“Bendita seja esta tua submissão.”,
Josemaria Escrivá de Balaguer
Uma das palavras que mais aparece neste livro que recomendo é a seguinte: SEITA. Palavra que não chega para descrever a organização mais reaccionária da ICAR.
Da autoria do jornalista italiano Ferruccio Pinotti, Opus Dei Secreta constitui um apanhado dos relatos (livros já existentes e entrevistas exclusivas realizadas um pouco por todo o mundo) de quem deixou esta organização, tendo sido sujeito às mais variadas pressões e abusos do ponto de vista psicológico. Renúncia ao individualismo, submissão, obediência, penitência e proselitismo fazem parte da actividade desta organização.
Aqui encontram-se testemunhos de ex-membros da Obra, alguns durante décadas e que saíram ou foram postos na rua sem um cêntimo no bolso. Operações financeiras duvidosas a várias escalas, manipulação de gente com cargos importantes, criação de entidades “falsas” (tais como clubes ou associações de solidariedade) com o único objectivo de angariar dinheiro ou novos membros “efectivos” (os chamados numerários, havendo ainda, para as mulheres, o cargo de numerária auxiliar) ou “aderentes” (chamados supranumerários).

Uma maneira de explicar este livro passa por fazer um apanhado de como funciona a Obra e que é comum a muitos dos testemunhos, senão a todos, independentemente da posição geográfica.
A angariação e proselitismo atingem sobretudo os adolescentes de 13-17 anos (mentes ainda não totalmente desenvolvidas, um alvo mais fácil e ainda por cima proibido pelo código de direito canónico, que exige os 18 anos) por intermédio de grupos culturais ou clubes fictícios feitos com um objectivo apenas. A partir do momento em que são entregues a uma espécie de orientador espiritual (um numerário, por norma) é avaliada a sua aptidão para a entrada na Obra, podendo ser postos de parte ou convidados a “apitar” (termo usado para pedir formalmente a entrada na Obra, como numerário).
Toda a ideia que um jovem destes desenvolve antes de “apitar” é que a OD é um centro orientador da espiritualidade e (por incrível que pareça) laico. Mentiras dos prosélitos ao rebanho. A partir do momento em que entram como numerários aparece a verdadeira faceta da Obra: afastamento da família e amigos (estando as “amizades” restringidas apenas à captação de novos membros), dedicação total e exclusiva, um índex de livros proibidos (e é preciso pedir autorização para tudo), mortificação corporal (cilício duas horas por dia e látego uma vez por semana), entrega da totalidade do salário, pressão para a elaboração de um testamento em que se deixa tudo à OD. E para as mulheres ainda é pior.
Quem sai da OD fá-lo completamente de rastos a nível psicológico, por norma. Suicídios e depressões são comuns. A perseguição por parte dos ex-colegas persiste após anos. Há mesmo uma clínica psiquiátrica em Pamplona, Navarra (cidade espanhola onde a OD é mais forte) especializada em tratar os numerários com problemas psicológicos (claro, por médicos e enfermeiros pertencentes à Obra).
A OD tem uma presença quase global. Uma rede de infra-estruturas espalhada por todo o mundo, destacando-se escolas, universidades e residências. O grande alvo do proselitismo e aliciamento para além dos jovens de tenra idade (nomeadamente para numerários) é no mundo da alta finança. Operações financeiras pouco transparentes e eticamente questionáveis são efectuadas entre entidades pertencentes ou administradas pela OD. Empréstimos a juros baixíssimos são concedidos a indivíduos afectos à organização.
A última palavra vai para o fundador. Feito santo por João Paulo II (outro amigo da OD), Josemaria Escrivá de Balaguer é aqui apresentado (por quem o conheceu) como alguém “inteligente mas não intelectual”, anti-intelectual, anti-comunista (simpatizava com a investida nazi por entre a URSS “ateia”, referindo-se a Hitler como uma “cruzada contra o marxismo”) e anti-liberal (é referido que as “máculas” contra as quais lutou desde sempre foram o ateísmo, o comunismo e o liberalismo). Outra das referências é o cariz militar da OD a nível de disciplina e obediência, muito inspirado no seu mentor. Escrivá, pelo relato de quem o conheceu, era uma pessoa autoritária, que renegava os sentimentos, com uma “concepção esquizofrénica do sexo”, exercia a mortificação corporal a um nível quase extremo e zangava-se com facilidade.
As três “anti” referidas no parágrafo definem muito bem o que a Obra realmente defende, daí o seu perfeito encaixe e crescimento na Espanha Franquista (e Portugal foi o primeiro país para onde se expandiu), não esquecendo o apoio financeiro dado às ditaduras sul-americanas (continente que contém metade dos membros) no Chile, Paraguai e Argentina (onde alguns militares que detinham cargos políticos eram supranumerários).
Em jeito de resumo, a OD é uma organização fortemente hierarquizada (cujos cargos cimeiros estão ocupados por clérigos), baseada na manipulação e obediência, com forte poder financeiro (possuem mesmo um arranha-céus de dezassete andares em Manhattan) e com uma rede tentacular que impinge a censura (possui desde gente em cargos importantes que fazem pressão para que certas coisas não venham para a opinião pública até jornalistas que abafam ou filtram “más notícias” sobre a Obra), despedaça famílias e explora pessoas até ao extremo, com um comportamento que se pode definir de criminoso e actividades pouco transparentes, mesmo para quem está dentro.
Teria lido este livro em dois dias (pois prende o leitor da mesma maneira que a OD prende os seus numerários) se não tivesse tido tanto trabalho nas últimas duas semanas e meia. Fica por aqui uma sugestão de leitura que considero imprescindível tanto para religiosos (nomeadamente católicos praticantes a partir dos doze anos de idade) como para não crentes.
“Opus Dei Secreta”; Pinnoti F.; Campo das Letras- Editores S.A.; Porto, 2008.
Outros artigos relacionados:
Caro Ricardo
S m permites, aqui vai mais um livro q denuncia os esquemas da opus dei, desde a tomada do poder dentro da igreja, ajuda ao amigo Polaco, bem como as negociatas económicas da ordem…
ROBERT HUTCHINSON – O MUNDO SECRETO DO OPUS DEI (Preparando o confronto final entre o Mundo cristão e o radicalismo islâmico)
Saudações
Caro Carlos Rocha,
Obrigado pela sua sugestão (fica registado para uma futura leitura).
PS: Este artigo não é do Ricardo Silvestre
Rotular de “seita” a Opus Dei é uma prova de falta de inteligência de todo o tamanho. Uma seita é um grupo que tem uma doutrina que diverge da correspondente dominante. A Obra é e procura ser fiel cumpridora da Doutrina da Igreja Católica onde está inserida. Talvez seja essa o GRANDE problema…
“Josemaria Escrivá de Balaguer é aqui apresentado (por quem o conheceu) como alguém “inteligente mas não intelectual”, anti-intelectual, anti-comunista (simpatizava com a investida nazi por entre a URSS “ateia”, referindo-se a Hitler como uma “cruzada contra o marxismo”)”
Um católico é, quase por natureza, anti-comunista e anti-marxista. É impossível ser-se católico e ser partidário do comunismo ou do marxismo. Não é preciso ser da Opus Dei. Basta ser católico.
“anti-liberal (é referido que as “máculas” contra as quais lutou desde sempre foram o ateísmo, o comunismo e o liberalismo).”
Não foi só São Josemaria, mas toda a Igreja. Mais do que lutar contra, a Igreja luta a favor de certas causas. A favor de ensinar, anunciar, testemunhar publica e individualmente Deus (embora se veja isso como anti-ateísmo), a favor de demonstrar aque a verdadeira liberdade não é a libertinagem que se ensina e que se vê por aí que é fazer o que nos dá na real gana…etc…
Mas claro, quem veste a camisola toma partido do lado que quer. Vocês vêem apenas essa perspectiva, que é a que interessa… E os limitados são os crentes…
lol
Quanto ao “afastamento da família e amigos (estando as “amizades” restringidas apenas à captação de novos membros),”
Mais uma vez, não só na Opus Dei, mas todos os católicos são chamados a corresponder à proposta de Jesus Cristo de “se tornarem pescadores de homens”, de fazer apóstolos entre os que estão à sua volta. Jesus “recrutou” os apóstolos e estes a outros e por aí adiante… E depois, Jesus antes de subir ao Céu deixou uma ordem muito clara: “Ide e ensinai!”. O apostolado nasceu dentro da Igreja (e não dentro da Obra). E a Igreja recomenda que se acompanhem os jovens, com prudência e com fé em Deus, especialmente no momento em que se questionam sobre qual a sua vocação. É assim em toda a Igreja e não apenas na Obra!
” um índex de livros proibidos (e é preciso pedir autorização para tudo)”~
O Papa João Paulo II diz: “Nem todos os livros têm o mesmo valor e utilidade. É preciso saber escolher e pedir conselho a respeito daquilo que merece ser lido”. Como vêem, esta não é uma preocupação apenas interna da Obra, mas da Igreja em geral. A questão não é haver livros proibidos ou de ser obrigatório pedir autorização. A questão é muito mais abrangente e profunda: é uma questão espiritua. Ter consciência do que merece ser lido, “com o desejo de escolher livros em sintonia com a fé pessoal e com as livres opções de vida.” (como diz no site da Obra, em http://www.opusdei.pt)
“mortificação corporal (cilício duas horas por dia e látego uma vez por semana),”
Mais uma vez, e transcrevo textos da Opus Dei, do mesmo site, “a mortificação corporal pertence à vida cristã: o jejum e a abstinência são propostas que anualmente a Igreja volta a fazer. A história dos pequenos pastorinhos de Fátima mostra como a alegria pode estar ligada à renúncia. E que a penitência significa ter parte da paixão de Cristo e purificar-se dos próprios pecados. A mortificação melhora a pessoa na medida em que a une a Jesus que sofreu para que outros não sofressem. A mortificação cristã é sempre voluntária.”
“E, sobretudo, a mortificação corporal, mesmo na forma do cilício e das disciplinas usada por pessoas como a Madre Teresa de Calcutá, não tem nem a crueldade nem, muito menos, o fim perverso do retrato que o Código Da Vinci popularizou. É materialmente impossível que o uso das disciplinas faça sangrar ou provoque algum mal à saúde; provoca apenas um ligeiro incómodo.” (www.opusdei.pt)
Enfim, muito mais havia a dizer… mas parece-me que está claro. O “problema” da Opus Dei é simplesmente ser fiel à Doutrina da Igreja Católica, “problema” esse que para muitos é a raiz de todos os males da sociedade…
Se eles soubessem…
João C,
Volto-lhe a fazer a mesma pergunta que fiz no post (de primeiro de abril) em que você se assumiu como membro da Obra (achei estranho pois é algo que penso que até é proibido, de acordo com a política interna da OD): Você é numerário ou supranumerário?
(claro que está no seu direito de não responder, apenas lho pergunto por curiosidade)
“Rotular de “seita” a Opus Dei é uma prova de falta de inteligência de todo o tamanho. Uma seita é um grupo que tem uma doutrina que diverge da correspondente dominante. A Obra é e procura ser fiel cumpridora da Doutrina da Igreja Católica onde está inserida. Talvez seja essa o GRANDE problema… “
A questão da “seita” vem abordada em muitos testemunhos devido à manipulação que a OD faz aos seus membros. Não provém essencialmente da doutrina, mas sim da estrutura e funcionamento da organização.
“Um católico é, quase por natureza, anti-comunista e anti-marxista. É impossível ser-se católico e ser partidário do comunismo ou do marxismo. Não é preciso ser da Opus Dei. Basta ser católico.”
Álvaro Cunhal era católico e até acho que teve um enterro com cerimónia religiosa.
Agora falamos de um homem que simpatizava com regimes ditatoriais de direita, nomeadamente militar.
“A favor de ensinar, anunciar, testemunhar publica e individualmente Deus (embora se veja isso como anti-ateísmo)”
Chama-se proselitismo.
“a favor de demonstrar aque a verdadeira liberdade não é a libertinagem que se ensina e que se vê por aí que é fazer o que nos dá na real gana…etc…”
Liberdade é diferente de libertinagem. A libertinagem para quem é conservador é um conceito bem mais abrangente. E para a OD o conceito de liberdade é bem estranho, digamos que é invertido, distorcido.
“Mas claro, quem veste a camisola toma partido do lado que quer. Vocês vêem apenas essa perspectiva, que é a que interessa… E os limitados são os crentes…
lol”
Então afinal como e que funciona?
“Quanto ao “afastamento da família e amigos (estando as “amizades” restringidas apenas à captação de novos membros), Mais uma vez, não só na Opus Dei, mas todos os católicos são chamados a corresponder à proposta de Jesus Cristo de “se tornarem pescadores de homens”, de fazer apóstolos entre os que estão à sua volta.”
É verdade. Mas a OD fá-lo nas camadas mais jovens, violando o direito canónico.
Já agora, estou correcto quanto ao afastamento da família e amigos? E quanto à lista mensal de novas “apitações”?
“O Papa João Paulo II diz: “Nem todos os livros têm o mesmo valor e utilidade. É preciso saber escolher e pedir conselho a respeito daquilo que merece ser lido (…) A questão não é haver livros proibidos ou de ser obrigatório pedir autorização. A questão é muito mais abrangente e profunda: é uma questão espiritua. Ter consciência do que merece ser lido, “com o desejo de escolher livros em sintonia com a fé pessoal e com as livres opções de vida.”
Cada um lê o que bem entender e claro que se deve aconselhar sobre a qualidade da obra. Mas uma coisa é pedir conselho, outra coisa é proibir. Mesmo invocando que a fé pode estar em perigo com uma certa leitura, para quê proibir? Pode até ser encarado como um teste à fé. Mas cá para mim é apenas medo.
O que merece ser lido apenas a crítica o pode dizer. Eu não vou ler Paulo Coelho porque tenha alguém que me diga que não se pode ler mas simplesmente porque é arrasado pela crítica. Mas se quisesse ter a certeza da má qualidade teria a liberdade de pegar num livro dele.
“Como vêem, esta não é uma preocupação apenas interna da Obra, mas da Igreja em geral.”
O índex da Obra é pior. Já leu algum livro com classificação de 5-6 na escala da OD?
“Mais uma vez, e transcrevo textos da Opus Dei, do mesmo site, “a mortificação corporal pertence à vida cristã: o jejum e a abstinência são propostas que anualmente a Igreja volta a fazer. A história dos pequenos pastorinhos de Fátima mostra como a alegria pode estar ligada à renúncia. E que a penitência significa ter parte da paixão de Cristo e purificar-se dos próprios pecados. A mortificação melhora a pessoa na medida em que a une a Jesus que sofreu para que outros não sofressem.”
Quem é maior e vacinado que faça o que bem entender com o seu corpo, apenas espero que não faça o que os outros mandam.
“A mortificação cristã é sempre voluntária.”
Depende. “Coacção” pode ser uma palavra apropriada para a situação.
“E, sobretudo, a mortificação corporal, mesmo na forma do cilício e das disciplinas usada por pessoas como a Madre Teresa de Calcutá, não tem nem a crueldade nem, muito menos, o fim perverso do retrato que o Código Da Vinci popularizou. É materialmente impossível que o uso das disciplinas faça sangrar ou provoque algum mal à saúde; provoca apenas um ligeiro incómodo.”
Alguns testemunhos dizem que Escrivá o exercia com um látego com pregos, deixando de vez em quando um ou outro vestígio de sangue. Uma ex-numerária diz que as cicatrizes melhoraram mas não desapareceram completamente. Muitos tinham de fazer um esforço para não mancarem na via pública. E aquilo entra bem na carne, entra.
“Enfim, muito mais havia a dizer… mas parece-me que está claro. O “problema” da Opus Dei é simplesmente ser fiel à Doutrina da Igreja Católica, “problema” esse que para muitos é a raiz de todos os males da sociedade…”
Secalhar é demasiado fiel, tão fiel que Escrivá é intitulado como o “último doutor da Igreja”, tendo mesmo ficado deprimindo com o concílio Vaticano II, segundo um outro relato. E essa é apenas uma pequena raiz. Uma rede de influências, opaca e cheia de dinheiro, com esquemas financeiros pouco éticos, apoiante de ditaduras (de direita), etc etc…
Rui,
Fiquei deveras curiosa para ler o livro pela tua descrição.
Tenho alguma curiosidade para saber algo mais sobre esta Opus Dei, especialmente, por me ter cruzado, em anos recentes, com alguns dos seus membros.
Caro Rui
As minhas desculpas pelo erro…
Caro JoãoC
S a opus dei é assim tão caridosa, porquê tanto secretismo á volta dela??? porque é q só s podem confessar a um padre da ordem??? E não a outro qualquer??? Porque é q os livros q utilizam nas vossas reuniões são fechados num cofre a sete chaves??? porquê tanta apetência pelo dinheiro??? Porque é q á outros sectores da igreja q não vê a opus dei com bons olhos??? E sim uma seita, porque nunca s sabe quem é da ordem, a não ser q seja denunciado. S é um orgulho pertencer á obra, porque não o dizem abertamente??? poque é q nos encontros para captar novos membros nunca o nome da obra é mencionado??? Porquê tantos segredos??? Têm medo de quê???
Quanto ao papa João Paulo II, á quem diga q foi eleito graças a manobras da obra no vaticano, não esqueçamos q Karol Wojtyla era frequentador da Villa Tevere e amigo da obra e foi este papa q fez da opus dei uma prelatura pessoal, (pagamento???) ou seja, a obra não tem q prestar contas a ninguém e, mais rápido q a propria luz, canonizou Escrivá (pagamento???).
Saudações.
L. Abrantes,
Acredita que vale a pena. Podia ter feito um artigo bem maior, tal é a quantidade de coisas interessantes!
Fiquei curioso. Como é que foi esse contacto com os membros da OD?
Rui,
Eu não admiti coisa nenhuma que pertencia à Opus Dei. Não pertenço. Tive algumas formações que foram conduzidas por membros do grupo, tenho amigos e familiares que pertencem e conheço relativamente bem a instituição. Limitei-me a transmitir alguns conhecimentos meus, outros retirados dos site da Obra acerca do que se diz no tal livro e informar.
Talvez a confusão de que eu pertencia à Obra venha de quando eu disse que “antes de pertencer à Obra, pertenço à Igreja Católica.” Isto foi dito no sentido de mostrar que a Obra não é uma coisa externa à Igreja e que, qualquer membro dessa instituição, antes de pertencer a ela, pertence à Igreja.
Pessoalmente, respeito a Obra e todo o seu trabalho mas tenho também algumas reservas em relação a uma série de coisas internas a ela, começando pelo “poder” (às vezes demasiado poder) que usufrui, dentro e fora da Igreja, entre outras coisas.
Uma Óptima Páscoa e cuidado com o folar…
Rui,
Os contactos foram a nível profissional e nunca directamente. Digamos que nas minhas visitas e estadias em Fátima, tive oportunidade de me cruzar com opiniões divergentes sobre a Opus Dei e sobre os seus membros, e estas vindas de dentro da Igreja.
João C,
“Antes de pertencer à Opus Dei, pertenço à Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Com muito orgulho e respeito que tenho a essa Prelazia, não é preciso pertencer à Obra para ser um católico fiela à Doutrina de Cristo”
Uma pessoa lê isto e fica com dúvidas, mas se me enganei desculpe o equívoco.
Boa Páscoa (infelizmente estou em trabalho e não pude participar no almoço de família…)
Peço desculpa também pelo equívoco, Rui, penso ter esclarecido.
Uma continuação de uma óptima Páscoa para todos.
“Quanto ao papa João Paulo II, á (sic) quem diga q foi eleito graças a manobras da obra no vaticano, não esqueçamos q Karol Wojtyla era frequentador da Villa Tevere e amigo da obra e foi este papa q fez da opus dei uma prelatura pessoal, (pagamento???) ou seja, a obra não tem q prestar contas a ninguém e, mais rápido q a propria luz, canonizou Escrivá (pagamento???).”
Os ateus também são crentes, facilmente acreditam no que lhes dá jeito, sem o mínimo de provas. Cada um com a sua fé!
Olá Rui,
Posso adivinhar um dos nomes dos “ex-membros” que surgem no livro?
Nota que não li o livro: “María del Carmen Tapia”, ela aparece no livro de certeza.
A genealogia dos detractores do Opus Dei é bem conhecida de quem anda há uns anos nestas andanças do anti-catolicismo.
O termo “seita” é também uma perfeita asneira, mesmo semântica. “Seita” é algo, por definição, “separado”.
Alguém me explica como é que isto se aplica ao Opus Dei?
Rui: este livro é mais um exemplo de má sociologia, de má investigação, feita com má fé e preconceito evidente.
É mais um livro emanado do conhecido contexto das “anti-cult wars”, assunto sobre o qual Massimo Introvigne tem escrito bastante:
http://www.cesnur.org/2005/mi_94.htm
O Ferruccio Pinotti pode dar os pinotes que quiser, mas só engana os mais distraídos.
Já agora, Rui, conheces alguém do Opus Dei?
Pergunto se conheces “pessoalmente”.
Aqui há uns 5-6 anos a esta parte, eu também era um feroz adversário do Opus Dei. Eu estava refém dos preconceitos anti-Opus Dei. Desde então, deixei-me de parvoíces e disparates. Porquê? Porque conheci pessoas, porque fui a casas do Opus Dei, porque tomei conhecimento EM PRIMEIRA MÃO, dessa realidade.
Sugiro que se faça isso.
Sempre. Primeiro, tomar conhecimento em primeira mão.
E depois, opinar. Senão, é a asneira. Que foi o que aconteceu comigo.
Há muita gente espectacular no Opus Dei.
A espiritualidade do Opus Dei é muito boa e valiosa, e é catolicíssima.
Abraço,
Bernardo
«achei estranho pois é algo que penso que até é proibido, de acordo com a política interna da OD»
Treta, Rui, treta da pura.
Abraço
Caro Bernardo,
“Há muita gente espectacular no Opus Dei.”
Deve de haver, sim. Assim como também deve de haver muita gente espectacular em qualquer segmento da sociedade que queiras escolher. A pergunta que faço é: que espécie de argumento é esse?
Já reparei que sempre que queres denegrir alguma obra afirmas simplesmente que a obra em causa é um perfeito exemplo de uma série de más coisas: má sociologia, má investigação, má fé, etc. Ou então são os seus autores que são preconceituosos, mentirosos, anti-religiosos, etc… Pena que nessa análise se fique apenas com a subjectividade da tua opinião que, como concordarás, fica assim impregnada em falta de isenção.
Um abraço.
Olá Bernardo,
“Nota que não li o livro: “María del Carmen Tapia”, ela aparece no livro de certeza.”
Não aparece. Mas está referida no site opuslibros.org (o qual ainda ando lentamente, a consultar), uma das fontes usadas neste livro.
http://www.opuslibros.org/libros/Tras_umbral/capitulo_I.htm
“O termo “seita” é também uma perfeita asneira, mesmo semântica. “Seita” é algo, por definição, “separado”.
Alguém me explica como é que isto se aplica ao Opus Dei?”
A palavra aparece muito no livro. Se tivermos em conta que a OD é a verdadeira igreja, então a seita será o catolicismo dito “normal”, uma corrente divergente mais moderada.
“Rui: este livro é mais um exemplo de má sociologia, de má investigação, feita com má fé e preconceito evidente.”
“Treta, Rui, treta da pura.”
É uma recolha de testemunhos em várias partes do mundo com paralelismos bastante evidentes. Agora se o que é descrito não corresponde à verdade a maneira mais fácil de provar o contrário é abrir as portas da instituição ao mundo exterior. E tal passa por dizer abertamente quem é membro , mostrar o verdadeiro funcionamento da sua estrutura e o seu património, material e financeiro.
Lembro que para não ser rotulada de culto fanático, seita, sociedade secreta ou o que se lhe quiser chamar tem o dever de dizer ao mundo quem é membro. E esses membros têm a obrigação de dizer à sociedade a verdade sobre a instituição. E eu tenho o direito de saber se uma pessoa com quem tenha de lidar na vida do dia a dia (um juíz num julgamento, por exemplo) é membro da OD, pois pode estar em perigo a sua imparcialidade. O mesmo se passa para gente influente na sociedade, desde políticos de topo a entidades criadas com objectivos específicos.
“Já agora, Rui, conheces alguém do Opus Dei? Pergunto se conheces “pessoalmente”.”
Não, mas até pode ser que sim, pois o que se passa é que eu não sei que fazem parte dela. Agora sei de relatos por gente conhecida, já há muitos anos. Desde um que entrou para a OD e foi abandonado quando ficou doente, a outra que no espaço de trabalho não cumprimenta uma colega por esta ser divorciada.
“Aqui há uns 5-6 anos a esta parte, eu também era um feroz adversário do Opus Dei. Eu estava refém dos preconceitos anti-Opus Dei. Desde então, deixei-me de parvoíces e disparates. Porquê? Porque conheci pessoas, porque fui a casas do Opus Dei, porque tomei conhecimento EM PRIMEIRA MÃO, dessa realidade.”
Viu a OD no seu melhor ou apenas o que lhe quiseram mostrar? Passou umas semanas a ver como eles vivem ou apenas o receberam para uma sessão espiritual? É muito fácil mostrar uma coisa e esconder outra.
“Há muita gente espectacular no Opus Dei. A espiritualidade do Opus Dei é muito boa e valiosa, e é catolicíssima.”
O Hélder já disse muito… Não me preocupam os espectaculares, mas sim os outros. Nem me interessa a espiritualidade, isso é com eles.
Abraço,
RJ
Parabéns a todos p,lo excelente site sobre o ateísmo’ Não conhecia e fiquei agradávelmente surpreendido. Desde sempre fui um ateu convicto, não preciso de nenhum Deus para ser feliz’ Apenas de honra, dignidade e honestidade. Respeitar para ser respeitado, tratando todos com o devido respeito, mas, nunca oferecendo a outra face’ Isso é para cobardes. Todo o meu Spaces “Alentexy” é dedicado ao combate á hipocrisía, bajulíce sabujíce. 90% é a denúnciar os crimes das religiões, em especial a pedofilía. Gostaria de deixar a sugestão, para leitura, do livro de Eric Frattini, ” Os espiões do Papa”, que acaba de ser editado p,la Bertrand. Votos de saúde para todos e um bom fim de semana. Alentexy.
Alentexy,
Obrigado pela sua visita e pela sugestão de leitura.
RJ
Para quem afirma que Portugal é um paía católico, é bom que saibam que no último Censo da Igreja Católica em Portugal, foram contabilizados, imagine-se, 1.933.677 fieis praticantes’ Continua a vigorar a mesma mentira do tempo do Salazar. A actual raiva dos bispos é acima de tudo devido á perca de benesses no Protocolo de Estado. Minam o governo de Zapatero, apelando ao boicote, metem-se na política por cá, discutem tudo menos o mais essencial, a pedofilía na Igreja Católica e a protecção Papal aos milhares de parasitas pedófilos que a coberto da batina violam crianças por esse mundo fora. Deviam ter, mas não têm, vergonha alguma. Todos os bispos não violadores, são cúmplices com o seu silêncio e cobardía de trazer o problema á discussão, em vez de mandarem recados políticos. Do Centro Comercial de Fátima, vulgo Santuário, nunca saiu coisa boa. E ainda há gente que alimenta esta gentinha da treta. Cúmplices igualmente.
Olá a todos,
Quando quero podar uma árvore falo com um agricultor ou amador da arte, quando preciso um conselho jurídico falo com um advogado, mas quando anseio por um conselho sobre a “família” evito um religioso (no caso dos que prezam a castidade, sejam budistas, católicos ou outros) e em certos casos evito também pessoas mais comprometidas com a religião.
Desprezo igualmente certos laicos que, mesmo sem imposição divina, se afastam da família entronados na sua solidão e culto do ócio. A família é uma experiência única e que desejavelmente se deve expandir para lá dos nossos lares, mas factualmente vi no caso da Opus Dei (sim conheci numerários, sim tenho amigos membros ou simpatizantes – nunca se assumem muito bem -, sim visitei casas e sim estudei nas suas escolas e trabalhei nas suas empresas) uma tentativa de agregar combatentes para as fileiras de um poder, que as hierarquias mascaram de virtudes, hostis à descrença e à falta de fé, e muito intervenientes no capítulo pessoal dos seus subordinados (acabei por sê-lo como aluno e profissional). Questionar a sua intervenção é perder sempre alguma coisa material, como um bom emprego como professor no meu caso, mas ganhando um desafogo emocional quando nos libertamos da sua esfera cinzenta de influência, onde a sombra do “pecado” ganhou a sua predilecta morada.
Também não vi na Bíblia ou noutros textos sagrados (a Bíblia aparece sempre à frente não por uma oposição cega e de amor-ódio, apenas porque é comum na sociedade portuguesa concretamente) grandes exemplos no plano familiar. Se um religioso/a não tem mulher/homem (ou homem/mulher), nem vive todas as dificuldades inerentes à vida de um casal, desde os problemas de saúde, às crises existenciais, das assoladoras paixões intromissoras aos novos e reluzentes membros nela entrados (falo sem experiência própria e também por isso não dou ensinamentos, mas refiro a escola, a educação, o drama de não ter finaças à altura de proporcionar tanto quanto as crianças merecem, etc.), como pode de uma altar ter autoridade moral para se opor a um divórcio ou à liberdade sexual. Junte-se ainda um certo afastamento aparente da família em geral, para adoptar um regime de introdução na nova ordem (muitas vezes como no caso da OD com a pouco saudável separação de sexos, que felizmente acontece pouco na IC em geral como são prova os grupos de jovens das paróquias, ou o Escutismo Católico, que emana aí sim uma grande alegria na juventude).
Termino dizendo que me entristece profundamente ser acusado de “fundamentalista”, quando delicadamente chamo a atenção para a invasão subreptícia da religião nos estabelecimentos laicos de ensino, do laxismo na linguagem mesmo dos não crentes em expressões como “graças a deus”, “credo” ou “adeus”, e ainda na polémica opinião sobre a absoluta inutilidade do baptismo nos meus futuros filhos. É toda uma onda de irritação que se levanta, espumosa por vezes na sua intolerância, dourada por um sorriso de condescendência de cima para baixo por outras. Sou curioso e gosto de falar sobre vários temas e a religião, obviamente porque influencia os comportamentos e faz parte da nossa base cultural, mas muito raro é encontrar em pessoas crentes a vontade de se porem em causa, de serem confrontadas com certas questões, e da sua forma airosa de se furtarem às dificuldades da dialética com a insondável e misteriosa fé.
Tiro o chapéu aos nossos amigos que sendo crentes partilham este espaço, expondo-se e na maior parte dos casos, criando um motivante diálogo. Eles serão testemunhas que os ateus que aqui estão não são estalines nem hitlers, apenas homens e mulheres que gostam de exercer o seu direito de se expressarem, manifestarem e criticarem, longe de actos de violência e de sumbissão e controlo da sociedade. Por mim falo, não desejo o fim da fé, apenas anseio por um mundo onde o pluralismo das ideias, baseadas num discurso saudável, seja verdadeiramente possível.
Abraços a todos
Miguel
Olá a todos,
Quando quero podar uma árvore falo com um agricultor ou amador da arte, quando preciso um conselho jurídico falo com um advogado, mas quando anseio por um conselho sobre a “família” evito um religioso (no caso dos que prezam a castidade, sejam budistas, católicos ou outros) e em certos casos evito também pessoas mais comprometidas com a religião.
Desprezo igualmente certos laicos que, mesmo sem imposição divina, se afastam da família entronados na sua solidão e culto do ócio. A família é uma experiência única e que desejavelmente se deve expandir para lá dos nossos lares, mas factualmente vi no caso da Opus Dei (sim conheci numerários, sim tenho amigos membros ou simpatizantes – nunca se assumem muito bem -, sim visitei casas e sim estudei nas suas escolas e trabalhei nas suas empresas) uma tentativa de agregar combatentes para as fileiras de um poder, que as hierarquias mascaram de virtudes, hostis à descrença e à falta de fé, e muito intervenientes no capítulo pessoal dos seus subordinados (acabei por sê-lo como aluno e profissional). Questionar a sua intervenção é perder sempre alguma coisa material, como um bom emprego como professor no meu caso, mas ganhando um desafogo emocional quando nos libertamos da sua esfera cinzenta de influência, onde a sombra do “pecado” ganhou a sua predilecta morada.
Também não vi na Bíblia ou noutros textos sagrados (a Bíblia aparece sempre à frente não por uma oposição cega e de amor-ódio, apenas porque é comum na sociedade portuguesa concretamente) grandes exemplos no plano familiar. Se um religioso/a não tem mulher/homem (ou homem/mulher), nem vive todas as dificuldades inerentes à vida de um casal, desde os problemas de saúde, às crises existenciais, das assoladoras paixões intromissoras aos novos e reluzentes membros nela entrados (falo sem experiência própria e também por isso não dou ensinamentos, mas refiro a escola, a educação, o drama de não ter finaças à altura de proporcionar tanto quanto as crianças merecem, etc.), como pode de uma altar ter autoridade moral para se opor a um divórcio ou à liberdade sexual. Junte-se ainda um certo afastamento aparente da família em geral, para adoptar um regime de introdução na nova ordem (muitas vezes como no caso da OD com a pouco saudável separação de sexos, que felizmente acontece pouco na IC em geral como são prova os grupos de jovens das paróquias, ou o Escutismo Católico, que emana aí sim uma grande alegria na juventude).
Termino dizendo que me entristece profundamente ser acusado de “fundamentalista”, quando delicadamente chamo a atenção para a invasão subreptícia da religião nos estabelecimentos laicos de ensino, do laxismo na linguagem mesmo dos não crentes em expressões como “graças a deus”, “credo” ou “adeus”, e ainda na polémica opinião sobre a absoluta inutilidade do baptismo nos meus futuros filhos. É toda uma onda de irritação que se levanta, espumosa por vezes na sua intolerância, dourada por um sorriso de condescendência de cima para baixo por outras. Sou curioso e gosto de falar sobre vários temas e a religião, obviamente porque influencia os comportamentos e faz parte da nossa base cultural, mas muito raro é encontrar em pessoas crentes a vontade de se porem em causa, de serem confrontadas com certas questões, e da sua forma airosa de se furtarem às dificuldades da dialética com a insondável e misteriosa fé.
Tiro o chapéu aos nossos amigos que sendo crentes partilham este espaço, expondo-se e na maior parte dos casos, criando um motivante diálogo. Eles serão testemunhas que os ateus que aqui estão não são estalines nem hitlers, apenas homens e mulheres que gostam de exercer o seu direito de se expressarem, manifestarem e criticarem, longe de actos de violência e de sumbissão e controlo da sociedade. Por mim falo, não desejo o fim da fé, apenas anseio por um mundo onde o pluralismo das ideias, baseadas num discurso saudável, seja verdadeiramente possível.
Abraços a todos
Miguel
Caro Miguel,
A religião ainda ocupa um espaço considerável dentro da sociedade, mas é tempo de ver que não está acima das instituições civis. Fruto não só da tradição mas também de séculos de grande poder da Igreja, certos costumes ainda estão fortemente enraizados (como o baptismo) nas pessoas, as quais reagem mal quando certas coisas consideradas “sagradas” são criticadas. Os “valores” religiosos às vezes esbarram na tolerância, justiça e liberdade de expressão, pilares para uma sociedade mais justa. Há que lutar por uma mudança.
Cumprimentos,
RJ