“Onde termina a liberdade religiosa?”

Este é um texto do astrónomo Phil Plait, que tem um blogue muito interessante chamado Bad Astronomy.

Phil é um ateu e um céptico do melhor que se pode encontrar: recentemente foi nomeado Presidente da James Randi Educational Foundation, uma honra extraordinária.

Phil escreveu uma opinião sobre o julgamento dos pais de Madeline Neumann (um assunto que, como se pode perceber, me perturba imenso), e que deixo aqui para vossa leitura.

O original pode ser encontrado aqui.

“Onde termina a liberdade religiosa?

Esta é uma questão importante. Uma questão vital. Por vezes, literalmente, uma questão de vida ou morte.

Em Wisconsin, os pais de Madeline Kara Neumann irão ser julgados brevemente por terem morto a sua filha. Ela tinha diabetes juvenil. Os seus pais não a levaram a um médico, mas apenas rezaram por ela. No Março passado ela morreu de keto-acidose diabética. Ela tinha 11 anos.

Esta condição é quase completamente evitável com injecções regulares de insulina, o que é um procedimento médico básico. Por outras palavras, se Kara tivesse sido diagnosticada com diabetes – e estamos a falar de uma doença que é facilmente tratável, ela estaria viva hoje.

Este caso é tão desolador: a morte de uma criança, especialmente uma morte totalmente evitável, é uma coisa horrível de contemplar. Mas nos temos de a contemplar, pois a culpa é dos pais.

Eu não tenho dúvidas que muitos religiosos irão defender a ideia que eles têm o direito de tratar das suas crianças como eles acham melhor. Esse é um argumento válido. Eu tenho uma filha e não me agrada a ideia do governo me dizer como devo ou não educar a minha criança. Mas no entanto, há leis que tenho de obedecer, eu não posso vender a minha filha, ou abusar dela, ou qualquer outra acção que viole os seus direitos como ser humano.

E certamente, causar a morte de uma pessoa é retirar os seus direitos como ser humano.

Neste país nos temos o direito de acreditar naquilo que quisermos. Eu concordo com essa ideia. No entanto, nós não temos o direito de necessariamente agir de acordo com essas crenças.

O que será se a minha religião me disser para eu agir como se quisesse trazer o fim do mundo? Ou se a minha religião me disser que eu tenho direito ao Paraíso se voar com aviões contra edifícios.

Estas não são perguntas retóricas ou hipotéticas. Claramente, direitos religiosos têm limites.

Você tem o direito de acreditar naquilo que quiser. Mas não tem o direito de deixar que essas crenças façam mal a uma criança que esteja ao seu cuidado. E a diabetes não está minimamente interessada naquilo que você acredita.”

Hear, hear, Phil.

Madeline Neumann. 1997-2008

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