Um modelo experimental

“Católicos que afirmem ter visto a Virgem Maria serão forçados a manterem-se em silêncio até as aparições terem sido confirmadas por uma equipa de psicólogos, teólogos, padres e exorcistas que se regerá pelas novas indicações do Vaticano que têm como objectivo detectar aparições falsas.

O Papa deu instruções a Congregação para a Doutrina da Fé, antes conhecida como o Santo Ofício da Inquisição, para produzir um novo manual para ajudar bispos a lidar com um aumento de aparições divinas falsas.

Monsignor Luis Francisco Ladaria Ferrer, um arcebispo muito respeitado, foi colocado como líder deste projecto e de criar um documento chamado “vademecum“, que irá actualizar as regras estabelecidas em 1978.

As pessoas que reportam as visões serão visitadas por uma equipa de psiquiatras, tanto ateístas como católicos, para se certificar da sua saúde mental, enquanto teólogos irão avaliar a mensagem celestial para ver como se enquadra nos ensinamentos da Igreja.

Se as visões forme credíveis, as testemunhas irão ser questionadas por um ou mais demoniologistas (demonologists no original) e exorcistas para excluir a possibilidade de Satanás estar por detrás das aparições para enganar os fiéis.”

Ver aqui.

Ficaremos muito interessados para conhecer o relatório trimestral (ou semestral, ou anual, nós não somos picuinhas) desta Congregação.

Queremos saber quantos casos avançaram nesta escala sugerida pelo Vaticano: quantos casos passaram pelos psicólogos ateus (ou até mesmo pelos católicos), quantos passam para a fase da “interpretação” da aparição, e quantas  dessas visões (as que passam nos critérios anteriores) são acção de demónio e quantas são mesmo manifestações divinas.

Queremos números, queremos percentagens. Queremos saber quantos demónios foram exorcizados, quantas vezes apareceu a virgem Maria, quantas pessoas apresentaram estigmas, quantas estátuas sangraram e quantos milagres foram registados.

E finalmente, queremos saber qual a metodologia utilizada, que não os instrumentos que os psicólogos usam (esses são conhecidos e validados), mas a que os demoniologistas e os exorcistas utilizaram para distinguir alhos e bugalhos.

Pode ser?

Ou vai ficar tudo na “interioridade” da testemunha, sendo que as visões são sempre produtos mentais que nunca acontecem no mundo real?

Ficamos à espera.

Psicólogos ateístas, façam o favor de acompanhar o caso dos vossos pacientes até ao fim.

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