“O que mudará tudo?” foi a pergunta feita a filósofos, cientistas, escritores e artistas. Sam Harris, Brian Eno, P.Z. Myers e Ian McEwan foram algumas das personalidades abordadas.
Respondendo ao desafio lançado por edge.org o biólogo evolucionista (que dispensa apresentações) Richard Dawkins é polémico e põe o dedo na ferida:
«O cientista Richard Dawkins não esteve com meias medidas. Para ele se há algo que pode mudar as concepções que a sociedade tem sobre o homem – que estão na base de muitas discussões éticas sobre temas como o aborto ou a eutanásia – é a “hibridação com sucesso entre um humano e um chimpanzé”.
(…) “A nossa ética e as nossas políticas assumem, na sua maioria sem questionarem ou sem discutirem seriamente o tema, que a divisão entre o humano e o ‘animal’ é absoluta”, começa o cientista, para quem é este pensamento que está na base de políticas pró-vida que rejeitam o aborto e a eutanásia.
[Acrescento eu, a partir do artigo do Guardian:"Abortion clinic bombers are not known for their veganism, nor do Roman Catholics show any particular reluctance to have their suffering pets 'put to sleep'." : Os que colocam bombas em clínicas de aborto não são conhecidos pelo seu veganismo nem os católicos mostram relutância quando colocam "a dormir" os seus animais de estimação em sofrimento.]
“Nas mentes de muitas pessoas, o zigoto humano [a célula que resulta da fusão de um óvulo e de um espermatozóide], que não tem sistema nervoso e não pode sofrer, é infinitamente sagrado somente por ser humano. Mais nenhuma célula tem um status tão nobre”.
(…) Segundo Dawkins, se houvesse um Paraíso com todos os animais que já viveram, o reflexo da evolução mostraria um continuo de animais que permitiria ligar-nos em rede, através da reprodução, tanto a um chimpanzé, como a um canguru ou a um peixe-gato.
(…) Apesar de em teoria o cientista defender que as pessoas percebem este raciocínio, “o que mudaria seria uma demonstração prática”. Dawkins dá quatro exemplos do que poderiam ser estas demonstrações: a descoberta de uma população de hominídeos vivos algures na Terra (o investigador não acredita nesta possibilidade), a hibridação com sucesso entre um humano e um chimpanzé, a produção de uma quimera com células de chimpanzé e de humano e a produção, através de engenharia genética, de um ser com ADN das duas espécies.
Referindo-se ao híbrido, o investigador explicou que, “mesmo que fosse infértil, as ondas de choque que iriam ser propagadas pela sociedade seriam de salutar. É por isto que biólogos iminentes descreveram esta possibilidade como a experiência científica mais imoral que se pode imaginar: porque mudaria tudo!”.
Mas as quimeras e a produção de um ser com ADN das duas espécies também seriam motivos de mudança. “Quão humana terá que ser uma quimera antes de haver regras de investigação mais restritivas?”, avança Dawkins.
Em relação ao ser fabricado por engenharia genética, o investigador defende que através do conhecimento do genoma humano e do chimpanzé pode chegar-se a genomas intermédios de um ancestral comum das duas espécies. “O genoma intermédio entre este ‘ancestral’ reconstituído e um homem moderno, poderia, se fosse implantado num embrião, desenvolver-se no que seria um austrolopiteco renascido”
(…) “Eu não disse que espero que alguma destas possibilidades se realize. Para isso era necessário reflectir mais.” Mas o autor admite que há um grau de excitação sempre que se é forçado “a questionar o que até agora é inquestionável.”» [Público]
A ciência bem pode, a curto prazo, dar cabo das aspirações das religiões e líderes religiosos que envenenam a mente das pessoas. Se a teoria da evolução já abalou os alicerces de muito culto (apesar do evidente amuo de alguns sectores que levam a coisa mais à letra), imagine-se o que será se se puser em prática o que Dawkins menciona…
Outros artigos relacionados:
A resposta de Dawkins é, sem dúvida, acutilante e bem pensada. Ainda não tinha lido a sua resposta à questão do Edge, mas quando vi esta notícia, pensei em como isso iria (ou irá) revolucionar o pensamento moral e legal da sociedade.
Era realmente uma pergunta em que não me tinha debruçado, e gostei bastante de algumas respostas dadas pelos questionados. Aconselho a dar uma vista de olhos
Quando eu era mais novo, bastante mais novo, vi um filme velhinho na televisão que contava a história de um Dr. Frankenstein. A moral dessa história era simples: há coisas com as quais não se brinca.
Nunca me esqueci da moral dessa história.
Deveriam mostrar o filme ao senhor Dawkins.
Há sempre, em cada geração, uma série de espertinhos dispostos a brincar com a Ciência e a fazer de Dr. Frankenstein. Eles brincam, mas são sempre os outros que sofrem.
Fora da ficção cinematográfica, temos bem perto de nós uma série de histórias do estilo da de Frankenstein: Chernobyl, ou se quisermos não invocar a péssima manutenção e segurança dessa central nuclear, podemos recordar Hiroshima, Nagasaki…
Dawkins é apenas mais um cientista a invocar total liberdade investigativa sem limites ético.
Já deveríamos ter aprendido a não dar grande atenção a este mau tipo de cientista.
É muito giro pensar em “quimeras” e “híbridos”: faz o senhor Dawkins parecer erudito e sofisticado. Se a experiência correr mal, quem matará as “quimeras” e os “híbridos”? E se não os matarem, quem cuidará deles? Serão mortos ou abandonados?
Ah, bom senso, por onde andas?
Bernardo
Neste ponto não concordo nada com o Dawkins…
Quimeras e Híbridos infelizes a deambularem por este mundo? Tal como o angustiado Roy Batty de Blade Runner (ouvir a entrevista de Luis Grave Rodrigues)?
Horrível!…
Imaginem a clientela que estas desgraçadas criaturas ambulantes providenciariam para as Madres Teresas Calcutás deste mundo! Seria uma catástrofe ver as igrejas e os cultos religiosos aumentarem ainda mais à custa disto!
“Igreja do Sagrado Coração Mutante”
“Igreja da Monstrologia”
“Congregação do Geneticismo Divino”
“Igreja Adventista do 7º Gene”
“Igreja Universal do Santo Clone”
“Igreja dos Abetos Humanóides”
Não… definitivamente, Dawkins não está a ajudar o ateísmo com estes disparates…
Caro Bernardo,
Ele há coisas… Então, onde é que o Dawkins defende tais práticas? Ele limita-se a dar exemplos do que poderia fazer mudar as coisas, não aprovando nem desaprovando.
“Eu não disse que espero que alguma destas possibilidades se realize. Para isso era necessário reflectir mais.” – Palavra do Senhor Dawkins!
Claro que o Bernardo já reflectiu sobre tudo isto; nessa reflexão recordou-se do filme “Frankenstein” mas não se recordou da quantidade de outros filmes que apenas existem porque quem os realizou, produziu ou interpretou não morreu aos 16 anos com uma simples gripe. É que a mesma ciência que o Bernardo demagogicamente se refere como “espertinhos”, é a mesma que lhe permite hoje em dia viver a vida confortável que vive. O Bernardo que tanto gosta de diferenciar a coisa da definição da coisa esqueceu-se aqui de diferenciar o conhecimento da aplicação que lhe é dado.
Enfim, não sei porque é que ainda me surpreendo…
Se eu respondesse à pergunta, diria que apenas quando criarem uma tecnologia para falar com deus é que as coisas mudavam. Gostaria de ver as reacções quando não houvesse resposta.
Um abraço.
Bernardo e Lucas.
Subscrevo a opinião e o esclarecimento do Hélder.
Dawkins apenas deu a sua opinião no que mudaria o pensamento e a perspectiva da sociedade, não incentivou nem suportou a sua realização.
Aliás, os comentários “apaixonados” que a sugestão provocou apenas mostram como esta ideia é polémica, e como a sua realização causaria um debate e uma mudança significativa em vários padrões sociais.
Hélder
A sua ideia é bastante interessante. Hoje mesmo vinha a pensar nisso no autocarro. Como uma experiência científica que demonstrasse a não existência de deus seria recebida, e que filosofias e perspectivas seriam encorajadas ou criadas em sua consequência.
É obviamente que essa experiência não iria resolver o problema de deus, pois os crentes mais apegados nunca aceitariam o seu resultado. Mas em que medida isso afectaria a vida dos crentes menos “religiosos” ou indecisos?
Bem eu creio que se houvesse uma experiência científica que provasse a não existência de deus ela seria ocultada, difamada ou até impossibilitada de ser concluída pela malta religiosa.
Caro João Félix,
Caso não tenhas percebido, eu estava a ironizar!
Um abraço para ti.
A ciência deve ser útil para o ser humano. E este tipo de projectos não tem utilidade nenhuma. Será um claro desperdício de recursos só para satisfazer a curiosidade de quem não acredita em nada. Pior é o que pode surgir dessas experiências.
Pretende-se provar que o homem não é diferente das outras espécies. Talvez seja verdade. E depois? Provam que Deus não existe?
No texto está patente a ideia de que a vida humana não tem nada de especial em relação às outras espécies. Compara-se a vida humana com os animais de estimação e a carne da alimentação. Quer dizer que eliminar vidas humanas não é problema nenhum, uma vez que ninguém se importa com a eliminação de outros animais. Será este tipo de raciocínio correcto e útil para melhoria da vida em sociedade?
Com ou sem Deus, eu acho que não.
Ricardo cada ser animal tem as suas características especiais que o diferenciam dos restantes. Creio que já afirmei neste site que tal como os peixes tem guelras e os pássaros asas, nós temos o pensamento racional proveniente de um cérebro mais desenvolvido que os demais.
É isto que nos diferencia e por essa mesma razão vemos que é errado matar outro ser humano. Este comportamento também é observado nos restantes animais mas por motivos de sobrevivência. Um bom exemplo é o Suricata que protegem-se uns aos outros. Em termos de adultério temos os pombos que apenas tomam um parceiro para a vida. Agora que, tanto o ser humano como os restantes animais se comem uns aos outros é diferente uma vez que isso faz parte da cadeia alimentar. Não se vê animais não racionais a matarem-se uns aos outros por prazer ou por o quererem: existe um motivo de sobrevivência como por exemplo a disputa de uma fêmea. O ser humano é motivado por pensamentos lógicos provenientes do cérebro. Um exemplo é o racismo. Um ser humano teme outro diferente em grande aspecto e tende a rejeitá-lo. Aliás existiu uma experiência esclarecedora há muito pouco tempo que indicou que a maioria de nós quando nasce já é racista. Quando crescemos se perdermos esse medo deixamos de o ser e a capacidade da maioria de nós perdermos esse medo sem necessitar de muita intervenção externa individualiza-nos dos restantes animais.
as pessoas devem ter deficit de interpretaçao de texto só pode… a indagaçao de Dawkins é sobre tentar mostrar quao proximos somos dos animais… os mesmos animais que praticamos eutanasia, sacrificios e abotamos seus filhos todo tempo, e até mesmo comemos abortos, sim ovos de galinhas e caviar sao abortos… o que Dawkins quer mostrar é a santa hipocrisia que envolve os conceitos da cultura humana… e de fato ele falou que não é a favor de tal experiencia de hibridos, só disse que com o surgimento do tal hibrido, talvez, as mentes mudem e deixem de se sentir tao melhores e especiais que outros animais!
alias ja existe teoria com experimentos, evidencias e provas que derruba todas teorias de Deus(es) criacionistas, essa teoria se chama Evoluçao e próprio Dawkins fala que foi a que o fez se tornar ateu… Não é uma teoria que derruba Deus ainda, mas derruba todas interpretaçoes arcaicas ainda usadas e ensinadas ¬¬
Lucas Samuel, peço imensa desculpa ! Estava um pouco distraído ao ler o teu comentário. Realmente não me pareceu que estivesse em linha com os teus comentários.
Foi um dia difícil, e quando li o comentário o sono já estava a atacar. Lamento muito e prometo que tomarei mais atenção
Um Abraço
Bufo
Ok. Só estava a dizer que apesar de sermos animais como os outros não podemos desvalorizar a nossa espécie só porque comemos outros animais. Devemos defender a vida humana, porque é a nossa espécie e somos racionais.
Romulo Vagner
Seguindo essa linha de pensamento matar outros seres humanos também não é errado, uma vez que que não se vai deixar de matar os animais para alimentação. Porque importar-se com o holocausto na 2ª guerra quando todos os dias morrem milhões de galinhas? Com este ponto de vista o homicídio deixava de ser crime. Ou então ficávamos todos vegetarianos, que até é um estilo de vida adoptado por muitas pessoas.
Caro Bernardo,
«…Se a experiência correr mal, quem matará as “quimeras” e os “híbridos”? E se não os matarem, quem cuidará deles? Serão mortos ou abandonados?
Ah, bom senso, por onde andas?»
Bom…
Podemos sempre fazer como às farinhas animais excedentes… Vão para “composto”…
Agora a sério:
Colocou questões pertinentes “mais ou menos” retóricas e com cuja oportunidade de formulação e posicionamento estou inteiramente de acordo:
Também não me parece boa ideia realizar as experiências (pelo menos por enquanto sem um objectivo bastante claro e inegavelmente útil), mas por outro lado, considero extremamente salutar e oportuno que a sua realização seja discutida, quanto mais não seja pela existência plena da possibilidade tecnológica para tal e, consequentemente, pela frágil barreira que nos separa da sua efectiva concretização e cujo suporte se encontra apenas em frágeis valores éticos.
E penso que neste ponto Dawkins obteve completo sucesso… Afinal, estamos para aqui a falar nisto, certo?
O problema de fundo, é o ADN Humano não é? A tal moleculazinha especial e abençoada de metro e meio, se desenrolada.
Mas se em vez de “conspurcarmos a superior molécula” de ADN Humano com genes esquisitos de outras espécies inferiores, apenas beneficiarmos com alguns dos nossos genes superiores o ADN inferior de outras espécies?
Assim, já não existe problema nenhum. Afinal apenas estamos a espalhar pela Natureza características superiores, certo?
(Bom… Aqui entre nós, conheço pelo menos duas associações de defesa dos animais que não concordam em absoluto…)
Nesta óptica, o híbrido passa a ser assim uma espécie de compromisso de aceitabilidade percentual e estatística:
- Um “bicho” 99,99999% Humano e 0,00001% Medusa fluorescente não é de todo aceitável para satisfazer um capricho dos pais que apenas pretendem saber onde os seus filhos se encontram no escuro…
- Já quanto a um “bicho” 99,99999% Humano e 0,00001% Salamandra não ser aceitável para garantir a activação do gene de recuperação total de um membro no caso de este ser amputado, tal como se verifica na maior parte dos “inferiores” anfíbios….admito que começo a sentir algumas sérias dúvidas…
- Agora um “bicho” 99,99999% Porco e 0,00001% Humano é absolutamente aceitável para a produção de um fígado compatível por encomenda para xenotransplante.
No fundo, penso que já percebi:
A ideia de base é:
Mais de x % de genes humanos – possui um x % importante de alma e é nosso dever fazer respeitar a aplicação dos Direitos Humanos.
Menos de x % de genes humanos – Ok…pode-se esfolar…
Falta agora definir o macabro x % de genes humanos mínimo para definir esta fronteira: Direitos Humanos versus Esfolanço sumário e indiferente.
Chegados a este ponto – um pouco chocante, admitemos – tenho a certeza que muito boa gente pensará mais ou menos assim:
- Acabou-se a conversa! Não se mistura coisa nenhuma e prontos!
Pois… Mas até agora já se misturou muita coisa – em alguns casos com fugas de genes “artificiais e estéreis” já fora de controlo como no caso do milho e soja transgénica – e até agora só temos ouvido um silêncio ensurdecedor por parte da ICAR sobre estes assuntos (serão accionistas anónimos da Monsanto via um qualquer off-shore?)
Só quando se fala na molécula do ADN do Homo Sapiens Sapiens é que parece que os alarmes tocam todos ao mesmo tempo!…
Desconheço qual a posição oficial da ICAR sobre esta matéria (xenotransplantes) – embora esteja de alguma forma curioso, assim como na sua opinião pessoal – mas poderá possuir um discurso inicial muito próximo deste, e nesse caso, por questões de coerência, seria importante que começassem desde já a aconselhar os seus fiéis a não aceitarem este tipo de terapias clínicas que em breve estarão acessíveis.
Todavia, não se atrevem e não falam no assunto, o que faz parecer que aguardam para ver o que vai acontecer …o que vendo bem, até é coerente com a sua postura habitual perante as novidades.
Basta imaginarmos o que irão decidir os fiéis doentes num hospital perante o aconselhamento de xenotransplante do médico e de harakiri passivo do capelão?
Nota final:
Para simplificar estes raciocínios éticos intrincados quando se misturam conceitos de moléculas abençoadas pelo meio:
- Que tal trabalharmos nestas matérias apenas com os Direitos Universais dos Seres Vivos (o que formalmente não existe, mas cujo sentido penso que todos entendemos)
Cumprimentos
Abraão Sivus
Caro Ricardo Sá,
«A ciência deve ser útil para o ser humano.»
Concordo. Não existiria se não o fosse.
«E este tipo de projectos não tem utilidade nenhuma.Será um claro desperdício de recursos só para satisfazer a curiosidade de quem não acredita em nada. Pior é o que pode surgir dessas experiências.»
Discordo inteiramente pelas razões já expostas acima em resposta ao nosso caro Bernardo.
«Pretende-se provar que o homem não é diferente das outras espécies. Talvez seja verdade. E depois? Provam que Deus não existe?»
Quer dizer que se fosse diferente, estávamos perante uma prova absolutamente irrefutável de que deus existia? É que na verdade somos todos diferentes de todos os outros… assim como o rato do crocodilo…
«No texto está patente a ideia de que a vida humana não tem nada de especial em relação às outras espécies.. Quer dizer que eliminar vidas humanas não é problema nenhum, uma vez que ninguém se importa com a eliminação de outros animais.»
Considere o mesmíssimo raciocínio mas de forma invertida:
- Quer dizer que eliminar vidas animais não é problema nenhum, uma vez que ninguém se importa com isso.
Ou talvez assim:
- Quer dizer que eliminar vidas animais é um grande problema, uma vez que todos se importam com a eliminação de outros humanos.
Ou talvez ainda mais radicalmente invertido:
- Quer dizer que eliminar vidas animais não é problema nenhum, uma vez que ninguém se importa com a eliminação de outros humanos.
No final perguntou:
«Será este tipo de raciocínio correcto e útil para melhoria da vida em sociedade??»
Seguramente que não. Nenhum dos quatro anteriores.
Notemos o seguinte:
Naturalmente que reconheço atributos na nossa espécie que não identifico em mais nenhuma. Mas e depois? Somos superiores por isso? Sinceramente não sei porquê. O morcego que voa e “vê” no escuro é superior ou inferior a nós?
Qualquer espécie existente neste momento, possui uma molécula de ADN absolutamente vitoriosa e ganhadora do ponto de vista evolucionista.
Qualquer ser vivo actual é um triunfo absoluto da evolução!
Desde o tubarão cuja evolução triunfante estabilizou há milhões de anos, até nós que andamos em pé sem estarmos devidamente desenhados para tal…
Todos eles, igualmente merecedores de total respeito… mesmo que os estejamos a depredar para a nossa sobrevivência.
Este sim será o tipo de raciocínio correcto e útil para melhoria da vida em sociedade.
Cumprimentos
Abraão Sivus
Caro Bufo,
Estou 99,99% de acordo.
Quando afirma:
« [...] nós temos o pensamento racional proveniente de um cérebro mais desenvolvido que os demais. É isto que nos diferencia e por essa mesma razão vemos que é errado matar outro ser humano.»
Embora à primeira vista até pareça que a nossa civilização é fruto da nossa racionalidade, se pensarmos bem, vemos que a maior parte das criações humanas são fruto das irracionalidades mais estapafúrdias, grandiosas e insignificantes que possamos imaginar. Para o bem e para o mal.
Grosseiramente, eu diria antes que o que nos diferencia, é a irracionalidade de por vezes não vermos quão errado é matar outro ser humano.
E a Razão, quase que se resume apenas a apontar, descrever e balizar as nossas irracionalidades num esforço de chegar, por exclusão de partes, a alguma conclusão sobre qualquer coisa.
PS:
Para além de humanos, já vi muitos animais a matarem por “desporto” (sem fome):
Desde orcas a matarem focas até gatos a matarem pássaros.
Ok. Até pode ser o instinto, e o treino faz parte do jogo da sobrevivência…. mas ninguém me consegue convencer que eles não se estavam a divertir…
De resto, subscrevo tudo.
Cumprimentos
Abraão Sivus
Abraão Sivus
Concordo plenamente que a Natureza merecedora de total respeito onde existem exemplos de evolução e adaptação espectaculares. A questão que se pode levantar com o texto é se o Homem na relação com outros Homens deve considera-lo como um outro animal qualquer.
Não sei se acha que toda a vida é igual e portanto não come animais (que é de se admirar). Mas essa é uma outra discussão…
Ricardo Sá
que discurso demagogo eim… oq tem haver com as calças o holocausto? ta treinando pra ser politico com esses discursos romanticos de respeito a vida do homem? qd aq alguem fez apologia ao crime, assassinatos em massa ou pesquisas com seres humanos? nao se esqueça q os mesmo q te medicam hj sao os q fizeram pesquisas e atrocidades no holocausto… fora as empresas de carros e eletronicos q vc usa kkk ou seja quer repugnar a industria do holocausto? entao faça com todas elas… pare de hipocrisia, o holocausto tem nd haver com a questao
vamos ser factuais amigos, existe uma grande diferença entre assassinato e eutanasia… é incrivel como pessoas poem suas convicçoes a frente de pessoas q estão sofrendo… nao quer fazer? nao acha certo? nao o faça, simples assim, mas nao tire o direito de outra pessoa q sofre de o fazer… eutanasia n é um simples sentimento de tirar a vida, ja parou pra pensar q é um consenso entre familia e medicos e as vezes até com o paciente em estado terminal?
ja pensou o quao egoista é prender a “vida” de uma pessoa em maquinas? o sofrimento da familia em ter q ser obrigada a ver e pagar por isso? ninguem vai sair dando tiro nas cabeças de pacientes com casos graves!!! chega a ser engraçado, mas acho q é isso q muitos aq imaginam, q vidas vao ser tiradas sem mais nem menos… não amigos essas coisas de vidas serem tiradas sem mais nem menos só acontecem na guerra, e a guerra é feita por pessoas em grande maioria contra eutanasia e aborto por convicçoes religiosas, é tragi-comico…
qt ao aborto os mesmos absurdos. “tadinhas das celulas tronco não as matem”. entao daq a poco alguem dirá, “tadinhas das celulas cancerigenas não usem quimioterapia nelas”? bom, podem alegar absurda a comparaçao, mas ambos sao células. oq acho absurdo é alguem se preocupar, supostamente, tanto com a vida de um embrião e pouco com a vida dos seres formados a sua volta. até o embriao crescer e virar um bebe, os anti-aborto, prestam atençao, depois disso, bom dae q os pais se virem pra criar, se tiver pais né. acham errado abortar? nao façam voces, deixem quem quer fazer, pelos mais diversos motivos, terem o direito de fazer em um hospital seguro com bons médicos. alguem aq tem nossao do numero de mulheres vitimas de estupro que sao obrigadas a ter um filho? do numero de mulheres q se multilam enfiando facas e diversos objetos em seus orgaos genitais, sem opçoes de escolher, só para q alguns conservadores se sintam bem em suas convicçoes de vida? os mesmo conservadores q n dao a minima e nao movem um musculo pra ajudar essas pessoas, mas qd falam em aborto dae vira algo pessoal!!! me da nojo a existencia de seres humanos tão mesquinhos e cheios de si a ponto de impor oq pra eles é o certo pra todos seres humanos e vivos!! acho q um tal de Hitler fez o mesmo!
desculpe se fui ofensivo, mas a falta de bom senso e de democracia em paises democraticos chega ser um contrasenso, as pessoas se iludem com a palavra democracia e assim sao iludidas com seus “direitos”.
Pois bem, então não se compare a vida animal com a vida dos seres humanos.
Caro Ricardo Sá,
Prometendo que regresso ao tópico, apenas um comentário sobre a “outra discussão” como a classificou:
Existem efectivamente obras que, quando lidas ou vistas quando somos novos (tal como sucedeu ao caro Bernardo – e a mim também – com a adaptação para filme da obra “Frankenstein”), acabam mesmo por deixar “mossa”…
Quando se interrogou sobre a possibilidade de eu considerar toda a vida igual, e em consequência talvez não comesse animais), fez-me lembrar um impressionante romance de ficção científica que li na adolescência (penso de autoria de Clifford D. Simak – não me lembro do título) onde a Humanidade tinha conseguido dominar completamente as técnicas de controlo de envelhimento a ponto de o eliminar de vez e se ter finalmente conquistado a imortalidade.
A Humanidade ficou um pouco atordoada com a ideia de sustentar uma comunidade imortal que só não é eterna porque se continua a poder morrer em acidentes, catástrofes… ou através do suicídio.
Como seria de esperar, as implicações culturais e sociais foram profundas a nível dos relacionamentos, dos valores e da própria reprodução – que passou a ser restringida e centralizada e apenas para substituir imortais que tinham sofrido acidentes.
Depois de passar milhares de anos pela fase inicial de “Homem Apartamento” fechado na sua casa segura à prova de tudo e mais alguma coisa e a partir de onde geria toda a sua vida social – para evitar que morresse estupidamente com “apenas” algumas centenas de milhares de anos num acidente qualquer – por questões de eficiência energética, a mesma Humanidade encontrava-se numa segunda fase a trabalhar intensamente no conceito de “Homem Cápsula” onde já não seria necessário a maior parte do corpo – que na altura já para pouco servia – consistindo em cápsulas hiper reforçadas com autonomia energética e onde seria colocado apenas o nosso cérebro que viveria numa realidade virtual perfeita por encomenda (tipo 1ª versão da Matrix mas de forma consciente).
Entretanto, a comunidade extraterrestre de imortais que nos observavam discretamente há milhares de anos sem interferências, resolvem dar-se a conhecer e dar-nos as boas vindas à comunidade das civilizações que atingiram a maioridade com a conquista da imortalidade.
Depois do tumulto social provocado por este contacto oficial e depois de intensa polémica, lá conseguímos eleger alguém que representasse condignamente a nossa civilização e que embarcou na nave com destino ao Conselho Universal das Civilizações Imortais (ou qualquer coisa parecida…)
A maior parte das civilizações lá presentes eram geridas por seres energéticos, consciências baseadas em plasma, estruturas cristalinas ou até mesmo seres multicelulares baseados em carbono capacitados para a fotosíntese (parecidos com as plantas), que não dependiam de uma fonte energética que estivesse a ser utilizada por outra entidade, – por outras palavras, não comiam outros seres para sobreviver.
O embaraço foi tremendo quando o nosso digníssimo representante se apercebeu da sua dependência predatória e afinal que não passava de um frágil imortal primitivo ao deparar-se com todo o esforço logístico para satisfazer as condições especiais para a sua comodidade durante a sua viagem e estadia – desde uma nave inteira para transportar o seu frágil suporte físico de consciência (ou corpo) até ao detalhe de um sistema complexo para produzir umas papas de glucose sintética para satisfazer a alimentação.
Para além de sermos tratados como uma excentricidade do Universo genuinamente curiosa e exótica – dado o nosso cariz predatóriodependente – foi-nos apresentada uma lista exigente de condições para a plena adesão à comunidade imortal, e entre elas encontrava-se a imposição de deixarmos de depender do “roubo” de energia de outras entidades mortais ou imortais.
Esta condição de disrupção total com a energia de origem biológica entre outras coisas, caiu que nem uma bomba entre a população em geral, mas como uma luva para um movimento político minoritário (entre outros que também defendiam o direito à mortalidade) que pretendia que o próprio cérebro fosse eliminado no projecto “Homem Cápsula” e que todos os esforços se deveriam concentrar na possibilidade técnica de armazenar as consciências num suporte artificial partilhado, que por sua vez seria enviado para o local mais seguro de todos – o espaço intergaláctico – constituindo-se assim a melhor aproximação tecnicamente possível entre imortalidade e eternidade…
Bom… Já chega.
Se quiserem saber como acaba o romance, procurem o livro editado pela Argonauta há muitos anos (não consigo mesmo lembrar-me do título…)
Regressando ao tópico:
Isto tudo para dizer que, racionalmente, se levarmos ao limite a equivalência respeitosa entre a Humanidade e todas as outras espécies (parasitas incluídos), também deveríamos estar inibidos de matar moscas e condicionados a alimentarmo-nos de umas papas cuja produção fosse inócua para a qualidade de vida de todas as outras espécies – mas todas mesmo, incluíndo o reino vegetal e os restantes reinos.
Mas por outro lado, evolutivamente, ainda só agora estamos a começar a andar em pé…Qual é a pressa afinal de pensarmos como “deuses”?
Para além disso, aposto que essas papas devem ser caras…a não ser que sejam oriundas de desperdícios….para não falar do “detalhe” da degustação…
Assim sendo, mantermo-nos por enquanto assumidamente omnívoros com uma dieta que inclua carne no mínimo durante a infância e adolescência – onde, segundo me garantiram, pelo menos dois aminoácidos de origem protéica animal são fundamentais para o normal crescimento – parece-me ser uma razoável e saudável ideia.
Em conclusão:
Não considero que o texto do artigo sugira que o Homem na relação com outros Homens deve considerá-lo como um outro animal qualquer, embora a admita como possível interpretação
E admito-a como interpretação pois o problema é que culturalmente estamos há demasiado tempo habituados a pensarmos que somos superiores às outras espécies.
Primeiramente, porque possuímos a percepção clara de que nos tornámos predadores de topo.
E em segundo lugar, porque a maioria das religiões abraãmicas o afirma (por exemplo, Génesis 1:26 e 28), o que culturalmente valida essa percepção.
Assim, quando se sugere ou se afirma que a Natureza se encontra ao mesmo nível que nós, há quem interprete isso de alguma forma como uma despromoção do Homem..
Pelo contrário, o que se reafirma é a igualdade no respeito e consideração pela Natureza, dos quais parece que temos andado distraídos ultimamente.
Ou se quisermos, é o reconhecimento da verdadeira importância da Natureza depois de ter andado injustamente despromovida durante tanto tempo.
O que na minha opinião o texto do artigo sugere, é que o Homem na relação com um outro qualquer Homem ou animal não se pode esquecer de que ambos pertencem à mesma Natureza.
Nota final:
É claro que, na prática, e apesar de todo o respeito pelo ADN de um parasita:
- Se um parasita me incomodar, morre!
- Se incomodar alguém da minha família, morre!
- E se incomodar alguém da minha espécie, morre!
- Mas não posso desejar que morram todos, pois…
Porque…
Humm…
Agora assim de repente lembrei-me das platelmintas intestinais (ou ténias) e não sei porquê… não me está a ocorrer nada em defesa do seu ADN,…
…portanto vou ficar por um politicamente correcto:
- O seu ADN é único, um triunfo da evolução merecedor de respeito, para além de um dia poder vir a ser-nos útil.
Cumprimentos
Abraão Sivu