Que a doutrinação (religiosa) de crianças é um abuso cometido um pouco por todo o mundo, desde as madrassas na fronteira Afeganistão-Paquistão até à simples e inocente catequese no mundo Ocidental, já todos sabemos. Incutar este tipo de coisas que apresento de seguida em mentes muito jovens sempre foi um dos fortes das religiões, que assim domesticam muito fiel desde a tenra idade.
Depois do fantástico artigo da semana passada, aparece este.
«Uma das mais singulares peregrinações ao Santuário de Fátima, a Peregrinação das Crianças, sempre em 9 e 10 de Junho, propõe neste ano de 2009, o exemplo de vida do pequeno vidente de Fátima, Francisco Marto, às crianças de todo o mundo (…) “Os puros de coração verão a Deus” foi escolhido o lema da Peregrinação, que sintetiza o anseio a que exorta o nono mandamento da Lei de Deus e também a vida do Beato Francisco: “Quero ter um coração bonito”.»
É dito que o tema da peregrinação vai ao encontro do 9º Mandamento: “Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos”, coisa que grande parte destas crianças ainda não deverá entender muito bem, provavelmente. Não querem educação sexual nas escolas mas saem-se com cada uma…
Quem vá ao site de Fátima, encontra o seguinte:
«Em continuidade com a Peregrinação das Crianças de 2008, ocasião em que se deu início às celebrações do 100.º aniversário do nascimento do beato Francisco Marto (11 de Junho de 1908), a Peregrinação das Crianças de 2009 pretende ser, nas palavras da Comissão Organizadora, “uma grande festa de aniversário, para a qual o pastorinho Francisco convida todos os seus amigos e amigas a estarem presentes!”.»
Sugestão: 30 km de caminhada com os últimos 500 m efectuados de joelhos, mas com a presença de um palhaço, doces e bolo de anos ornamentado com as velas locais.
E para conseguir encontrar os amigos de Francisco Marto é melhor começar pelos lares de idosos da zona.
Mas o que é que uma criança pensará de um jovem que morreu com a tenra idade de 11 anos, provavelmente por causa de uma pandemia de gripe agravada com os jejuns e demais auto-sacrifícios a que se submeteu na altura, para “salvar a alma dos pecadores”? Sabe-se lá! Mas isto é passado como se fosse algo de muito especial.
E não deixam de incentivar a criatividade:
«Em carta enviada no final de Fevereiro aos colégios católicos e catequeses de Portugal, o Reitor do Santuário de Fátima, Padre Virgílio Antunes, desafia as crianças, com a colaboração dos seus professores, catequistas e familiares, a prepararem a festa dedicada a Francisco Marto (…) Depois de o terem conhecido um pouco mais, é sugerido que as crianças preparem um presente para oferecer ao pequeno Vidente de Fátima, que será trazido ao Santuário no dia da Peregrinação.»
Mas o pior ainda está para vir. No site referido, está um documento (Sabes quem é o pastorinho Francisco Marto?) muito interessante para download. Uma espécie de histórias de (des)encantar sobre os pastorinhos de onde retiro os seguintes excertos:
“Excertos das Memórias da Irmã Lúcia sobre Francisco Marto Por ocasião do centenário do seu nascimento”
1- «Aquela Senhora disse-nos para rezarmos o Terço e fazermos sacrifícios pela conversão dos pecadores. Agora, quando rezarmos o Terço, temos que rezar a Ave Maria e o Padre Nosso inteiro. E os sacrifícios como os havemos de fazer?
O Francisco discorreu em breve um bom sacrifício: – Demos a nossa merenda às ovelhas e fazemos o sacrifício de não merendar!»
2- «A Jacinta, debilitada pela fraqueza e pela sede, disse-me, com aquela simplicidade que lhe era habitual: – Diz aos grilos e às rãs que se calem! Dói-me tanto a minha cabeça!
Então, o Francisco perguntou-lhe: – Não queres sofrer isto pelos pecadores?!
A pobre criança, apertando a cabeça entre as mãozinhas, respondeu: – Sim, quero. Deixa-as cantar.»
3- «O Francisco era mais calado. (…) Na sua doença, sofria com uma paciência heróica, sem nunca deixar escapar um gemido, nem a mais leve queixa. Perguntei-lhe, um dia, pouco antes dele morrer: – Francisco, sofres muito?
– Sim; mas sofro tudo por amor de Nosso Senhor e de Nossa Senhora. (…)
Assim chegou ao dia feliz de partir para o Céu. Na véspera, disse(-me) a mim e à sua irmãzinha: – Vou para o Céu, mas lá hei-de pedir muito a Nosso Senhor e a Nossa Senhora que as levem também para lá, depressa.»
Isto é deprimente! Mas como é que isto é apresentado, perguntam?
«Neste 100º aniversário do nascimento do beato Francisco Marto, apresentamos o seu exemplo de vida às crianças de todo o mundo, como modelo a seguir. »
E depois ainda se admiram que se goze com isto?
Outros artigos relacionados:
“E depois ainda se admiram que se goze com isto?”
Sem duvida! O Senhor Rui está a fazer troça das convições de uma pessoa que já morreu e não está por cá para se defender…
“Mas o pior ainda está para vir. No site referido, está um documento (Sabes quem é o pastorinho Francisco Marto?) muito interessante para download. Uma espécie de histórias de (des)encantar sobre os pastorinhos de onde retiro os seguintes excertos:”
Não há nada de errado nesses excertos desde que sejam apresentados às crianças de forma contextualizada de acordo com a sua vida mental corrente.
O valor dos sacrificios para o cristão não é apenas o sofrimento e além disso não deve ser essa a mensagem a dar a crianças!
Até porque as crianças ainda não têm a capacidade para comprender certos conceitos… Acho que foram feitas generalizações perigosas e arbitrárias…
A visão aqui a incutir nos mais novos é a de que na vida nem sempre podemos ter o que queremos ao contrário da visão actual em que pais não dedicam o seu tempo aos filhos e tentam compensa-los com bens materiais e cedendo a todos os seus caprichos criando esta bela geração de putos mal educados e mimados que vemos na rua todos os dias…
“E para conseguir encontrar os amigos de Francisco Marto é melhor começar pelos lares de idosos da zona.”
Esta frase é incrivelmente infeliz! O Senhor Rui parece que vê os crentes como abutres que parasitam a desgraça alheia.
À procura de novos crentes em asilos, prisões etc….
Se pensa assim a solução passa pelos ateus tambem assumirem as suas responsabilidades sociais para com essas pessoas para que não se diga que apenas os crentes ou a igreja o fazem.
Está nas vossas mãos!
Cumprimentos
Olá José,
“Sem duvida! O Senhor Rui está a fazer troça das convições de uma pessoa que já morreu e não está por cá para se defender…”
Nem da própria igreja ele se pôde defender. As citações das memórias da Lúcia mais parecem fruto de uma espécie de catequese intensa, uma lavagem ao cérebro muito forte. Convicções secalhar nunca as tiveram, tiveram foi o que os outros lhes enfiaram na cabeça!
E se quero fazer troça de alguém é sim de quem organiza esta peregrinação de crianças.
“Não há nada de errado nesses excertos desde que sejam apresentados às crianças de forma contextualizada de acordo com a sua vida mental corrente. O valor dos sacrificios para o cristão não é apenas o sofrimento e além disso não deve ser essa a mensagem a dar a crianças!”
Pois, mas a mim parece-me que é precisamente isso que é feito. É apresentado como um mártir da causa, um “modelo a seguir”.
Obediência, acima de tudo.
“A visão aqui a incutir nos mais novos é a de que na vida nem sempre podemos ter o que queremos ao contrário da visão actual em que pais não dedicam o seu tempo aos filhos e tentam compensa-los com bens materiais e cedendo a todos os seus caprichos criando esta bela geração de putos mal educados e mimados que vemos na rua todos os dias…”
Compreendo o que quer dizer. O consumismo desenfreado associado à falta de tempo que os pais dedicam aos seus rebentos dá nisso. Uma criança não pode ter tudo o que quer. Passados uns anos temos uma crise de valores e uma geração mal preparada para a vida.
Independentemente de ser essa a intenção, estamos a assistir a uma glorificação do que aconteceu em Fátima, a tentar preparar mais uma geração de fiéis para muitas caminhadas e oferendas.
“Esta frase é incrivelmente infeliz! O Senhor Rui parece que vê os crentes como abutres que parasitam a desgraça alheia. À procura de novos crentes em asilos, prisões etc….”
Atenção que falei em lares de idosos como podia também ter falado em cemitérios. Os amigos de FM não terão já uma idade considerável, tendo em conta que se festeja o seu centenário?
E parasitas da desgraça alheia não serão mais os que lucram com o negócio de Fátima?
Cumprimentos,
RJ
Os ideiais de liberdade de alguns ateus parecem ser um pouco hipócritas. Deve haver liberdade de expressão e de educação ou não? Daqui a bocado estão a dizer que os pais deviam ser proíbidos de ensinar religião às crianças…
Mais depressa deviam ser suprimidas as pérolas de Dawkins, que instigam um ódio à religião, não tão graves mas algo irónico quando se fartam de queixar dos muçulmanos…
A catequese é realmente um abuso. Ensinar às crianças, que devem ser todos amigos uns dos outros, que todos são iguais aos olhos de Deus, que ninguém deve ser discriminado por ser diferente, fazer primeira comunhão e crisma….que crime…
As crianças são educadas na religião com permissão de pais adultos, que têm cabeça para pensar sobre o que é melhor para os filhos. Acho que desconsiderar as faculdades mentais da maioria dos pais seria de uma grande arrogância
Basta ver que os jovens que dão mais problemas em termos de violência e drogas tendem a SER ATEUS…se calhar um abuso a estes meninos não faziam mal nenhum.
O facto de as crianças tomarem Francisco, como um modelo a seguir em vez do Mr D, dos D´zrt, só poderá trazer beneficios. Ninguém diz que as crianças vão ter de deixar de comer, ou deixar-se morrer.. , (quando a igreja diz que as pessoas devem ter Jesus Cristo como modelo, não estão a dizer que as pessoas deviam ser todas crucificadas)mas deverão aprender que muitas vezes a vida é feita de sacrifícios e que não se pode ter sempre aquilo que desejamos.
Há uma grande diferença entre mostrar a uma criança que nem sempre se pode ter aquilo que se deseja e fazer a apologia do sofrimento e de sacrifícios desnecessários.
“Basta ver que os jovens que dão mais problemas em termos de violência e drogas tendem a SER ATEUS…”
Afirmação arrojada, mas sem fundamento. É a conversa do costume: o pagão do ateu. Já agora, o que aprendi na catequese foi apenas como estar sentado uma hora (?) sem enlouquecer de tédio. Posso ter tido azar, mas esta é a minha (má) experiência. E na altura não pensava em “ateísmo” mas apenas no lanche e nos desenhos animados.
ERRATA: onde se lê “pagão do ateu” deve ler-se “papão do ateu”.
É desnecessário para si L Abrantes.. de qualquer das formas ninguém está a pedir o mesmo às crianças.
Pedro, as crianças dizem o mesmo das aulas de matemática… o ser aborrecido por si só não é argumento.
Quanto à falta de fundamento da minha afirmação aqui tem, veja os gráficos:
http://www.godandscience.org/apologetics/religion_as_child_abuse.html
João Ribeiro,
“Os ideiais de liberdade de alguns ateus parecem ser um pouco hipócritas. Deve haver liberdade de expressão e de educação ou não?”
Eu não chamo àquilo educação.
“Daqui a bocado estão a dizer que os pais deviam ser proíbidos de ensinar religião às crianças…”
Uma coisa é falar da religião, outra coisa é doutrinar.
“A catequese é realmente um abuso. Ensinar às crianças, que devem ser todos amigos uns dos outros, que todos são iguais aos olhos de Deus, que ninguém deve ser discriminado por ser diferente, fazer primeira comunhão e crisma…”
Os católicos não se acham donos e senhores da instituição casamento, tentando mesmo discriminar uma certa classe de cidadãos desse direito?
.”Acho que desconsiderar as faculdades mentais da maioria dos pais seria de uma grande arrogância”
A catequese não desconsidera as faculdades mentais de muitos filhos?
“Basta ver que os jovens que dão mais problemas em termos de violência e drogas tendem a SER ATEUS…se calhar um abuso a estes meninos não faziam mal nenhum.”
Mesmo que isso seja verdade, a relação causa-consequência não me parece que funcione na razão inversa.
Vai-me dizer que a violência e a droga proliferam nos países nórdicos? As drogas não serão também um passaporte para chegar mais perto de “Deus”?
“O facto de as crianças tomarem Francisco, como um modelo a seguir em vez do Mr D, dos D´zrt, só poderá trazer beneficios. Ninguém diz que as crianças vão ter de deixar de comer, ou deixar-se morrer.. , (quando a igreja diz que as pessoas devem ter Jesus Cristo como modelo, não estão a dizer que as pessoas deviam ser todas crucificadas)mas deverão aprender que muitas vezes a vida é feita de sacrifícios e que não se pode ter sempre aquilo que desejamos.”
Modelo a seguir em termos de submissão e obediência? É o que mais parece. Neste caso, entre o oito e o oitenta, na escala dos sacrifícios, temos claramente o oitenta…
RJ
Pedro,
O seu relato da catequese só me recorda o que um amigo meu me contava: Das manhãs de Domingo em que era empurrado para lá quando o que queria era estar a ver desenhos animados e a jogar à bola com os amigos…
L. Abrantes,
Elogio a sua capacidade de síntese.
Rui Janeiro,
É óbvio que a religião faz parte da educação das crianças, e o ser “doutrinado” passa por uma aprendizagem. Mas acha que os pais não têm esse direito? O Rui quer lançar alguma lista de mandamentos do que não se deve ensinar às crianças. Que tolerância é essa? Quer impôr um novo tipo de censura?
“A catequese não desconsidera as faculdades mentais de muitos filhos?”
Jogo semântico bonito,admito… mas completamente ao lado do que eu disse. Acha que os pais são todos idiotas ou não?
Já agora concretize em que aspecto é que as crianças são desconsideradas mentalmente.
“Os católicos não se acham donos e senhores da instituição casamento, tentando mesmo discriminar uma certa classe de cidadãos desse direito?”
Desviou.se ligeiramente do assunto, mas seja. As pessoas homossexuais/bisexuais por nascença, ou por moda, têm o mesmo direito de se casar que os outros todos, se o quiserem fazer com alguém do sexo oposto. Assim como se o Rui (vou assumir que é heterossexual) se se quiser casar com o Bruno não pode.
Para além de que o Cristianismo foi o movimento que mais lutou pela igualdade entre todos. Porque é que acha que há uma desconsideração tão grande para com as mulheres, no Oriente, e não no Ocidente influenciado pelo Cristianismo.
Baseada na premissa ” Todos são iguais aos olhos de Deus”. E olhe que esta chateou muitos pensadores ateus, inclusivé Nietzche que dizia que esta noção de igualdade entre todos era uma invenção Cristã (sem validade qualquer).
“Mesmo que isso seja verdade, a relação causa-consequência não me parece que funcione na razão inversa.
Vai-me dizer que a violência e a droga proliferam nos países nórdicos? As drogas não serão também um passaporte para chegar mais perto de “Deus”?”
Vêm sempre os países nórdicos excepções das excepções à baila. O crime também está relacionado com o grau de desenvolvimento económico do país, se eles vivem na maioria bem não precisam de roubar… Mas nesses estudos tem comparações entre jovens da mesma região. E não é de admirar que os resultados sejam estes.
E acho que as drogas só afastam de Deus… olhe-se para os grupos de heavy metal.. eles próprios talvez se considerem deus…. mas as alucinações se calhar seriam mais benéficas se vissem um deus que lhes metesse juízo na pinha, sim..
“Modelo a seguir em termos de submissão e obediência? É o que mais parece.”
Não é o que mais parece. É simplesmente o que você quer ver.
Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo!!!
Caro João Ribeiro
“É desnecessário para si L Abrantes.. de qualquer das formas ninguém está a pedir o mesmo às crianças. ”
Francisco é apresentado como um modelo a seguir, o que significa que é pedido às crianças que façam como Francisco fez, assume-se que serve como um bom exemplo de atitude perante a vida.
Gostaria de lhe perguntar como é que os sacrifícios que tanto Francisco como Jacinta fizeram (tal como são apresentados por Lúcia nas suas “Memórias”) são representativos de uma atitude positiva (entenda-se saudável) perante a vida? Parece-me que resumem-se simplesmente a formas de submissão, totalmente desnecessárias e cruéis, pois o único propósito é o auto-sofrimento orgulhoso, sem qualquer benefício para eles próprios ou para terceiros.
Não vejo qualquer sentido de altruísmo ou bondade nesses actos, nem consigo compreender como é que eles passam como provas de fé perante uma divindade. Que tipo de deus será esse que aceita esse martírio inútil?
João,
“É óbvio que a religião faz parte da educação das crianças, e o ser “doutrinado” passa por uma aprendizagem. Mas acha que os pais não têm esse direito? O Rui quer lançar alguma lista de mandamentos do que não se deve ensinar às crianças. Que tolerância é essa? Quer impôr um novo tipo de censura?”
Os pais têm vários direitos e são eles quem mandam, mas há limites. Estão no seu direito de colocar as crianças onde entenderem. Por exemplo, o que acharia se o PC criasse umas sessões de economia política para crianças com base nos marxismo-leninismo?
Negligência e maus tratos fazem com que venha a segurança social para lhes tirar as crianças. Baptismos e imposições de catequeses também podem ser considerados abusos, nomeadamente quando são contra a vontade da criança (que em adulta sempre se pode manifestar, “eu não sou católico porque quis mas porque mo impuseram”). Claro que umas lições de piano impostas também podem ser consideradas um abuso, mas compreenda que ainda aprendem alguma coisa.
E as definições não são iguais, pois educação (ensino) é diferente de doutrinação.
“Jogo semântico bonito,admito… mas completamente ao lado do que eu disse. Acha que os pais são todos idiotas ou não? Já agora concretize em que aspecto é que as crianças são desconsideradas mentalmente.”
Eu não digo que são idiotas ou não. Apenas considere que muita gente que conheço me conta coisas muito interessantes da catequese. Perguntas incómodas sem resposta, com consequentes convites para sair. A Bíblia das crianças é um documento muito interessante, uma espécie de versão “light”.
“Desviou.se ligeiramente do assunto, mas seja. As pessoas homossexuais/bisexuais por nascença, ou por moda, têm o mesmo direito de se casar que os outros todos, se o quiserem fazer com alguém do sexo oposto. Assim como se o Rui (vou assumir que é heterossexual) se se quiser casar com o Bruno não pode.”
“que ninguém deve ser discriminado por ser diferente”, foi o que o João disse.
“Para além de que o Cristianismo foi o movimento que mais lutou pela igualdade entre todos. Porque é que acha que há uma desconsideração tão grande para com as mulheres, no Oriente, e não no Ocidente influenciado pelo Cristianismo.
Baseada na premissa ” Todos são iguais aos olhos de Deus”. E olhe que esta chateou muitos pensadores ateus, inclusivé Nietzche que dizia que esta noção de igualdade entre todos era uma invenção Cristã (sem validade qualquer).”
A nossa sociedade de cariz judaico-cristão evoluiu muito graças a vários factores, desde o iluminismo à revolução francesa. A Igreja nunca cedeu de boa vontade e mesmo no século passado ainda se teve de acabar com leis injustas e discriminatórias em relação às mulheres, (não necessariamente por causa da igreja mas sim por causa de políticas conservadoras e por vezes ditatoriais, onde a religião tinha o seu papel e influência).
“Vêm sempre os países nórdicos excepções das excepções à baila. O crime também está relacionado com o grau de desenvolvimento económico do país, se eles vivem na maioria bem não precisam de roubar… Mas nesses estudos tem comparações entre jovens da mesma região. E não é de admirar que os resultados sejam estes.”
A miséria é a mãe de muito crime. Mesmo assim esse estudo (que estou curioso para ver) poderá estar sujeito a interpretações distintas.
“E acho que as drogas só afastam de Deus… olhe-se para os grupos de heavy metal.. eles próprios talvez se considerem deus…. mas as alucinações se calhar seriam mais benéficas se vissem um deus que lhes metesse juízo na pinha, sim..”
As estrelas da música são uma divindade para muita gente.
“Não é o que mais parece. É simplesmente o que você quer ver.”
Então que “modelo” é esse?
Rui
“Nem da própria igreja ele se pôde defender. As citações das memórias da Lúcia mais parecem fruto de uma espécie de catequese intensa, uma lavagem ao cérebro muito forte. Convicções secalhar nunca as tiveram, tiveram foi o que os outros lhes enfiaram na cabeça!”
Esse argumento do oportunismo da igreja numa época em que esta vinha perdendo cada vez mais influência e poder fruto da 1ª Republica e sobertudo a Afonso Costa é bastante forte. De facto o “timing” das aparições parece perfeito para a igreja que vinha em perda, até é possivel continuar a especular que esse crescimento da fé percepitou a queda do regime Republicano mas isso é outra história… Portanto neste aspecto concordo consigo.
Relativamente aos pastorinhos em si ai já não concordo consigo sobertudo numa época em que o analfabetismo era regra
não consigo ver essa catequese intensa em crianças numa altura em que as pessoas nem sequer tinham que comer quanto mais ensino mesmo que o religioso…
“Pois, mas a mim parece-me que é precisamente isso que é feito. É apresentado como um mártir da causa, um “modelo a seguir”.
Obediência, acima de tudo.”
As crianças não têm capacidade para comprender esses conceitos, eu acredito que os pastorinhos tinham essa capacidade de descernimento mas devido a razões que o Rui não consegue conceber…
No entanto parece-me prematuro tirar já ilações sobre o conteudo que se transmitiu às crianças…
Compreendo o que quer dizer. O consumismo desenfreado associado à falta de tempo que os pais dedicam aos seus rebentos dá nisso. Uma criança não pode ter tudo o que quer. Passados uns anos temos uma crise de valores e uma geração mal preparada para a vida.
Mais uma vez estamos de acordo apenas a fé nos continua a separar….
“Atenção que falei em lares de idosos como podia também ter falado em cemitérios. Os amigos de FM não terão já uma idade considerável, tendo em conta que se festeja o seu centenário?”
Se era esse o sentido que o Rui queria dar à frase então cemitérios e não lares seria mais apropriado sobertudo como ateu.
“E parasitas da desgraça alheia não serão mais os que lucram com o negócio de Fátima?”
Infelizmente sou obrigado a dar-lhe razão Fátima tornou-se um negócio em que o oportunismo de alguns mete as mãos nos bolsos dos ingénuos.
Mas cuidado com as generalizações senão incorre em falácia…
Cumprimentos
José
José,
“Relativamente aos pastorinhos em si ai já não concordo consigo sobertudo numa época em que o analfabetismo era regra não consigo ver essa catequese intensa em crianças numa altura em que as pessoas nem sequer tinham que comer quanto mais ensino mesmo que o religioso…”
Ver três crianças a encarar a sua própria decadência como algo aparentemente bom não é normal, e mais parece fruto de uma doutrinação intensa e quase agressiva.
“As crianças não têm capacidade para comprender esses conceitos, eu acredito que os pastorinhos tinham essa capacidade de descernimento mas devido a razões que o Rui não consegue conceber…”
Não percebi muito bem…
“Mais uma vez estamos de acordo apenas a fé nos continua a separar….”
Há que fazer alguma coisa. Esperemos que a situação melhore depois desta crise económica e que as pessoas fiquem menos estúpidas no capítulo do consumo e da futilidade associada.
Cumprimentos,
RJ
Rui
“Ver três crianças a encarar a sua própria decadência como algo aparentemente bom não é normal, e mais parece fruto de uma doutrinação intensa e quase agressiva.”
Continuo a não concordar não me parece que essas três crianças tenham tido qualquer doutrinação religiosa além de analfabetas eram de origens muito humildes é certo que após os acontecimentos de 1917 passaram a gozar de ampla atenção mas as duas crianças mais novas não viveram muito tempo depois disso, dai que ache a tua teoria da doutrinação excessiva dos pastorinhos falha…
“Não percebi muito bem…”
O Senhor Rui como Ateu não aceita nem consegue conceber que as três crianças tiveram tal experiência e que esta foi real, então diz que as crianças foram doutrinadas excessivamente e que tiveram alucinações que aquilo que vivenciaram não era real…
Mas essas três crianças de acordo com a minha fé eram especiais porque tinham um entendimento desas matérias muito maior do que a maioria dos adultos de então…
Eu como crente acho que as crianças não podem comprender toda a complexidade que encerra a fé logo a questão da doutrinação ser um abuso é falsa para mim, porque as crianças não percebem do que se está a falar a menos que se aborde os temas de uma forma muito ligeira caso contrário não percebem e o que ouvem será logo esquecido, abuso é certas práticas religiosas que colidem com a saude e bem estar da criança (as circuncisões por ex)
“Há que fazer alguma coisa. Esperemos que a situação melhore depois desta crise económica e que as pessoas fiquem menos estúpidas no capítulo do consumo e da futilidade associada.”
Subscrevo por baixo ora ai está um bom conselho para todos os homens com dois dedos de testa…
Cumprimentos
José
José,
“Continuo a não concordar não me parece que essas três crianças tenham tido qualquer doutrinação religiosa além de analfabetas eram de origens muito humildes é certo que após os acontecimentos de 1917 passaram a gozar de ampla atenção mas as duas crianças mais novas não viveram muito tempo depois disso, dai que ache a tua teoria da doutrinação excessiva dos pastorinhos falha…”
Pois, mas nesses tempos a religiosidade era geral, pior ainda entre comunidades mais iletradas. Estou certo que já iam à missa e rezavam o terço muito antes da idade escolar.
“O Senhor Rui como Ateu não aceita nem consegue conceber que as três crianças tiveram tal experiência e que esta foi real, então diz que as crianças foram doutrinadas excessivamente e que tiveram alucinações que aquilo que vivenciaram não era real…”
A questão pode ter várias interpretações. Ironicamente e humoristicamente apontei os cogumelos e as alucinações, mas nunca se sabe se tal vem de uma simples brincadeira deles que tomou proporções exageradas ou mesmo de manipulação por parte de alguém que lhes era chegado.
RJ
Caro Rui Janeiro,
Gostava de salientar que a hiatória de Fátima teve várias versões, consoante a fase em que a implantação da iniciativa se encontrava. Para conhecer a verdade sobre a Fátima de 1917( que nada tem a ver com pessoas mortas há 2.000 anos), teremos de fazer um estudo utilizando os jornais e ouitros escritos da época, ainda longe de imaginarem naquilo em que mais tarde se transformariam as “viões” de Lúcia. Essa versão a que o sr. faz referência, “Memórias da irmã Lúcia”, começou a ser escrita em 1935 e só a 4ª. memória, escrita em 1941, é parcialmente dedicada a Francisco Marto. Se tenho muitas dúvidas ácerca de a Lúcia ter alguma vez escrito alguma coisa que fosse, tenho a certeza absoluta de que tudo o que vem nas tais memórias, mostra falta de memória e apenas uma grande imaginação. De facto, em completo desprezo com os factos relatados à época por jornais e por livros que até 1927 nos contam uma outra história ( ” O mundo”, “O debate” “O século” “O mensageiro” ” Diário de Coimbra”, Antero de Figueiredo, 1936 ” Fátima”, Costa Brochado, 1952, ” As aparições de Fátima”, etc.) , as ” memórias da irmã Lúcia”, pretendem apenas reforçar com o peso do papel da sua ” autora” nos “acontecimentos” de 1917, uma versão ainda mais fantasiosa do que se passou na época e sobretudo com menos incongruências. Aliás, outros autores, como o visconde Montelo, pseudónimo do cónego Nunes Formigão ( As grandes maravilhas de Fátima), o padre Galambra de Oliveira, em 1938 e 1942 ( Jacinta) e muitos outros “escritores”, têm tido uma actividade bastante significativa nos últimos setenta anos com o mesmo objectivo, aproveitando ao mesmo tempo para lembrar que ainda estão vivos e deitarem mais umas achas na fogueira da boçalidade. A “nova” história de Fátima e a dos seus actores, tem vindo a ser lavada para se ajustar aos interesses dos exploradores de santuários e promotores de santinhos de pau carunchoso. A lista dos livros, filmes e artigos de jornais que passam atestados de imbecilidade aos incautos que lhes prestam atenção, é extensa e está sempre a crescer.
Não creio que o assunto mereça mais conversa e também não acho que seja preciso seja o que for, para além do simples bom senso, para olhar para este género de embuste com pena dos explorados e desprezo pelos exploradores.
Hoje em dia, para além de atearem o fogo do seu negócio que tão bem os aquece, os mentores da iniciativa só devem lamentar a falta de olho para o marketing que os levou a ter as grandes comemorações apenas a 13 de Maio e a 13 de Outubro. Mais jeito para o negócio teve a ” Ladeira do Pinheiro”, que comemora outras ” aparições” no primeiro domingo de cada mês,. quando há dinheiro fresco. Não há tantas aglomerações e … está-se sempre a receber.
Esta história cujo único extraordinário é haver alguém a dar-lhe crédito, salienta sempre um aspecto fundamental da igreja católica: Começaram este negócio há 2.000 anos com um burro e hoje andam de Mercedes e de jacto. Não se pode menosprezar quem, com tão pouco investimento consegue tanta coisa.
Cumprimentos,
Manuel Freire
Adoro a coerência ateísta. Dizem ser pessoas de evidências, no entanto já têm um bias à priori anti- milagres. Já decidiram que os milagres são impossíveis, porque sim!
Palmas!
A figura do “bom pai de família” é um conceito muito caro no nosso direito. E, não existe o livre arbítrio das criança, como os ateístas, de forma negligente, defendem.
A religião católica é o substrato da nossa cultura (excepto de alguns renegados) e do nosso direito. Sendo o costume uma fonte de direito, e as práticas sociais católicas transversais a toda a vivência e cultura lusa, não há conflitos entre os valores católicos e a base jurídico-constitucional que suporta tido o edifício civilizacional do país.
Onde é que os valores da religião chocam com o nosso ordenamento jurídico?
Já os ateístas, adventícios e intrusos na cultura lusa, tentam pintar de cores amenas a falibilidade das suas práticas contraculturais. Aliás, evocam sempre aquilo que está errado (do ponto de vista legal, cultural e social), como prática desejada, em vez do que é normal (que segue a norma, que é plenamente aceite).
Sobre a educação das crianças, os argumentos são patéticos:
A criança não deve ser educanda na religião, porque tem o direito de não querer!!!
Então, e se a criança não quiser comer… pode ser obrigada?
E se a criança não quiser estudar… podes ser obrigada?
E se a criança se recusar a tomar banho… pode ser obrigada?
E por que razão pôr a criança a estudar Inglês? E se ela não quiser?
E por que razão colocar a criança no infantário, se ela não quiser?
E por que razão dar um nome a uma criança… e se ele não quiser esse nome?
A fraca visão dos ateístas reside no facto de acharem que, omitir o conhecimento (neste casão da religião) a uma criança é um direito dela.
Não era antes um direito da criança ser instruída de uma forma mais abrangente possível de acordo com a cultura predominante da sua sociedade?
Será que os pais ateístas, um insignificante minoria (felizmente), ao negar o direito de formação religiosa à criança (seu filho) não estão a ferir os seus direitos, ao induzi-la num obscurantismo que a impede de saber o que é uma religião plenamente aceite pela quase totalidade da sociedade em que vive?
Não será uma forma de tortura obrigar as crianças, filhos desta minoria de auto-excluidos, a seguir a ignorância religiosa dos pais, estigmatizando-os frente aos colegas?
Não será isso uma forma de exclusão paternal, ou de discriminação abusiva?
Uma pessoa que conhece uma religião pode deixar de ser crente, mas uma pessoa que desconhece uma religião, não pode ser crente.
O que os ateístas pretendem , de uma forma imbecil, é impedir as suas crianças de ter formação… é violência e manipulação das crianças, fruto do fundamentalismo e obscurantismo dos pais (não são todos, pois conheço ateus cujos filhos vão a Fátima em Junho).
Assim, as crianças dos ateístas deveriam ser sinalizadas como crianças em risco, e caso os pais lhe negassem o direito de ser religiosas ser-lhes-iam retiradas.
Zeca Portuga,
A cultura não é tudo mas é importante, e quando alguma coisa está mal ou vai contra direitos e liberdades, muda-se!
Se uma criança não come morre ou fica sub-nutrida. Se não quiser estudar não fica preparada para enfrentar o mundo que a rodeia. As crianças têm de ser protegidas delas próprias. Não se pode obrigar uma criança contrariada a ir a uma actividade dita acessória se ela não quer, desde um desporto (onde a oferta é grande), xadrez, piano ou a catequese. E se a criança quiser altera o nome em adulta.
“A fraca visão dos ateístas reside no facto de acharem que, omitir o conhecimento (neste casão da religião) a uma criança é um direito dela. (…) Não será uma forma de tortura obrigar as crianças, filhos desta minoria de auto-excluidos, a seguir a ignorância religiosa dos pais, estigmatizando-os frente aos colegas?”
Errado. O direito que se considera é a uma educação neutra, sem ser tendenciosa. O direito a escolher a religião que se quer seguir em idade adulta. Liberdade de consciência, got it? E o problema não está na criança mas sim na tolerância dos colegas.
“Não era antes um direito da criança ser instruída de uma forma mais abrangente possível de acordo com a cultura predominante da sua sociedade?”
Religião também é cultura e vejo com bons olhos uma cadeira de história comparada das religiões.
“Será que os pais ateístas, um insignificante minoria (felizmente), ao negar o direito de formação religiosa à criança (seu filho) não estão a ferir os seus direitos, ao induzi-la num obscurantismo que a impede de saber o que é uma religião plenamente aceite pela quase totalidade da sociedade em que vive?”
“Plenamente pela quase totalidade” não está certo. Comecemos pelo desprezo que os católicos (por tradição e não por consciência) ditos “não praticantes” dão à igreja. E em termos de obscurantismo já nos chegaram séculos de catolicismo dito “inquisidor”.
“Uma pessoa que conhece uma religião pode deixar de ser crente, mas uma pessoa que desconhece uma religião, não pode ser crente.”
Ah, está tudo explicado. Menos ovelhas para o rebanho! Creio que um adulto é mais difícil de convencer, não é?
“O que os ateístas pretendem , de uma forma imbecil, é impedir as suas crianças de ter formação…”
Formação religiosa moral por vezes a roçar a idiotia, claro que sim!
RJ
Rui,
Subscrevo totalmente o teu texto.
Os meus parabéns pela sua qualidade.
JO
Obrigado