“Não é por causa de uma letra que deixa de ser canonizado”

De amanhã a uma semana será celebrado um dia muito importante para a monarquia portuguesa (nomeadamente para os vinte e tal monárquicos que ainda existem no país) e para os católicos portugueses (cerca de um quarto da população).

Gostaria de lembrar o que escrevi no mês passado acerca deste tema:

Resta saber se a Assembleia da República também planeia organizar uma excursão, talvez em parceria com o Presidente da República...

O dia da promoção divina de Nuno Alvarez Pereira à categoria máxima dentro dos céus merece acompanhamento por parte de altas figuras da política e sociedade portuguesas, começando pelas duas principais figuras de acordo com a Constituição, o Presidente da República Cavaco Silva e o Presidente da Assembleia Jaime Gama, para além dos ministros Nuno Severiano Teixeira e Luís Amado. A cerimónia aproxima-se e o ambiente aquece, ultimando-se os preparativos, mas no meio disto tudo ainda surge uma ou outra situação embaraçosa:

«Os convites para a canonização de D. Nuno Álvares Pereira, domingo, 26 de Abril, começaram a chegar. E, com eles, uma novidade. Afinal, D. Nuno não se chama Álvares, mas “Alvarez”. É o que vem escrito nos ingressos enviados pela “prefeitura da casa pontífice Bento XVI”. Uma gralha? É o que parece ser, mas não deixa de ser uma estranha coincidência. O Condestável surge com um nome espanhol, precisamente o povo contra quem sempre se bateu. E os defensores da sua canonização até dizem que foi por vontade de Espanha que D. Nuno não foi santo mais cedo.» [DN]

O ilustre Condestável deve estar a dar voltas na campa…

Daqui a uma semana choverão críticas e demais textos à presença do PR nas cerimónias, mas gostaria de destacar uma coisa da qual já nem me lembrava.

Critica-se Cavaco por tudo e mais alguma coisa por causa da laicidade do Estado e tal, mas lembro que durante a beatificação dos pastorinhos de Fátima o PM António Guterres e (pior ainda) o PR e ATEU Jorge Sampaio não deixaram de estar presentes. Tal está muito bem explicado nestes artigos do cronista Alfredo Barroso e neste texto de Fernando Rosas, historiador e dirigente do Bloco de Esquerda.

Enfim, mas que raio de país é este onde rareiam os políticos (verdadeiramente) laicos?

Outros artigos relacionados:

  1. Como o óleo de fritar peixe foi tema na Assembleia da República
  2. Aprovado
  3. Ir a Roma e não ver o Papa…
  4. Coitadinho do Crocodilo
  5. Papões