Uma opinião Samuelina

Bom demais para ficar numa caixa de comentário, tomei a liberdade (afinal o Lucas Samuel é o meu “Pontífice Supremo Silvestriano do Comentário Mordaz e Intenso”) de colocar aqui uma opinião desse nosso comentador.

Sem perder mais tempo.

De “Lucas Samuel”

“Acho que convém situar a controvérsia acerca do Beato Nuno com este artigo de opinião publicado no Correio da Manhã por um tal de “Dom” Carlos Azevedo intitulado “Desonestidade ateísta”:

Bem…este artigo é tão estúpido e desesperado, que tenho mesmo de fazer uns quantos comentários acerca dele. Então aqui vai…

“Porque as intervenções rondam a desonestidade intelectual venho aqui combater afirmações deste pequeno grupo quase residual na sociedade portuguesa, mas, em virtude das suas posições extravagantes, valorizado na comunicação social”.

Congratulamo-nos pelo destaque que dá aos ateus o membro do outrora também “pequeno grupo quase residual” dessa seita judaica que mais tarde veio a intitular-se de “cristianismo”.

Indigna-se a pia criatura porque, afinal, não foi só o óleo do peixe que valeu para a canononização de Nuno Álvares Pereira. Não! Contam também: “entrega total ao serviço da pátria, confiança absoluta em Deus, perdão, partilha, serviço aos pobres”

Entrega total ao serviço da pátria??? Eu não sei se este bispo tirou o curso de teologia na farinha Amparo, mas caso esteja um pouco esquecido, aqui vai um trecho do Evangelho de João:

“Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. (João 18: 35-36)”

Portanto…onde é que entra a “pátria” como conceito fundamental na Cristologia? Ah…já sei! O Vaticano! Claro…esse Estado guloso e oportunista que privilegia também os reinos DESTE mundo. A velha união entre o Trono e o Altar, agora metamorfoseada de união entre República e Altar (alguém imaginaria isto possível?).

Mas avancemos um pouco mais para descobrirmos onde está a desonestidade intelectual dos ateus. Para isso, vamos responder a algumas perguntas: a Igreja preza o valor da vida humana acima de tudo? Considera a preservação da vida e o amor do ser humano ao seu semelhante uma das condições para a obtenção de santidade? Se a resposta é afirmativa e se Nuno Álvares Pereira pode de facto ser qualificado de “santo”, uma conclusão lógica parece inevitável: a Batalha de Aljubarrota não foi mais do que um jogo de xadrez, ou uma partidinha de pólo de onde a equipa castelhana saiu gravemente lesada! A culpa é do árbitro Bruno Paixão!!

De outra forma, que santo é este que participa numa carnificina militar (por muito necessária que ela tenha sido para a existência deste país)? Mais: como é que a Igreja eleva um dos comandantes da carnificina ao estatuto de santo e condena à excomunhão uma criança e toda a sua família, só porque estas optaram pelo aborto num caso extremo? A Igreja Católica é um festival nojento de hipocrisia e estes “Dons” de alcova que se intitulam de bispos, cardeais & companhia, mais não passam do que lacaios de uma instituição degradante, observando “his master’s voice”.

“Só a fé constitui a luz para entender o que a razão médica não consegue explicar. Neste caso, nem seria necessário este terceiro elemento, dada a antiguidade da fama de santidade, que aqui não cabe explicar” diz o tal “Dom Carlos”.

Claro! A razão médica não consegue explicar os motivos pelos quais a Dona Guilhermina de Jesus andava a brincar com óleo a ferver de maneira negligente e caseira quando já existem electrodomésticos altamente sofisticados para lidar com materiais tão perigosos! Felizmente, Deus soube emendar a situação e graças a este precalço da D. Guilhermina, o Todo Poderoso deu isto aos seres humanos, para que possam ser mais felizes e para que não tenham de chatear muitas vezes o Dom Nuno de Santa Maria com preces de auxílio oftalmológico:

http://www.consumer.philips.com/consumer/pt/pt/consumer/cc/_productid_HD6103_70_PT_CONSUMER/HD6103

(perdoem-me a publicidade)

“Pretender ignorar este processo completo é desonestidade grave, além de alinhar na crítica destruidora das grandes figuras da identidade nacional”.

Uuuuuuuuuu!! Lá vem o papão do ateu, comunista, apátrida, imoral, essa ralé da sociedade que não veste a camisola de Deus, da Pátria e da Família! “Cuidado criancinhas! O ateu vai-vos comer!” Patético, patético, patético…. só de pensar que este indivíduo é um dos elegíveis para o lugar do Policarpo, até dá volta na tripa!

“É o mesmo anticatolicismo primário a motivar o desacordo com o facto de o Presidente da República integrar uma Comissão de Honra que promove comemorações destinadas a valorizar a dimensão nacional de Nuno Álvares Pereira. Mal seria se o representante da Nação estivesse ausente de facto tão relevante para a grande maioria da população, independentemente da sua posição pessoal.”

Se o Presidente da República pretende “valorizar a dimensão nacional de Nuno Álvares Pereira”, isso implica valorizar a dimensão beata e parola do beato Nuno de Santa Maria? E quanto ao “anticatolicismo primário”, náááá…! Os ateus de hoje estão bem mais sofisticados: já não se trata de falar de um “anticatolicismo primário”; as suas críticas são motivadas mesmo é pelo “primarismo do catolicismo”.

“Pessoas com rigor intelectual não fazem equivaler formas degradadas de religião com verdadeira religião transformadora da sociedade, da qual tantos católicos e membros de várias religiões deram testemunho com o dom da própria vida. Denegrir toda a dimensão religiosa, meter tudo no mesmo saco para deitar abaixo é usar da mentira para a propaganda em curso. O grande crítico da falsa religião foi Jesus Cristo. Os que O seguem, como o Beato Nuno, não são super-homens ou super-mulheres, isentos de qualquer defeito. São porém, antes de mais, servidores do Deus vivo e inteiramente dados ao bem dos outros, em mil formas próprias da fidelidade a cada tempo.”

Que retórica balofa… nem vale a pena comentar.

Com todo este discurso da treta, a mensagem do Carlinhos é apenas uma – e como tal deve ser lida nas entrelinhas:

“Seus ateus empata-f####: não metam o bedelho no casamento que tem de existir permanentemente entre o poder político e a religião! Os políticos ganham com isso e nós também! Porque é que vocês têm de vir para aqui estragar a festa? Desamparem-nos a loja!”

E assim vai este país de conluios e podridões, sustentando por canonizações de alcova e servilismo primário.

Portugueses: ACORDEM!”

Agora escrevo eu.

Caro Lucas

Já alguma vez leste o Correio da Manhã?

Achas mesmo que as pessoas que deixam as suas “postas de pescada” naquele Jornal estão preocupados que o povo Português “acorde”?

Só se for acordar da ressaca de vinho tinto carrascão, da febra gordurosa, e do futebol da 3ª distrital de Cascalheira de Baixo.

Quando até mesmo os “jornais respeitáveis” como o Público e o Expresso continuarem a ser um megafone para os religiosos, será a sua mensagem que continuará a ser a “palavra de ordem”.

Quanto à frase desta criaturazinha: “Só a fé constitui a luz para entender o que a razão médica não consegue explicar”, com certeza.

Eu proponho até o seguinte.

As Nornas Uror, Veroandi e Skuld devem ser a “luz” para entender porque morrem as pessoas de doenças, a “acção” da deusa Hindu Lakshmi deve ser utilizada para perceber melhor o porque das pessoas melhorarem de estados febris, a “influência” de Appolo para o tratamento de lesões desportivas, e Aesculapius para “conhecer” qual a interacção de antibióticos com o sistema imunitário.

Vês. Fácil! Com tanta ajuda divina, ninguém vai adoecer.

A fé religiosa serve para explicar coisa nenhuma. A não ser a ignorância de quem a pratica.

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