Vivemos numa época de mudança…
Como em muitos tempos passados, os conflitos de gerações existem…
Felizmente os conflitos de ideais também…
Faz parte do crescimento, faz parte da evolução que tantas vezes parece “involução”…
Em termos sociais, cada vez existem pessoas mais pobres, com mais dificuldades económicas, não sabemos o nome dos nossos vizinhos, vivemos fechados nos nossos mundinhos tão nossos, defendidos de tudo e de todos…
Vivemos assim, uns mais felizes que outros, mas vivemos…
As famílias cada vez se vêem menos, as pessoas têm dificuldades em partilhar…
As rupturas conjugais e parentais enchem os nossos tribunais e as nossas vidas profissionais, quem trabalha com crianças, percebe muitas vezes o impacto que têm os divórcios na vida destes miúdos, que tantas vezes se tornam a única moeda de troca que resta das relações que um dia foram sonhadas e tidas para toda a vida…
Que tantas vezes se tornam a única arma de combate na guerra que os pais vivem durante a separação…
E os casamentos infelizes, vividos por tantos casais, porque a separação é tida como uma vergonha, é sentida como um falhanço, é contra uma religião e moral em que acreditam… mas deviam acreditar que vivemos para sermos felizes e não para carregar pesos e crenças que nos fazem sobreviver e não viver…
Mas voltando ao assunto que quero debater neste artigo, mais uma vez pergunto e os nossos miúdos? Que deviam ser protegidos das guerras e da infelicidade destes pais?
A guerra do poder parental (poder Paternal aos olhos do direito…), os pais que vivem longe dos filhos, os filhos que se esquecem dos pais, as mulheres que criam e educam os seus filhos sozinhas, porque depois da guerra… Sempre sobra o filho par curar todas as suas dores…
Sabemos que são muitas as religiões/crenças que se opõem ao divórcio, são muitas as crianças que vivem, sofrem e cicatrizam as dores dos pais!
Talvez a religião que defende a família, com o poder de influenciar pessoas devesse abraçar a causa dos infelizes por casamento e a causa dos que sofrem por divórcios adiados por uma vida…
Muitas religiões deviam perceber que os seus “ideais” de família não estão presentes em todas as casas… Muitas religiões deviam acreditar na mudança, na felicidade…
Mas por falar em religiões, muitas delas têm na sua história crianças que foram educadas pela mãe, cabe frequentemente à mulher (mas depois são discriminadas), têm nas suas estórinhas cinzentas, pais “que fizeram e desapareceram”, e acham bem e milagre até… São devotos desta personagem…
Pois claro, deus não criou o seu filho, o jesus!
Foi ao carpinteiro, que estava ali mais à mão, que coube o papel de padrasto…
Já rezava a história…
Os tempos são outros, mas não mudamos assim tanto. Como diria a minha avó, é no criar que aparece o amor.
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A doutrina é mais importante do que a felicidade e bem estar alheio. O casamento é para sempre, independentemente de como possa vir a correr. Os homens podem muita coisa e as mulheres quase nada. Progenitores que se preocupem com as crianças procuram que elas sofram o mínimo com a separação. Muitas são inevitáveis e apenas pioram se continuarem.
Em relação aos religiosos,
São estes os defensores da família ou do que eles entendem por “família”? Ainda por cima eles que não têm a deles (oficialmente não), insistem em falar dela como se fossem uma autoridade nesse aspecto!
Quem sabe faz, quem não sabe ensina…
Não me parece que as separações sejam inevitáveis em si mesmas (claro haverá casos mas mais porque o relacionamento já nasceu torto…)
O que me parece inevitável é a infeliz mudança social em que se celebra o individualismo acima de tudo o resto e as leis do divórcio são apenas um reflexo natural desse facilitismo e da quebra do sentido de responsabilidade e compromisso entre duas pessoas
Não há muito casamento que é uma hipocrisia?
Há muita gente que não é talhada para o casamento. Claro que se desiste mais facilmente do que antigamente, mas considere-se que a família está em mutação…