“O Sr. B e o Sr. C sentaram-se no alpendre e viram o desfile do Novo Ateísmo passar.
Era um desfile algo caótico, desorganizado e entusiástico. Havia palhaços e malabaristas, homens sérios com discursos sérios, pequenos grupos a gritar slogans anti-clericais, pessoas a dançar na rua, e um ou outro carro alegórico com temas anti-religiosos ou pró-ciência. A palavra “A” vermelha podia-se se ver nas lapelas, nas camisolas, nas bandeiras.
Alguns participantes pareciam zangados, mas a maior parte parecia contente por estar no desfile, e por terem a liberdade de o fazer.
Uma multidão observava o desfile nos lados da rua. Alguns tinham um aspecto de estarem confusos, outros agastados, outros colocavam as mãos nos ouvidos e fechavam os olhos, e uns chegavam mesmo a abanar a Bíblia em sinal de desacordo com o desfile. De vez em quando podia-se ver pessoas a saírem da multidão que observava para se juntarem ao desfile.
O Sr B e o Sr. C deixaram-se se estar sentados nas suas cadeiras, no seu alpendre.
Disse o Sr. C, “Que falta de respeito. Que barulheira! Que pensam eles conseguir com tal demonstração de rudeza?”
Respondeu o Sr. B “não tenho a certeza, uma vez que eu nunca li nada sobre este disparate do Novo Ateísmo. Mas eu sei isto: eles não entendem o ateísmo, e não entendem a religião igualmente. Eu, por exemplo, sou um ateísta e não concordo nada com eles”.
“Oh, sim, eu sei isso, Sr. B”, disse o Sr. C, “mas você é um bom ateísta, do tipo que respeita a religião, e que nunca causaria este estilo de demonstrações”.
“Exactamente! Estes Novos Ateístas, com a sua arrogância, a pensarem que as suas ideias são melhores do que milhares de anos de pensamento teológico sofisticado! Escreva o que lhe digo, o ateísmo nunca irá longe com este estilo de atitudes.”
“Sim, Sr. B. Pense o quanto seria melhor se os ateístas e os cristãos marchassem braço no braço, afirmando o seu respeito mutuo, e no quanto seria melhor se os ateístas parassem de dizer o quanto errado a religião é. É ofensivo, é o que é. Porque é que têm de continuar a implicar com as crenças das pessoas?”
“Eu estou totalmente de acordo, Sr. C. Eu sou daqueles que acha que o ateísmo positivo é aquele que simplesmente ignora a religião, e concentra-se nos seus próprios valores. Só de pensar que, na minha altura, os ateístas ficavam sossegados em casa, e não andavam a criar este estilo de confusões, vivendo uma vida de uma virtude tranquila. Não havia nada destas coisas de “sair do armário ateísta”.
“Verdade Sr. B, como podem eles querer discutir fé de uma forma séria se partem do princípio que fé não é uma coisa boa? Como podem eles pensar que podem conquistar a admiração das pessoas se resolverem não aceitar as “regras do jogo” impostas pela religião?”
O Sr. C continuou a baloiçar-se na sua cadeira, enquanto no fundo da rua, se ouviram aplausos e “vivas” à medida que quatro cavaleiros apareciam no meio do desfile.
O Sr. B cerrou os pulsos e disse, “Olhe para aquilo! Eu sou um ateísta e tenho muito para ensinar para quem quiser. Porque se concentram as pessoas à volta deste desfile, quando podiam vir se sentar aqui no nosso alpendre e ter uma conversa agradável e sossegada connosco. Nós não somos rudes. Nós não iremos fazer pouco do Cristianismo ou do Islão. Nós não iremos desafiar dogmas. Nós queremos nos dar com toda a gente.”
O desfile, claro, continuou o seu caminho, com cada vez mais pessoas a aderir, e sem final à vista”
Inspirado neste texto
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Creio que o texto tem várias gralhas: onde se lê sr. B, não deveria ser sr. H? E o sr. C não deveria ser sr. S? acho até que o mais indicado seria mesmo dois srs. HS
Dois srs HS?!?!?
Ui, não sei se Lisboa teria espaço suficiente para dois srs. HS juntos.
; )
Ricardo,
Li também o excelente artigo que transcreveste, e tomei a liberdade de traduzir a parte final.
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Li os últimos cacarejos de Madeline Bunting e de Julian Baggini, e a imagem com que fico é a de duas ameixas secas confortando-se mutuamente sobre os seus métodos com cheiro a mofo serem o único caminho para atingir a razão.
Madeline Bunting, é estridente como habitual – ela é aquele tipo de pessoa capaz de invocar a defesa de Darwin, protegendo-o de ateus impuros, e ao mesmo tempo citar criacionistas de forma aprovadora. Ela não é amiga da razão ou da ciência, mas finge sê-lo como figura de estilo enquanto defende a sua vaca sagrada: a fé. Pode afirmar-se que ela é um tanto incoerente nesse aspecto.
Por outro lado, Julian Baggini é um caso mais interessante. É realmente um sério filosofo ateísta, e creio que algumas das suas ideias tem mérito. O que torna lamentável a sua tentativa de encontrar um denominador comum com uma doida como Madeline Bunting. A minha consideração por ele caiu a pique depois de ler um artigo seu, em que considera o Novo Ateísmo “destrutivo”, onde a primeira coisa que admite é que não leu nenhum dos livros produzidos pelo movimento!
A forma como justifica isto, é argumentando que pode julgar o Novo Ateísmo, através dos seus efeitos. Na sua opinião, este movimento retira credibilidade a ateus iguais a si. Isto é uma afirmação algo provinciana: acreditará ele que antes de Harris, Dawkins, Dennett e Hitchens viviamos todos num mundo magico onde os ateus eram intelectuais amados, respeitados por todos, e que os teólogos com reputação estabelecida tinham como ferramentas exclusivas a razão e a lógica?
Ele está completamente enganado. O que o Novo Ateísmo trouxe, foi maior abertura e uma quantidade surpreendente de orgulho ateu. Sim, isso significa que somos mais barulhentos (Madeline Bunting descreve “buzinas de nevoeiro” como se isso fosse algo mau), que temos um corpo de infiéis mais diverso e consequentemente com pessoas com quem discordamos, e que recebemos mais atenção da imprensa e temos mais entusiasmo popular. Em vez de me fazer pensar que incentivámos a hostilidade das pessoas, acho que o Novo Ateísmo é óptimo, e dá-me esperança no futuro – estamos a construir uma comunidade viva sem a presença de deuses, com menos apatia, e que não cheira permanentemente a naftalina.
E adivinhem? Nada no movimento do Novo Ateísmo vai impedir Julian Baggini de convidar o pároco para um chá das cinco, na sua sossegada casinha. Força Baggini, nada o impede de conquistar os seus objectivos.
in Pharyngula: Mr B and Miz B savor their success
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É curioso, expressei uma opinião identica (com chá e tudo) à algum tempo.
Li os últimos cacarejos de Madeline Bunting e de Julian Baggini, e a imagem com que fico é a de duas ameixas secas confortando-se mutuamente sobre os seus métodos com cheiro a mofo serem o único caminho para atingir a razão, enquanto se sentam sós, ignorados. Seria divertido, se não fosse triste e patético.
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Saltei um bocadinho do inicio.
Miz é a forma falada de Ms, que é a contração de Mistress (feminino de Mister)
O titulo refere-se ao Senhor B (Baggini) e à Senhora B (Bunting) e só faz sentido depois de ler a segunda parte do artigo que eu traduzi (comentário 3)