que a dificuldade em compreender a realidade do universo.
Um amigo meu disse-me:
“Os crentes afirmam que Deus é eterno e incriado. Isto é uma estupidez. Se Deus não foi criado não pode existir.”
Respondi-lhe:
“Os ateus afirmam que o universo não foi criado por Deus, por isso é eterno e incriado. Mas se o universo não foi criado não pode existir”. De facto, porém, existe. Há algo de errado neste argumento. Não te parece?
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Diz o Alfredo Dinis:
“A Igreja Católica afirma a existência de uma entidade satânica, mas diminuiu drasticamente desde o Vaticano II o reconhecimento dos casos de possessões diabólicas. ”
Relembra o Xiquinho:
“The greatest trick the devil ever pulled was convincing the world he didn’t exist.”
Cumprimentos!
Caro Alfredo,
Antes de mais, os meus agradecimentos pelo “testamento”. Acho que com as tuas respostas, já temos aqui algum molho para debater – e se ele há molho!
“O Deus em quem acredito revelou-se em Jesus Cristo e nas suas palavras tal como as lemos no Novo Testamento”.
Mas…de qual Cristo estás a falar no Novo Testamento? O Cristo de Marcos? De Lucas? De Mateus? De João? De Paulo? Eu percebo – mas não aceito – que exista na interpretação bíblica católica, uma visão unificadora das várias Cristologias. Só que isso não é verdade e qualquer exegeta honesto o percebe: não existe “um” Jesus Cristo, mas sim, várias visões de Cristo. A tendência harmonizadora cristã pretende pôr panos quentes nas divergências dizendo que estamos perante “várias perspectivas do mesmo objecto”. Ora, isso também não é verdade: perspectivas diferentes do mesmo objecto podem ser obtidas de cima, de baixo, de frente ou de trás, mas o objecto mantém-se. No NT isso não acontece: o objecto (Jesus) muda claramente de personalidade – o que é sinal, não de uma mudança do próprio Jesus, mas da perspectiva do Evangelista sobre ele (e consequentemente, das próprias mensagens que se pretendem fazer passar como sendo de Jesus). Todas as pessoas atentas que lêem a Bíblia percebem isso. Queres um exemplo de anacronismo e da impossibilidade evidentíssima de alguma vez Jesus ter dito o que um Evangelista afirma que ele disse? Peguemos numa passagem de João 18:36: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus”. Para que eu não fosse entregue aos Judeus??? Jesus era, ele próprio, um Judeu! Ele nunca poderia ter dito esta frase (no máximo diria, para que eu não fosse entregue aos Saduceus ou aos Fariseus). Este distanciamento entre Judeus/Jesus só faz sentido num contexto de separatismo religioso que só viria a ocorrer dezenas de anos após a morte de Jesus – quando os movimentos cristãos estavam já separados do judaísmo! E ficamos só por aqui para não abrirmos esta imensa caixa de Pandora. Portanto, falas-me em “palavras de Cristo”? Nunca saberás se alguma vez sequer ele as disse.
“A minha relação com Cristo é uma relação pessoal que me dá serenidade e paz, me compromete pelo mundo em que vivo no sentido de investir as minhas energias e competências na edificação de um mundo baseado na justiça e na verdade”.
E a pergunta simples que faço é esta: sem Cristo na tua vida, não terias paz, serenidade e não te comprometerias com o mundo em que vives no sentido de investir as tuas energias na edificação da justiça e da verdade? A ser assim, a tua visão do mundo, hoje, é meramente oportunista e egocêntrica: “preciso do mundo como palco para demonstrar a Cristo o quão sou merecedor da vida eterna”.
“Deus, se existe e explica toda a existência de toda a realidade, não é um simples objecto de estudo ao lado de outros como os genes, as galáxias ou os buracos negros. Não me parece justificado tratar Deus à minha medida, apreendê-lo como se fosse um qualquer ser espácio-temporal, simplesmente porque não sou Deus nem me coloco ao seu nível. Isto parece-me lógico”.
A ser como dizes, também a teologia se revela um empreendimento absurdo já que tem como objectivo a compreensão de Deus! Mais: revela-se um empreendimento absurdo e ainda menos capacitado para essa compreensão pois depende apenas do testemunho desse frágil mecanismo que, como dizes, jamais se “poderá colocar ao nível de Deus”: o ser humano. Portanto, o ser humano imagina, deduz, inventa, especula acerca de um conceito que convencionou chamar de “Deus”, mas para o qual, não possui qualquer indício de existência.
“Cristo representa a referência salvadora para a qual a Humanidade pode convergir. Não se trata de uma referência meramente sociológica, política, etc., um qualquer elemento deste universo espácio-temporal, onde as referências que temos são precárias e impessoais. Cristo salvador é então a possibilidade de nele nos encontrarmos todos não como inimigos ou estranhos mas como elementos de uma mesma Humanidade cuja existência não tem que se limitar a uns poucos anos de vida biológica que termina na infinita tristeza de um beco sem saída. Creio que todo o progresso que tem sido realizado no sentido de unir a Humanidade representa esta salvação já em acto”
O que tu me descreves é uma visão utópica, simbólica e totalitária do ‘Christus Victor’. É um desejo, uma aspiração monista – tal como em tempos as ideologias fascistas e nazi também o foram. É óbvio que esta visão unificadora e totalizante só pode dar maus resultados: por muitas voltas que dês, Cristo e o cristianismo jamais serão símbolos unânimes de referência porque a sua essência é exclusivista. Religiões como as pagãs, ou até mesmo o Hinduísmo, poderiam ter alguma chance de sucesso nessa visão ecuménica. Agora…o cristianismo? No way. Só se for à força – como já em tempos ele tentou impor-se (e felizmente, falhou!).
“Elementos de uma mesma Humanidade cuja existência não tem que se limitar a uns poucos anos de vida biológica que termina na infinita tristeza de um beco sem saída”.
Achas mesmo Alfredo? Não será bem mais triste sermos os bobos da corte de Deus, condenados eternamente a uma bajulação eterna sem qualquer perspectiva de realização pessoal? Sim…porque, no paraíso, ninguém se realizará: acabam-se todas as motivações que fazem do ser humano uma criatura de aspirações: “para quê fazer A ou B? Estou no paraíso! Aqui não preciso fazer a ponta de um corno! Aprender? Para quê? Viver num condomínio na Nuvem 9 em vez de um palácio na Nuvem 54? Qual a diferença? Têm todos vista panorâmica para Deus, Jesus e o Espírito Santo!” Que marasmo horrível…é que nem se pode engatar umas “anjas” porque isso dá logo penalização infernal…!
“A Ressurreição de Jesus não tem a ver com a reanimação do seu corpo físico. Isto é a posição oficial da Igreja Católica, não apenas a minha.”.
Mais uma vez, caímos no mesmo buraco: de que Jesus estamos a falar? Numa visão primitiva do cristianismo (bem próxima do judaísmo), era a ressureição dos corpos que interessava! Só com João é que nos aproximamos de uma visão mais etérea e gnóstica (pudera! Jesus nunca mais aparecia e os mortos não se levantavam!). Portanto, a posição oficial da Igreja Católica é UMA entre as muitas – e nem por isso a mais fiel em relação ao cristianismo original.
“A proposta de vida de Cristo não se coloca ao nível do saber teórico mas sim da sabedoria, da vida prática”.
Oh Alfredo! A vida prática é a D. Guilhermina a fritar peixe e a acontecerem-lhe desastres! Não há nenhuma “sabedoria original” em Cristo. A sabedoria conquista-se com a vida e com a compreensão histórica. Cristo é dispensável nesta equação.
“Cristo não está nem sentado nem de pé, não subiu nem desceu. Estes termos aplicam-se aos seres espácio-temporais, e só metaforicamente a Cristo. A expressão ‘à direita de’ ainda hoje se utiliza para indicar que a pessoa mais importante a seguir ao presidente de uma cerimónia se senta à sua direita”.
João 10:30 – “Eu e o pai somos um”. Ora, não há pessoa mais ou menos importante já que são ambas “uma”, não é? E já agora, só esta passagem serve para refutar qualquer argumento trinitário: “se Jesus + Deus = 1”, onde é que se encaixa aqui o Espírito Santo? Jesus deveria então dizer, na plena assumpção da sua omniconsciência: “Eu, o Pai E O ESPIRITO SANTO, somos um”. Um Deus com lapsos de memória é coisa para desconfiar…
“Cristo disse que não tinha vindo ao mundo para condenar mas para salvar”.
Porque é que insistes em ser selectivo Alfredo? Isso é tudo wishful thinking ou esquecimento? Senão vejamos: Marcos 3:29: “Qualquer, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão, mas será réu do eterno juízo”; Apocalipse 14:7 “temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo”…é preciso mais? E será preciso lembrar O DIA DO JUÍZO FINAL?!! Por favor Alfredo! A não ser que queiramos pôr em cena o diálogo do “polícia bom, polícia mau”: O Pai é o polícia mau, o Filho é o polícia bom e o Espírito Santo é…é…é o gajo que traz os cafés! É óbvio que existe uma visão punitiva no cristianismo! Mateus 12:30 – “Quem não é por mim, é contra mim”; Mateus 10:34 – “Não vim trazer a paz, mas a espada”. Acabemos com as historietas côr-de-rosa do “bondoso menino Jesus”…
“O juízo final é no fundo a revelação do sentido pleno da história da Humanidade e de todo o universo”.
E que sentido encontras nesse sentido?
“O pecado é uma atitude que conduz a actos desumanizantes. A opressão, a humilhação, o engano, a mentira, a traição, o roubo, etc., são certamente os pecados mais graves porque desumanizam tanto quem peca como quem sofre esses pecados”.
Tu só tens a consciência que a opressão, a humilhação, o engano, a mentira, a traição, o roubo são actos que desumanizam porque não gostarias que eles fossem exercidos sobre ti. Se existe no ser humano uma sensibilidade empática, isso não se deve a Jesus Cristo mas aos nossos mecanismos biológicos – e aos mecanismos de muitos outros animais também! A noção de “pecado” é completamente estéril e desnecessária.
“A verdadeira felicidade está reservada aos que se abrem a uma relação de comunhão com os outros, e esses já vivem no céu. Talvez tenhamos que superar os dualismos tão estruturantes da nossa cultura e acreditar que há apenas um mundo e não dois (‘este’ e ‘o outro’), e que ‘céu’ e ‘inferno’ não são apenas lugares que nos esperam algures depois da nossa morte, mas situações nas quais já vivemos”.
O que me acabaste de relatar é psicologia e não religião. É o ser humano e não “Deus”. Conforto e desconforto, satisfação e insatisfação…o que é que há aqui de “céu e inferno”? Bem…a menos que queiramos impregnar conceitos puramente mundanos com metafísica barata: “a minha vida é um inferno!” Pois…é uma figura de estilo. Nada mais do que isso.
“Nós somos seres dotados de suficiente liberdade para assumir a responsabilidade do mal que fazemos. Não necessitamos atribuir a uma entidade satânica as culpas que são só nossas. A Igreja Católica afirma a existência de uma entidade satânica, mas diminuiu drasticamente desde o Vaticano II o reconhecimento dos casos de possessões diabólicas”.
Oh Alfredo…tu andas um pouco desactualizado acerca do que a tua Igreja anda a dizer; ora então ouve um pouco daquilo que um confrade de Ratziger, Michael Schmitz anda para aí a propagar:
http://www.institute-christ-king.org/uploads/main/multimedia/evil-one.mp3
Vá…para meu gáudio, explica lá isto em termos de conflito entre liberais e conservadores na ICAR. Ehehehe…
“O Apocalipse é um livro eminentemente simbólico. Neste sentido sim, acredito nele. Lê-lo literalmente é certamente um grande erro”.
Simbólico e datado! Não se trata apenas de “simbolismo”, mas de simbolismo destinado a um tempo e espaço próprio. Nada daquilo tem ambições a ser uma previsão futurológica para NÓS, HOJE.
Bem…esta coisa já vai longa. Espero pelo menos ter-te “desconvertido” através da exaustão.
Cumprimentos.
Caro Lucas,
Afinal, já conhecia as respostas certas às perguntas que me colocou. Fico com a sensação de que me colocou as perguntas apenas para me apanhar em flagrante ignorância. É uma das coisas que me impressiona nos não crentes. Têm sempre as respostas certas, sabem tudo e não têm dúvidas nenhumas. Talvez até se divirtam quando encontram alguém como eu que manifesto as minhas dúvidas e incertezas. Bem, o que posso fazer senão remeter-me à minha ignorância? Sinto q
Caro Lucas,
Afinal, já conhecia as respostas certas às perguntas que me colocou. Fico com a sensação de que me colocou as perguntas apenas para me apanhar em flagrante ignorância, e ter depois a paciência de me corrigir e instruir. É uma das coisas que me impressionam nos não crentes. Têm sempre as respostas certas, sabem tudo e não têm dúvidas nenhumas. Talvez até se divirtam quando encontram alguém como eu que manifesto as minhas dúvidas e incertezas. Bem, o que posso fazer senão remeter-me à minha ignorância? Sinto que tenho ainda muito caminho a percorrer até chegar a essa sua posição em que tudo é diáfano e transparente, em que as dúvidas e incertezas terminaram e se pode gozar a vida sem sobressaltos, tendo apenas a missão de iluminar os que como eu ainda estamos nas sombras do obscurantismo.
Quando chegar perto do seu imenso saber, isto é, quando me tornar ateu, dar-lhe-ei a feliz notícia.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Eheheheh…
Alfredo, Alfredo, és um brincalhão cheio de ironia!
“Sinto que tenho ainda muito caminho a percorrer até chegar a essa sua posição em que tudo é diáfano e transparente, em que as dúvidas e incertezas terminaram e se pode gozar a vida sem sobressaltos, tendo apenas a missão de iluminar os que como eu ainda estamos nas sombras do obscurantismo”
Se pensas que vou enfiar a carapuça do ateu racionalista dogmático e arrogante, estás muito enganado. A questão para mim não é se as “dúvidas e incertezas terminaram”: a questão é: “que dúvidas e incertezas interessam descortinar”. No domínio religioso, é óbvio que sou um tipo cheio de certezas – e sou-o porque estou na posse dos dados que considero suficientes para me darem desse tema uma “wide picture” credível e clara. Agora… também é óbvio sou um ignorante quanto à origem do universo, o seu funcionamento, a sua constituição, não sou mestre de culinária mas gostava de ser, não sei tocar piano mas gostaria de aprender, etc., etc. Ou seja: se há tantas coisas em que somos realmente ignorantes mas com o estudo das quais podemos aprender algo, porquê perder tempo com outras coisas evidentes e que nada trazem de enriquecedor para o ser humano?
Portanto…não vou negar que, na minha opinião, estás realmente nas sombras do obscurantismo! Mas por isso mesmo fica o convite: “Get away from the Dark Side, Alfredo Skywalker! Get into the light with me, my son”! Eheheheh…
Abraços
Não existe nada, que se possa apontar a Cristo, os seus ensinamentos são humanamente irrepreensíveis, não o querem ver como solução de vida, pois… é realmente muito ,muito exigente, as pessoas hoje, querem coisas palpáveis, imediatas, caminhos fáceis, não levam senão á desilusão temporal, mas temos esse direito de opcção contrária, realmente, as pessoas só mudam livremente por vontade própria.Nós os cristãos, não temos nada contra quem não acredita em Deus, porque são seres humanos iguais a nós, com todas as fragilidades, dúvidas, defeitos, etc…só que entendemos, que a ciência só por si não resolve nada,pode ajudar muito, e ajuda se for bem utilizada , como tudo o que é verdade, e que trás vida, mas quem realmente pode mudar o mundo para melhor é a lei do AMOR, podemos ser todos catedráticos, cientistas ,milionários, mas se faltar a chave principal, que é o AMOR, infelizmente, caminhamos contra nós próprios, enquanto não pusermos isto em prática, mas nós todos, cristãos ,ateus, muçulmanos, budistas, etc ,….Não vejo sinceramente, outro caminho…mas é apenas a minha opinião de crente, e resume-se a estes dois mandamentos. Amar a Deus sobre todas as coisas, e o próximo como a nós mesmos, ou pelo menos se não acreditarmos em Deus, amemos os nossos irmãos, sejam eles quem forem, que decerto estaremos a fazer um bem supremo, logo a vontade Divina.Espero que não me interpetem mal, acho que a indiferença, é que é uma coisa muito egoísta e estéril, agora partilharmos opiniões com outros seres humanos que penssam de maneira diferente, pode ser muito bom para nós todos, pois liga-nos algo, que é maior , mais belo e fraterno e isso sim é que para mim é realmente importante.
Saramago sim, disse uma grande verdade ao dizer que a Biblia não pode ir parar às mãos de um adolescente.
Como adolescente que sou, tenho a dizer que nunca concordei mais com alguém.
Para mim, a religião é uma maneira do ser humano ir buscar forças a alguma coisa, mas, eles vão buscar força a uma coisa ficticia, inventada pela sua cabeça, num momento de desespero?
Nunca vimos Deus, nem nunca vamos ver, porque simplesmente não existe. E não me venham dizer que também nunca vi o vento, mas sei que existe, porque o sinto, visto que a isso, chamo Balelas, em bom português juvenil.
Foi a ciencia que provou que o vento existe, mas eu ainda nao vi nenhum artigo cientifico a dizer que deus existe. No dia que isso acontecer (o que eu duvido seriamente que aconteça), eu serei a primeira pessoa a admitir que estava errada, mas até lá, só espero que as pessoas tenham o minimo de consciencia e reflictam bem acerca do tipo de coisas que dizem, e em que elas acreditam, porque, tal como todos vêem, as religiões só servem para uma coisa: Guerra. E, se Deus quer o bem, e os resto dos blá blá blás que eu ouço desde que nasci, então porque carga de água é que vivemos num mundo em que todos lutam contra todos para provar que a sua religião é que é a Religião?! Não cabe na cabeça de ninguém. Pelo menos de ninguém que tenha cabeça, e o minimo de autonomia para pensar por si, em vez de se deixar levar pelo estereotipo que foi criado em volta das religiões, e que vamos para o ceu se não cometermos pecados.
Sim, porque fazer Sexo é um pecado para igreja, uma coisa que faz bem à saude. Mas, para a igreja, do acto de fazer sexo tem de resultar uma criança, que pode ou nao ser desejada pelos seus pais, sujeita ao mundo de porcaria em que vivemos com esta história da religião, já que a unica maneira de prevenirmos uma gravidez é contrairmos SIDA antes, já que só podemos usar preservativo se formos potenciais transmissores dessa doença.
Peço desculpa por ter começado com um tema, e terminado com outro, mas perdi-me na minha revolta contra o senso das pessoas, há muito perdido, muitas vezes por causa da religião.
Iolanda,
Aprecio no teu texto a frontalidade de dizeres o que pensas de um modo directo e determinado.
Fazes muitas afirmações, e em todas elas está a tua certeza absoluta de que são verdadeiras. Tenho para mim que talvez devamos ser todos, crentes e não crentes, mais conscientes das limitações dos nossos conhecimentos, porque a realidade da natureza e da Humanidade é talvez muito mais complexa do que possamos imaginar. É por isso que me parece que as explicações fáceis de realidades complexas têm sempre alguma debilidade.
Cordiais saudações,
Alfredo Dinis
Caro Alfredo,
Essa boa educação e elegância é uma arma e pêras; desarma qualquer um!
Um grande abraço.
Oi,se alguem pudesse me responder eu agradeceria,Einstein dizia se sentir atonito e inferior frente as leis da natureza,e que todo o genio que o homem pudesse alcancar significaria apenas um “nada irrisorio” frente a inteligencia presente nas leis e acoes da natureza.Se einstein e todos os outros grandes genios da historia sao considerados genios somente por “descobrirem”muitas dessas leis,como os ateus acreditam entao que essas mesmas leis tenham sido criadas por um acaso cego,porque se repugna a nossa razao,mesmo de muitos ceticos,atribuir tudo isso ao acaso,inevitavelmente um principio inteligente se torna necessario.E pra mim nao importa se esse principio percorre o super aglomerado de Abel e via lactea,ou se essa inteligencia esta em toda parte ao mesmo tempo.Sao detalhes,o que realmente interessa seria o PRINCIPIO de tudo,a criacao.Alfredo,compartilho sua crenca em Deus,so nao acredito no acaso
Sim…é muito bonita esta postura:
“Eu não sei, logo, Deus existe”.
Está tudo dito.
Eu nao sei,logo Deus nao existe,esta tudo dito
SE TEMOS COMO EXPERIÊNCIA CIENTÍFICA E EMPÍRICA, QUE TODO O SER VIVO RACIONAL OU NÃO, TEM UM PRÍNCIPIO E UM FIM ,COMO SE EXPLICA, Á LUZ DA CIÊNCIA O QUE EXISTIA ANTES DO NADA! O CAOS ? E ANTES?QUEM CRIOU ALGO A PARTIR DO NADA?SE É TUDO TÃO CLARO, EVIDENTE, NÃO EXISTEM DÚVIDAS EM RELAÇÃO A NADA, GOSTARIA DE SABER A RESPOSTA A ESTA INTERROGAÇÃO, QUE PENSO QUE FAZ PENSAR TODA A GENTE, COM FÉ OU NÃO?TAMBÉM ME PARECE EVIDENTE, QUE O SER HUMANO, QUANTO MAIS SABE, FICA COM A SENSAÇÃO QUE POUCO SABE, É ENGRAÇADO, UM SER LIMITADO QUERER NÃO TER LIMITES ATRAVÉS DO CONHECIMENTO, CLARO É LEGÍTIMO, MAS ESTÁ, SEMPRE A ESBARRAR NA SUA FINITUDE, E POR FIM, O FIM ,A MORTE,QUE A CIÊNCIA AINDA NÃO RESOLVEU E O ATEÍSMO NÃO DÁ NENHUM SENTIDO, UMA TRISTEZA, A FALTA DE SUBSTÂNCIA PARA ESSA VIDA, QUE QUEREM QUE SEJA, SÓ POR SI , UM FIM EM SI MESMO.COM TUDO O QUE SE PASSA Á NOSSA VOLTA , AINDA NÃO PERCEBERAM QUE O SER HUMANO SÓ POR SI ,NÃO PRESTA E AUTO DESTROI-SE PERMANENTEMENTE TODOS OS DIAS A TODA A HORA, SE A VIDA É SÓ ISTO, VOCÊS CONTENTAM-SE COM MUITO POUCO,SE NÃO ASCEDEM A MAIS ,QUE VISÃO TÃO REDUTORA PARA O SER HUMANO, E NÃO PODEM SER FELIZES NESTE MAR DE ROSAS. E ACREDITAR QUE A CIÊNCIA, SÓ POR SI RESOLVE TODOS OS PROBLEMAS DA HUMANIDADE, PORQUE É QUE JÁ NÃO RESOLVEU? Á MEDIDA QUE A CIÊNCIA VAI EVOLUINDO, AO INVEZ DE EXISTIR UMA DIRECTA PROPORCIONALIDADE, NA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS DA HUMANIDADE, CADA VEZ É MAIOR O FOSSO ENTRE RICOS E POBRES.VOCÊS BEM QUEREM QUE A CIÊNCIA RESOLVA TUDO, MAS NÃO PODE RESOLVER, PORQUE A CIÊNCIA, SEM O HOMEM NADA RESOLVE, E O HOMEM ENQUANTO (NÃO)OLHAR, PARA O OUTRO HOMEM COMO UM VERDADEIRO IRMÃO, E ESQUECER-SE DA SUA FELICIDADE PARA SE PREOCUPAR COM A FELICIDADE DO OUTRO, SÓ ASSIM O MUNDO PODE SER NOVO E DAR A VOLTA, DEIXEMO-NOS DE ILUSÕES, E VOCÊS ACHAM QUE NÓS É QUE VIVEMOS DE ILUSÕES, SIM SOMOS UTÓPICOS ATÉ AO FIM, CREMOS NO PROJECTO RADICAL DE CRISTO, SIM,DA SUA RADICALIDADE, E SE A HUMANIDADE NÃO O VIVER, NUMCA TERÁ A FELECIDADE POSSÍVEL, AO ALCANÇE NESTA VIDA, E ESTA MESMO ASSIM SERÁ UMA PEQUENA AMOSTRA, DAQUELA QUE SÉRA A PLENITUDE DE TUDO O QUE É BOM VERDADEIRO , JUSTO E BELO.AO MENOS QUE SE QUESTIONEM, EU NÃO QUERO DIZER COM ISTO, QUE NÓS CRISTÃOS SOMOS A SOLUÇÃO IMEDIATA PARA TUDO, NÃO ACREDITO PORQUE SOMOS DISCIPULOS EM PERMANENTE APRENDIZAGEM , AGORA SE FOSSEMOS TODOS IGUAIS AO MESTRE, PODEM CRER QUE O MUNDO SERIA OUTRO.A NOSSA DIFERENÇA RESUME-SE A ISTO:VOCÊS ,SÓ ACREDITAM NA CIÊNCIA PRA RESOLVER TUDO, NÓS ACREDITAMOS NUMA CONVERSÃO INTERIOR QE POSSA A POUCO E POUCO TRANSFORMAR O HOMEM PARA O BEM TOTAL, CLARO ESTÁ CONTA-MOS COM A AJUDA DA CIÊNCIA, MAS CONTA-MOS PRINCIPALMENTE COM UMA MUDANÇA DE VIVER NO MUNDO, NÃO EXISTE OUTRA SOLUÇAÕ, ATÉ PODEM EXISTIR OUTRAS FORMAS DE LÁ CHEGAR, NÃO SOMOS TODOS IGUAIS.AGORA NÃO É POR AFIRMAR SEM DÚVIDAS QUE DEUS NÃO EXISTE, PORQUE NÃO É PALPAVEL AOS OLHOS DO COMUM MORTAL, QUE AS RELEGIÕES SÃO O MAL DE TUDO, E NÃO É VERDADE, A VERDADE É COMO RM TUDO, É O HOMEM, QUE SOMOS NÓS, NÃO PUNHAMOS A CULPA EM DEUS, NÓS É QUE UTIILIZAMOS MAL A RELEGIÃO, COMO UTILIZAMOS MAL A CIÊNCIA O AMBIENTE ETC, PORTANTO SE QUEREMOS SOBREVIVER COMO ESPÉCIE,MUDEMOS RADICALMENTE,ACHO QUE QUANTO A ISTO, NÃO HÁ DÚVIDAS, RESPEITEMO-NOS AMEMO-NOS, TENTEMOS COMPREENDERMO-NOS, ESTABELECENDO DIÁLOGOS, PONTES, SEJAMOS MAIS AMIGOS UNS DOS OUTROS…ENFIM TENTEMOS SUPERAR, . NO QUE TEM DE BOM O GÉNERO HUMANO, SÓ NÃO SOMOS MAIS FELIZES PORQUE NÃO FAZEMOS REALMENTE POR ISSO….MAS SÓZINHOS, NADA PODEMOS , PORQUE SOMOS MAUS EGOÍSTAS, POR NATUREZA E NÃO É A CIÊNCIA QUE VAI MUDAR ISSO…