Emancipações teocráticas

“O Estado do Vaticano decidiu fazer uma separação desse Estado com as leis Italianas, uma vez que analistas legais do Vaticano dizem haver demasiadas leis no código civil e criminal Italiano que entram frequentemente em conflito com os princípios da Igreja.

A partir do ano novo, o Papa decidiu que o Vaticano não continuará a aceitar automaticamente as leis promulgadas pelo parlamento Italiano. Sobre o tratado de Lateran, que foi assinado há 80 anos atrás entre a Itália e o Papa e com o sistema parlamentar Italiano, leis Italianas têm de ser aceites automaticamente pelo Vaticano.

Um advogado no Vaticano, o Monsignor Jose Maria Serrano Ruiz disse à imprensa que há demasiadas leis na Itália, que são muito instáveis, e que entram muitas vezes em conflito com os ensinamentos morais da Igreja Católica

O Vaticano também decidiu que irá avaliar tratados internacionais antes de decidir se adere aos mesmos. Recentemente, o Vaticano recusou aprovar uma declaração das Nações Unidas que descriminaliza homossexualidade. No comunicado de imprensa, representantes do Vaticano disseram que a declaração “foi demasiado longe” ao colocar diferentes orientações sexuais como tendo os mesmos direitos.”

Ver aqui.

Hummm. O Vaticano quer o melhor dos dois mundos, ou seja, ser visto como uma instituição religiosa, mas ao mesmo tempo como uma instituição política. Se querem ter as suas próprias leis, esse é um direito que lhes assiste, mas então isso vai significar que tenham de aceitar as convenções internacionais a que outros países estão vinculados. Ou quer o Vaticano interferir com os assuntos internos de outros Estados soberanos?

Mas em contrapartida, se o Estado Português (que não o fará, porque somos uns “criados religiosos” neste cantinho da Europa) protestasse que as leis do Vaticano são discriminatórias, alguém acredita que o Vaticano teria de dar explicações à comunidade internacional?

Pois, bem me parecia.

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