Um pequeno compêndio de blasfémias metaleiras
Postado por Rui Janeiro em 25/12/08 • Na categoria Opinião
Desde que a música Rock surgiu na última metade do século passado sempre foi associada a alguma polémica. Se os Beatles eram quase inaudíveis para os nossos avós ou bisavós, imaginem o efeito (não só o “barulho”) de uma banda de metal que criticasse e mesmo insultasse a religião e/ou dogmas associados durante os anos 50 e 60.
Algumas bandas fizeram da blasfémia (assim como críticas e provocações à religião) a sua grande arma de arremesso. Passo a mostrar alguns exemplos da arte associada.
De uma lista inicial foram escolhidas estas capas. Algumas primam pelo grotesco, outras são históricas dentro da cena musical em que se inserem. Em alguns países (como na América e Alemanha) chegaram a sofrer censura.
Apesar da mediatização de obras de arte (algumas medíocres) classificadas como blasfemas, como o batráquio crucificado apresentado neste espaço há algum tempo, há muita coisa “underground” e pouco conhecida bem mais “ofensiva”. Com excepção das bandas mais conhecidas, apenas dão polémica no próprio país, por norma.
Os Black Sabbath (que dispensam apresentações) foram uma das bandas mais importantes da cena rock/metal nos anos 70 e 80. The Last Supper (A Última Ceia) é um dos vídeos disponíveis no mercado, apresentando os músicos a invadir o quadro homónimo de Leonardo da Vinci. É caso para dizer que Jesus não parece muito à vontade…
Passando para os helvéticos Celtic Frost, destaca-se a capa do (excelente) álbum To Mega Therion, da autoria do reputado artista plástico H. R. Giger (o criador do extraterrestre da saga Alien).
Um exemplo não propriamente de blasfémia mas mais “político” (que não deixa de ser provocativo) é o álbum-compilação Laugh? I Nearly Bought One! dos britânicos Killing Joke.
Os americanos Slayer causaram polémica com o álbum God hates us all, cuja data de saída coincidiu com o 11 de Setembro de 2001. A capa foi entretanto “tapada” por uma mais “aceitável”.
Quando se fala no anti-cristo a primeira referência que aparece são os americanos Deicide (só eles justificavam um post completo). Passo a mostrar a capa original do álbum Once Upon a Cross e a versão censurada (tentem adivinhar qual é que é a original, não é difícil…).
A banda sueca de Black Metal Marduk é responsável por alguns dos títulos e cover-arts mais polémicos da história do metal, tal como o apresentado de seguida, o trabalho com o contundente nome Fuck Me Jesus. Sem palavras…
Se umas são verdadeiras obras de arte (como o desenho de H. R. Giger), outras mais parecem feitas de propósito para provocar.
Compreendo que algumas (senão todas) capas apresentadas possam ser ofensivas e ferir o chamado “sentimento religioso”, mas representam um exercício de liberdade de expressão, um dos pilares da democracia. E independentemente da boa ou má qualidade artística, há que garantir que no mundo ocidental nunca venha a haver censura e cedência às exigências e queixas dos líderes religiosos e outros particulares mais papistas do que o Papa que se julgam acima de tudo e todos.
E em pleno Sec. XXI, numa altura em que a maior ameaça de inspiração religiosa para a civilização se encontra dentro do Islão, não se compreende (ou talvez até se compreenda, pois grande parte das bandas vêem de países influenciados pela cultura judaico-cristã) porque é que as “armas” deste dominio artistico continuam apontadas em exclusivo para a cristandade.
Enquanto houver polémica à volta mais motivos se arranjarão para fazer mais capas (ou conceitos) deste tipo. Se tal não acontecesse podem crer que não teria piada nenhuma…
Post elaborado (e sugerido por) em colaboração com o nosso visitante e comentador, Ernesto Martins.
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5 Comentários
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” porque é que as “armas” deste dominio artistico continuam apontadas em exclusivo para a cristandade ”
Talvez pela mesma razão que as editores não pegam nos “Versículos Satânicos”. Porque têm medo.
José Simões
A qualidade crítica é excelente em todas, mas a artística, a meu ver, é apenas a imagem do Giger, que já conhecia obviamente, e que considero um dos seus mais interessantes trabalhos.
São apontadas críticas à cristandade porque são bandas ocidentais, logo sofrem mais com a subtil opressão cristã do que com as influências islâmicas. Simple.
A capa de Marduk é excelente! nhami…
Porque é com a igreja católica que os ocidentais tem que partilhar o espaço fisico. Somos sujeitos à sua influencia de forma permanente. O islão não me afecta de forma directa e continuada; não sou obrigado a conviver com ele.