“Não é por causa de uma letra que deixa de ser canonizado”

De amanhã a uma semana será celebrado um dia muito importante para a monarquia portuguesa (nomeadamente para os vinte e tal monárquicos que ainda existem no país) e para os católicos portugueses (cerca de um quarto da população).

Gostaria de lembrar o que escrevi no mês passado acerca deste tema:

Resta saber se a Assembleia da República também planeia organizar uma excursão, talvez em parceria com o Presidente da República...

O dia da promoção divina de Nuno Alvarez Pereira à categoria máxima dentro dos céus merece acompanhamento por parte de altas figuras da política e sociedade portuguesas, começando pelas duas principais figuras de acordo com a Constituição, o Presidente da República Cavaco Silva e o Presidente da Assembleia Jaime Gama, para além dos ministros Nuno Severiano Teixeira e Luís Amado. A cerimónia aproxima-se e o ambiente aquece, ultimando-se os preparativos, mas no meio disto tudo ainda surge uma ou outra situação embaraçosa:

«Os convites para a canonização de D. Nuno Álvares Pereira, domingo, 26 de Abril, começaram a chegar. E, com eles, uma novidade. Afinal, D. Nuno não se chama Álvares, mas “Alvarez”. É o que vem escrito nos ingressos enviados pela “prefeitura da casa pontífice Bento XVI”. Uma gralha? É o que parece ser, mas não deixa de ser uma estranha coincidência. O Condestável surge com um nome espanhol, precisamente o povo contra quem sempre se bateu. E os defensores da sua canonização até dizem que foi por vontade de Espanha que D. Nuno não foi santo mais cedo.» [DN]

O ilustre Condestável deve estar a dar voltas na campa…

Daqui a uma semana choverão críticas e demais textos à presença do PR nas cerimónias, mas gostaria de destacar uma coisa da qual já nem me lembrava.

Critica-se Cavaco por tudo e mais alguma coisa por causa da laicidade do Estado e tal, mas lembro que durante a beatificação dos pastorinhos de Fátima o PM António Guterres e (pior ainda) o PR e ATEU Jorge Sampaio não deixaram de estar presentes. Tal está muito bem explicado nestes artigos do cronista Alfredo Barroso e neste texto de Fernando Rosas, historiador e dirigente do Bloco de Esquerda.

Enfim, mas que raio de país é este onde rareiam os políticos (verdadeiramente) laicos?

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21 Comentários

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  1. Mas porque é que os políticos têm que ser laicos? O Estado é que tem que o ser.

    E porque raio é que a laicidade é simplesmente ignorar as religiões. Se a Igreja Católica, que tem uma papel de peso na sociedade portuguesa, reconhece uma figura da história de Portugal porque razão não pode o Estado ficar contente com isso?

    Vcs n querem um Estado laico, querem um estado anti-clerical…

  2. Talvez porque o Estado Novo vivesse do lema “Deus, pátria e família” Z.

  3. Se a beatificação de D. Nuno Álvares Pereira, por Bento XV, foi um acto claramente político, como facilmente se percebe numa breve análise histórica, também a sua canonização corresponde a um acto político do interesse do Vaticano, cujos contornos não serão ainda claros, mas a que não devem ser alheios alguns interesses de ordem financeira (Fátima) e a situação fiscal da igreja (actualmente pendente de revisão da concordata).

    Outra seria a situação se se tivesse antes avançado com a há muito esperada canonização da irmã Lúcia.

    Ou de como interesses canónicos se subordinam a interesses políticos, do lado do Vaticano, e de como algum show-off mediático por parte de figuras institucionais do estado apenas servem os interesses desses políticos a não os do país laico que dizem servir.

    Cordialmente

  4. “Vcs n querem um Estado laico, querem um estado anti-clerical…”

    Eu por mim, vou nessa!

  5. Totalmente de acordo com o comentário do Z.

    Apanas a Lei é relevante quando falamos de Estado Laico.

  6. Absolutamente hilariante a pompa associada a esta certificação milagrenta do “Contestável” tuginha – de nome castelhano Alvarez…

    E ao mesmo tempo delirante, quando nos apercebermos, assim de repente, que o facto de sermos portugueses, implica sermos penalizados através de uma contribuição laica nos impostos para suportar estes passeios e almoçaradas dos estadistas crédulos e respectivos acólitos.
    Típico de um terceiro-mundismo nacionalista do piorzinho que se pode cultivar!

    A ver vamos quais os políticos humanistas racionalistas e integralmente laicos que irão assumir a saída do armário nos próximos dias e deixarem-se do «Maria vai com as outras» do politicamente (cada vez mais in)correcto…

    A acompanhar portanto…

  7. Respondendo a algumas FAQ e ao caro Z:

    «Mas porque é que os políticos têm que ser laicos?»

    Os políticos que exercem cargos no Estado são pagos por impostos laicos.

    «E porque raio é que a laicidade é simplesmente ignorar as religiões[?]»

    A laicidade não é nada disso.

    «Se a Igreja Católica, que tem uma papel de peso na sociedade portuguesa, reconhece uma figura da história de Portugal porque razão não pode o Estado ficar contente com isso?»

    O tal de papel de peso da ICAR na sociedade é devido antes de mais a : Herança histórica, falta de recursos e notória desorganização do Estado Providência. É uma vergonha que o Estado dependa de instituições oriundas da auto-organização civil

    Por outro lado – e aqui entre nós caro Z, que ninguém nos lê – considera realmente que o Estado da República Portuguesa se deverá congratular pelo milagre-do-óleo-do-peixe-frito da Srª Guilhermina?
    Está a gozar connosco, certo?

    Abraços

  8. Abraão, a senhora não via e passou a ver. Vários médico o comprovaram. Qual é o motivo para gozar?

    Para além disso o milagre (em que eu acredito) veio apenas confirmar a santidade do Beato Nuno. É por a Igreja o reconhecer como Santo e o indicar como exemplo a todo o mundo que o Estado se congratula.

    Argumentado os outro pontos:

    São pagos por impostos laicos e não laicos. Foram eleitos para os cargos por serem quem são, com as suas qualidade e defeitos. Não é por ocuparem cargos oficiais que tem que deixar de ser religiosos.

    Por outro lado, é natural que a sociedade se organize para socorrer quem mais precisa. O Estado em vez de se ocupar em centralizar devia preocupar-se em apoiar quem trabalha melhor que o Estado (subsidariedade).

  9. Caro Z,

    «Abraão, a senhora não via e passou a ver. Vários médico o comprovaram. Qual é o motivo para gozar?»

    Não conseguia ver de um ou dos dois olhos?
    Você conhece o caso?
    Que tal partilhar o link do artigo do diagnóstico médico – já que até agora não o consegui encontrar na Net…

    O gozo aqui está do seu lado – ao tentar convencer-nos que o “nosso Nuninho” andou a fazer destas “cousas” que ninguém acredita…

    «Para além disso o milagre (em que eu acredito) veio apenas confirmar a santidade do Beato Nuno.»

    Yah!Yah! Yaeiihh!
    Partilhe connosco uma prova, please!…

    «É por a Igreja o reconhecer como Santo e o indicar como exemplo a todo o mundo que o Estado se congratula.

    Você possui a mínima ideia da idiotice que está a subscrever?
    Um gajo que mata castelhanos como quem come tremoços é um exemplo para todo o mundo?
    A sua intenção é suicidar o seu nick por aqui?
    Tudo bem…

    Já quanto à afirmação:
    « Por outro lado, é natural que a sociedade se organize para socorrer quem mais precisa….»

    Concordo.
    Fui na minha juventude bombeiro voluntário e não concordo em pagar impostos e o Estado não fazer o seu trabalho…

    «Não é por ocuparem cargos oficiais que tem que deixar de ser religiosos»

    Aí é que se engana redondamente.
    Eu não pago impostos para que as decisões dos cargos oficiais obedeçam a critérios de crenças religiosas!
    Eu pago impostos para que TODOS possamos usufruir de uma sociedade organizada, justa e onde possamos viver em conjunto e em paz.
    Os políticos ou possuem uma visão laica e equidistante das religiões, ou pura e simplesmente, não são merecedores dos meus impostos.

    «O Estado em vez de se ocupar em centralizar devia preocupar-se em apoiar quem trabalha melhor que o Estado (subsidariedade)»

    Aproveitando o seu texto:
    O Estado em vez de se ocupar em apoiar instituições dogmáticas centralizadas devia preocupar-se em apoiar quem trabalha melhor que o Estado (subsidariedade)

    Abraços

  10. “Aí é que se engana redondamente.
    Eu não pago impostos para que as decisões dos cargos oficiais obedeçam a critérios de crenças religiosas!
    Eu pago impostos para que TODOS possamos usufruir de uma sociedade organizada, justa e onde possamos viver em conjunto e em paz.
    Os políticos ou possuem uma visão laica e equidistante das religiões, ou pura e simplesmente, não são merecedores dos meus impostos.”

    concordo com o Abraão. não gosto que o dinheiro dos meus impostos vá para as igrejas ou para eleger alguem que seja religioso, pois nesse caso é muito provavel que esse alguem favoreça a sua religião

  11. Abraão,

    o Beato Nuno não matou espanhois como quem matou tremoços. Lutou quando era preciso, para defender Portugal. Depois da luta sepre tratou todos, portugueses e espanhois, com caridade (isto aliás vem em qualquer livro de historia).

    A Dona Guilhermina não via só de um olho. Suponho que os relatórios médicos não estejam na Internet. Mas se quer mesmo saber dirija-se ao patriarcado e peça que o informem sobre o assunto.

  12. Acho que convém situar a controvérsia acerca do Beato Nuno com este artigo de opinião publicado no Correio da Manhã por um tal de “Dom” Carlos Azevedo intitulado “Desonestidade ateísta”:

    http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093&contentid=4A9B8C6C-88CB-40DA-BAAB-7E99D6321DDB

    Bem…este artigo é tão estúpido e desesperado, que tenho mesmo de fazer uns quantos comentários acerca dele. Então aqui vai…

    “Porque as intervenções rondam a desonestidade intelectual venho aqui combater afirmações deste pequeno grupo quase residual na sociedade portuguesa, mas, em virtude das suas posições extravagantes, valorizado na comunicação social”.

    Congratulamo-nos pelo destaque que dá aos ateus o membro do outrora também “pequeno grupo quase residual” dessa seita judaica que mais tarde veio a intitular-se de “cristianismo”.

    Indigna-se a pia criatura porque, afinal, não foi só o óleo do peixe que valeu para a canononização de Nuno Álvares Pereira. Não! Contam também: “entrega total ao serviço da pátria, confiança absoluta em Deus, perdão, partilha, serviço aos pobres”

    Entrega total ao serviço da pátria??? Eu não sei se este bispo tirou o curso de teologia na farinha Amparo, mas caso esteja um pouco esquecido, aqui vai um trecho do Evangelho de João:

    “Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. (João 18: 35-36)”

    Portanto…onde é que entra a “pátria” como conceito fundamental na Cristologia? Ah…já sei! O Vaticano! Claro…esse Estado guloso e oportunista que privilegia também os reinos DESTE mundo. A velha união entre o Trono e o Altar, agora metamorfoseada de união entre República e Altar (alguém imaginaria isto possível?).

    Mas avancemos um pouco mais para descobrirmos onde está a desonestidade intelectual dos ateus. Para isso, vamos responder a algumas perguntas: a Igreja preza o valor da vida humana acima de tudo? Considera a preservação da vida e o amor do ser humano ao seu semelhante uma das condições para a obtenção de santidade? Se a resposta é afirmativa e se Nuno Álvares Pereira pode de facto ser qualificado de “santo”, uma conclusão lógica parece inevitável: a Batalha de Aljubarrota não foi mais do que um jogo de xadrez, ou uma partidinha de pólo de onde a equipa castelhana saiu gravemente lesada! A culpa é do árbitro Bruno Paixão!!

    De outra forma, que santo é este que participa numa carnificina militar (por muito necessária que ela tenha sido para a existência deste país)? Mais: como é que a Igreja eleva um dos comandantes da carnificina ao estatuto de santo e condena à excomunhão uma criança e toda a sua família, só porque estas optaram pelo aborto num caso extremo? A Igreja Católica é um festival nojento de hipocrisia e estes “Dons” de alcova que se intitulam de bispos, cardeais & companhia, mais não passam do que lacaios de uma instituição degradante, observando “his master’s voice”.

    “Só a fé constitui a luz para entender o que a razão médica não consegue explicar. Neste caso, nem seria necessário este terceiro elemento, dada a antiguidade da fama de santidade, que aqui não cabe explicar” diz o tal “Dom Carlos”.

    Claro! A razão médica não consegue explicar os motivos pelos quais a Dona Guilhermina de Jesus andava a brincar com óleo a ferver de maneira negligente e caseira quando já existem electrodomésticos altamente sofisticados para lidar com materiais tão perigosos! Felizmente, Deus soube emendar a situação e graças a este precalço da D. Guilhermina, o Todo Poderoso deu isto aos seres humanos, para que possam ser mais felizes e para que não tenham de chatear muitas vezes o Dom Nuno de Santa Maria com preces de auxílio oftalmológico:

    http://www.consumer.philips.com/consumer/pt/pt/consumer/cc/_productid_HD6103_70_PT_CONSUMER/HD6103

    (perdoem-me a publicidade)

    “Pretender ignorar este processo completo é desonestidade grave, além de alinhar na crítica destruidora das grandes figuras da identidade nacional”.

    Uuuuuuuuuu!! Lá vem o papão do ateu, comunista, apátrida, imoral, essa ralé da sociedade que não veste a camisola de Deus, da Pátria e da Família! “Cuidado criancinhas! O ateu vai-vos comer!” Patético, patético, patético…. só de pensar que este indivíduo é um dos elegíveis para o lugar do Policarpo, até dá volta na tripa!

    “É o mesmo anticatolicismo primário a motivar o desacordo com o facto de o Presidente da República integrar uma Comissão de Honra que promove comemorações destinadas a valorizar a dimensão nacional de Nuno Álvares Pereira. Mal seria se o representante da Nação estivesse ausente de facto tão relevante para a grande maioria da população, independentemente da sua posição pessoal.”

    Se o Presidente da República pretende “valorizar a dimensão nacional de Nuno Álvares Pereira”, isso implica valorizar a dimensão beata e parola do beato Nuno de Santa Maria? E quanto ao “anticatolicismo primário”, náááá…! Os ateus de hoje estão bem mais sofisticados: já não se trata de falar de um “anticatolicismo primário”; as suas críticas são motivadas mesmo é pelo “primarismo do catolicismo”.

    “Pessoas com rigor intelectual não fazem equivaler formas degradadas de religião com verdadeira religião transformadora da sociedade, da qual tantos católicos e membros de várias religiões deram testemunho com o dom da própria vida. Denegrir toda a dimensão religiosa, meter tudo no mesmo saco para deitar abaixo é usar da mentira para a propaganda em curso. O grande crítico da falsa religião foi Jesus Cristo. Os que O seguem, como o Beato Nuno, não são super-homens ou super-mulheres, isentos de qualquer defeito. São porém, antes de mais, servidores do Deus vivo e inteiramente dados ao bem dos outros, em mil formas próprias da fidelidade a cada tempo.”

    Que retórica balofa… nem vale a pena comentar.

    Com todo este discurso da treta, a mensagem do Carlinhos é apenas uma – e como tal deve ser lida nas entrelinhas:

    “Seus ateus empata-f####: não metam o bedelho no casamento que tem de existir permanentemente entre o poder político e a religião! Os políticos ganham com isso e nós também! Porque é que vocês têm de vir para aqui estragar a festa? Desamparem-nos a loja!”

    E assim vai este país de conluios e podridões, sustentando por canonizações de alcova e servilismo primário.

    Portugueses: ACORDEM!

    Saudações em Silvestre

  13. “Mas se quer mesmo saber dirija-se ao patriarcado e peça que o informem sobre o assunto.” – Sim Z. estou mesmo a ver o patriarcado a dar uma resposta imparcial e verdadeira. O mesmo patriarcado que abraçou o Estado Novo…

  14. Vão Matar Nossa Civilização.

    Episódio Estapafúrdio no Rio de Janeiro:
    SuperVia do Diretor jogou a pemba toda em cima dos “seguranças”. Pra o povo aprender a não se dependurar no saco imundo da Teo-Pulhítica que tá aí. Massacraram a Educação enfiando “religião” nas escolas (ao invés de PAGAR os professores) e FLAGELARAM até nossa língua (no esquema insano de submissão civil); aí a galera despreparada de tudo sai pra correria do viver; e cai na mão dos “mandantes”. Uma vez DO LADO OPRESSOR fica tudo “marrento” (em bandos covardes). A SuperVia saiu limpinha e ainda sobrou pros “escravos”.

    Cenas do horrível:
    Passivos como babás de cachorros, e empurrando os dias em feiúras e violências, os enganados se tornam escravos, olhando como bois a ilusão lá do “céu” impregnada pelos “espertos” vigaristas. Morrem filhos, matam amigos, estoporam infantes, e tudo vai correndo diretinho pra mãos dos canalhas (chafurdados na vagabundice), os usurpadores do que produzimos. Vamos, vamos adorar como séqüitos desgraçados os símbolos do Terror.

    Excremento Teo-Pulhítico:
    Agora, meus caros, se alguém ainda tem alguma VERGONHA na cara é só ver que o cúmulo do absurdo insuportável: FORMATARAM o Socialismo Divino. Vestiram o Karl Marx de “jeusuis-deuso”, meteram uma cor vermelha pra miragem abobada da fantochada alienada; e nosso dinheiro foi todo pros banqueiros pra assegurar esse delírio de poder. E nos manietaram em senzalas “abençoadas”, “sacralizadas”, “na paz” (dos hipócritas acoitados pela violência). E os Feitores cepam no nosso lombo a cruzada da violência aterradora.

    Enquanto já devíamos ter terminado o cancro medonho no Brasil com seus palácios apavoradores lotados de pederastas parasitas, a Europa dormente não vê o cêrco da violência civil se formatando: A Espanha, num inominável retrocesso, cede espaço para um tumor ser fincado no seu solo. Estamos diante dum indescritível processo: Os parasitas teo-pulhíticos vão exterminar mais uma vez a nossa Civilização.

    Garotos e garotas! Vocês têem noção de quantos foram prejudicados para que vocês estivessem feitos estúpidos entoando cantorias numa euforia insana e num amansamento psicológico covarde?

    Espécie Humana! Nosso brio civil não pode se acovardar e se enganar mais uma vez. A História já foi contada várias vezes: Não podemos ser exterminados como os Maias, como os Egípcios, como os Gregos … precisamos ver. Precisamos Ver! Não dêem mãos, nem suas consciências, aos Canalhas usurpadores de tudo que produzimos.

  15. Z,

    «O Beato Nuno não matou espanhois como quem matou tremoços. Lutou quando era preciso, para defender Portugal. Depois da luta sepre tratou todos, portugueses e espanhois, com caridade (isto aliás vem em qualquer livro de historia).»

    Apenas lutou quando era preciso? E foi só para defender Portugal?
    Pensava eu que a morte conspiratória e cobarde do Conde Andeiro tinha sido uma ofensiva contra Castela. Parvoíce minha…
    Depois, segundo consta, limitou-se a distribuir caridade cristã pelos castelhanos e a seguir tratava da saúde aos que sobreviviam de acordo com os isentos escritos da altura.
    Mas não se pode dizer mal pois se fez o que fez, foi pela ideia do Portugalinho acarinhado por deus e por nós, certo?
    Assim está perdoado e até é santo e tudo pois afinal toda a gente sabe que deus gosta de todos, embora prefira Portugal a Castela…
    Azar dos castelhanos que não rezaram devidamente e em quantidade suficiente… Portugal é um país e Castela uma província…

    «A Dona Guilhermina não via só de um olho. Suponho que os relatórios médicos não estejam na Internet. Mas se quer mesmo saber dirija-se ao patriarcado e peça que o informem sobre o assunto.»

    Eu conheço a história superficialmente tão bem como você.
    O problema é exactamente esse: Só a conhecemos superficialmente bem devido à ausência da documentação exaustiva disponível para consulta do grande público, aliás tal como é tradição nestas matérias.
    Não seria um sinal pedagógico de transparência e honestidade intelectual o patriarcado pedir a publicação do relatório através dos seus orgãos oficiais?
    Como é que se pode esperar que o Estado da República Portuguesa – que em teoria deverá possuir um comportamento de uma “pessoa tida como séria” – se congratule com um ridículo milagre do qual nem sequer se conhece a documentação?

    E você Z?
    Não tem curiosidade?
    Acredita na burla sem efectuar uma pequena verificação que seja?
    Bom…mas esta historieta do pingo de óleo é apenas mais uma daquelas coisas inocentes do “diz que disse” que não fazem mal a ninguém e até alegram a malta, certo?
    Tal com referiu Carlos Azevedo, o que interessa por aqui não é o milagrito mas sim o somatório de atributos como:

    «[...] entrega total ao serviço da pátria, confiança absoluta em Deus, perdão, partilha, serviço aos pobres. [...] a fama de santidade, muito cedo demonstrada pelo povo, invocando o Santo Condestável . Só em terceiro lugar se atende, como confirmação, à ocorrência de um milagre, sinal sempre débil, como todos os sinais da presença de Deus»

    Subscrevendo os comentários já expostos pelo confrade Lucas Samuel, apenas complemento com uma observação sobre estas afirmações sobre milagres.

    « [...] ocorrência de um milagre, sinal sempre débil, como todos os sinais da presença de Deus»

    Fico surpreendido que alguém acredite que o Universo imenso foi criado por qualquer coisa grandiosa que depois, apenas emite sinais débeis no seio do universo que criou.
    Tenho que pedir emprestado o milagrímetro que o caro Carlos Azevedo deve possuir lá na sua garagem para ver se consigo calibrar o meu que inventei nas horas vagas. É que não consigo apanhar nada…

    Quanto à questão do timing para estas celebrações pagas por contribuites laicos, só posso concordar que é efectivamente o mais adequado pois para além de já não se esperar (finalmente!) que os descendentes dos familiares dos castelhanos mortos possam protestar – e seguramente porque se encontram a fazer coisas mais interessantes como ganhar dinheiro a atender clientes portugueses nas zonas de fronteira – também serve para massajar o nosso ego patrioteiro tão debilitado neste tempo de crise económica…e, talvez mais importante para a maioria da população, de profunda angústia com a epopeia da classificação para o mundial…

    Eu até compreendo…O nacionalismo parolo-moderado servido em pequenos pires bairristas, para além de não provocar azias sociais graves também dá colorido à vidinha do dia a dia… Muito europeu…

    Península Ibérica costa Oeste, Secº XXI

  16. Abrão,

    que matou o conde Andeiro foi Dom João I, o Beato Nuno não estava presente.

    Quanto ao milagre, acha que todos os milagres que a Igreja reconhecem têm que ter todos os relatórios dos especialistas publicados na net? Quem não confia na Igreja que os vá procurar, porque eles existem. Eu quando leio uma enciclopédia tambem não vou procurar os trabalhos preparatórios para me assegurar do que está lá escrito.

    Ainda quanto a luta contra Castela. Embora tabem ache que a morte do Conde Andeiro foi um acto sem honra (mas tb n sou especialmente fã de D. João I) foi Castela quem tentou invadir Portugal e foi rei de Castela que desonrou o acordo feito com Dom Fernado quando do casamento de Dona Beatriz.

  17. Não tem cabimento a presença institucional dos nossos dirigentes numa cerimónia interna da ICAR, fruto de um non-sense completo que desperta toda e qualquer chacota possível em quem tenha dois pés de cabeça. E encontram-se milagres bem mais ridículos com alguma facilidade.

    Qual é a definição de “estado anti-clerical”?

  18. Z,

    Tem razão.
    Não esteve fisicamente presente mas fez certamente parte do conluio e no mínimo, foi extremamente solidário à posteriori.

    Mas a questão aqui é outra:
    - Como é que um guerreiro profissional que matava pelas próprias mãos por razões xenófobo-patrioteiras é apresentado como um exemplo a seguir na sociedade de um paÍs da União Europeia em pleno sec. XXI?

    Que o deus Thor seja transformado num herói de BD, até compreendo…
    Mas este bairrista xenófobo ser aclamado como santo com direito a sentar-se na segunda fila do céu e servir de exemplo para a nossa juventude?

    Quanto ao seu correcto e pertinente esclarecimento:
    « foi Castela quem tentou invadir Portugal e foi rei de Castela que desonrou o acordo feito com Dom Fernado quando do casamento de Dona Beatriz.»

    Curiosamente, a primeira reacção a toda esta parvoíce por parte da minha mulher – galega, com dupla nacionalidade – foi um simples encolher de ombros enquanto deixou escapar um complacente “machos ibéricos…”
    Nada a acrescentar!…

    Abraços

  19. Um pouco de história

    D. Fernando renegou sucessivos acordos para o casamento de sua filha Beatriz, mas enfraquecido com as batalhas que promoveu contra Castela, a cujo trono se julgava com direito, assinou um tratado de Salvaterra de Magos cujos termos de compromisso implicavam a perpétua separação dos reinos de Portugal, mas estipulavam que D. Beatriz e o marido castelhano seriam reis de Portugal se D. Fernando morresse sem filhos varões, o que sucederia ainda no mesmo ano. E a sucessão da coroa portuguesa passaria, em qualquer caso, para os filhos de ambos. A Leonor Teles era concedida a regência até que um filho varão de D. Beatriz fizesse 14 anos.(Daí a legitimidade ao trono português invocada pelo rei castelhano, não havendo portanto qualquer desonra da parte de Castela relativamente ao tratado).
    (in o povo – blogspot)

    No dia 6 de Dezembro de 1383, D. João, Mestre da Ordem Militar de Avis, dirigiu-se ao palácio real, ao Limoeiro, em Lisboa. Depois de cumprimentar a rainha D. Leonor Teles e os nobres que a acompanhavam pediu ao conde de Ourém, o galego João Fernandes Andeiro, que lhe desse uma palavra em particular. O amante da rainha viúva desconfiou, fez sinal aos seus homens para que fossem buscar armas – e ficou sozinho com o Mestre. Num recanto da sala , junto à janela, trocaram umas palavras em voz baixa. De repente, o filho bastardo do rei D. Pedro I empunhou um cutelo comprido e desferiu um golpe na cabeça do homem mais poderoso de Portugal. O conde Andeiro não morreu logo e ainda tentou chegar aos aposentos da rainha, mas um dos homens do Mestre, Rui Pereira (tio de Nuno Álvares Pereira), acabou com ele à espadeirada.

    Perante a insurreição que desencadeara, D. João hesitava. Sabia que o rei de Castela não tardaria a invadir Portugal e temia pela sua vida. Pensou em fugir para Inglaterra, mas desistiu. Enviou emissários a Alenquer, para onde se retirara Leonor Teles, propondo casamento à viúva do seu meio-irmão, cujo amante assassinara. A rainha recusou.
    (in Orgasmos – blog)

    Acrescente-se que a aclamação popular inicial era para com o infante D. João, que estava detido em Castela, e não para com o infante bastardo homónimo que depois ascende a rei.

    Cordialmente

  20. Z,

    Ainda sobre a disponibilização ao grande público da documentação sobre o milagre:

    Vamos lá tentar ser claros.
    O milagre ou é importante ou não é.

    Se for importante, a ICAR afoga-se na polémica do ridículo do milagre.
    Se não for importante e o esquecermos, a ICAR não pode proceder a canonização pois as regras determinam que tem que existir milagre… mesmo ridículo.
    Portanto, parece-me que tecnicamente o milagre é mesmo importante e não há fuga possível ao afogamento pelo ridículo de que se cobriram voluntariamente.

    Se até o Carlos Azevedo relativiza o milagre colocando a sua confirmação por pretensos cientistas ao mesmo nível da capacidade de reconhecimento de um santo por parte do povo, porque será então que não se disponibiliza o relatório do milagre do óleo-do-peixe-frito e deixar que seja analisado pelo povo – essa tal mole de intelectuais sérios e rigorosos que não deixam passar nada?

    Assim de repente, até sou capaz de identificar algumas potenciais razões para que o relatório não seja publicado:

    - Não existem recursos qualificados para o efeito.
    - Estavam esperançados que a coisa passasse despercebida.
    - O disco crashou e ninguém sabe onde está a pen de backup.
    - Proteger o bom nome e a carreira dos pseudo-cientistas que assinaram o relatório.
    - É mais divertido publicar notas pastorais que ninguém lê.
    - São 18 volumes de linguagem profundamente técnica e ainda não houve tempo para o ler.
    - O documento não existe.

    É na apreciação de valores éticos tão básicos como a seriedade e o rigor que constatamos na prática que a Ciência e a religião são incompatíveis.

    Abraços

  21. Bravo confrade Abraão!

    Se eu não soubesse que vocemessê é homem de ciência, até podia tomá-lo por um Perry Mason!

    Case closed!

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