A Bíblia é fértil em retratar formas de casamento que nada têm a ver com o conceito moderno do mesmo. São vários os exemplos de poligamia, incesto e infidelidade ao longo do vários livros, tanto no Antigo como no Novo Testamento. A objecção feita à homossexualidade na Bíblia é o principal argumento de muitos cristãos conservadores que se opõem ao casamento homossexual.
Numa tentativa de validação desses argumentos, Lisa Miller da Newsweek, escreveu a peça de capa da edição de 6 de Dezembro com o título “Our Mutual Joy“.
Deixo-vos aqui, como aperitivo, os primeiros e os últimos parágrafos do artigo em causa:
“Let’s try for a minute to take the religious conservatives at their word and define marriage as the Bible does. Shall we look to Abraham, the great patriarch, who slept with his servant when he discovered his beloved wife Sarah was infertile? Or to Jacob, who fathered children with four different women (two sisters and their servants)? Abraham, Jacob, David, Solomon and the kings of Judah and Israel-all these fathers and heroes were polygamists. The New Testament model of marriage is hardly better. Jesus himself was single and preached an indifference to earthly attachments-especially family. The apostle Paul (also single) regarded marriage as an act of last resort for those unable to contain their animal lust. “It is better to marry than to burn with passion,” says the apostle, in one of the most lukewarm endorsements of a treasured institution ever uttered. Would any contemporary heterosexual married couple-who likely woke up on their wedding day harboring some optimistic and newfangled ideas about gender equality and romantic love-turn to the Bible as a how-to script?
Of course not, yet the religious opponents of gay marriage would have it be so.”
E o último parágrafo “reza” assim:
“More basic than theology, though, is human need. We want, as Abraham did, to grow old surrounded by friends and family and to be buried at last peacefully among them. We want, as Jesus taught, to love one another for our own good-and, not to be too grandiose about it, for the good of the world. We want our children to grow up in stable homes. What happens in the bedroom, really, has nothing to do with any of this. My friend the priest James Martin says his favorite Scripture relating to the question of homosexuality is Psalm 139, a song that praises the beauty and imperfection in all of us and that glorifies God’s knowledge of our most secret selves: “I praise you because I am fearfully and wonderfully made.” And then he adds that in his heart he believes that if Jesus were alive today, he would reach out especially to the gays and lesbians among us, for “Jesus does not want people to be lonely and sad.” Let the priest’s prayer be our own.”
Para terminar, e já que estamos a abordar o tema do casamento homossexual, fica também um vídeo produzido pela Newsweek – Is gay the new black? – que aborda a legitimidade da comparação da luta por direitos iguais para os homossexuais com a luta travada nos anos 60 pela comunidade afro-americana.
[video]http://www.youtube.com/watch?v=3yk7ifzueSE[/video]
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Pensava que na entrada do novo milênio, os carros iam flutuar, o tele-transporte seria o meio de transporte mais eficiente.
Mas não as coisas estão ainda do mesmo jeito, o que importa a tecnologia, toda está era software se as cabeças das pessoas são as mesmas, ou piores. Mas uma vez repito deixam as pessoas serem felizes eles querem beijar, abraçar, sorrir,da maneira que sintam melhores.
Um segredo eu sou bissexual, dane-se essa sociedade coronealista, hipócritta, essa religiosidade mentirosa, o que eles querem provar ou mudar. Um toque para os conservadores coloquem idéias novas em mentes velhas, saiam do armário e coloque a cama na varanda.
Abraços
“A objecção feita à homossexualidade na Bíblia é o principal argumento de muitos cristãos conservadores que se opõem ao casamento homossexual.”
Primeiro: a oposição contra o “casamento” homossexual nem sequer é primeiramente fundamentada na Bíblia. É fundamentada na racionalidade, coerência e nas leis básicas e universais que regem a natureza. O aco homosexual sempre foi anti-natural, antes de haver Bíblias, e assi será até ao fim ds séculos.
Segundo: Correcção na parte dos cristãos conservadores. Esta não é uma questão de conservadorismo ou de liberalismo. Qualquer católico honesto, sério e coerente é contra esse tipo de uniões. É tão básico e natural ser contra uma coisa que não é natural como a fome e a sede…
Terceiro: Casamento homossexual não existe. O significado de uma palavra anula o significado da outra.
Caro João,
Estou plenamente de acordo com o terceiro tópico que você escreveu. A nossa sociedade ocidental ditou que o jogo de linguagem do casamento compreender apenas pessoas de sexos diferentes.
Mas não percebi o que quer dizer com o seguinte: “O aco homosexual sempre foi anti-natural”. O que é natural e o que é artificial? Se um homem nascer com as mesmas ligações no corpo caloso, como numa mulher, entre hemisfério direito e esquerdo terá tendências para a homossexualidade. E isto não é algo natural? Não nasceu assim? E aqueles caso em que uma pessoa nasce com XXY (em vez de XY), não será isto natural?
Se acha que a homosexualidade é artificial como explica o facto de existir entre os animais (por exemplo Bonobos) ?
Penso que esse argumento do anti-natural é muito falacioso… existem melhores argumentos!
Não existem argumentos homofóbicos que não se baseiam em relatos religiosos ou em preconceitos. Vá-se lá saber porquê, não é?
Enfim. Quanto ao que a bíblia diz, ou à forma como é interpretada, nem comento. Já é costume. Desde que não me venham estorvar ou fazer estragos à minha frente…
Zé,
Eu disse anti-natural, não porque é artificial mas porque vai contra a natureza. A tendência homossexual existe na natureza, nos animais e no homem ela existe também, logo essa mesma tendência não é imoral nem considerada pecado pela Igreja.
O mal, o imoral e anti-natural é o acto homossexual em si e, consequentemente, uma união, “casamento” legal (mas não lícito moralmente), adopção de crianças…etc… Isso sim, é imoral e anti-natural. Ao ter o acto homossexual como bom, como “normal”, estas últimas consequências são inevitáveis e inacaitéveis porque (voltamos ao mesmo) são fundadas num acto mau em si mesmo.
Por essa tendência ser natural, ou seja, ocorre naturalmente em certos indivíduos, há animais que praticam esses actos, por puro instinto. No homem, porque é racional e está sujeito a um conjunto de leis básicas e universais (Lei Natural e Lei Moral), não lhe é permitido ceder a esses instintos imorais que em nada têm a ver com a sua natureza. O problema é a tentativa de muitos “cérebros” dos dias de hoje se esforçarem, em diferentes campos, para que essa tendência má em si mesma seja tida como normal. Quando se trata de um desvio que, em vez de ser incentivado, deve ser compreendido como incorrecto e nesse sentido instruir a sociedade para não colaborar a disseminar o erro.
Devemos respeitar as pessoas que erram, nunca o erro em si e muito menos incentivar e aplaudir o erro. Daí a Igreja ser contra o acto homosexual, mas aceita, como boa mãe, os filhos homossexuais, tentando sempre que eles trilhem o bom caminho, quanto mais não seja o da castidade.
Caro João C.
Compreendo e aceito a tua argumentação; estou de acordo contigo no que se refere ao casamento legal, adopção de crianças, etc… No entanto, ainda não compreendi os pressupostos e as premissas em que te fundamentas. Porque dizes que em si o acto homosexual é imoral e anti-natural? Dizes que o acto “Isso sim, é imoral e anti-natural”. Mas penso que te esqueces-te de explicar porque é que é imoral e anti-natural. podes explicar?
Existe um acto mau em si?
O Zé toca exactamente na ferida. Quase que adivinho que uma resposta possível é que é imoral porque a Bíblia assim o diz. Porque, afinal, depois de bem espremidos todos os outros argumentos, acabam por ser sempre esse a que conservadorecos de têm que agarrar.
Mas, eu pergunto aos opositores do casamento gay: em que é que essa suposta imoralidade vos incomoda? em que é que vos prejudica? O que é que vocês têm a ver com isso?
Que não seja reconhecido o casamento homossexual como contrato e cerimónia religiosa eu aceito… Agora, não consigo perceber porque é que quem quer que seja se há-de opor ao casamento civil entre duas pessoas maiores de idade.
Para além de conservadorecos, são mesmo homofóbicos. Chiça!
A aversão desta gente à homossexualidade parece-me bastante simples e resume-se apenas a uma frase:
“O fruto proibido é o mais apetecido”.
Se oferecessêmos um chicote ao Zé e umas ligas de cabedal ao João C., não estaríamos a polemizar: ficaríamos sim a deliciar-nos com um extraordinário peep-show!
Helder Sanches,
“Quase que adivinho que uma resposta possível é que é imoral porque a Bíblia assim o diz.”
Pois adivinha muito mal. O que é que para si quer dizer imoral? E a moralidade tem a ver apenas com o comportamento com os outros, ou também com o próprio? O suicidio é moral? Cortar um dos meus braços só porque me apetece é moral?
“Mas, eu pergunto aos opositores do casamento gay: em que é que essa suposta imoralidade vos incomoda? em que é que vos prejudica? O que é que vocês têm a ver com isso?”
Incomoda-me tal como me incomoda todos os comportamentos que tornem as pessoas infelizes. Incomoda-me que alguém se drogue, porque sei que isso não a vai fazer feliz, apesar dessa pessoa naquele momento pensar que a sua felicidade passa pela droga. Tenho tudo a ver com isso, porque considero muito importante a felicidade dos outros, e não apenas a minha. Aliás, em muitos aspectos a minha felicidade depende da dos outros, por isso tento importar-me com eles, como meus irmãos.
“Agora, não consigo perceber porque é que quem quer que seja se há-de opor ao casamento civil entre duas pessoas maiores de idade.”
Mais uma vez pergunto, porque é que dois irmãos não podem casar? São mesmo discriminadores, chiça!
Lucas Samuel, cada vez está mais parecido com o António Sala, por favor tente não escrever tanta coisa com falta de graça…para sua felicidade e para nossa!
Kill the fags just it
Caro Pedro Silva,
«Incomoda-me tal como me incomoda todos os comportamentos que tornem as pessoas infelizes.»
Ok. E então?
«Incomoda-me que alguém se drogue, porque sei que isso não a vai fazer feliz, apesar dessa pessoa naquele momento pensar que a sua felicidade passa pela droga.»
A liberdade de nos incomodarmos é-nos garantida assim como a de fazermos com o nosso corpo o que quisermos.
E então?
« Tenho tudo a ver com isso, porque considero muito importante a felicidade dos outros, e não apenas a minha. Aliás, em muitos aspectos a minha felicidade depende da dos outros, por isso tento importar-me com eles, como meus irmãos.»
Mais uma vez: E então?
Não deveria esperar pelo pedido de ajuda antes de ajudar?
Ou considera que será bem recebido ao querer ajudar alguém sem que ninguém o tenha pedido?
A auto-estima e diginidade de quem precisa de ajuda não passará pelo reconhecimento do pedido de ajuda apenas no caso de este existir?
Alguém já o tentou ajudar sem que você necessite disso?
Se sim, como se sentiu?
Não a considerou à primeira vista uma tentativa de intromissão na sua esfera privada?
Em resumo:
Essa historieta de ajudarmos os outros é muito bonita mas a sua praxis tem de ser devidamente acautelada:
As bruxas purificadas pelo fogo durante os tempos do “reino de deus” – vulgo inquisição – não terão muito a agradecer à vossa benigna preocupação pelo salvamento das suas almas, pois não?
Abraço
Abraão Sivus