Criador do Universo – os meus argumentos para acreditar

Muitos ateus acham que a possibilidade da existência de um criador do Universo é absolutamente ridícula e que não lhe deveria ser dada qualquer credibilidade, o meu objectivo com este texto não é convencer ninguém da existência de Deus ( não me proponho a esse tipo de arrogância intelectual) mas simplesmente mostrar que há argumentos lógicos e talvez científicos para mantermos a hipótese em aberto.

Não vou tentar provar a existência de nenhum deus em particular (embora acho que seja possível), nem recorrer a livros sagrados ou supostos milagres, se bem que considero que ocorrências como as experiências de quase morte, têm de ser levadas a sério uma vez que têm sido corroboradas em estudos por parte de médicos e cientistas…. isso pode ficar como trabalho de casa para os visitantes.

Dentro dos argumentos abaixo alguns são meus outros não, embora eu junte a minha análise  em todos.
Vário ateus , assim o decidiram ser, por causa da evidência científica que supostamente contraria a crença numa inteligência Superior. Acham por exemplo que o facto de ter havido uma evolução e das mutações no DNA serem aleatórias, faz da existência do Homem um mero acaso . Esquecem-se que tal como uma bomba, na qual é possível determinar aonde vão cair os seus bocados através de conhecimentos de física e química, a sequência de acontecimentos que levaram à origem da existência humana ficou logo definida à partida na “explosão” Big Bang. Logo, a existência do Homem já estava pré determinada, não obrigatoriamente por um designer, mas por ele ou porque aquilo que definiu as condições do big bang. Isto que em nada contraria o livre arbítreo do Homem, no caso de existir uma alma, o livre arbítreo só deve existir no caso de existir uma alma, ou espírito, uma vez que se somos apenas matéria e a matéria está toda sujeita a leis naturais, e visto que as leis do universo não podem ser suspensas (pois os milagres são impossíveis certo?) , nós NÃO podemos ter livre arbítreo de maneira nenhuma, o mesmo não passa duma ilusão.. Para a próxima que houver homicídios em massa, queixem-se ao Universo (os ateus claro) uma vez que os homicidas não tiveram culpa.

A ciência explica mecanismos, ao estarmos por exemplo a caracterizar a atracção gravítica entre dois corpos, o facto de descobrirmos que a mesma se dá por uma razão inversa ao quadradado da distância entre eles, em nada tira a possibilidade de Deus, foi o mesmo que aconteceu com muitos outros fenómenos naturais, conseguimos explicar os mecanismos, e depois?!

O facto de vivermos numa grande máquina (o Universo) , em que a maioria dos seus processos são automáticos, em nada descarta a possibilidade que a máquina tenha sido afinada ( o que seria de um Universo em que tudo fosse manuseado por Deus?). E se repararmos, as leis da física e matemática, são de uma elegância e coerência que deveriam deixar qualquer pessoa impressionada. Por exemplo, a parábola perfeita que faz uma bola de tenis ao ser atirada ao ar, ou as trajectórias elipsoidais do planetas, ou ainda a presença do número de ouro, ou da série de fibonacci, no crescimento de plantas e animais são fenómenos maravilhosos, e dificeis de conceber em um Universo sem qualquer tipo de planeamento inteligente por trás. O mais espantoso é nós conseguirmos arranjar um código lógico e racional (matemática, física etc.)  que nos permita prever e compreender o comportamento destes mecanismos.

Para termos estes comportamentos harmoniosos, que permitem a existência de vida é preciso haver um elevado grau de Fine Tuning no Universo, portanto no afinamento da máquina. Isto é, a maior parte das constantes que regulam as Leis da Natureza têm uma margem de erro ridiculamente pequena de modo a permitirem vida (estão muito “finely tuned”).

Imaginemos que para termos vida no Universo, precisávamos que saísse a bola numero 7, numa tombola de 100 bolas numeradas de 1 a 100, a probabilidade de tal ocorrência é de 1/100 …… Se a bola 7 saísse à primeira tentativa, seria um bocado difícil de se falar em sorte. Agora contemplemos as dezenas de constantes do Universo, e o seu fine tuning, vou só dar um exemplo ou este texto torna-se gigante….. temos o caso da constante de expansão do Universo, que não pode ser alterada uma parte em 10^120, uma margem de erro tão pequena que é contra intuitiva e impossível de imaginar. Portanto se já seria dificil falar em sorte num caso de 1:100 o que dizer para 1:10^120 ( 120 zeros para aqueles não familiarizados com a notação) ? E o que dizer se juntarmos as restantes constantes uma vez que não nos ficamos por aqui….

Uma possível alternativa a um designer que afinou estas constantes, é a existência de uma infinidade de Universos paralelos em que temos de partir do pressuposto, que têm todos leis da física diferentes, de forma a transformar a nossa improbabilidade existencial numa necessidade matemática. Neste momento não existe qualquer evidência para estes universos alternativos, nem razões que justificassem o porquê de diferentes leis.

Porém se na minha opinião é difícil de aceitar racionalmente a existência de um Universo não inteligível sem qualquer sentido de existência, ainda mais seria difícil conceber a ideia de infinitos universos que existem literalmente para nada. Imaginem, infinitos Universos que não servem para nada… O ateu pode dizer que o Universo não tem de ter razão ou lógica de existência, mas porque é que encontramos tanta lógica e ciência num Universo que existe sem lógica? Ao menos se Deus existir deve existir uma explicação racional para a Sua existência, enquanto que se os Universos existem todos sem qualquer tipo de propósito, acaba-se a cadeia de racionalidade ( o pesadelo de qualquer cientista ou filósofo).

Não me parece também um salto lógico demasiado grande, pormos a hipotese do Universo ser resultado de um mecanismo racional (ou inteligência), se os próprios mecanismos dentro do mesmo também o são.
Mesmo que exista uma espécie de super máquina geradora de Universos esta também teria de estar muito “Finely Tuned ” para dar origem a tantas constantes diferentes.

Richard Dawkins considera o argumento do Fine Tuning, um dos argumentos mais poderosos para a existência de Deus. No entanto recusa-se a aceitar Deus como explicação, uma vez que o Universo é muito complexo e Deus teria de ser mais complexo ainda… e como entidades complexas são muito improváveis o Universo tem de ter uma explicação simples, ou seja temos de partir de um princípio simples e evoluir gradualmente para o complexo.
Para mim este argumento falha em várias frentes, em primeiro lugar Deus não teria de ser mais complexo, assim como uma esfera perfeita não é mais complexa do que uma esfera cortada sobre determinados ângulos, acho que a perfeição até poderia ser considerada o auge da simplicidade. Dawkins atribui o conceito de complexidade superior a Deus por simples conveniência. Em segundo lugar, acho que o termo complexidade é notoriamente subjectivo, pelo que não leva a lado nenhum. Mesmo assim façamos um terceiro ponto com este conceito.

O próprio termo início do universo é incompatível com ateísmo. O ateu tem de acreditar de algum modo que o Universo sempre existiu, evoluindo ciclicamente ou não, visto ser irracional acreditar que veio do nada. A problemática com o Universo ser eterno é que não se pode falar de início, e com a agravante se o Universo é cíclico, podemos ter entidades complexas desde dum “início”; ou seja como temos infinitos ciclos no passado não podemos dizer se o complexo veio do simples ou o contrário. Penso portanto que o argumento da complexidade de Dawkins cai por completo, se pensarmos no Universo eterno.

Dawkins também fala na improbabilidade da existência de Deus, será que ele também está a par da improbabilidade de termos um fine tuning tão conveniente à nossa existência?

Se o Universo está cá por causa do Homem, é fácil de falsear, encontrem uma lei da natureza que seja supérflua para a existência humana. Porque se nós só temos as leis necessárias e suficientes, para a existência de vida isto torna-se algo difícil de contornar. Por exemplo peguemos na existência de uma pedra, existem leis da química, que não seriam necessárias para a existência da pedra. Portanto não há nenhum propósito especial para as mesmas.

E assim chegamos ao último argumento. O ateu muitas vezes coloca a questão no crente, se Deus pode ser eterno, porque é que o Universo não pode ser também eterno?

Se o Universo é eterno, quer portanto dizer que sempre existiu… o que implica que tenhamos um passado infinito atrás de nós. Visto que é impossível percorrer-se um passado de infinitos e infinitos anos até chegarmos ao agora, ao presente, nunca teríamos chegado a este momento no tempo, note-se que não falo em uma escala como a geológica, falo em infinidade literal, pois é isso que é exigido com um Universo eterno, o Universo tem de ter um início. Aqui falo em tudo o que existe em termos físicos, portanto incluo já a hipótese dos infinitos Universos caso haja um mega Universo que inclui todos os outros. O haver um início da realidade física é um sério problema para o ateísmo. E a realidade física não pode vir de outra realidade física, note-se que falo em toda a realidade física existente.

Este argumento consegue suportar contra-ataques como a relatividade ou ciclicidade do tempo. Não interessa se o Tempo é como um círculo e não linear, infinitas voltas teriam de ser dadas até ao presente e o problema mantém-se.

PS: é daqui que vem o argumento que tudo o que tem um início tem uma causa, e o pormenor início é determinante, uma vez que a pergunta de quem então criou Deus deixa de ter sentido.

Existem muito mais argumentos ainda para a existência de Deus, elaborados por pessoas com muito maior competência que eu, isto foi só a ponta do Iceberg. Uma das razões pelas quais fiz este texto, foi para mostrar que existem argumentos para Deus, ao contrário da ideia que é sistematicamente passada pelos agentes do novo ateísmo. Afinal se o “lado” de Deus fosse tão fraquinho assim, este debate não seria o maior e mais antigo de todos no âmbito da filosofia.

Espero que tenham gostado da leitura, cumprimentos.

João Ribeiro

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