Valquíria

Ontem fui ver o filme de Bryan Singer, Valkyrie sobre a história de Claus von Stauffenberg e a tentativa de um grupo de soldados e políticos Alemães de derrubar o regime Nazi que destruía paulatinamente a Alemanha e a Europa.

val

O filme é um retrato muito fiel aos relatos históricos do que se passou, e principalmente à coragem de quem sabe qual o preço por fazer aquilo que a sua consciência dita.

Nos primeiros segundos do filme, somos confrontados com um tela negra, onde começam a surgir muitas vozes em alemão. Na tela começam a desenhar-se frases.

Estamos perante o “Juramento de Lealdade” dos soldados do Exercito Alemão a Hitler.

Diensteid der Soldaten der Wehrmacht Service

“Ich schwöre bei Gott diesen heiligen Eid, daß ich dem Führer des Deutschen Reiches und Volkes Adolf Hitler, dem Oberbefehlshaber der Wehrmacht, unbedingten Gehorsam leisten und als tapferer Soldat bereit sein will, jederzeit für diesen Eid mein Leben einzusetzen.”

“O Juramento de Serviço dos Soldados das Forças Armadas Alemãs.

Eu juro por Deus este juramento sagrado que eu irei dar a minha obediência incondicional a Adolf Hitler, o Führer do Reich Germânico e do povo Alemão, o comandante supremo das forças armadas, e que estarei pronto em todas as ocasiões, como bravo soldado que sou, a dar a minha vida por este juramento.”

Só quem é dogmático, desesperado na argumentação, ou obtuso pode continuar a afirmar que as convicções de Hitler, ou do Nazismo eram por causa de um ateísmo qualquer. Eu, pessoalmente, não imputo ao Cristianismo as atrocidades cometidas por Hitler. Hitler era um fanatico e um sociopata que conduziu a Alemanha ao abismo não por questões religiosas (ou por falta delas), mas sim devido a ideias irracionais de “espaços vitais”, e de “uma grande Alemanha nazi que durasse um milhar de anos”.

Um dos argumentos que vejo repetidos aqui é “ah! Hitler era ateu, basta ler “Conversas à Mesa” para se ver que Hitler repudia o Cristianismo”, sempre sem contar que:

  • Hitler nunca refuta o seu cristianismo nesse livro
  • Hitler nunca refuta a crença em Jesus Cristo como o seu “salvador”
  • Os documentos são altamente duvidosos nos seus conteúdos: são uma transcrição de conversas múltiplas por um feroz anti-católico, Bormann
  • Este estilo de argumentação anti cristã nunca é vista em mais nenhum lado dos seus discursos públicos, correspondência particular, ou documentos produzidos
  • As “conversas à Mesa” não tem qualquer relação com uma acção declaradamente favorável em relação ao Cristianismo por parte de Hitler.
  • No “Conversas à Mesa” existem passagens onde é relatado que Hitler pensa que  “não devemos educar ninguém no ateísmo” (pg 6), “um homem não educado, por outro lado, corre o risco de se tornar ateísta, que é um regresso a um estado animal” (pg 59) [estas páginas estão na versão inglesa de Norman Cameron e R. H. Stevens]
  • Mesmo que este documento seja realmente de considerar como válido, é apenas um, contra muitos outros momentos onde Hitler fez referência a deus, a Jesus Cristo, e a “providência divina”, que se podem encontrar centenas de vezes nas comunicações ou documentos escritos por Hitler

No entanto, como em muitos outros casos que tem a ver com a religião, por muita evidência que exista, haverá sempre pessoas que só acreditam naquilo que querem.

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7 Comentários

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  1. Uma coisa que o filme não mostra é que Claus von Stauffenberg era católico e que esperou pela autorização do Papa antes de levar o plano para a frente…

  2. Diga lá, ó Z, onde é que você foi buscar essa do “esperou pela autorização do Papa”!! A historia de Claus von Stauffenberg como contada por Z em 9 de Março de 2009?

    Quero ver qual é o documento onde você foi buscar essa ideia absurda: um plano que foi mantido o mais secreto possível por um grupo muito restrito de pessoas, que tinham o tempo a correr contra elas, falaram com o Vaticano para obter uma autorização papal – ainda por cima num Vaticano que era simpatizante do Nazismo.

    Leia Hitler – Biography – 1936-1945, Vol II, Capitulo 14, “Luck of the devil”, pp. 655-684 de Ian kershaw e não diga disparates.

    E quanto à parte de “não mostrar no filme que Claus Stauffenberg era católico”, eu sei que o crucifixo era de ouro, como tal deve-lhe ter toldado a vista, mas apareceu duas ou três vezes no filme, no fio à volta do pescoço com a aliança da esposa

  3. Para não falar que os comentários de “Conversas à mesa” são interpretações feitas por terceiros. No Mein Kampf do próprio Adolf Hitler ele faz várias menções de providência divina.

  4. Ricardo,

    a conspiração foi transmitida ao Papa por um jesuíta alemão, amigo de Stauffenberg. Aliás, grande parte dos conspiradores eram Bávaros católicos.

    Quanto ao Papa ser pró-nazi, então porque enviou uma carta para ser lida em todas as Igrejas católicas da Alemanha a condenar o nazismo?

    Em relação à cruz, como já mo fizeram notar aqui uma vez, nem todos os cristão são católicos…

    Quanto às provas que me pede, sossegue que hei-de as apresentar. Basta uma pequena pesquisa.

  5. Sobre o Catolicismo de Stauffenberg e a posição da Igreja diante do nazismo basta ir à Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Claus_von_Stauffenberg.

    A questão do Papa ainda não está esquecida Ricardo, mas hei-de de responder.

  6. Caro Z.

    A maioria dos conspiradores moveu-se por razões morais, mas acima de tudo, patrióticas. No livro que o Ricardo refere apenas Stauffenberg é catalogado como católico, embora de uma família “não praticante”.
    De qualquer maneira, Stauffenberg vem terminar uma acção que já estava em curso desde 1938, houve outras tentativas falhadas que não o envolveram.
    Quanto ao silêncio quebrado pelo Vaticano, isto só aconteceu porque o regime nazi, totalitário como se sabe, tornou-se numa séria ameaça à instituição católica na Alemanha. Não houve oposição quando se tratava de outras vidas humanas, não católicas.
    Gostaria realmente de saber quem foi esse jesuita que avisou o papa e de que maneira a aprovação do chefe da igreja católica seria importante para um militar que estava prestes a cometer um acto de alta traição.
    E quanto à wikipedia, esta não serve como prova de nada enquanto não estiver devidamente certificada.

  7. Notam alguma diferença?

    Z a 9 Março, 2009 às 10:21 pm:

    Sobre o Catolicismo de Stauffenberg e a posição da Igreja diante do nazismo basta ir à Wikipedia http://en.wikipedia.org/wiki/Claus_von_Stauffenberg.

    A questão do Papa ainda não está esquecida Ricardo, mas hei-de de responder.

    Z a 7 Julho, 2008 às 8:45 pm:

    Space, desculpe, mas a wikipedia n é para mim uma fonte de conhecimento…

    http://www.portalateu.com/2008/07/03/some-of-you-will-be-left-behind/#comment-2157

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